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Posa o Ideias Feitas. Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. Alberto, tu andas a analisar muito as visitas a Portugal. Ontem foi Lula, hoje Maria Corina Machado.
Eu estava te dizer, acho que não ouviste, que eu ando resfriado. Já é o terceiro Ideias Feitas seguido que faço com esta voz miserável.
Espero que hoje estejas melhor.
Eu estou melhor, a voz é que não. Mas o resfriado me impediu de ter concebido há poucos segundos uma piadola, digamos, e dizer que a vida é como o ciclismo, dá muitas voltas. E é exatamente aquilo que tu acabaste de descrever, porque ontem o doutor Montenegro encontrou-se com o senhor Lula, que é um chefe de Estado, claro que sim, mas que tem lutado o suficiente contra a democracia no seu país. Espero que não o suficiente, mas tem lutado quanto baste contra a democracia no seu país e na medida das suas felizmente limitadas possibilidades, contra a democracia em diversas regiões do mundo. E hoje o primeiro-ministro, o doutor Montenegro, encontrou-se com Maria Corina Machado, que não é chefe de Estado, mas que tem dedicado a sua vida à causa democrática e é fácil de perceber que isso tem trazido sacrifícios pessoais. E muito oportunamente, o Observador entrevistou a líder da oposição venezuelana. Vale a pena ler na íntegra, mas eu gostava de destacar da entrevista duas ou três coisas. A primeira é a defesa intransigente que a senhora faz de Donald Trump. Ela fala do senhor Trump várias vezes ao longo da entrevista, mas resume tudo na seguinte frase: "Os venezuelanos sabem que o presidente Trump é o único chefe de Estado que arriscou a vida de alguns dos seus cidadãos para promover a liberdade na Venezuela." E noutro momento acrescenta que não encontrou um só venezuelano ofendido com a entrega do Nobel da Paz a Donald Trump. Isto já tem algum significado por si só, como se imagina, mas o mais interessante da entrevista é a tentativa diplomática da senhora Maria Corina Machado de tentar evitar comentar, ela começou por evitar comentar, por contraste com o presidente dos Estados Unidos, as ações dos líderes europeus. Quando questionada sobre o apoio da Europa, ela respondeu que sente esse apoio principalmente por parte das pessoas, subentende-se as pessoas anônimas que a interpelam nos eventos, nas ruas, etc. E quando questionada sobre as razões de ter estado em Espanha e não se ter encontrado com Pedro Sánchez, Maria Corina Machado preferiu lembrar as dezenas de milhares de cidadãos que se juntaram há dias em Madrid para defender a democratização da Venezuela. Mas a certa altura, isto é o mais interessante quanto a mim, a senhora Maria Corina Machado deixou a diplomacia de parte e disse o que, a meu ver, precisava de ser dito. E passo a citar, é uma citação um bocadinho mais longa, diz ela que: "Na Venezuela foram cometidos crimes contra a humanidade, documentados pelas Nações Unidas e pela Organização dos Estados Americanos. E devo dizer que a justiça internacional não agiu." "Não agiu", repete ela. "Milhares de venezuelanos foram assassinados e as suas vidas foram destruídas, um terço do nosso país foi forçado a sair e neste momento nós finalmente vimos o chefe dessa organização criminosa ser preso, enquanto outros se esconderam, enquanto outros chegaram ao ponto de justificar os abusos escondendo-se atrás da retórica da autodeterminação dos povos. Outros lucraram com esquemas de corrupção desenfreada e brutal, com o saque do país, enquanto as nossas crianças passavam fome. E o atual presidente dos Estados Unidos agiu." Fim de citação. Face a isto, é expectável que Maria Corina Machado não deve estar longe de entrar na lista das pessoas mais odiadas pelos do costume. É de notar que ela praticamente cumpriu os critérios todos para suscitar essa aversão ou esse ódio. Ela defende a intervenção na Venezuela de Donald Trump, expõe com clareza e impaciência a corrupção moral da famosa comunidade internacional, reduz, embora delicadamente, com educação, os líderes europeus à sua irrelevância mais ou menos cúmplice com ditaduras e, para cúmulo, tem sido até ver alguém que em vez de se limitar a usar a palavra liberdade como um xisbec, como um ornamento, ela tem se sacrificado pela liberdade, de fato, contra o regime comunista e criminoso que muitos apreciam e muitos outros toleram sem dificuldade nenhuma. A senhora Maria Corina Machado, acho que é preciso dizer, é um exemplo no bom sentido e espero que tenha a vontade e a oportunidade para continuar a ser esse exemplo. E de brinde, ainda é possuidora de um extraordinário sentido de humor. E para não voltar a citar a entrevista do Observador, recomendo apenas que leiam a resposta da senhora à última pergunta. E a pergunta foi: "O líder socialista português, José Luís Carneiro, esteve na Venezuela. Como viu essa viagem?" E a resposta de Maria Corina Machado é um primor que eu recomendo que leiam e que leiam o resto da entrevista, já agora, evidentemente.
Obrigado, Alberto, e as tuas melhoras.
Muito obrigado, Ricardo. Até amanhã.
E a esta hora a equipe do Sporting que está a sair do hotel no Porto vai para o Estádio do Dragão, porque mais logo:
Futebol Clube do Porto, Sporting. Dragões e Leões jogam o último clássico da temporada na luta por um lugar nos Açores. Esta quarta-feira, a partir das 8 da noite, emissão especial com relato em direto do Futebol Clube do Porto, Sporting. A Taça de Portugal joga-se na Rádio Observador.
O que têm em comum Sérgio Sousa Pinto e Miguel Pinheiro?
Ora lá está. Cá está a prova do crime.
A frontalidade e o espírito crítico sobre a política e a atualidade.
Tu também o que me interessa é a liberdade. É a liberdade e não gosto desta coisa de pessoas que vivem possuídas de certezas absolutas, quererem apropriar-se da lei para impor as suas conceções aos outros.
Realpolitik.
Não, não conseguimos resolver o problema do SNS, eu achei que ia dar. Não devias pôr o SNS como eu te tenho dito. Desculpa, tens toda a razão. Vou tentar fazer melhor.
Para ouvir na Rádio Observador, à quarta-feira depois do jornal do meio-dia e em todas as plataformas de podcast. O Realpolitik tem o apoio da AIMAP, a metalomecânica responsável por 24 mil milhões de euros de exportações.
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Rádio Observador, são 18h58 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora nos A