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Observador. Jornal das 10, com edição do Miguel Gato e começamos com o debate de ontem entre João Cotrim Figueiredo e António Filipe, que estiveram frente a frente na SIC. Os dois candidatos à Presidência da República discordaram, Miguel, em quase tudo.

E falaram sobre temas, por exemplo, como a saúde. Foi um dos principais destaques deste debate televisivo para as presidenciais, que opôs o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ao candidato apoiado pelo Partido Comunista Português. João Cotrim de Figueiredo explica neste debate o que faria, enquanto presidente da República, para apelar ao governo uma reforma no Serviço Nacional de Saúde.

É o período da história da existência do SNS em que mais cresceram os privados na saúde. Quando o SNS funciona mal, são os privados que mais ganham. Portanto, eu digo que é irresponsável não atacar este problema na base. E seja qual for a solução, eu, enquanto presidente da República, uma coisa perguntaria mil vezes: estamos a criar um sistema que alinha os interesses dos doentes com os interesses dos profissionais de saúde, com os interesses dos prestadores de saúde, hospitais e clínicas, laboratórios e centros de saúde, alinha ou não? Porque enquanto isso não acontecer, os problemas que temos estado a verificar, infelizmente, dia após dia, vão continuar a aparecer.

Já António Filipe faz uma análise oposta àqueles que são os problemas da saúde em Portugal. Considera que o problema é o resultado das políticas neoliberais dos últimos anos.

É preciso que haja um investimento claro por parte do Estado naquilo que é o seu dever, que é fortalecer o SNS, dando condições aos profissionais de saúde para que trabalhem no Serviço Nacional de Saúde e que os portugueses tenham uma garantia de que, independentemente da sua capacidade económica, tenham um apoio garantido no acesso à saúde. Porque o que se passa hoje é que as pessoas veem-se obrigadas a ter seguros de saúde, mas depois se o plafond do seguro é atingido no hospital privado, lá vão pro SNS. Eu creio que temos que afastar estas políticas neoliberais na área da saúde.

Mas onde é que está ele neoliberal?

O anteprojeto para a reforma laboral foi também um dos temas em destaque neste debate televisivo. António Filipe foi o primeiro a falar sobre o tema para criticar as medidas que o governo pretende implementar no setor do trabalho e saiu também em defesa da greve geral marcada pela CGTP e à qual a UGT também aderiu. Do outro lado, João Cotrim de Figueiredo confessa que não está de acordo com alguns pontos do anteprojeto do executivo Luís Montenegro, mas ao contrário de António Filipe, diz que promulgava a reforma laboral. João Cotrim de Figueiredo acusa ainda a CGTP de alinhar-se com as ideias do PCP.

Mas Miguel, também houve espaço para concordâncias neste debate.

Quando Cotrim de Figueiredo disse que tinha algumas ideias em comum com António Filipe, vamos ouvir esse momento.

Os neoliberais deste país, não é só a Iniciativa Liberal, no fundo, o que estão a fazer é querer vender ideias bafientas do século XIX como se fossem modernidades.

Isso é claramente ofensivo vindo da sua parte.

O que os jovens precisam é de uma vida estável.

Nós, surpreendentemente, vamos estar de acordo nalgumas coisas aqui.

Diga.

Estamos de acordo que é preciso mais emprego e é preciso melhores salários. E mais, estamos de acordo, eu pessoalmente acho lindamente que haja muito mais contratação coletiva, está a ver? Desde que seja livre.

Então como é que apoia isto?

Mas onde é que eu disse o contrário?

Alguns dos destaques do debate na SIC, ontem à noite, entre João Cotrim de Figueiredo e António Filipe.

Que vai estar em análise no explicador desta manhã, já depois deste jornal. São nossos convidados Liliana Reis, apoiante de Cotrim de Figueiredo, e João Ferreira, apoiante de António Filipe. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, considera ser evidente que a Rússia não quer alcançar a paz.

Os ministros da Defesa da União Europeia encontram-se hoje em Bruxelas para discutir o apoio militar para a Ucrânia, face à chegada do inverno e também para discutirem o plano de paz mediado pelos Estados Unidos. A reunião é encabeçada precisamente pela alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros. Kaja Kallas, à entrada deste encontro, reforça o apoio à Ucrânia nesta fase que considera ser muito difícil. É evidente que a Rússia não quer a paz e, por isso, temos que tornar a Ucrânia o mais forte possível, para que esteja pronta para se defender neste momento muito difícil. Esta pode ser uma semana crucial para a diplomacia. Ouvimos ontem que as conversações nos Estados Unidos foram difíceis, mas produtivas. Ainda não conhecemos os resultados, mas hoje vou falar com o ministro da Defesa da Ucrânia e com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia. Kaja Kallas, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, diz ainda que é importante pressionar o exército russo. Considera que este é o único que representa um risco para todos. O ministro da Defesa, Nuno Melo, não vai estar nesta reunião porque vai marcar presença na cerimônia do Dia da Independência, da Restauração da Independência, em Lisboa, cerimônia que se realiza também esta manhã.

Do outro lado do oceano, o presidente dos Estados Unidos tem uma opinião diferente de Kaja Kallas. Acredita que tanto a Rússia como a Ucrânia querem a paz.

São declarações que surgem depois de um encontro de negociações de paz entre uma delegação norte-americana e outra ucraniana, que aconteceu ontem no estado da Flórida. A bordo do avião presidencial, Trump diz também que está perto um acordo entre as duas partes. Já o presidente da Ucrânia recorreu à rede social X para agradecer aos Estados Unidos e prometer trabalho até ao fim do conflito. Volodymyr Zelensky, que já está em Paris, é a indicação que nos chega também das televisões neste momento. Já apareceram Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky juntos no Palácio do Eliseu. É recebido pelo chefe de Estado francês pela décima vez desde o início da guerra, que começou em 2022.

E vamos ainda ao futebol neste jornal. Futebol Clube do Porto e Sporting venceram ontem à noite os jogos desta 12ª jornada do campeonato.

Sim, os Dragões derrotaram o Estoril Praia ontem à noite por 1 a 0, no Estádio do Dragão. William Gomes foi o autor do único gol da partida, marcou aos oito minutos. E no final deste jogo, o treinador do Futebol Clube do Porto, Francesco Farioli, enalteceu o triunfo portista, mas não esqueceu a réplica adversária. Diz que o Estoril Praia jogou muito bem no Dragão.

Acho que, honestamente, o Estoril foi uma das melhores equipes a jogar aqui, quer pela organização, quer pelas qualidades individuais. O jogo não foi fácil, mas acho que faz parte do caminho. Acho que tivemos oportunidades para capitalizar o resultado um pouco mais cedo, mas em geral, o jogo foi exigente, como esperávamos, mas com certeza é um resultado importante que nos ajuda a avançar.

Já o Sporting Clube de Portugal goleou o Estrela da Amadora em Alvalade por 4 a 0. Rui Borges destaca a evolução da equipa ao longo da temporada.

O crescimento da equipa tem sido visível em todos os momentos do jogo. A equipa está cada vez mais bem preparada para aquilo que é a exigência, para aquilo que é a capacidade física também dos jogos, para aquilo que nós queremos, a intensidade que queremos meter nos jogos também. Por isso, é uma fase boa de confiança. Agora, essa confiança, às vezes, em excesso, não é muito boa. Por isso, não gosto de falar dessa parte de melhor momento de confiança. Não, a equipa está acima de tudo ligada.

Os Leões que venceram com gols de Luís Suárez, que bisou nesta partida, também gols de Ivan Fresneda e do defesa central português Eduardo Quaresma. Este Sporting-Estrela da Amadora que antecede o derby lisboeta. Benfica e Sporting defrontam-se na próxima sexta-feira no Estádio da Luz. Isto numa altura em que os três grandes estão na luta pelo título, uma luta acesa. Futebol Clube do Porto é o líder isolado do campeonato, neste momento com 34 pontos somados. O Sporting está no segundo lugar com 31. Já o Benfica está no terceiro lugar com 28 pontos.

Fica por aqui o Jornal das 10 com edição do Miguel Gato.