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O Jornal do Meio-Dia tem a edição do Miguel Vidara. Miguel, o Parlamento discute esta tarde um projeto de lei do Bloco de Esquerda que pretende desclassificar informação relativa à violência política no pós-revolução.

E que define também um regime especial de acesso a documentos referentes às FP 25 de Abril. O Bloco sugere a criação de uma comissão que fique incumbida de organizar a desclassificação dos documentos. Foi tema do explicador desta manhã. O deputado do Chega, Diogo Pacheco Amorim, concorda com a desclassificação da informação, mas rejeita a comissão proposta pelo Bloco.

Nós já temos uma quantidade gigantesca de comissões a funcionar junto do Parlamento, com autonomia administrativa e financeira, como também é proposto pelo Bloco de Esquerda, e que tem dado inúmeros problemas e agora foi nomeada exatamente pela conferência de líderes uma comissão para analisar essas comissões. E nós achamos que não é necessária uma comissão. Basta a desclassificação e basta a possibilidade de consulta pública de todos os documentos, que nós nisso, sim, estamos de acordo.

O deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, salienta que a criação desta comissão é mesmo importante para garantir a efetiva desclassificação de documentos, embora abra a porta à negociação.

Nós temos inteira disponibilidade para trabalhar numa solução que conforte uma maioria de deputados na especialidade. Eu alerto só para o seguinte: a desclassificação de documentos e a sua organização em arquivo não é algo que acontece por mera vontade do legislador. E a nossa preocupação é que exista uma comissão temporária que reúna todos os envolvidos neste processo, que tenha um mandato de quatro anos para desclassificar e organizar estes documentos.

É tema que vai ser discutido na sessão plenária desta tarde e que antecipamos esta manhã num explicador que pode ouvir na íntegra em observador.pt.

E Miguel, o ministro das Infraestruturas rejeita a acusação de que é intenção do governo acabar com a CP.

Foi durante a intervenção inicial na audição que está a decorrer ainda esta hora na Assembleia da República. Miguel Pinto Luz diz que se assim fosse, se estivesse no horizonte do governo o fim da CP, então o executivo não estaria a promover o concurso público que é assinado esta tarde.

A CP lançará hoje mesmo o concurso para a compra de 12 automotoras, com a opção de mais oito, de alta velocidade. A CP vai receber mais 190 automotoras até 2031. Chegarão comboios todos os anos. Muitos foram os medos expressos aqui e ali, quando eu assumi esta pasta, ainda hoje, por vezes, alguns insistem no bispapão do Miguel Pinto Luz a querer acabar com a CP. Isto não faz sentido algum. Podem dizer o que quiserem, eu estou aqui para fazer. Comigo, a CP tem melhores salários, tem mais material circulante e tem maior ambição.

Miguel Pinto Luz, esta manhã, na comissão, ouvido no Parlamento, foi também confrontado com o impacto da medida de isenção de IMT e imposto de selo na compra de casas para jovens. O deputado do PSD, Alexandre Poço, questionou Miguel Pinto Luz, perguntou o que diria aos mais de 100 mil jovens que já beneficiaram desta medida, criticada pelos partidos à esquerda, que definem esta medida como uma medida destinada a jovens milionários comprarem casas milionárias. O ministro das Infraestruturas respondeu.

Quem pensava que os jovens milionários precisavam da isenção do IMT e de imposto de selo para comprar casa, eu penso que estavam enganados. A benesse do governo, ou esta vontade do governo de criar estes incentivos, é precisamente para uma classe média de jovens que não conseguia emancipar-se da casa dos pais e é bom de ver que 200 mil € de transação média, não estamos a falar dos tais apartamentos de luxo. Estamos a falar de apartamentos para a classe média, precisamente. São jovens que possivelmente iriam pro estrangeiro procurar outras oportunidades e hoje ficam cá.

A resposta de Miguel Pinto Luz aos partidos à esquerda, que acusam o governo de promover uma medida que se destina essencialmente aos jovens milionários.

Vladimir Putin e Xi Jinping defendem que é urgente haver um cessar-fogo na guerra no Médio Oriente.

O presidente russo e o presidente chinês estiveram reunidos esta madrugada e concordam com essa necessidade de pôr cobro às hostilidades. Neste segundo dia de visita oficial de Putin a Pequim, os dois chefes de Estado participaram numa assinatura de acordos bilaterais, destacaram a confiança política mútua e cooperação estratégica. Putin diz que Rússia e China estão juntos na missão de construir um mundo mais justo e mais democrático.

A nossa cooperação em matéria de política externa é um dos principais fatores de estabilização na arena internacional. Está em curso um processo complexo de formação de um mundo policêntrico, baseado no equilíbrio de interesses de todos os seus participantes. Juntamente com os nossos amigos chineses, defendemos a diversidade cultural e civilizacional e o respeito pelo desenvolvimento soberano dos Estados e aspiramos à construção de uma ordem mundial democrática mais justa.

Vladimir Putin. Esta manhã, o presidente chinês, Xi Jinping, defende que é preciso evitar a todo o custo que o mundo passe a estar regulado por aquilo que define como a lei da selva.

Vamos ao desporto. Neste Jornal do Meio-Dia, corre-se hoje a 11ª etapa da Volta à Itália em bicicleta e Afonso Eulálio, o português Afonso EulálioParte com a camisola rosa vestida.

O corredor português conseguiu resistir ao contrarrelógio de ontem, uma disciplina em que não é especialista. Viu, no entanto, ser encurtada a distância para o segundo classificado no geral. O dinamarquês Jonas Vingegaard, um dos grandes favoritos à vitória no Giro, está agora a 27 segundos de Afonso Eulálio. Para hoje, na ementa, 195 km, três contagens de montanha, duas de terceira categoria, uma de segunda. É uma etapa de sobe e desce de média dificuldade.

Ainda assim, seguramente mais difícil do que o trabalho que o João Dias Lourenço teve para chegar à fala com o fundador e também presidente do Sport Ciclismo de São João de Ver. Foi por este clube que Afonso Eulálio correu na idade de júnior.

Vindo do BTT, do ciclismo de todo o terreno. Fernando Vaz Costa recorda que a adaptação à estrada não foi imediata.

Ele teve um primeiro ano que não teve grandes resultados desportivos. Foi um primeiro ano de experiência, onde ele aprendeu realmente a integrar-se e estar nas corridas. A partir daí, no segundo ano, já acabou por ter alguns resultados desportivos. Não foram nada de muito relevantes, mas já se notava que ele realmente estava a evoluir e que ia conseguir chegar onde ele pretendia.

Para além da capacidade técnica, o presidente do Sport Ciclismo de São João de Ver realça também as características de personalidade que ajudam a explicar o crescimento de Afonso Eulálio.

É um ciclista muito humilde, com muita vontade de realmente conseguir chegar ao topo do ciclismo mundial, neste caso. Enquanto estava cá em Portugal, a ambição dele era chegar a uma equipa profissional, quando estava na questão de juniores. Conseguiu e não para. Ele quer e tem aquela força de vontade que origina que ele realmente tenha esses resultados tão relevantes para a modalidade e, neste caso, para o ciclismo português.

O melhor, antecipa Fernando Vaz Costa, ainda está para chegar. Sobre o desempenho na Volta à Itália, o presidente deste clube de ciclismo de São João de Ver acredita que Afonso Eulálio pode terminar entre os 10 primeiros.

Meio-dia e nove, antes do Realpolitik. Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?

10 dias depois de o PS ter retirado a confiança política ao presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, este autarca decidiu renunciar ao mandato. É suspeito de usar dinheiro público para fins pessoais. A renúncia é revelada pelo CDS-PP, que elogia a decisão, mas suscita dúvidas. Os centristas lembram que, apesar da saída do socialista Isaac Braga, mantém-se a restante equipa que integra o executivo. De acordo com os documentos revelados pela RTP, Isaac Braga gastou quase €10 mil em tabaco, €9 mil em restaurantes, mais de €2 mil no supermercado. O presidente da Junta, desde 2017, usou também €115 mil da conta da freguesia, transferindo parte desse dinheiro para a mulher. Renunciou agora ao mandato. Os trabalhadores da única agência de notícias do país, a Agência Lusa, estão hoje em greve. Contestam a alteração de estatutos promovida pelo governo, que, segundo os trabalhadores, põe em causa a independência da agência, em particular o facto de três administradores passarem a ser escolhidos pelo governo. Criticam também a composição do conselho consultivo da Agência Lusa. Tem, por exemplo, como missão avaliar o cumprimento do contrato de prestação de serviço noticioso. Entendem os trabalhadores que este novo órgão integra demasiados políticos sem garantir a pluralidade da sociedade portuguesa. Decorre a esta hora uma manifestação junto à escadaria da Assembleia da República.