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Uma hora. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Miguel Videra. Miguel, o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, considera que Luís Montenegro está a ser vítima de uma campanha suja.

Reage desta forma à notícia que dá conta da vontade dos procuradores que investigam o caso Spin on Viva de avançarem com a abertura de um inquérito, sendo que a Procuradoria-Geral da República emitiu, depois da divulgação desta notícia, uma nota a dar conta que o Ministério Público ainda está à espera de documentação e que não tem qualquer convicção formada. Ontem, Luís Montenegro falava numa pouca vergonha. Hoje, Hugo Soares recorre a outra expressão.

Eu juro que não sou só eu que estou revoltado, e o senhor primeiro-ministro. Eu creio que todos os portugueses com bom senso se revoltam contra campanhas sujas como aquela que aconteceu ontem.

O adjetivo usado por Hugo Soares, que esta manhã juntou-se a Carlos Moedas numa ação de campanha em Campo de Ourique, o candidato da coligação liderada pelo PSD à Câmara de Lisboa, não teme que este caso prejudique os social-democratas nas urnas e também deixa críticas.

É para além de lamentável. No meio das eleições autárquicas, o senhor primeiro-ministro já deu todas as explicações. Sobre isso, não tenho dúvidas. Não há aqui nenhum impacto, porque isto é algo que não deveria ter acontecido, que é, de certa forma, como dizia o primeiro-ministro, e eu repito as suas palavras, é uma vergonha.

Expressão que se junta à pouca vergonha usada ontem por Luís Montenegro.

E o presidente do Chega considera que o presidente do PSD e também primeiro-ministro tem contribuído para o adensar das dúvidas.

Foi isso que disse há pouco no Sabugal.

Muito desta situação tem sido arrastada pelo próprio primeiro-ministro. Ou não tem enviado as informações que lhe são pedidas a tempo, ou faz questão, muitas vezes, de não enviar a informação. Se o primeiro-ministro está a fazer consecutivamente, está a impedir que a Justiça avance, ao não dar instrumentos permanentes que são importantes, enfim, face ao tipo de caso que é. Assim, o primeiro-ministro continuará sob suspeita, o que acaba por ser mau para ele próprio, mas a democracia fica também em suspense sem se conseguir fazer Justiça.

André Ventura defende que Luís Montenegro tem contribuído para este clima de suspeição motivado pelo caso Spin on Viva.

E Rui Tavares acusa Luís Montenegro de ter um caso com a verdade, em vez de uma relação séria.

O porta-voz do Livre recorda algumas das expressões que o presidente do PSD usou na reação a este caso para concluir que estamos na presença de mais uma história mal contada.

É que nem aqui a história é a mesma durante três palavras seguidas, porque está tranquilo, e está revoltado, e está estupefacto, porque ele não escolhe uma história à direita e não nos conta uma história à direita do princípio até ao fim. A empresa é dele, mas não é dele, está na carteira da mulher, afinal está na mochila dos filhos. Quer dizer, é uma coisa extraordinária. Luís Montenegro não tem uma relação com a realidade, não tem uma relação com a verdade, tem um caso com a verdade.

Declaração de Rui Tavares à margem de uma ação de campanha em Oeiras, onde esteve também Mariana Mortágua, a líder do Bloco de Esquerda, considera que a Spin on Viva é uma espécie de nuvem que vai sempre pairar sobre Luís Montenegro.

E a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, pede serenidade.

Apela também a que não haja qualquer tipo de interferência no trabalho que está a ser feito pela Justiça. À chegada a Passos de Ferreira, onde começou o dia de campanha para as autárquicas, a líder dos liberais sublinhou que prefere aguardar e respeitar pela conclusão das averiguações em curso.

Neste momento, eu acho que o importante é que o Ministério Público possa fazer suas averiguações sem qualquer tipo de interferência, chegar às suas conclusões. Houve um conjunto de notícias que saíram. Entretanto, a posição oficial da própria Procuradoria-Geral da República foi no sentido de dizer que efetivamente não estavam ainda a avançar para investigações, mas vamos aguardar. Acho que aguardar serenamente que o Ministério Público faça o seu trabalho.

Mariana Leitão acrescenta a este propósito que só se vai pronunciar sobre o caso Spin on Viva quando estiver concluída a averiguação preventiva por parte do Ministério Público.

E seguimos com a campanha autárquica em Lisboa. João Ferreira, candidato da CDU, acusa Carlos Moedas de fazer uma campanha confrangedora.

Para o candidato da CDU, ainda presidente da Câmara, foca-se em críticas aos adversários porque não tem ideias para apresentar aos eleitores lisboetas. João Ferreira acusa Carlos Moedas de se esconder em discursos críticos para disfarçar a falta de visão para a cidade.

Eu tenho visto Carlos Moedas nesta campanha a falar de muita coisa e a falar muito pouco da cidade. Seria de esperar que alguém que tem há quatro anos nas mãos a gestão da cidade, tivesse alguma coisa a dizer sobre a obra que fez. E o que é confrangedor até, é a forma como isso está ausente do discurso do atual presidente de câmara. O que mostra que verdadeiramente não existem ali ideias, não existe ali uma visão, não existe ali uma noção de como resolver os problemas da cidade, alguns deles criados ou agravados por Carlos Moedas. Ele desvia-se disso

Para questões laterais, mas penso que terá muito a ver com esta incapacidade, que eu acho que chega a ser confrangedora.

Resposta de João Ferreira quando confrontado com as declarações de Carlos Moedas, que acusava a adversária Alexandra Leitão de ter um projeto de ódio contra os objetivos do ainda presidente de câmara. O candidato à CDU visitou esta manhã o mercado nos Olivais e prometeu mais celeridade nas obras destes espaços de comércio local para garantir mais condições aos ventores, caso consiga vencer as eleições do próximo domingo.

1 hora e 5 minutos: a Ministra da Saúde lamenta o caso do bebê que nasceu no chão do Hospital de Gaia e sublinha que este novo episódio polêmico reforça a importância de avançar com reformas no Serviço Nacional de Saúde.

E muito em particular nas urgências de obstetrícia e ginecologia. O caso foi divulgado pela RTP, confirmado pela Unidade Local de Saúde de Gaia Espinho. O pai da criança apresentou queixa a várias instâncias. Ora, a ministra Ana Paula Martins admite que este caso influencia a apreciação dos portugueses sobre o funcionamento do SNS.

O hospital tem os mecanismos que já foram acionados para fazer o reporte daquilo que aconteceu objetivamente com aquela senhora, por que aconteceu aquilo, se estávamos inclusive dentro de um hospital. E a própria IGAS, o próprio inspetor-geral fez imediatamente a abertura de um processo. São sempre situações que têm impacto. Têm impacto na confiança que os portugueses têm no Serviço Nacional de Saúde, sobretudo na área da obstetrícia. E estas reformas têm, obrigatoriamente, nomeadamente na área da obstetrícia, que devolver aos portugueses a confiança de que nascer em segurança é uma realidade em Portugal.

A governante afirmou ainda esta manhã que é necessário mais do dobro dos profissionais de saúde para garantir o funcionamento do serviço de urgências e que todos os profissionais que trabalham no privado não são suficientes para garantir esta meta.

E já são conhecidos os vencedores do Prêmio Nobel da Química. O prêmio foi entregue a investigadores que estudam o desenvolvimento das estruturas metalorgânicas.

Um novo tipo de arquitetura molecular. A Rádio Observador falou com o presidente da Sociedade Portuguesa de Química, Joaquim Faria. Pedimos-lhe ajuda para nos decodificar o trabalho que mereceu esta distinção por parte da Academia do Nobel.

São arquiteturas, construções, que são suportadas por átomos de carbono, hidrogênio e por átomos de metais. O que isso tem de extraordinário? É que elas funcionam essencialmente como uma enorme estrutura de arrumação, que permite utilizar o espaço que é criado pela estrutura em si. É como se fosse um hotel com várias casas e nós em cada uma dessas casas podemos ter vários tipos de reações.

Na prática, estas construções podem ser utilizadas para recolher água do ar do deserto, extrair poluentes da água, capturar dióxido de carbono e armazenar hidrogênio. Os vencedores são Susumu Kitagawa, Richard Robinson e Omar Yaghi. Joaquim Faria congratula os vencedores e destaca sobretudo o trabalho de Omar Yaghi, investigador natural da Jordânia.

Acho que foi muito bem entregue, não só pela ciência que está envolvida, mas também pela pessoa em si. E é como lhe digo, ele é a demonstração de que o trabalho em ciência é o grande equalizador. O Omar Yaghi era filho de refugiados e nasceu numa cabana onde praticamente não havia nada, eles criavam gado e agora chegou aqui ao Prêmio Nobel.

Joaquim Faria, à conversa com o jornalista do Observador, Maria Maia. O Nobel da Química foi conhecido hoje, depois desta semana já ter sido anunciado o Nobel da Medicina e da Física. Até ao final da semana vai ser também revelado o Nobel da Literatura. É já amanhã. Na sexta-feira, é a vez do Nobel da Paz.

1 hora e 9 minutos. Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?

O Hamas já entregou ao Egito a lista dos prisioneiros que quer que sejam libertados em troca dos reféns israelitas, no âmbito do acordo de cessar-fogo que está a ser negociado. Segundo o comunicado do grupo, as listas foram elaboradas de acordo com critérios e números previamente definidos. O Hamas afirma também que existe um clima de otimismo quanto ao desfecho destas negociações e que os mediadores estão a fazer grandes esforços para ultrapassar obstáculos ao fim da guerra. Pelo menos 10 pessoas morreram no Vietnã por causa das cheias provocadas pelo tufão Matmo. Cerca de 200 mil casas foram afetadas. Várias pessoas continuam desaparecidas no norte do Vietnã. O tufão Matmo atingiu o sul da China na segunda-feira. Também a Tailândia foi atingida pelas chuvas fortes provocadas por este tufão, que causou pelo menos 22 mortes e afetou quase 370 mil pessoas.

Miguel Vidara e o Jornal da Uma.