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Observador, são 10 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Os preços aceleraram em março e a inflação atingiu os 2,7%. Os dados acabam de ser divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística. Em fevereiro, a inflação homóloga tinha ficado nos 2,1%. É uma aceleração de 0,6 pontos, é o que indica a estimativa rápida do INE. Os dados ainda têm de ser confirmados. Conosco em estúdio está a editora de Economia do Observador, Alexandra Machado. Alexandra, bom dia. O INE é claro, diz que esta aceleração é quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis.
Sim, normalmente também chegam mais cedo. O impacto do preço dos combustíveis é imediato nos produtos energéticos, demora um pouco mais a ser transmitido ainda ao resto da economia. Portanto, se agora vemos este efeito do aumento dos preços de combustível já nos preços dos produtos energéticos, possivelmente ainda vamos ver a transmissão ao resto dos produtos e dos bens.
Ou seja, a uma subida ainda da inflação.
Sim, recordo até as recentes projeções do Banco de Portugal, já apontava ali, creio que no segundo trimestre, para um valor de inflação. O Banco de Portugal centra-se no índice harmonizado. É uma questão técnica, mas neste momento é igual. Em cima de 3%, já estamos aqui a falar de um patamar superior, que é esperado que aconteça nos próximos tempos, ainda mais porque a guerra no Irão que está a fazer esta disrupção novamente nos preços dos combustíveis e dos produtos refinados, em particular, continua. E o estreito de Hormuz, onde passam bastantes produtos petrolíferos e energéticos, está a criar algum efeito de aceleração de preços novamente. Noto também que nos dados do INE, os revelados, os produtos agrícolas, alimentares não transformados, continuam a subir e com crescimentos ainda relevantes.
E isso também tem a ver com as tempestades, provavelmente? A sequência das tempestades.
Os produtos alimentares já vinham a ter algum efeito de subida por questões climáticas e por outros aumentos de matérias-primas especificamente dedicadas aos produtos agrícolas. Os combustíveis e fertilizantes, neste caso em concreto, que também passam pelo Estreito de Hormuz, vão ser bastante importantes na agricultura e para esses preços nos próximos meses.
Portanto, estão a soar os sinais vermelhos, os sinais de alertação.
Estão a soar os sinais vermelhos, aliás, nada que o BCE, o Banco Central Europeu, já não tenha dado nota disso, embora com algumas cautelas, ainda não se atravessou no que vai fazer nas taxas de juro nos próximos tempos, mas os mercados já apontam para subidas em três momentos das taxas de juro do BCE este ano, quando antes deste fator da guerra do Irão, não se antecipava tantas subidas e uma delas poderá já acontecer em abril. Se sistema nos mercados, a ver vamos o que é que o BCE vai fazer já na reunião de abril.
Vamos aguardar por isso. Alexandra Machado, obrigada pelas explicações da editora de Economia do Observador, quando a estimativa rápida do INE revela que em março a inflação subiu, atingiu os 2,7%. Amanhã a Lei da Nacionalidade volta ao Parlamento e sem acordo que garanta a aprovação. O PSD diz que não é altura de reabrir a discussão sobre o tema, mas sim de atender às observações do Tribunal Constitucional. Foi o tema do explicador desta manhã, o deputado do PSD António Rodrigues justifica por que não esteve em cima da mesa assinar um acordo com o CHEGA.
O PSD entende que esta reapreciação da lei é meramente a questão de expurgar a pronúncia de inconstitucionalidades que o Tribunal Constitucional produziu em tempo oportuno. Esta lei é uma lei equilibrada. Esta é uma lei que prevê prazos mais largos, é verdade, mas não prevê exceções, não prevê um regime transitório, precisamente porque o Partido Socialista quis sempre, e continua a querer, que a lei não fosse uma lei para durar, mas fosse uma lei que fosse entrando em vigor, fosse uma lei que não fosse perentória, fosse uma lei que não tivesse adaptação àquilo que é a realidade de hoje.
Já a deputada do CHEGA, Cristina Rodrigues, não compreende os argumentos do PSD.
Eu não compreendo bem esta questão de não querer reabrir a discussão política, quer dizer, o Tribunal Constitucional obriga-nos a reabrir esta discussão. E se nós tivermos em conta que os últimos dois decretos, o PS votou contra, a Iniciativa Liberal é absolutamente indiferente como vota nestas circunstâncias, acho que era importante haver aqui um consenso entre o CHEGA e o PSD, tal como houve antes.
Já o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, é taxativo: de forma alguma os socialistas vão votar a favor da perda de nacionalidade.
É uma matéria que não vai haver entendimento nenhum. São dois decretos diferentes, um que trata a matéria da perda de nacionalidade, e quanto a essa, não há circunstância nenhuma em que o PS votará a favor, porque já explicamos no passado que é uma solução que mesmo com essas correções que a AD procura apresentar, dificilmente supera todas as questões que o tribunal identificou. E é um regime, no fundo, que vem convocar a nacionalidade para tratar assuntos de política criminal. Mas em segundo lugar, vem criar também, mesmo com esta redação, um tratamento diferenciado em função das pessoas que praticaram os crimes, serem ou não titulares de duas nacionalidades ou não.
Pedro Delgado Alves, António Rodrigues e Cristina Rodrigues foram os convidados desta manhã do Explicador. A nova versão da Lei da Nacionalidade é discutida amanhã no Parlamento, ainda sem acordo e, por isso, sem aprovação garantida. Este é o tema que faz manchete a esta hora no site do Observador. É uma hipótese admitida por Donald Trump: a guerra no Médio Oriente pode terminar mesmo sem reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos Estados Unidos terá concluído forçar a abertura do estreito. Esse cenário iria prolongar o conflito para além do prazo definido pelo próprio. Notícia avançada pelo Wall Street Journal, que cita fontes oficiais dos Estados Unidos. Esta manhã, na análise, o historiador Bruno Cardoso Reis destaca que as trocas constantes de narrativa por parte de Trump tornam o desenrolar do conflito ainda mais incerto.
O problema, ou um dos problemas, é realmente a grande incerteza em relação àquilo que são os objetivos dos Estados Unidos. Ou seja, temos Donald Trump, às vezes, no mesmo dia, a mudar radicalmente de postura e discurso. Ora diz que estamos à beira da vitória, ora diz que estamos à beira de um acordo, que também são coisas um pouco diferentes. Ora diz que vai destruir toda a infraestrutura energética do Irão se, por exemplo, o Estreito de Ormuz não for reaberto. Portanto, realmente é muito difícil perceber exatamente o que os Estados Unidos querem. E sabemos que, em última análise, isso quer dizer, no contexto político atual, o que Donald Trump quer.
Bruno Cardoso Reis esteve esta manhã no gabinete de guerra. Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje de emergência, depois da morte de três capacetes azuis no sul do Líbano. No terreno, o destaque vai para o ataque do Irão a um navio que transportava combustível ao largo dos Emirados Árabes Unidos. Houve um incêndio a bordo, mas as autoridades garantem que não houve vítimas. São 10h08, Carla, que outras notícias estão em destaque antes do Contracorrente? Ainda na atualidade internacional, a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, reúne-se hoje em Kiev, na Ucrânia, com os chefes da diplomacia dos países da União Europeia. O objetivo é assinalar o quarto aniversário do massacre de Bucha, na Ucrânia. De acordo com as autoridades locais, em Bucha, 509 civis foram mortos pelo exército russo, incluindo 12 crianças. A plataforma Lisboa em Defesa do SNS realiza esta manhã uma ação de protesto junto ao Hospital de São José. Os profissionais de saúde exigem mais condições e investimento no setor. Alertam também para o agravamento das condições de acesso aos cuidados de saúde. O reembolso do IRS automático deve chegar aos contribuintes no prazo de duas semanas. A meta é estabelecida pelo governo. Em declarações à agência Lusa, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais diz que a expectativa do Executivo é a de que os prazos médios de reembolso sejam próximos do ano passado. E fechamos este jornal com uma sugestão de peça de teatro que estreia amanhã. Dia das Mentiras. Exatamente. E não é por acaso.
Não é.
Não. A peça chama-se "Senhor Engenheiro, Alegadamente um Musical" e conta a vida e obra de José Sócrates, antigo primeiro-ministro, hoje arguido em vários crimes como corrupção passiva. É uma viagem que vai passar também pelo professor Marquês, necessariamente, e o objetivo é transformar a realidade nacional numa comédia musical. É rir pra não chorar. É rir pra não chorar. Vai estar em cena no Tivoli, em Lisboa, e depois mais tarde, em maio, no Coliseu do Porto.
Eu não sei se a peça é boa, mas a ideia parece maravilhosa. Eu adoro musicais.
Gostas?
Eu gosto muito de musicais.
É sim. Tu é que sabes da tua vida.
Ele não sabe da sua vida, exato.