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Meio-dia. Jornal do Meio-Dia com edição do Miguel Videira. Miguel, começamos com novos dados sobre a megaoperação da Polícia Judiciária, relacionada com crimes de ódio contra imigrantes. Pelo menos 37 pessoas foram detidas, todas com ligações ao grupo nacionalista de extrema-direita 1143.

É uma informação que acaba de ser confirmada pelo Observador. Os 37 detidos têm vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais. Para além dos detidos, foram ainda constituídos mais 15 arguidos e realizadas 65 buscas domiciliares e não domiciliares. É o que confirma a Polícia Judiciária, em comunicado, a megaoperação denominada Irmandade tem por objetivo desmantelar a organização criminosa responsável pela prática de crimes como discriminação, incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas. Os 37 detidos são elementos de extrema-direita, com ligações a esse grupo nacionalista, 1143, liderado por Mário Machado a partir da prisão. Os elementos são também suspeitos de difundir mensagens e conteúdos racistas nas redes sociais, que serviram para incitar ao ódio contra migrantes. A PJ fez buscas de norte a sul do país, que foram conduzidas pela Unidade de Contra-Terrorismo.

E na análise, o presidente do OSCOT, Francisco Rodrigues, alerta que o desmantelamento total deste tipo de grupos é muito difícil.

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo destaca a organização destes grupos, mas antecipa que esta operação da Polícia Judiciária vai causar muitas baixas.

Por mais operações que sejam realizadas no sentido do desmantelamento destes grupos, dificilmente se conseguem desmantelar na plenitude. Não tínhamos dúvidas que o grupo pode sofrer um revés, no caso de serem detidos muitos elementos constituintes do grupo.

Coronel Francisco Rodrigues, presidente do OSCOT, em declarações à Rádio Observador, a pretexto desta megaoperação da Polícia Judiciária.

E o diretor-executivo do SNS concorda com a ministra da Saúde: não está instalado o caos no setor.

Sim, foi o que disse Álvaro Almeida esta manhã, durante uma visita à Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, em Penafiel. Aos jornalistas, Álvaro Almeida recusa o cenário de caos no SNS.

Não há caos, como estamos a responder melhor do que no passado. Obviamente que sempre houve problemas, os problemas não desapareceram. Continuam a haver algumas situações de muita dificuldade, mas se há caos agora, então no passado era muito pior do que é agora. Nós estamos a melhorar todos os anos, estamos a melhorar todos os meses, mas não eliminamos os problemas todos de um dia para o outro. Os problemas existem.

É o que diz o diretor-executivo do SNS, que visitou esta terça-feira o Hospital de Penafiel, que na semana passada teve de internar doentes na urgência e em corredores por causa do aumento do número de casos de gripe. Face à pressão, o diretor do Conselho de Administração da ULS, José Luís Gaspar, explica que o plano de contingência está em marcha para responder a esta afluência.

Nós vamos adjudicar 200 camas, 50 para esta unidade e 150 para o Hospital de Amarante. E depois temos aquilo que será o projeto, que já estamos a desenvolver e que no final do presente ano iremos apresentar, daquilo que é uma estratégia de médio e longo prazo para aquilo que são as necessidades que a região acarreta.

Palavras de José Luís Gaspar, o presidente da ULS do Tâmega e Sousa, esteve ao lado da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que não quis prestar declarações aos jornalistas.

E seguimos com a segunda volta das presidenciais. O Bloco de Esquerda considera absolutamente inqualificável o silêncio das lideranças do PSD e da Iniciativa Liberal quanto a apoios para a segunda volta das presidenciais.

O partido liderado por José Manuel Pureza aprovou esta manhã o apelo ao voto em António José Seguro. O coordenador do Bloco afirma que a 8 de fevereiro o confronto vai ser entre um candidato pela democracia e um candidato contra a democracia. Diz, por isso, que é fundamental derrotar André Ventura e a extrema-direita. Também a direção do Livre aprovou ontem à noite, e por unanimidade, o apoio a António José Seguro na segunda volta. O PCP também já manifestou a intenção de votar a favor do candidato apoiado pelo PS na segunda volta da corrida à Belém.

E António José Seguro soma também cada vez mais apoios à direita. Rui Moreira, independente, que foi o mandatário de Marques Mendes na primeira volta, admite que não teve de pensar muito para anunciar o apoio à candidatura de António José Seguro.

E Carlos Carreiras, que esteve com Gouveia e Melo, também confirma o apoio ao candidato socialista por considerar que está mais próximo de António José Seguro do que André Ventura. São duas figuras ligadas a outras candidaturas na primeira volta, mas que anunciaram o voto em Seguro nas últimas horas. Tanto Rui Moreira como Carlos Carreiras falam em António José Seguro como um homem de consensos, em vez de divisões, ao contrário de André Ventura. No "Explicador" desta manhã, Rui Moreira, antigo autarca do Porto e mandatário da candidatura presidencial de Marques Mendes na primeira volta, sublinha as capacidades de António José Seguro.

Eu prefiro claramente António José Seguro, porque o projeto dele se aproxima muito mais do Luís Marques Mendes. É um homem de consensos, é um homem que tem essa capacidade de mediação e, ao mesmo tempo, quer claramente ser presidente de todos os portugueses. O doutor André Ventura, legitimamente, quer avançar para uma Quarta República, seja lá isso o que for. Ou seja, quer introduzir aqui uma ruptura no sistema. Não precisei de pensar muito no assunto, sequer, que lhe diga.

É o que diz Rui Moreira, antigo autarca do Porto. O antigo presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, também vai votar em António José Seguro na segunda volta e explica porquê.

Temos aqui um momento único Eu diria até patriótico, de criar um consenso mais alargado do que estarmos, de facto, a dividir-nos ainda mais. E por isso mesmo, esta foi uma das análises que refleti. Uma candidatura, que nesse caso se situa na extrema-direita, de facto, é aquela que está muito mais afastada daquilo que foi a candidatura que acabei por apoiar e me envolver.

As razões invocadas por Carlos Carreiras e Rui Moreira para o apoio público declarado a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais.

E a presidente da Comissão Europeia deixa um aviso a Donald Trump: a imposição de tarifas adicionais a países europeus por causa da Gronelândia é um erro.

A resposta à ameaça de Donald Trump de aumentar as tarifas aos países que não concordem com a anexação da Gronelândia. No Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, Ursula von der Leyen avisou que este tipo de ameaças entre aliados não podem acontecer.

A segurança do Ártico só pode ser alcançada em conjunto. E é por isso que as tarifas adicionais propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data. A União Europeia e os Estados Unidos chegaram a um acordo em junho passado. Na política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa.

Facto sublinhado por Ursula von der Leyen, a presidenta da Comissão Europeia, avisa que a resposta europeia vai ser inabalável, unida e proporcional.

Meio-dia e nove, Miguel, antes do Justiça Cega, que outras notícias marcam a atualidade?

O governo português tinha a expectativa que Mário Centeno conseguisse ser eleito para a vice-presidência do Banco Central Europeu. É o que diz Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, aos jornalistas em Bruxelas, no final da reunião dos ministros com esta pasta dos 27 Estados-membros. A candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro das Finanças não reuniu apoio suficiente, foi por isso retirada. Centenas de agricultores da União Europeia reuniram-se esta manhã perto da sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, com o objetivo de pressionar os eurodeputados na véspera da votação do acordo comercial com o Mercosul. Três dias após a assinatura deste acordo no Paraguai, agricultores de vários países europeus, entre os quais Portugal, responderam ao apelo do principal sindicato agrícola francês e organizaram este protesto. De saída, o pacote laboral volta à agenda do governo com a reunião desta tarde entre o primeiro-ministro, a ministra do Trabalho e o secretário-geral da CGTP. O encontro vai ter lugar em São Bento, depois de ter sido adiada esta reunião por duas vezes. Está marcada para as 15h30. O secretário-geral da Intersindical, antecipou esta reunião em declarações ao Observador. Tiago Oliveira reforça que a central sindical vai exigir a retirada do pacote laboral neste encontro e admite uma nova greve geral, caso o encontro não decorra de acordo com as pretensões da CGTP.

É o ponto final do Jornal do Meio-Dia, que teve edição do Miguel Videira.