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Notícias. Jornal das 10 com Miguel Vieira. Miguel, Vladimir Putin considera que a NATO veio substituir o nazismo depois da Segunda Guerra Mundial.
Foi num discurso esta manhã na Praça Vermelha, em Moscovo, a pretexto da celebração do Dia da Vitória da União Soviética sobre a Alemanha. O presidente russo diz que depois de Hitler, agora a Aliança Atlântica.
O grande feito da geração vitoriosa é inspirador. Guerreiros que atualmente desempenham tarefas de uma operação militar especial, enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da NATO. E apesar disso, os nossos heróis russos seguem em frente.
De resto, Vladimir Putin enaltece o papel que os militares estão a ter na defesa do patriotismo e da Mãe Rússia.
Ao lado destes guerreiros russos há trabalhadores, engenheiros, cientistas, inventores. Mantêm as tradições dos seus antecessores, recorrendo à experiência de combate moderna. Criam armas avançadas e únicas e utilizam-nas em grande escala. Há uma verdade constante: as pessoas fazem o destino do país. Temos um objetivo comum e todos os cidadãos russos contribuem para a vitória. Tenho a certeza de que a nossa causa é a correta. A vitória sempre foi e sempre será nossa.
O presidente russo salienta a importância de proteger os interesses da pátria, preservar a memória. Realça também o papel da União Soviética na libertação dos países que ficaram sob o jugo do regime nazi. É nosso convidado nesta edição das 10 da manhã, o professor Jorge Rodrigues, coordenador de risco geopolítico da Porto Business School. Professor, bem-vindo, bom dia. Obrigado pela sua disponibilidade. E apesar da disponibilidade precisamente manifestada ontem pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para retomar o diálogo com a Rússia, apesar da aparente proximidade com Donald Trump, a verdade é que Vladimir Putin aproveita esta ocasião para fazer esta comparação entre a NATO, o Ocidente e o regime nazi. É uma afirmação para consumo interno, é uma afirmação que revela ausência de uma vontade para estabelecer pontes?
Bom dia, Miguel. Eu julgo que será mais uma vontade de demonstrar, através de uma comunicação muito efetiva, que há aqui uma ligação entre os dois conflitos e que ambos irão terminar, ou um terminou em vitória e o outro irá terminar em vitória. Fazer esta ligação com o nazismo e com o conflito da Segunda Grande Guerra é nitidamente apelar internamente para uma mobilização e para um esforço comum, e que na Segunda Grande Guerra ficou evidente essa capacidade que Moscovo tem. Repare que nesse sentido, há aspetos laterais que acaba por passar a mensagem que o esforço efetuado na Segunda Grande Guerra foi muito superior e, portanto, ainda há margem de o conseguir. Passa uma mensagem de poder escalar de capacidade, seja através de meios, o Orosnik, o Sarmat, que tem ameaçado, seja nas perceções de inclusivamente estar disposto a sofrer mais baixas. Nesse sentido, pressiona a Europa, não julgo que feche portas, mas pressiona no sentido de poder estabelecer uma relação, mas em posição de força.
Vladimir Zelensky, o presidente ucraniano, aceitou e confirmou esta noite a decisão da Ucrânia aceitar o cessar-fogo de três dias, por vontade do regime ucraniano ou muito mais por pressão dos Estados Unidos?
Muito mais por pressão dos Estados Unidos. Isto por quê? Porque queria contrariar exatamente a demonstração de Putin, que controla todo o processo. Ou seja, quer evitar exatamente que haja aqui uma perceção de domínio por parte dos russos. A iniciativa no terreno é russa, sem dúvida, mas é mínima. E portanto, há aqui a capacidade de resistência que a Ucrânia pretende mostrar e não está propriamente numa posição de fraqueza. Mas a verdade é que estava perante um dilema. Se não aceitasse, dava aqui uma justificação, uma escalada, e essa escalada foi bem orientada para ataques diretos a infraestruturas político-civis em Kiev. Nesse sentido, permitiria essa escalada e, de alguma forma, também permitiria um maior afastamento de Donald Trump do apoio. Sabemos quão importante é esse apoio, seja diretamente através de uma pressão política, seja indiretamente fornecendo armamento ou permitindo que os europeus comprem armamento para reforço das tropas ucranianas. Nesse sentido, era quase obrigatório aceitar, apesar de, por experiência muito recente, os russos não respeitaram o cessar-fogo proposto unilateralmente por Zelensky.
Professor Jorge Rodrigues, muito obrigado pela sua presença neste Jornal das 10 da manhã. Jorge Rodrigues, coordenador de risco geopolítico da Porto Business School, a pretexto desta intervenção de Vladimir Putin por ocasião do Dia da Vitória das forças russas sobre o regime nazi.
Na Praça Vermelha, em Moscovo, estiveram alinhados milhares de soldados num desfile que pela primeira vez em 20 anos não teve armamento pesado.
E para além dos militares, marcaram também presença alguns líderes internacionais. O caso de Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia. De resto, é a segunda vez consecutiva, o único líder da União Europeia a marcar presença em Moscovo. A assistir ao desfile, esteve também o presidente da Sérvia, Sinisa Karan, presença habitual e com menos surpresa, o primeiro-ministro da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.
Ainda sobre este conflito na Ucrânia, a Rússia mostra-se aberta a retomar o diálogo com a Europa.
Sem, no entanto, dar o primeiro passo. E é isso que diz o Kremlin face à vontade manifestada ontem pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para que seja possível retomar o diálogo entre a União Europeia e a Rússia. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, diz que sim, muito bem, mas a iniciativa tem que partir da Europa.
Estaremos prontos para avançar com o diálogo se os europeus estiverem dispostos ao mesmo. Contudo, como Putin repetiu várias vezes, não iniciaremos tais contactos mediante a posição assumida pelos europeus.
Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, em declarações à imprensa russa
Mudamos de assunto. O PSD recusa conflitos institucionais depois de chumbada pela segunda vez a perda de nacionalidade pelo Tribunal Constitucional como pena acessória.
Sim, foi reconfirmado esse chumbo pelos juízes do Palácio Ratton, depois do período de fiscalização do PS. O Tribunal Constitucional considera que se trata de uma medida discriminatória, que viola, por exemplo, o princípio da igualdade entre cidadãos originários e cidadãos com nacionalidade adquirida. Recebida a decisão, o PSD, pela voz do líder parlamentar Hugo Soares, rejeita entrar agora em qualquer conflito institucional com o Tribunal Constitucional.
A Lei da Nacionalidade era, para nós, essencial e ela foi promulgada pelo senhor Presidente da República. Quanto à perda da nacionalidade como sanção acessória, que foi hoje declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, nós temos tempo para analisar o acórdão e nós falaremos com todos os partidos que apoiaram a aprovação dessa lei no Parlamento. Mas também fui muito claro quando disse que não provocaremos nenhum conflito institucional por força desta declaração por unanimidade do Tribunal Constitucional.
Essa é precisamente uma possibilidade admitida pelo Chega. André Ventura admite insistir no diploma que agora foi chumbado pelo Constitucional. É uma das possibilidades.
Ou reconfirmar esta lei com a maioria que há hoje no Parlamento e reconfirmá-la, dizer que independentemente desta interpretação, nós estamos convencidos disto. Quem comete crimes graves em Portugal, como estes de homicídio, violação, terrorismo, deve perder a nacionalidade portuguesa. O Parlamento deve ter a coragem de dizer e de reconfirmar isto. Se o PSD não o quiser fazer, nós vamos insistir nisto. Eu quero deixar claro que nós vamos insistir nisto. Ainda hoje procurarei falar com o líder do PSD.
Foi isso que disse ontem à noite André Ventura, em reação a esta decisão do Constitucional. O PS, por Eurico Brilhante Dias, líder da bancada parlamentar, espera que com esta decisão a proposta caia por terra e de vez. Já Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, diz que os juízes do Tribunal Constitucional agiram e interpretaram de forma correta a lei fundamental. Também o Bloco reagiu. José Manuel Pureza afirma que o Governo soma derrota atrás de derrota e acusa o primeiro-ministro Luís Montenegro de se transformar numa cópia de Ventura.
Vamos agora a outras notícias que também estão em destaque a esta hora, a começar pelo estado do tempo, Miguel.
Sim. 14 distritos de Portugal continental estão este fim de semana sob aviso amarelo devido à previsão de chuva. É o que adianta o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. A casa de Bednarek, defesa polaco do Porto, foi assaltada. O jogador e a família regressavam a casa ontem à noite, quando foram surpreendidos pela presença de um assaltante no interior da habitação. O intruso amiçou Bednarek e a família com uma faca, roubou vários bens no valor de € 150 mil. Apesar do susto, o jogador do Porto e a família não sofreram ferimentos. A PSP deslocou-se ao local pouco depois do alerta. Entretanto, a investigação está nas mãos da Polícia Judiciária. Corre este sábado a segunda etapa da Volta à Itália em bicicleta, que passa também por outros países. É o caso da tirada de hoje, a 220 km, a ligar Burgas, na Bulgária, a Vale Cotarno. É uma etapa de sobe e desce. À partida, o francês Paul Magnier, da Quick-Step, segue de camisola rosa, símbolo da liderança, com uma vantagem de quatro segundos para Tobias Andresson. O português António Morgado, da Team Emirates, é sexto a oito segundos do primeiro. Rally de Portugal, edição 59. A prova segue em Amarante a esta hora, o troço mais longo do rally. Já passou por Felgueiras e Cabeceiras de Basto. Nelson, como é que estão as coisas?
Está Ogier na liderança. Tem uma vantagem de cinco segundos para o belga Thierry Neuville. Em terceiro está o finlandês Sami Pajari. Como dizias, ainda se percorre a esta hora a PEC, o troço mais longo do Rally de Portugal, com 26 km. Amarante. A próxima etapa é a partir das 11h, a etapa 14, que será em Paredes.
Aqui fomos deitando um olho a este Rally de Portugal, este terceiro dia do Rally de Portugal, como dizias, liderado pelo francês Sebastien Ogier.
E ontem também com essa particularidade de ter sido invadido por um reboque. Não sei se viste essa imagem.
Vi, sim.
Que levou ao cancelamento de uma das especiais. Há mais notícias com o Miguel Videra às 10h30.