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A Hora. As notícias com João Costa Campos.
Boa noite. A Proteção Civil registou mais de 1200 ocorrências relacionadas com o mau tempo esta sexta-feira. A maioria das ocorrências estão relacionadas com queda de árvores e queda de estruturas pelo vento forte. A região Centro e Lisboa e Vale do Tejo são as áreas mais afetadas. São, nesta altura, mais de 10 mil as ocorrências registadas desde terça-feira, o início da depressão Christine. Cerca de 235 mil pessoas continuam sem energia em Portugal continental, é o que avança esta noite a empresa E-Redes. A maioria dos clientes sem luz está no distrito de Leiria. São mais de 180 mil pessoas. Seguem-se depois as regiões de Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Coimbra. A E-Redes, a empresa responsável pela distribuição de eletricidade, ressalva que os impactos da depressão Christine não têm paralelo com outros fenômenos recentes em Portugal. O presidente da E-Redes admitiu que só na quarta-feira é que 80% dos clientes vão ver restabelecida a energia. É a previsão deixada por José Careto.
Aquilo que nós estamos a prever, caso não haja um agravamento significativo das condições meteorológicas, e a senhora Ministra da Energia hoje já o referiu, é podermos ter 80% das nossas ligações, dos clientes ligados à rede, no prazo de cinco dias, o que quer dizer que acabará no domingo próximo. Depois os restantes 20% serão mais difíceis de recuperar. Estamos a falar de situações já muito distribuídas para esta zona.
O presidente da E-Redes, em entrevista à Sic Notícias, José Careto, diz que foram destruídos cerca de 50 postos de alta tensão e 700 quilômetros de rede. Em Coimbra, foi normalizado o abastecimento de água, é o que faz saber a presidente da autarquia. Numa nota enviada à Lusa, Ana Abrunhosa diz que o abastecimento de água já está totalmente restabelecido em todo o Conselho de Coimbra e que o número de habitações sem fornecimento de eletricidade foi significativamente reduzido. Passou de 10 mil para 2400 pessoas no Conselho de Coimbra sem energia. Em Pombal, a ajuda tem dificuldade em chegar às aldeias mais isoladas. É o alerta da vice-presidente da Câmara, que diz que a situação está estagnada. O grande desafio é chegar às pessoas fora dos centros urbanos. É o que explica Isabel Marto.
A maior parte da nossa população vive em aldeias, cerca de 40 mil pessoas. Temos 2 mil quilômetros de vias por desobstruir e temos muita gente no terreno, cerca de 500 pessoas no terreno. Ainda assim, parece que se vê pouca evolução. Ainda há muitas aldeias, muitas casas às quais ainda não conseguimos chegar. Isso é um problema, porque depois não conseguimos prestar auxílio.
Até porque a comunicação não está, para já, restabelecida em todo o território, o que dificulta o pedido de apoio às diversas entidades. É o que retrata a vice-presidente da Câmara de Pombal, Isabel Marto.
Não tem havido comunicações, portanto, tem sido difícil sequer transmitir as nossas necessidades à Proteção Civil, porque a Proteção Civil, as antenas SIRDEZ não funcionaram. Só ontem que se começou a restabelecer alguma comunicação e, portanto, é que nós começámos a transmitir as necessidades e começou a haver algum apoio externo, mas que ainda é muito insuficiente.
Aqui as dificuldades no apoio às aldeias mais isoladas em Pombal. É um retrato aqui deixado à Rádio Observador pela vice-presidente da Câmara Municipal de Pombal, Isabel Marto. Marcelo Rebelo de Sousa admite um problema nas estruturas portuguesas, que têm falta de capacidade para resistir a fenômenos extremos. O presidente da República esteve esta noite em Leiria, acompanhado pela ministra da Administração Interna, a acompanhar os trabalhos de recuperação dos danos. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o grande desafio não é a antecipação dos fenômenos, mas sim as fracas condições do edificado.
Não é um problema de prevenção, é um problema de estruturas, umas mais recentes, outras mais antigas, que se chegou à conclusão que não aguentam este tipo de-
Podiam-se ter prevenido essas estruturas.
Não, quer dizer que essas estruturas são estruturas, algumas delas, históricas, pontes históricas caíram. Outras são mais recentes. Estruturas como o terminal rodoviário, fortemente recentes. Telhados de escolas, instalações de fábricas que têm décadas. Comunicações, que umas são antigas, outras são mais recentes. Está visto que há uma desatualização em termos de estruturas.
Ainda assim, na situação atual, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que tudo está a ser feito para ajudar a população afetada. Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve esta noite em Leiria, um dos pontos mais afetados pela passagem da depressão Christine. Depressão Christine que continua também a marcar a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais. António José Seguro abandonou um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato nem chegou a sentar-se à mesa, certificou-se de que não havia música a tocar. Entrou por uma porta lateral em direção ao púlpito e Vasco Maldonado Correia explicou a centenas de apoiantes que não podia ficar.
Era para ser um momento de festa, mas a catástrofe provocada pelo mau tempo obrigou a mudar os planos. Seguro manteve o jantar que estava previsto para esta sexta-feira em Viseu
Mas apareceu contido para transmitir uma mensagem logo à chegada.
Eu só não cancelei esta minha vinda aqui esta noite por respeito a cada uma e a cada um de vós. Mas compreendam que esse mesmo respeito é devido a todas e a todos os portugueses que estão a passar, neste momento, uma situação de grande aflição.
E logo ficou claro, apesar das centenas de apoiantes na sala, que este não seria um comício tradicional.
Quero vos pedir do fundo do coração que compreendam que eu não vos dirijo hoje nenhuma mensagem política, nem nenhuma mensagem eleitoral.
Seguro pede desculpa e explica que vai abandonar o evento.
E quero também pedir a vossa compreensão. Quero vos pedir vivamente. Compreendam que eu não fique mais neste jantar. Tenho vindo aqui para vos dar este abraço, para vos agradecer do fundo do coração a vossa confiança.
O resto da noite e os próximos dias são para arranjar soluções, garante o candidato.
Este é um momento daqueles em que é preciso fazermos aquilo que temos que fazer. E neste momento, o meu dever é continuar em contacto com os autarcas, com as pessoas e, sobretudo, fazer tudo, a termos de propostas e de ideias, para ajudarmos quer o Estado português e os organismos do Estado português, quer os privados, a poder minorar a vida aflitiva destas pessoas.
Os apoiantes ficaram, o candidato não. Tão rápido como chegou, Seguro saiu da sala, de ar cabisbaixo, mas debaixo de aplausos, em homenagem a todos os afetados pela Depressão Cristina. O jornalista Vasco Maldonado Correia, que está a acompanhar a campanha de António José Seguro, que abandonou esta noite um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato aproveitou a ocasião para apresentar uma nova proposta: a criação de uma linha de apoio à tesouraria das empresas que não conseguem funcionar por causa do mau tempo.
Aquilo que pior podia acontecer é que as pessoas que estão em casa, aflitas ou que tiveram danos nas suas casas, agora também pudessem ficar privados dos seus salários. Eu falei com vários empresários esta tarde e essa é uma das preocupações, que haja linhas de apoio à tesouraria das nossas empresas que estão nessas dificuldades. E simultaneamente, também, apoiar com essas linhas investimentos de recuperação dessas empresas.
É a proposta aqui deixada por António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista à Presidência da República. A Comissão Nacional de Eleições garante que o voto antecipado para as presidenciais não está comprometido, mesmo nas zonas afetadas pela Depressão Cristina. À Rádio Observador, o porta-voz André Vemanes diz que as estruturas estão adaptadas para que no domingo os eleitores inscritos para votar antecipadamente o possam fazer com normalidade.
Logísticamente, está tudo pronto para o voto antecipado em mobilidade que se desenrola este domingo, dia 11 de fevereiro. Com a situação atual, a informação que temos é que em alguns pontos poderá haver alterações de onde será o voto antecipado em mobilidade, devido ao sítio onde estava previsto ter sido danificado e por isso não poder abrigar o voto antecipado. Mas até agora a informação que tenho, com a situação verificada até o momento, é que será possível ter o voto antecipado em mobilidade em todos os conselhos onde há eleitores registados para o fazerem neste domingo.
Declarações de André Vemanes, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições garante à Rádio Observador que o voto antecipado não está de todo comprometido pelas estruturas que foram danificadas pela passagem da Depressão Cristina. Adianta mesmo que os conselhos estão, nesta altura, responsáveis por divulgar as informações sobre as situações em que o local de voto é alterado. Fica por aqui este Jornal da Uma. A informação está de regresso à antena da Rádio Observador, daqui a pouco, à 13h30. Até já.