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As notícias com João Gama.
Boa noite. Já terminou a cirurgia a Marcelo Rebelo de Sousa, no Hospital de São João. O Presidente da República foi operado esta noite a uma hérnia. A Presidência da República assegura que Marcelo está acordado e bem-disposto. O Presidente da República sofreu uma paragem de digestão e os médicos entenderam que seria melhor dar entrada nas urgências antes de regressar a Lisboa, à capital do país. Em conferência de imprensa na última hora, a presidente do Conselho de Administração do hospital, a médica Maria João Batista, admitiu que a cirurgia envolve sempre algum risco, mas que Marcelo Rebelo de Sousa estava bem de saúde. É agora feito um novo ponto de situação no Hospital de São João, no Porto. Vamos ouvir a reboque da CNN Portugal.
Está bem-disposto e fez questão, ele próprio, de dizer que correu tudo bem.
E durou cerca de uma hora e meia, portanto, sem complicações, efetivamente, nenhumas?
Sem complicações. Nós temos aqui a nossa diretora clínica, a doutora Elisabete, que esteve também na cirurgia e que pode dar algum detalhe, se assim o entenderem. Mas repito, a cirurgia correu bem, não houve complicações. Era importante ter sido operado já, neste momento. Portanto, foi uma cirurgia que foi perfeitamente atempada, mas que era importante ser agora e está tudo bem.
O que é que poderia ter acontecido se não tivesse sido agora?
Exatamente.
Podia ter havido algumas complicações que podem acontecer quando nós temos hérnias encarceradas que não são tratadas a tempo útil. Como eu dizia há pouco, se o sangue deixa de circular, aquele tecido morre e pode ser necessário retirar uma parte do intestino.
E se olharmos para os próximos dias, como é que vão ser? Já conseguimos dizer agora como é que vai ser?
Foi determinante o momento em que foi decidido pela equipa ter vindo para o hospital e pela nossa equipa ter sido feito o diagnóstico e ter sido decidida a cirurgia.
E os próximos dias, doutora, como é que vão ser?
Qual é o tempo previsto para a recuperação?
É expectável que, estando a correr tudo bem, o tempo de recuperação seja relativamente curto.
Mas vai se manter aqui no hospital?
Vai se manter aqui no hospital enquanto for necessário. Mas, como eu disse há pouco, cada pessoa tem uma forma de recuperar. Vamos ver como é que o senhor presidente vai manejar esta.
Ou seja, a viagem de regresso pode ser ou não perigosa?
Acho que neste momento temos que pensar naquilo que é a recuperação do senhor presidente durante esta noite e depois pensamos nisso.
De qualquer das maneiras, estamos sempre a falar de... É uma pessoa muito ativa, muito dinâmica. Vai haver aqui uma vigilância, um cuidado especial para que ele, em segundos, volte a trabalhar?
O senhor presidente vai receber os cuidados que qualquer utente necessita e de acordo com aquilo que a sua situação clínica exige.
De qualquer das maneiras, estamos sempre a falar de dois, três dias, no mínimo, de internamento aqui.
É variável, mas estaremos a falar, previsivelmente, em dois dias.
Se pudermos agora, se calhar, ouvir a doutora que esteve presente na cirurgia, a doutora Elisabete Barbosa, consegue-nos explicar mais tecnicamente como é que foi esta cirurgia?
Determinante que tivesse sido feita neste momento a cirurgia?
Foi mesmo determinante, porque a hérnia estava encarcerada e, portanto, se tivesse corrido mais tempo, teríamos que fazer ressecção intestinal, que felizmente, por ser tratada atempadamente, não foi necessário.
Consegue-me explicar que tipo de cuidados o senhor presidente vai ter agora de tomar nos próximos dias?
Agora vai ter que repousar, o intestino voltar a funcionar, recuperar a função e não estou a prever que haja mais complicação nenhuma.
Consegue nos explicar, para lá em casa também perceberem, desconstruindo um bocadinho estes termos médicos, se a cirurgia não tivesse ocorrido esta noite, poderia haver complicações e quando falamos nessas complicações, na prática, como é que seriam no dia a dia de uma pessoa e de um presidente da República?
Ora bem, se a cirurgia não tivesse sido feita atempadamente, o que ia acontecer é que ia haver uma isquemia intestinal e, portanto, teríamos que fazer ressecção intestinal e uma ressecção intestinal tem sempre alguns riscos e uma recuperação que demora muito mais. Assim, foi só a correção da hérnia.
É uma situação clínica que se pode voltar a repetir?
É sim, o senhor presidente já tinha antecedentes de hérnias. Esta foi uma hérnia diferente e nada relacionada com as outras que teve. Foi uma hérnia de Spiegel, uma hérnia abdominal e, portanto, pode aparecer uma hérnia no tecido qualquer, sim.
Tendo em conta o estilo de vida do senhor presidente, que já todos conhecemos, perguntar-lhe mais uma vez que tipo de cuidados é que vai ter nos próximos dias e novamente o tempo previsto para a recuperação.
Nestes dias vai ter mesmo que repousar, e já falamos nisso antes da cirurgia. Portanto, diminuir um bocadinho a atividade e os cuidados é não fazer esforços, mas estou convencida que dentro de duas semanas estará recuperado.
Portanto, apto para voltar a uma atividade de presidente da República.
Quais foram as causas?
As causas são fraquezas da parede abdominal e que, portanto, dão lugar a que o conteúdo abdominal, neste caso, uma ansa de intestino delgado, ficasse encarcerada e, portanto, não dentro da cavidade abdominal onde deveria. Os sintomas que o senhor presidente apresentava eram sintomas de oclusão intestinal, vômitos, porque de facto o intestino estava ali preso e não funcionava.
Mais alguma coisa no dia a dia que o próprio presidente da República possa fazer daqui para frente, por exemplo, para que este caso não se volte a repetir ou não tem nada a ver com o estilo de vida que uma pessoa pratica?
Não, é assim, as hérnias aparecem em pessoas que fazem muito exercício físico, não é? O senhor presidente é uma pessoa muito ativa, não é? Portanto, vai ter que reduzir um bocadinho nestes tempos mais próximos a sua atividade.
Myrtha, duas semanas de repouso implicam uma reestruturação completa da agenda do senhor presidente da República. Já discutiram isso, as viagens que o presidente tinha previstas não se poderão realizar. Como é que a agenda do senhor presidente se vai reestruturar perante esta situação?
O senhor Presidente já queria discutir isso agora. Acho que consigo convencê-lo a discutir isso amanhã. É óbvio que a agenda de amanhã e destes dias está cancelada, e a seguir veremos.
Mas poderá haver aqui uma substituição?
Substituição de quê?
Deixem-me dar nota que é importante nós percebermos, como eu dizia há pouco, que cada pessoa tem uma forma específica de recuperar. Portanto, em média, é expectável que haja duas semanas, mas é possível, tendo a cirurgia corrido bem e o pós-operatório estar a evoluir bem, que seja mais rápido. É importante nós percebermos que o senhor Presidente, nos próximos dias, vai agendar com a sua equipa a agenda, desculpem o pleonasmo, de acordo com a situação clínica que esteja.
Falava há pouco da possibilidade do presidente da Assembleia da República poder, de acordo com aquilo que está previsto, assumir algumas funções.
O que está previsto é a substituição, em caso de incapacidade do presidente. Não é o caso. Ele está perfeitamente capaz, já teve a discussão comigo, já queria rever a agenda, é o presidente que todos conhecemos.
E a mensagem de tranquilidade que passou no início, antes da operação, é a mesma que se mantém no pós-operatório?
Ainda mais, porque a operação correu muito bem, a equipa foi fantástica, correu tudo muito bem. Nem esperávamos outra coisa de um hospital destes, do Serviço Nacional de Saúde. E o senhor Presidente, se tiver que fazer alguma adaptação na agenda, fará, mas continuará a exercer as suas funções plenamente.
Todos conhecemos Marcelo Rebelo de Sousa, uma pessoa extremamente dinâmica. Veem aqui uma dificuldade incontrolável que passe?
É muito difícil eu responder essa pergunta.
Quanto a vez não é, o senhor Presidente poderá receber visitas aqui no hospital nos próximos dias?
O senhor Presidente da República, que eu volto a dizer que está muito bem, já dissemos todos a mesma coisa, mas é importante que percebam que está perfeitamente bem, logicamente poderá receber as visitas que qualquer utente nesta instituição recebe depois de uma cirurgia. Sim, pode receber visitas.
Fica então aqui novamente o ponto de situação.
O segundo ponto de situação sobre a condição clínica de Marcelo Rebelo de Sousa. Ouvimos aqui, a reboque da emissão da CNN Portugal, esta conferência de imprensa no Hospital de São João, no Porto. A Casa Civil do Presidente da República volta a rejeitar substituir Marcelo Rebelo de Sousa em funções e saímos com essa garantia de que a cirurgia correu bem e Marcelo Rebelo de Sousa, apesar do repouso a que vai ser sujeito, está bem de saúde, continua bem disposto. Entretanto, somam-se reações. Luís Montenegro já conversou com Marcelo Rebelo de Sousa, está a acompanhar a situação, informação apurada pelo Observador. Vários candidatos presidenciais já desejaram as melhoras ao presidente da República. Henrique Coveia e Melo, Jorge Pinto e António José Seguro estavam nas televisões quando receberam a notícia, desejaram todos rápidas melhoras ao chefe de Estado. Já na rede social X, Luís Marques Mendes desejou um rápido e completo restabelecimento. Na mesma rede social, Catarina Martins, João Cotrim Figueiredo e António Filipe desejaram rápidas melhoras ao chefe de Estado. O mesmo fez André Ventura. Na rede social X, o líder do Chega e também candidato presidencial a desejar o regresso com saúde e energia ao presidente da República. O mesmo fez José Luís Carneiro, líder do Partido Socialista, deseja que a cirurgia decorra com toda a segurança, o que acabou por se verificar. Rui Tavares, Isabel Mendes Lopes, do Livre, desejam rápidas melhoras ao presidente da República. O mesmo faz Inês Sousa Real, porta-voz do PAN. O apelo ao voto útil à esquerda entrou nos debates presidenciais. António José Seguro diz que está a lutar para haver um candidato de esquerda na segunda volta desta corrida a Belém. Jorge Pinto acredita que muita água vai correr nas eleições presidenciais. O candidato apoiado pelo Partido Socialista e o candidato apoiado pelo Livre mediram forças esta noite na RTP, o debate que ficou marcado pelo apelo ao voto útil. António José Seguro diz que nestas eleições Jorge Pinto não é o seu adversário e deixa uma pergunta ao deputado do Livre, Jorge Pinto, que também é candidato presidencial.
Eu até queria perguntar ao Jorge Pinto se ele consegue visualizar um cenário de segunda volta em que estivessem, por exemplo, só dois candidatos de direita e que eu não estivesse presente. Eu quero dizer com muita clareza que eu não vim aqui combater contra si. Não é o meu inimigo.
Nem o meu.
Ótimo. Eu estou a lutar para que a esquerda, o centro-esquerda, a esquerda democrática, tenha uma presença na segunda volta e isso só poderá ser conseguido se houver uma convergência de votos na minha candidatura.
Eu acho que ainda muita água vai correr. Nós vemos nas sondagens a percentagem de eleitores que ainda está indeciso. Eu vim mesmo para ser candidato.
E vai até o fim na primeira volta, não é?
Eu vou até o fim porque eu sei o que farei se for presidente da República.
António José Seguro que quer ser o candidato da esquerda moderada na segunda volta destas eleições. Neste debate na RTP, olhou-se para o passado de cada um dos candidatos. Jorge Pinto lembrou o legado de Seguro durante a governação nos tempos da troika.
Como é que o Orçamento do Estado para 2012, quando há até deputados do Partido Socialista que quebraram a disciplina de voto para votar contra, António José Seguro defendia a abstenção? Portanto, essa abstenção violenta, na verdade, é uma passividade. E depois, como eu disse, o Tribunal Constitucional deu razão a vários destes pontos. Portanto, alguém quer ser o defensor da Constituição, este legado não consegue apagar.
E Seguro rejeitou qualquer desconforto com ser um candidato de esquerda, diz antes que é da esquerda responsável.
A minha vida fala por mim. Eu sou militante do Partido Socialista há mais de 40 anos, sou uma pessoa de esquerda, da esquerda responsável, aquela esquerda que traduz os valores e os princípios em soluções concretas para que as pessoas possam viver melhor e portanto estou bem com a minha candidatura.
Já admite essa gaveta?
Eu sou do espaço do socialismo democrático, da social-democracia, e sobre isso não há dúvidas absolutamente nenhumas. Não sei se o Jorge Pinto se lembra, mas na altura da troika, um período muito difícil para o nosso país, em que eu estive sempre do lado da responsabilidade e do lado da defesa do interesse de Portugal.
Declarações deste primeiro debate à esquerda para a Presidência da República. Nem António José Seguro, nem Jorge Pinto querem os ovos todos no mesmo cesto, com blém estar alinhado com São Bento na família política, mas não se entendem para uma candidatura comum. Ainda na corrida presidencial, Henrique Covey Melo insiste há um universo que o separa de José Sócrates. Apesar de ter o voto do antigo primeiro-ministro, o almirante deu hoje à noite uma entrevista à CMTV, na qual foi confrontado sobre ter Afonso Camões como mandatário. Afonso Camões que foi apanhado em escutas com o próprio José Sócrates para ser diretor do Jornal de Notícias há 10 anos. O candidato presidencial não encontra contradições e volta a desvalorizar o sentido de voto de José Sócrates.
Não é contraditório, porque são pessoas diferentes. O ex-presidente José Sócrates nem me deu apoio, disse que votaria em mim.
É um apoio implícito.
Mas, vamos lá ver. Não conheço o ex-presidente José Sócrates de jeito nenhum, nunca me encontrei com ele. Como disse, há um oceano que me separa de certas candidaturas, há mesmo um universo que me separa dele. O que eu achei? É que esse anúncio era um anúncio até contra mim e não um anúncio que me tentasse ajudar.
Uma entrevista do almirante Henrique Covey Melo esta noite na CMTV. Donald Trump vai reunir o Conselho de Segurança Nacional para discutir a relação com a Venezuela. Quem o diz é a porta-voz da Casa Branca. A reunião vai ter no centro da discussão os mais recentes ataques norte-americanos contra embarcações suspeitas de transportar droga na costa da Venezuela. Já na semana passada, o presidente norte-americano avisou que as Forças Armadas vão começar muito em breve a deter os traficantes de droga venezuelanos por terra, após as operações no mar. E no sábado avisou Donald Trump que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado totalmente fechado. Fechamos também com desporto. O Sporting de Braga visitou a casa do Arouca para vencer por 4 x 0. Goleada dos Guerreiros do Minho a encerrar a 12ª jornada da Primeira Liga de futebol. O Braga ficou em superioridade numérica logo aos 15 minutos e venceu com dois autogolos da equipa da casa. Com esta vitória, os bracarenses sobem ao sexto lugar com os mesmos pontos que o Moreirense. O Arouca, que vem de quatro derrotas seguidas, está neste momento na penúltima posição do campeonato nacional.