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Jornal das duas com João Filipe Cruz. João, na celebração de mais um 5 de outubro, o Presidente da República alertou para a necessidade de fazer reformas de forma proativa.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a queda dos impérios europeus para avisar que as instituições mudam, a bem ou a mal, e que por isso é mais vantajoso ocupar de forma proativa os espaços vazios e implementar reformas, é o que nos explica o repórter Miguel Vítor Bodias, que acompanhou as celebrações de mais um 5 de outubro.

Marcelo pica balões avisa para a necessidade de preencher os vazios para evitar que outros os ocupem, porque aí há riscos que podem não conseguir ser evitados.

Tudo isto poderá suceder e mais depressa do que se pensa. A mudança submergir pântanos, revolver águas paradas, abrir comportas demasiado tempo encerradas. Ou não. Pelo contrário, a mudança chegar porque se prefere a antecipação ao conformismo, a abertura ao fechamento, a alteração das mentalidades, das instituições e das práticas, ao situacionismo e à inércia. Só depende de nós.

Nós, cidadãos, mas também políticos. E por isso, pede Marcelo Rebelo de Sousa, é preciso saber tirar lições do passado.

Passado ou do presente, para evitar cometer erros iguais no futuro. E esses acabariam por liderar o futuro, pelo menos enquanto se não acomodassem a esse futuro, convertendo-o em presente de mera sobrevivência.

Numa intervenção em que o presidente da República recordou que a Europa também pode falhar e lembrou a queda de alguns impérios, para avisar que é preciso mudar de forma proativa as instituições.

A balança de poderes no mundo está em mudança. Uns a descerem, outros a subirem. E as instituições internacionais ou domésticas mudam a bem ou mudarão a mal. E mal, porque tarde e atabalhoadamente. E tudo isso poderá suceder com o clima se nos atrasarmos. A energia como tantos outros se atrasaram. A inteligência artificial.

Mas também organizações como a NATO, numa altura em que a paz na Europa voltou a estar em causa e que obriga a adaptações dos países e das grandes instituições, num alerta aqui vincado por Marcelo Rebelo de Sousa.

O jornalista da Rádio Observador, Miguel Vítor Bodias, com os destaques da intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa num discurso de 10 minutos em que deixou alertas sobre a necessidade de mudanças.

E antes do Presidente da República, discursou o presidente da Câmara de Lisboa, que olhou para mais dentro.

Carlos Moedas deixou uma mensagem para os políticos portugueses, a quem pediu para virarem a página.

Aquilo que precisamos é de moderação, lisboetas. Aquilo que precisamos é de bom senso, pragmatismo, coragem para fazer. São estes os ingredientes necessários para vermos e sermos aquilo que somos, para nos vermos como somos, mas também para construirmos o país a partir dessa realidade. Precisamos da moderação e do bom senso que superam as diferenças partidárias. Precisamos do pragmatismo para não nos deixarmos condicionar pelas subjetividades partidárias. Precisamos de coragem para fazer, para que as pessoas voltem a acreditar que os discursos políticos têm consequências práticas. Muitas vezes dizemos, e queremos, e estamos a dizer que viramos a página, mas depois a página não vira, como se o futuro fosse sempre uma espécie de sombra do passado.

O autarca lisboeta fala ainda de falta de ativismo moderado para não dar espaço a radicalismos.

Há um vazio, capturado pelas minorias barulhentas, os ativismos radicais. À falta de um ativismo social moderado que dê respostas concretas, é a estes que as pessoas se agarram. E lembrem-se, devemos lembrar sempre: a República de 1910 autodestruiu-se também por causa destas minorias barulhentas e desses radicalismos. O 5 de outubro é por isso também uma lição para a nossa história. Quem fomenta esses radicalismos arrisca-se a colher mais cedo ou mais tarde a dissolução do regime. Não queiramos nós hoje, que caminhamos para os 50 anos do 25 de abril, contribuir para um desfecho assim.

O discurso de Carlos Moedas na varanda virada para a praça do município em Lisboa.

Já o primeiro-ministro centrou-se na vertente internacional do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, João.

António Costa salienta que está aí o Conselho Europeu e considera importante o alerta do Presidente da República. Lembra as reformas necessárias para a adesão da Ucrânia à União Europeia.

Foi uma falação particularmente interessante para aquele alerta que todos temos que estar, que é preciso antecipar as questões para tomar as boas decisões. Isto é particularmente oportuno no momento em que estou a partir para o Conselho Europeu, onde vamos debater aquilo que vai ser o futuro da Europa do meu ponto de vista estratégico, e onde há decisões fundamentais a tomar relativamente ao alargamento. É uma condição essencial para assegurar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, mas que implica, como também o presidente da República aqui disse, no caso concreto, que haja reformas na União Europeia para que este alargamento seja um caso de sucesso, como têm sido todos os outros.

A reação de António Costa ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

E à direita, o PSD fala em país real e país oficial descolado da realidade.

Luís Montenegro está fora de Portugal e os sociais-democratas fizeram-se representar nas cerimônias do 5 de outubro pelo secretário-geral, Hugo Soares. Fala desse país real, com os portugueses a pagarem demasiados impostos para os salários que têm, e de um país oficial.

O país oficial que tem essa descolagem da realidade, no fundo, o governo. Ficou claro na entrevista que nesta semana deu o primeiro-ministro, o não reconhecimento de todas estas dificuldades das pessoas, mas sobretudo a incapacidade de ter políticas em concreto. Aliás, na segunda parte da intervenção do senhor Presidente da República, quando ele apelava às reformas Ele dizia precisamente que é preciso reformar, é preciso transformar e não ficar à espera, para que se possa resolver a vida das pessoas.

As críticas ao primeiro-ministro continuaram à direita, através da iniciativa liberal. O líder do partido Rui Rocha entende que António Costa é uma espécie de residente não habitual, já que anda por Portugal, mas não sabe nada do que se passa no país. Do Chega, André Ventura não esquece as diferenças profundas em relação ao pensamento do Presidente da República, mas elogia a mensagem que entende ser mobilizadora de Marcelo. Entende também que deixou um recado, o chefe de Estado ao primeiro-ministro: ou muda agora, ou a mudança acontece contra António Costa e contra a democracia.

João, os partidos à esquerda desvalorizaram o anúncio de Carlos Moedas sobre a comemoração do 25 de Novembro.

Tanto o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, como a líder da bancada do PCP tiraram valor ao anúncio feito por Carlos Moedas. O autarca de Lisboa anunciou, no discurso do 5 de Outubro, que a autarquia vai promover uma comemoração do 25 de Novembro, mas Paula Santos e Pedro Filipe Soares desvalorizam o assunto.

Sobre a primeira parte do debate do presidente da Câmara de Lisboa, que quer criar na sociedade para desviar as atenções do essencial, permitam-me que não desvie as atenções do essencial.

Aquilo que nos trouxe, efetivamente, o caminho de progresso, de conquista, a liberdade, a democracia, foi o 25 de Abril. E essa é a data, a Revolução de Abril, que de facto permitiu avanços extraordinários no nosso país.

Paula Santos e Pedro Filipe Soares, os líderes parlamentares de PCP e Bloco de Esquerda no final da cerimónia de comemoração do 5 de Outubro em Lisboa.

E João, está confirmada a vinda do presidente Zelensky a Portugal.

Foi através de uma nota no site da Presidência da República que Marcelo Rebelo de Sousa dá conta de que o presidente ucraniano aceitou o convite para se deslocar a Portugal. As autoridades ucranianas anunciaram que as respetivas equipes estão já a trabalhar na data para que se concretize essa tal visita.

Isto numa altura em que Zelensky está em Granada, em Espanha, para participar na Cimeira da Comunidade Política Europeia.

Uma participação que foi também ela comunicada em cima da hora. À entrada para esta cimeira, o presidente ucraniano lembra que o inverno está a aproximar-se e é preciso ajudar Kiev.

Eu penso que, primeiro que tudo, o desafio principal é salvar a Europa, garantir a unidade. Não falo só da União Europeia, mas sim da Europa num todo. A Rússia vai sempre atacar, quer pela informação, quer pela desinformação. É importante para a Ucrânia garantir a defesa no inverno. No inverno vamos ter vários ataques com vários tipos de mísseis. Não vai ser fácil.

Declarações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à entrada para a Cimeira da Comunidade Política Europeia, que acontece aqui ao lado, em Granada.

E a Comissão Europeia recebeu um pedido de pagamento de Portugal relativo à terceira e quarta parcelas no âmbito do Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

O pedido chegou a Bruxelas ontem. Abrange, de acordo com o comunicado do Executivo Comunitário, um conjunto de reformas destinadas a melhorar a qualidade e a sustentabilidade das finanças públicas. As parcelas em causa cobrem ainda, de acordo com este documento, investimentos para melhorar o mercado da habitação em Portugal, incluindo uma expansão do parque habitacional a preços acessíveis. Também um aumento do número de alojamentos para estudantes, também eles a preços acessíveis, e subvenções para emergências nacionais e alojamento temporário e ainda um programa de apoio ao acesso à habitação. Outros investimentos preveem postos públicos adicionais de carregamento de veículos elétricos, veículos e equipamentos para combater os incêndios florestais e equipar alunos e professores com computadores. É isto que podemos ler num comunicado hoje divulgado pela Comissão Europeia, ainda que não conheçamos o valor desse adiantamento pedido por Portugal.

E a fechar este jornal das duas, João, o Prêmio Nobel da Literatura foi atribuído ao norueguês Jon Fosse.

É o autor que dá voz ao indivisível. O norueguês de 64 anos é laureado pelas peças de teatro e prosa inovadoras, que dão voz ao indivisível. O anúncio foi feito pela Academia Sueca. O romancista, dramaturgo e poeta era há vários anos um nome apontado nas apostas para o Nobel da Literatura, mas a Academia tem optado por premiar fora das listas de favoritos. Num comunicado divulgado pela editora Samlaget, o autor diz estar emocionado e grato pela atribuição deste prêmio. Fosse sucede a Annie Ernaux, distinguida no ano passado. A entrega do galardão vai acontecer numa cerimónia em dezembro.

Notícia de fecho do Jornal das Duas, TV edição do João Felipe Cruz.