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À uma hora. As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. O ciclone Gabriel já chegou aos Açores, mas deixou de ser um furacão de categoria um e passou a um ciclone pós-tropical. No entanto, mantém a força de um furacão, isto é, vai atingir as ilhas do grupo central dos Açores com ventos na ordem dos 200 km/h e ondas em alto-mar que podem chegar aos 18 metros. Por isso, as autoridades mantêm-se em alerta máximo. Por exemplo, na ilha do Faial, 46 pessoas já foram retiradas de casa preventivamente, devido ao risco de inundações. Em entrevista à Rádio Observador, o dirigente da Delegação Regional dos Açores, do Instituto Português do Mar e Atmosfera, Carlos Ramalho, explica o impacto do ciclone tropical Gabriel.

Começamos já a sentir algumas influências, como as bandas de precipitação e aproximação da região e a provocar já chuva, especialmente nas ilhas do grupo ocidental. Quanto ao vento mais forte, prevê-se que chegue durante a madrugada e manhã de amanhã. Principalmente ao grupo central também, e também a forte agitação marítima é mais provável no grupo central, onde se prevê que seja mais elevada. Por isso, temos avisos vermelho de precipitação, vento e agitação marítima para o grupo central e para o grupo oriental. Temos a laranja de vento e de agitação marítima e amarelo de precipitação para São Miguel e Santa Maria também.

Carlos Ramalho diz ainda que ao longo da tarde e amanhã a situação deve acalmar. Entretanto, o governo central decidiu que os serviços do Estado nas ilhas dos grupos ocidental e central do arquipélago vão encerrar esta sexta-feira, à exceção dos serviços considerados urgentes e essenciais. Também a Capitania do Porto de Ponta Delgada determinou o fecho de toda a navegação de oito portos na ilha de São Miguel, entre a 01:00, hora local, e também às 07:00 da manhã de sábado. Já a SATA e também a TAP estão a cancelar voos de e para os Açores a partir desta quinta-feira até esta sexta-feira. E o Presidente da República acredita que vai promulgar a nova lei dos estrangeiros apresentada pelo governo se for aprovada no Parlamento. Marcelo Rebelo de Sousa espera que o novo diploma tenha tido em conta as ressalvas levantadas pelo Tribunal Constitucional no mês passado. Desta forma, o chefe de Estado acredita que o diploma pode mesmo passar, até porque não se lembra de ter mandado a mesma lei duas vezes para os juízes do Palácio Ratton.

Eu vou examinar a lei de estrangeiros quando ela vier do Parlamento. Ela vai para o Parlamento, no Parlamento é votada, depois eu examino. E ao examinar, se eu chegar à conclusão que corresponde àquilo que disse o Tribunal Constitucional, promulgação. E provavelmente é aquilo que acontece. Eu não me lembro de ter vetado ou ter mandado segunda vez para o Tribunal Constitucional uma lei que é alterada, é expurgada, quer dizer, suprime determinadas normas ou modifica normas, depois da decisão do Tribunal Constitucional. Agora, de repente, não me lembro de nenhuma.

O Presidente da República, na inauguração da Feira do Livro, no Palácio de Belém. Quanto às novas medidas para a habitação, Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar e confessou não ter ainda olhado para o projeto. O chefe de Estado esteve hoje nos Estados Unidos, onde também participou na Assembleia das Nações Unidas. Veio, assim, desse período nos Estados Unidos, depois dessa Assembleia Geral das Nações Unidas, a última vez que Marcelo participa na qualidade de Presidente da República. E o Primeiro-Ministro considera que as medidas do governo para a habitação são ousadas e ambiciosas. No entanto, diz que fazem parte do desenvolvimento de um projeto com cabeça, tronco e membros. O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira várias medidas para o setor da habitação, desde logo uma descida do IVA para 6% na construção de casas com valor até aos €648 mil, ou arrendamento até aos €2300. Luís Montenegro fala de um plano que promete fomentar mais habitação no parque público, ou seja, naquilo que depende do governo, da administração central e também das autarquias locais. Ainda como garantir o acesso a uma habitação digna e a um prazo razoável. Quanto à educação, e depois de visitar as novas instalações da Residência Europa, em Beja, o Primeiro-Ministro diz que avança que o governo prevê contratualizar mais de 19 mil camas para estudantes até o final deste ano. Pedro Passos Coelho deixa alertas na saúde e defende que a estabilidade política não depende apenas do Parlamento. Uma posição defendida pelo antigo primeiro-ministro na apresentação do livro "Parcerias Público-Sociais: o caso dos hospitais desnacionalizados". Passos Coelho aponta falhas à gestão da despesa com a saúde.

Nós temos um problema de gestão na saúde, um grave problema de gestão. Vamos ver quem é que tem força, autoridade e sabedoria para o resolver. É outra coisa. Mas têm de conquistar as pessoas para poderem durar, têm de convencer os profissionais para que eles possam aderir. E isso não pode ser feito senão num horizonte, num contrato social e político mais alargado, com alguma estabilidade. E essa estabilidade depende da perceção que as pessoas possam ter da relevância dessas políticas. Não é da força no Parlamento. Um governo pode ser minoritário e não lhe faltar força nenhuma na sociedade para fazer de uma forma que as pessoas percebam que é necessário. Claro, se os governos têm medo de tirar isso a limpo, torna-se difícil obter o apoio das pessoas.

O antigo primeiro-ministro defende que os problemas no setor não se resolvem com revoluções ou contra os profissionais, mas sim com vontade política. Passos Coelho realça ainda que a crítica sobre o enorme descontrolo da despesa pública na área da saúde não tinha como destinatário um responsável político ou também um governo em concreto, e salienta que é um problema de há vários anos. E Mário Centeno admite que a nova sede do Banco de Portugal vai custar quase 192 milhões de euros. Quanto ao preço final, diz que a Deus pertence. Depois desta declaração, Mário Centeno reconheceu que não se deve evocar o nome de Deus em vão, mas reiterou o argumento de não ter um valor final. O governador do Banco de Portugal explica também que o valor da aquisição do edifício, em Entrecampos, no centro de Lisboa, é de 192 milhões de euros. No entanto, há um custo adicional que diz respeito ao interior do edifício, razão pela qual não pode revelar o montante final. De acordo com Mário Centeno, o ministro das Finanças está a par dos valores. O antigo ministro das Finanças critica ainda a divulgação de informação que considera confidencial sobre a nova sede do Banco de Portugal. O ainda governador do banco central português esteve esta quinta-feira a ser ouvido no Parlamento, a propósito da polêmica que envolve a nova sede do supervisor da banca, um caso revelado pelo Observador. Em julho, o Observador noticiou que o negócio de mais de 190 milhões de euros foi decidido por Mário Centeno a pouco mais de dois meses do fim do seu mandato e apesar de ter sido considerado de alto risco pelos assessores jurídicos do Banco de Portugal, Centeno diz agora que o banco não pode tolerar a exposição de dados confidenciais.

O banco falhou momentaneamente quando permitimos que informação confidencial e sensível fosse divulgada publicamente, quando reuniões do Conselho de Administração do banco foram transmitidas de forma truncada e dados sujeitos a sigilo foram expostos publicamente. Não podemos tolerar.

O governador é ouvido a pedido do CDS. O partido de Nuno Melo tinha apresentado um requerimento a pedir documentos ao Banco de Portugal sobre o negócio da sede, mas ainda não chegou nada. E o secretário-geral do PS pede ponderação ao Presidente da República sobre o diploma relativo à extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e admite mesmo pedir uma apreciação parlamentar. À margem da reunião do Conselho Estratégico do partido, José Luís Carneiro criticou o governo e acusa o Executivo de ter conduzido uma política do sigilo em relação a este diploma. O secretário-geral do PS diz que vai esperar ponderação do Presidente da República, mas admite levar à discussão a apreciação parlamentar.

No nosso entender, como foi dito também pelo nosso coordenador do Conselho Estratégico, deveria ser objeto de uma apreciação mais alargada, nomeadamente em sede parlamentar, mas não apenas em sede parlamentar, porque as instituições, e essa julgo que é a principal mensagem política, é que as instituições de ensino superior, os centros de investigação científica no país, os investigadores, devem merecer a mais elevada concentração da parte dos responsáveis políticos do país.

José Luís Carneiro, na sede do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa. E o Parlamento chumbou o reconhecimento da profissão de bombeiro como de desgaste rápido. Os projetos de lei do PCP e do Bloco de Esquerda foram chumbados e contam com votos contra de PSD, Iniciativa Liberal e também a CDS-PP, a abstenção de PS e os votos favoráveis do Chega, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e também JPP. Foi ainda aprovado um projeto de lei do PCP para reforçar direitos e regalias dos bombeiros. No desporto, o Futebol Clube do Porto venceu o Red Bull Salzburg por 1 x 0. Os Dragões visitaram os austríacos no arranque da Liga Europa e foi já no último minuto que o William Gomes deu a vitória ao Futebol Clube do Porto, num golo já de fora de área. O treinador dos azuis e brancos, Francesco Farioni, diz que foi um bom jogo, mas reconhece que a partida foi equilibrada.

Salzburg fez um bom jogo. Foi uma partida muito equilibrada. Houve intensidade muito alta dos dois lados. Não há jogos fáceis, sobretudo no contexto europeu, mas este esteve longe de ser o nosso melhor jogo. Concedemos demasiadas oportunidades. O resultado é muito bom e avançamos para o jogo em Arouca.

Declarações de Francesco Farioni à Sport TV. Com esta vitória, o Futebol Clube do Porto começou esta Liga Europa da melhor maneira. Os azuis e brancos levam já sete triunfos consecutivos em provas oficiais. E Rui Costa, candidato à presidência do Benfica, volta a negar que José Mourinho seja um trunfo eleitoral e revela que o português não vai receber mais dinheiro do que recebia o antigo treinador Roger Schmidt. O presidente do Benfica esteve esta noite em entrevista na TVI e CNN Portugal, onde abordou o mau momento da equipa e recusou tirar culpas para o anterior treinador Bruno Lage. Sobre Mourinho, Rui Costa agradece o esforço feito pelo Special One e fala num contrato valioso, mas bem abaixo do normal para o treinador português.

É um contrato valioso.

Mais valioso do que era de Bruno Lage.

Não, por exemplo, mais valioso, mas por exemplo, posso ir por aí, não está acima daquilo que foi Roger Schmidt. Posso dizer também que é o salário mais baixo que José Mourinho tem desde que saiu de Portugal. A vontade de José Mourinho vir para o Benfica foi uma das coisas que me fizeram acreditar muito mais ainda que é o treinador ideal para o Benfica neste momento. E teve a responsabilidade de perceber a realidade do futebol português, assim como a realidade do Benfica neste momento, que está em período eleitoral.

O atual presidente do Benfica, Rui Costa, na primeira entrevista depois de anunciar a recandidatura à presidência do clube encarnado. Ponto final neste noticiário da uma da manhã. Regresso dentro de 20 minutos para a síntese informativa. Continue com a Rádio Observador.