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Rádio Observador. Jornal do Meio-Dia com Miguel Videra. Miguel, muito boa tarde.
Boa tarde, Elton.
Está a decorrer a esta hora a reunião do Secretariado Nacional da UGT. Vai decidir se a Confederação Sindical subscreve ou não o projeto de alteração ao Código do Trabalho.
A reunião arrancou às 10h. Antecipa-se um encontro demorado. A decisão está nas mãos de perto de 90 dirigentes de diferentes sensibilidades. Há dois que já anunciaram publicamente que vão votar contra: o secretário executivo Carlos Alves e o secretário-geral adjunto Sérgio Monte. Seguimos até à sede da UGT, em Lisboa. É lá que tem estado, ao longo de toda a manhã, o jornalista do Observador, João Gama. João, algum sussurro que te permita perceber o tom que tem marcado estas primeiras duas horas de reunião?
Há, de facto, algumas tendências em conversas que são tidas à margem desta reunião, em intervalos casuais para beber um café, fumar um cigarro, em que podemos ouvir alguns dos membros que estão aqui reunidos, e são 80 membros do Secretariado Nacional, que comentam este sentido de voto. A maior parte a propor, a defender o voto contra na proposta de lei laboral que está a ser discutida neste momento pela UGT. Também não temos indicações horárias. A única hora prometida pela assessoria da UGT, a única indicação prometida, seria depois da hora de almoço, já perto das 14h. Entre alguns comentários que podem ser ouvidos aqui à margem desta reunião, a negar qualquer tipo de desconforto entre os trabalhadores sociais-democratas da UGT. Uma reunião que acontece aqui ao pé de uma escola, na sede da União Geral de Trabalhadores, e nesses comentários podemos perceber que não há esse desconforto. Tratam-se todos por camaradas e defendem que o sentido de todos os presentes nesta reunião, e são cerca de 80 membros do Secretariado Nacional, é o mesmo: seguir em frente e lutar pelos direitos dos trabalhadores. E refiro-me a isto, Miguel, a propósito da notícia de ontem, do Observador, que falava desse tal mal-estar entre os diferentes setores que compõem a UGT, o setor minoritário, mais ligado ao PSD, que terá mostrado algum desconforto com Mário Mourão e a direção, a Secretaria-Geral da UGT, a propósito de não terem sido divulgados todos os detalhes da proposta do governo. Esse mal-estar é negado aqui nesta reunião, que sabemos apenas, Miguel Videra, que está para durar.
Camarada João Gama, jornalista do Observador, a esta hora junto à sede da UGT, epicentro da curiosidade midiática. Vai ou não a UGT juntar-se ao governo e às confederações patronais no apoio ao projeto de alteração do Código do Trabalho?
Ora, Pedro Roque, secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas, acredita que não.
O também deputado, que marca presença nesta reunião do Secretariado Nacional, foi o convidado do Explicador desta manhã. Antecipa isso mesmo, o voto contra, e explica por quê.
Hoje, creio que não haverá condições para isso, para ser realista.
Não acredita que desta reunião do Secretariado da UGT saia a luz verde a este acordo?
Eu gostaria que saísse, mas também entendo que não é desejável que a unidade que a UGT tem, que é essa a sua força, possa sair beliscada nas vésperas do Primeiro de Maio e nas vésperas do Congresso da UGT. E portanto, acho que o debate interno deve prosseguir e deve prosseguir a negociação. E se isso permitir, por um lado, conservar a unidade no seio da Central, um, e acima de tudo, permitir chegar a um acordo, isso aí seria o desejável.
Não sendo possível e seguindo a proposta para o Parlamento, Pedro Roque diz que será inevitável que a maioria liderada pelo PSD encontre no Chega o parceiro para aprovar as alterações laborais.
Se um dos partidos da oposição relevante, que é o caso do Partido Socialista, se põe à margem, não resta outra solução ao governo senão tentar um entendimento com o Chega. Vejo com muita dificuldade, não havendo acordo, que o Partido Socialista seja um parceiro nesta intenção. E portanto, aquela tática de dizer que o não é não, que é um mito, levado ao extremo, faz com que, estrategicamente, o Partido Socialista se vá retirando das grandes decisões políticas e legislativas deste país. E esta aqui, eu acho que ninguém lhe perdoará.
É pelo menos o entendimento de Pedro Roque, deputado, secretário-geral dos Trabalhadores Social-Democratas, que participa a esta hora na reunião do Secretariado Nacional da UGT.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social recebeu com alarme os dados divulgados hoje sobre o aumento do número de internamentos sociais.
Aumentou 19%, ultrapassou os 2800 em março. É o número que compara com março do ano passado. São dados da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. Ora, o padre Limaia, ouvido esta manhã pela Rádio Observador, sublinha que o número é tão mais preocupante quanto faltam respostas para este fenômeno.
As várias respostas que têm sido tentadas têm ajudado, mas não resolvem. Eu penso que é importante nós pensarmos em mais cuidados continuados, em mais lares, em mais apoio domiciliário.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social defende que há um caminho que tem de ser percorrido o quanto antes.
É necessário, de facto, que tenhamos uma resposta especial para estas situações. Aquilo a que nós chamamos pequenas residências de transição, em que as pessoas possam estar até dois anos e depois, provavelmente, transitarem para outra resposta social ou para a vida
Ativa, normal.
A sugestão do presidente da Confederação Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social, no dia em que é revelado que se registou um aumento de 19%, no espaço de um ano, dos internamentos sociais.
Não há boas notícias na atualidade internacional. O preço do barril de Brent atingiu hoje o valor mais elevado de sempre.
Não é de sempre, é da semana. Calma, não te assustes, Nelson. Acima dos $100 e a reboque do impasse em torno das negociações de paz entre Estados Unidos e Irão, e de cada vez que a subida do Brent faz soar alarmes, ouve-se na antena do Observador a voz do analista de mercados Filipe Garcia. Boa tarde, Filipe Garcia. Bem-vindo. Obrigado pela disponibilidade. Já estamos a assistir a uma tendência de subida da cotação do barril de Brent?
Olá, boa tarde. Nos últimos dias, desde o início da semana, estamos a ver o preço a subir, porque há receios que a situação no Médio Oriente se volte a degradar. Há um cessar-fogo em vigor, mas que é muito frágil, inclusivamente sem conversações entre as partes. E sabemos também que ninguém, nesta altura, está verdadeiramente a controlar o Estreito de Ormuz. Só durante esta madrugada, o Irão arrestou três navios, os Estados Unidos também dois petroleiros. A passagem no Estreito é muito perigosa e com o fim de semana a começar a ficar aqui à porta, o mercado está cada vez mais receoso. Portanto, há aqui uma subida, hoje de cerca de 1,5% no Brent para $103,50. De facto, são os níveis mais altos desde o dia 7 de abril. Também se nota o mesmo no crude, o gasóleo que está a sair da refinaria para €1,05. O gás também, o gás TTF, que é de referência aqui para a Europa, está a subir cerca de 2%. E, portanto, não sendo subidas muito significativas em termos de valor, importa aqui registar uma tendência que é de alta nos últimos dias, ligada a esta grande incerteza e mesmo ao tema da perigosidade de atravessar o Estreito, o que faz com que haja escassez de petróleo, como é evidente.
E há expectativa que esta tendência se mantenha, partindo do pressuposto que os próximos dias não permitirão aclarar essa incerteza?
Se não houver novidades nas próximas horas, parece-me que à medida que o fim de semana se for aproximando, a tendência é que os preços subam mais por receio que precisamente durante o fim de semana aconteça algum tipo de desenvolvimento. Nós temos visto que tem sido aos finais de semana que têm decorrido os eventos mais significativos neste conflito. Os mercados estarão fechados a partir de sexta à noite até domingo de madrugada e, portanto, é perfeitamente plausível que até o final da semana haja esses receios. Aquilo que se vai notando é que os contratos futuros vão subindo ao longo dos últimos dias, mas também aquilo que são os preços de spot, ou seja, aqueles que são efetivamente negociados entre os produtores e as refinarias e que estão até acima dos preços do mercado futuro, dependendo das origens, estão na casa entre os $115 e os $125, e esses também não têm parado de subir nos últimos dias. Portanto, o grande receio é que haja aqui um degradar da situação e há sobretudo incerteza, a partir do momento que as duas partes não estão em contacto.
Não são, de facto, boas notícias. Obrigado, Filipe Garcia, analista de mercados, pela sua presença nesta edição do meio-dia, aqui a dar-nos conta desta tendência de subida do valor da matéria-prima, do gás, também do barril de Brent nos mercados internacionais.
Vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.
O Irão já começou a receber o dinheiro proveniente das portagens pela passagem de embarcações no Estreito de Ormuz. É pelo menos isso que avança a agência de notícias Tasnim, próxima do regime de Teerão. O vice-presidente do Parlamento iraniano diz que as primeiras receitas da cobrança já foram depositadas no Banco Central sem adiantar valores ou os países que terão pago para garantir essa passagem pelo Estreito de Ormuz. Já decorre a esta hora a conferência de imprensa que se segue à reunião de Conselho de Ministros. É Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, quem fala a esta hora para esclarecer algumas informações relativas à privatização da transportadora aérea portuguesa. Aqui teremos conta das decisões do governo nesta matéria na edição da 13h. Depois do Sporting, Fafe, Otoriense, as duas equipas decidem hoje a última vaga na final da Taça de Portugal em futebol. Na primeira mão, em Fafe, registou-se um empate a um gol. A decisão da eliminatória vai ter como palco o Estádio Manuel Marques, em Torres Vedras, a partir das 20h45. Ontem, o Sporting foi ao Dragão empatar a zero com o Porto, fez desta forma valer a vitória no primeiro jogo em Alvalade por 1 x 0 e carimbou o passaporte para a final do Jamor.
Temas para análise na edição de hoje de "O Campeão É", que vai para o ar depois do Jornal da Uma.