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Bom dia! Está a começar o Jornal do Meio-Dia, tem edição do Miguel Videira. Miguel, começamos este jornal com a notícia da morte do escritor e jornalista Mário Zamojal.

Tinha 90 anos. A informação foi avançada pela RTP, confirmada pelo Observador. Mário Zamojal tem uma carreira literária de mais de 40 anos, é autor de "A Crónica dos Bons Malandros", publicado em 1980, romance de grande sucesso, que foi adaptado para cinema quatro anos depois pela mão do realizador Fernando Lopes. Contava no elenco com o ator Vergílio Castelo, é nosso convidado nesta edição do Meio-Dia. Obrigado pela disponibilidade. O que guarda dos momentos que partilhou com Mário Zamojal?

Boa tarde a todos. É uma notícia muito triste, mas eu acho que o Mário não gostaria que nós ficássemos tristes com a sua morte. A memória que eu tenho dele é a memória de uma pessoa sempre muito bem-disposta e sempre a tentar descomplicar aquilo que era mais difícil. E guardo a memória de alguém sempre muito solidário e, neste caso, comigo, mais novo do que eu, também preocupado com as carreiras dos mais novos e sempre com uma palavra de incentivo e sempre sem qualquer espécie de crítica ou de indicação de caminho. Era, de facto, um ser moldado pelo bem, alguém que estava sempre preocupado em encontrar o lado mais sorridente e mais simples, não básico, mas simples das coisas. Era, de facto, uma pessoa muito especial e que eu acho que vai deixar muitas saudades.

Há pouco li algures que Mário Zamojal, apesar de pessoa reconhecida, entrava-nos casa adentro através da televisão e foi assim ao longo de muitos anos, era uma pessoa discreta. Era uma faceta distintiva de Mário Zamojal, essa descrição?

Sim, completamente. Talvez das coisas que mais identificavam o Mário era a discrição e o sentido de humor. Um sentido de humor permanente em relação a tudo. Ele fazia piadas com tudo. Até acredito que esteja onde estiver, neste momento, deve estar a fazer uma piada qualquer, porque era mais forte do que ele. O sentido de humor era uma espécie de manifestação de compreensão da inteligência das coisas. Ou seja, ele encontrava sempre um lado racional que podia ser excessivo. Fossem notícias boas ou más. E por isso mesmo encontrava sempre o lado por onde se podia fazer uma piada com o que tinha acontecido.

Vergílio Castelo, muito obrigado por ter estado conosco e por ter partilhado essas memórias com o auditório da Rádio Observador. Para além de escritor, Mário Zamojal foi também jornalista, diretor do jornal A Bola, Record, Diário de Lisboa, entre outros. Foi distinguido com o prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas. Foi no jornal A Bola que começou aos 25 anos. Haveria de deixar o jornal no momento em que ali chegava outro conhecido jornalista da nossa praça. Bom dia, Joaquim Rita, obrigado por aqui estar. Que memórias lhe vêm à tona neste momento?

Bom dia. As memórias de um homem bom, de um grande benfiquista, de um grande jornalista. Coincidentemente, a saída do Mário acontece exatamente na altura em que eu entrei na Bola como colaborador, mas essa saída dele foi completamente pacífica, digamos assim. E ele continuou a colaborar, sobretudo nas quartas-feiras europeias, que era na altura todos os jogos da UEFA se disputavam à quarta-feira, e o Mário, mesmo não sendo já redator da Bola, continuava a colaborar. Aparecia nessas quartas-feiras com um sentido de humor inacreditável e sempre pendurado num balão de uísque. Ele fazia questão, trabalhava e ao lado da máquina de escrever, ele tinha o seu balão de uísque. Mais tarde, continuámos a manter uma relação não tão assídua, mas sempre que nos encontrávamos e sempre que contactávamos e que era possível, falávamos sobretudo do benfiquismo do Mário. E havia uma outra nota que é relevante na personalidade que tinha Mário Zamojal. Sendo um benfiquista dos sete postados, nunca o escondeu. No entanto, quando tinha que criticar, ou que tinha que observar, ou tinha que analisar as coisas do Benfica, ele conseguia fugir de dentro da sua carapaça de benfiquista para ser frio, para ser realista e para ser verdadeiro na análise. Este é um dos aspetos dos grandes jornalistas e Mário Zamojal foi claramente um enormíssimo jornalista.

E tinha uma alcunha, segundo creio.

O Marieta. Era assim que nós, os mais chegados, digamos assim, o tratávamos. O Mário teve um outro irmão, também um extraordinário caricaturista, o Chico Zamojal, porventura dos maiores caricaturistas ligados ao desporto ou com incidência no desporto, também de Faro. E houve uma altura em que eles coincidiram na Bola com os seus trabalhos. O Mário a escrever de forma inacreditavelmente bela, o Francisco porque fazia bonecos como mais ninguém.

Que faceta mais apreciava Mário Zamojal? A faceta de escritor ou de jornalista?

Digamos que as duas coisas não se podem dissociar muito. É evidente que para mim, enquanto jornalista, era esse plano que mais me feria, que mais me afetava. Foi com ele que vivi algumas coisas logo no início da minha carreira, essas tais quartas-feiras europeias que nós fazíamos na Bola, nas velhas instalações da Bola. Mário Zamojal tinha, independentemente, porque ele já era uma grande figura na altura, e tinha também essa bonomia, tinha essa generosidade para aturar os miúdos que estavam a chegar. E eu era um desses garotos.

Joaquim Rita, muito obrigado por ter estado conosco e por ter partilhado conosco essas memórias que guarda de Mário Zambujal, que morreu aos 90 anos. A notícia foi conhecida há pouco. Há uma frase de Mário Zambujal que há pouco li, julgo que no Jornal de Notícias, uma frase atribuída a Mário Zambujal, invocada variadíssimas vezes. Dizia Mário Zambujal que "o meu maior prazer é estar em paz".

O ministro da Economia e Coesão Territorial recusa retratar-se das declarações que fez ontem a propósito do atraso nas ajudas aos municípios por causa das tempestades.

Manuel Castro Almeida disse que os atrasos na atribuição de apoios são uma responsabilidade das câmaras municipais, que estão a demorar demasiado tempo na avaliação de danos. Uma declaração que levou os autarcas da Marinha Grande, Leiria e Alcácer do Sal a criticarem o governo. O PS também teceu críticas a estas declarações, pediu ao ministro que se retratasse. Ora, esta manhã aqui no Explicador, Manuel Castro Almeida diz que não vê motivo para voltar atrás no que disse.

Eu diria que sim, se sentisse que tinha feito uma má avaliação, mas eu hoje repito-lhe a avaliação que fiz ontem. Eu entendi que tínhamos que respeitar a posição daquelas pessoas que foram afetadas por aqueles vendavais, sobretudo ali na região de Leiria, e há milhares de pessoas que pediram apoio ao Estado para recuperar as suas casas. O Estado garantiu esse apoio e o apoio não está a chegar às mãos das pessoas, o dinheiro não está a chegar às mãos. E era preciso dar uma palavra de explicação a essas pessoas, é preciso sermos transparentes com o que está a acontecer.

Sobre as críticas que ouviu de alguns autarcas, nada demais, segundo Castro Almeida.

Há sempre exceções neste processo. Autarcas menos pacientes ou que andam mais nervosos, mas isso é normal acontecer. A esmagadora maioria dos autarcas reagiu de forma adequada, como adequadas foram as minhas palavras. Eu expliquei perfeitamente ontem que não há aqui nenhuma má vontade da parte das câmaras municipais. Eu usei esta expressão.

Quanto ao PTR, o Plano de Recuperação do Território, anunciado pelo primeiro-ministro, Castro Almeida diz que espera que esteja praticamente pronto para começar a ser aplicado no final deste mês de março.

Meio-dia e nove, Miguel. Aqui outras notícias vão marcando a atualidade.

Ainda sobre as consequências das tempestades, os prejuízos no Conselho de Leiria podem chegar a € 1000 milhões. O presidente da autarquia diz que ainda não chegou qualquer verba do governo, sendo que destes € 1000 milhões de prejuízos, 243 são relativos a danos provocados em edifícios públicos. Mariana Leitão defende negociações, sim, mas considera que a falta de acordo em sede de concertação social em torno do programa da proposta do governo de alteração às leis do trabalho não pode continuar a impedir o governo de avançar com essa mesma reforma. Havemos de escutar Mariana Leitão na edição da 13h. Conflito no Médio Oriente, Israel ameaça expandir as operações no Líbano se o governo libanês não conseguir controlar o Hezbollah. O ministro da Defesa israelita avisa que se o governo não conseguir impedir as ameaças do grupo às comunidades do norte e disparar contra Israel, então Tel Aviv vai tomar o território e controlar o Hezbollah com os próprios meios.