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Miguel Cordeiro. Jornal do Meio-Dia com Miguel Cordeiro. Em destaque a esta hora: para o PS, o governo está a criar instabilidade para tapar os problemas dos serviços públicos. Na Rádio Observador, Alexandra Leitão reagiu dessa forma à mensagem de Natal do primeiro-ministro.

A líder parlamentar do PS diz que Luís Montenegro quer esconder os problemas, como o encerramento de urgências e a falta de professores. É desta forma que Alexandra Leitão reage à essa mensagem de Natal do primeiro-ministro, que, entre outros temas, abordou a insegurança no país. A líder parlamentar do PS acusa o Executivo de Montenegro de estar numa deriva populista.

Na verdade, há um contraste a vários níveis. Há um contraste a nível daquilo que é essa ideia de estabilidade, que quem primeiro cria instabilidade é o governo, ao cavalgar uma perceção de insegurança que não existe. Não existe insegurança, existe uma perceção de insegurança que o governo tem utilizado para tapar os problemas dos serviços públicos, e já vou a seguir falar disso, desse contraste com a realidade também. O que se assistiu na semana passada, mesmo antes do Natal, foi exatamente que, a coberto dessa perceção, o governo tem entrado numa deriva populista, quer ao nível da segurança, quer ao nível do tratamento que faz dos imigrantes, e quer ao nível também daquilo que fez, por exemplo, em matéria de Estado social.

A líder parlamentar do PS considera que a adesão do governo às ideias da extrema-direita é preocupante. São declarações do programa Explicador, esta manhã aqui na Rádio Observador, onde foi também ouvido Hugo Soares. O líder parlamentar do PSD aponta o dedo à reação dos partidos que criticaram a operação policial no Martim Moniz.

Eu acho absolutamente inacreditável. Absolutamente inacreditável, e acho até de uma desfaçatez sem limites, que a propósito de uma operação policial que aconteceu na semana passada, que eu queria aqui cumprimentar, vou repetir, queria cumprimentar as forças e os serviços de segurança que a executaram, que a propósito dessa operação, se acuse o governo de totalitarismo ou de tiques autoritários, a propósito daquilo que é a obrigação do governo e das forças e dos serviços de segurança: garantir a paz, garantir a segurança, garantir a defesa do património, dos bens.

Sobre a mensagem de Natal do primeiro-ministro Hugo Soares sublinha que, entre outras coisas, Luís Montenegro quis dizer que Portugal é um referencial de estabilidade.

E o CDS apoia a política de segurança do governo e alega que as críticas da esquerda não fazem sentido.

Em reação do líder parlamentar do partido que integra o governo do PSD, à mensagem de Natal do primeiro-ministro, Paulo Núncio defende que várias das políticas às quais o chefe do Executivo fez referência correspondem a causas pelas quais o CDS se tem batido nos últimos anos. Entre elas está a política de segurança do governo e, por isso, o centrista considera que Luís Montenegro fez muito bem em colocar a questão da segurança na mensagem de Natal.

Está a ser preparada uma queixa para entregar à Provedora de Justiça contra a operação policial no Martim Moniz e é assinada por dezenas de pessoas.

A queixa partiu de várias associações que trabalham no terreno e que consideram a operação policial da PSP na Rua de Bem Formoso, em Lisboa, desproporcionada e violou o Estado de Direito. A queixa é noticiada hoje pelo Diário de Notícias, deve ser entregue no dia 6 de janeiro à Provedora de Justiça. Entre as personalidades que a assinam contam-se vários deputados de partidos de esquerda. À Rádio Observador, Isabel Moreira, socialista, uma das subscritoras, diz que quer uma resposta da Provedora de Justiça, não só sobre a proporção desta operação, como também sobre a dignidade das pessoas visadas.

A dignidade da pessoa humana. É evidente que aquelas pessoas sobre as quais não recaíam suspeitas específicas, ou seja, simplesmente estavam naquela rua e foram encostadas contra a parede, foram registadas, a sua privacidade foi invadida, ficaram traumatizadas. Eu tive a ocasião de falar com algumas dessas pessoas no dia em que descemos à rua para oferecer cravos e foi de facto o momento em que verificámos in loco o trauma psicológico de uma comunidade que se sente agora estigmatizada.

Ainda esta semana, o semanário Expresso noticiou que a IGAI abriu um processo administrativo sobre a operação da PSP no Martim Moniz, mas não tinha ainda recebido qualquer queixa quanto ao comportamento da polícia. Isabel Moreira diz que este é o tempo de deixar a investigação prosseguir.

Em Lisboa, estamos a passar um período de greve à recolha do lixo. Sem resposta da Câmara, os trabalhadores da higiene urbana prometem continuar os protestos e até durante 2025.

Hoje só os serviços mínimos estão a ser cumpridos. A adesão ronda os 80%. O balanço foi feito esta manhã pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa. A greve ao trabalho suplementar continua até depois da passagem de ano e os trabalhadores apontam Carlos Moedas como o principal responsável. Escutamos a reportagem do jornalista João Gama.

Num dia normal, caminhões do lixo entram e saem do Polo dos Olivais dos Serviços Municipais de Higiene Urbana, mas no dia a seguir ao Natal está perto de uma centena de trabalhadores que não arreia o pé. Muitos têm coletes fluorescentes, são a cara de quem limpa a cidade de Lisboa, mas isso só se faz com amor à camisola.

Porque uns reformam-se e nós temos, às vezes, que fazer das tripas coração, digamos assim, para deixar a cidade limpa.

Fernando Seabra recolhe o lixo há 26 anos em Lisboa. É um dos muitos trabalhadores que apontam o dedo ao presidente da Câmara.

O senhor Carlos Moedas apareceu aqui uma vez ou duas, mas não é só o senhor Carlos Moedas, isto já vem há muitos anos. Chegam só na altura em que ganham as eleições, aparecem aqui um dia e nunca mais querem saber dos trabalhadores.

Ao seu lado está Filipe Figueiredo, são colegas há 20 anos, diz que quer ratificar promessas que, insiste, Carlos Moedas não cumpriu.

Para se dar também tem que se receber, não é assim? E neste caso, acho que ir ao encontro dos trabalhadores, os trabalhadores também irão dar o seu contributo. E esta é a solução Saber liderar.

Pede diálogo à Câmara Municipal de Lisboa e quer os trabalhadores no centro das preocupações de Carlos Moedas.

Jornada da Juventude, houve dinheiro para tudo e mais alguma coisa, para empresas contratarem tudo e mais alguma coisa. E quando é para dar aos trabalhadores, para a gente poder executar o nosso trabalho da melhor maneira, não há avanço.

As críticas de quem, ainda antes do sol nascer, assinala o arranque da greve geral da recolha do lixo na cidade de Lisboa. Reportagem nas Olaias, no pólo da Câmara Municipal de Lisboa, onde cerca de uma centena de trabalhadores assinalou o primeiro de dois dias de greve geral na recolha do lixo.

No futebol, Rui Borges foi apresentado como novo treinador do Sporting. O técnico transmontano diz que é a melhor prenda de Natal que poderia ter tido.

Custa 4 milhões e 100 mil € ao Sporting e troca a cidade de Berço por Lisboa. Rui Borges foi apresentado esta manhã no Estádio José de Alvalade. Falou aos jornalistas, numa conferência de imprensa em que sublinhou, principalmente, as diferenças para os antecessores. É o que nos conta o jornalista André Maia. Se houver quem ainda não tenha memorizado, o novo técnico do Sporting fez questão de sublinhar bem o nome e escreve-se de forma diferente dos anteriores.

O Rúben é o Rúben, o João é o João e o Rui Borges é o Rui Borges. Não tento imitar ninguém, nem nunca irei fazê-lo.

Rui Borges diz que não quer imitar ninguém e por isso fica a dúvida: será que vai jogar no mesmo sistema de Rúben Amorim com três centrais? A resposta é nim.

Construímos muitas vezes a três, ok, podem dizer, mas não é com central, ok, mas é com médio, é com lateral. Por isso que eu digo, o sistema é muito relativo.

A tática fica em segredo, mas o plantel está à vista e para Rui Borges é suficiente, seja em que sistema for.

Eu olho para o plantel, é o melhor plantel. Feliz com os que estão, os disponíveis que estão. Vamos ser competentes com os jogadores que temos, vamos ser competitivos.

E para isso, a chave, diz Rui Borges, está na crença dos jogadores, nas ideias do novo treinador.

Eu costumo dizer que enquanto treinador dou 15% daquilo que o jogo dá, coletivo. Por isso, se eles acreditarem nos meus 15%, vamos ter muito sucesso, não tenho qualquer dúvida disso. Vamos ganhar muitos jogos, que é esse o objetivo.

E o primeiro é já contra o Benfica, este domingo, e em contrarrelógio. E como é que Rui Borges vai preparar o derby?

Em três dias. Muito tranquilo em relação a isso, é o que é. Eu já disse, eu olho para as coisas de forma positiva.

Positivismo e as origens trabalhadoras de Trás-os-Montes marcaram a atitude de Rui Borges na apresentação. O novo técnico volta a falar este sábado para fazer a antevisão do derby. Rui Borges, apresentado como novo treinador do Sporting.

De resto, que foi acompanhado também por Frederico Varandas, que falou antes deste novo técnico. O presidente do Sporting dedicou a sua intervenção principalmente a explicar a saída de João Pereira.

Agradeceu a dedicação, com Varandas a garantir que o antigo treinador saiu sem pedir qualquer cêntimo. O líder leonino deixou algumas justificações quanto ao fracasso nessa aposta, desde as arbitragens às lesões, mas também à falta de identidade.

João Pereira entrou num momento que todos nós conhecemos, num desafio extremamente complicado e desafiante. E a verdade é que, tanto nós, Sporting e João, infelizmente, chegámos à conclusão que não correu bem. Consideramos nós que João Pereira experienciou verdadeiramente o que é a lei de Murphy. Teve uma onda de lesões que eu, enquanto presidente deste clube, nunca tivemos. Teve também arbitragens extremamente infelizes. O principal problema, realmente, foi que João Pereira não pôde ser o João Pereira.

Frederico Varandas, que diz também que Rui Borges já estava no radar do Sporting há mais de um ano.

Olhamos agora para outras notícias em destaque a esta hora.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia considera que um cessar-fogo na Ucrânia não varia a lado nenhum. Sergey Lavrov deu hoje uma conferência de imprensa, conferência de imprensa anual do chefe da diplomacia russa, diz que o país está aberto a negociações com a Ucrânia, mas rejeita qualquer acordo de cessar-fogo para já. Admite, aliás, a possibilidade de Moscovo atacar centros de decisão em Kiev. Para fechar, na Síria, 14 militares do Ministério do Interior foram mortos por apoiantes do presidente deposto, Bashar al-Assad. Notícia avançada pela BBC, que cita as autoridades do país. Os militares terão sofrido de uma emboscada na região a oeste da Síria, perto do Mediterrâneo.