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Vamos às notícias. Jornal das Duas com Miguel Vítor Dias. Miguel, a ministra da Administração Interna abre a porta a discutir o direito à greve na polícia e garante para breve a conclusão do inquérito disciplinar ao agente da PSP.
No encerramento do Congresso da Associação dos Profissionais de Polícia, a ASPP, Margarida Blasco abriu a porta à discussão do direito à greve, que atualmente não existe. A ministra da Administração Interna assegura que esse será um dos assuntos em cima da mesa na revisão da carreira dos profissionais de polícia.
Vamos começar no dia 6 de janeiro um conjunto de revisões e é um ponto que pode estar, e estará com certeza, em cima da mesa. Neste momento, não lhe vou dizer se sim ou se não, porque vai ter que ser submetido a um estudo.
Margarida Blasco, em declarações aos jornalistas no encerramento do congresso, em que garantiu para breve a conclusão do inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna, a atuação do agente da PSP que acabou por matar Odair Moniz.
Relativamente ao inquérito que eu mandei abrir à Inspeção-Geral da Administração Interna, eu pedi o inquérito com urgência para que fossem refletidos todos os pontos, todos os factos, todo o circunstancialismo em que ocorreram. O inquérito é urgente. Penso que brevemente teremos esse inquérito. Este é o inquérito da IG, é um processo disciplinar.
Margarida Blasco a vincar que este é o inquérito disciplinar, diferente da investigação que a PJ está a conduzir. A ministra da Administração Interna que assegurou também que o governo quer investir em tasers e bodycams, mas lembrou que é preciso cumprir a lei e que os concursos públicos são demorados.
Esta madrugada, dois homens foram esfaqueados em Rio de Mouro.
Um homem esfaqueado no abdômen, outro nas costas com uma perfuração no pulmão, na estação de comboios de Rio de Mouro, em Sintra. A PSP recebeu o alerta perto das 3h, deslocou-se de imediato ao local e confirmou a existência de dois feridos, um homem de 35 anos e outro de 40. Ambos foram transportados para unidades hospitalares e, para já, ainda não são conhecidos os motivos das agressões.
E em Valência, a visita do rei e do primeiro-ministro foi cancelada depois de terem sido recebidos com insultos e tentativas de agressão.
A visita durou muito pouco. Poucos minutos bastaram para se perceber que não estavam reunidas condições de segurança para que Felipe VI, Letizia e Pedro Sánchez e também o presidente da comunidade Valenciana pudessem visitar Paiporta, uma das cidades mais afetadas pela tempestade. Os populares rodearam a família real e o primeiro-ministro e entre lama e objetos atirados, a polícia teve que improvisar um cordão de segurança. Um dos momentos mais tensos aconteceu quando Felipe VI se aproximou de alguns jovens para tentar conversar e, num momento captado pela TVE, como ouvimos neste registo, foi recebido com gritos de "assassinos" e de "morte ao primeiro-ministro". Como aqui podemos escutar os gritos e cânticos da população de Paiporta, em Valência, algumas das pessoas acabaram até por perseguir o carro em que Pedro Sánchez foi retirado do local, atingido com pedras e outros objetos. Protestos contra a falta de ajuda e de meios enviados pelo governo central. Felipe VI e Pedro Sánchez, que estiveram antes no posto de comando avançado instalado na região de Valência para perceber o trabalho que tem sido feito, tanto no resgate das vítimas, como na distribuição de bens de primeira necessidade.
E antes da visita ter sido suspensa, o rei de Espanha agradeceu o empenho dos voluntários portugueses.
Felipe VI cumprimentou os elementos da Associação Portuguesa de Busca e Salvamento, que têm estado em Paiporta. Pedro Baptista, o responsável da associação, descreve o cenário como dantesco e à Rádio Observador relata que a realidade vivida é pior do que o que se vê na TV.
Temos muitas pessoas alojadas, muitas pessoas que ficaram com a roupa a secar no corpo, digamos assim, e sem nenhum bens, sem nada para se alimentar, sem nada. Pessoas a chorar os mortos, seus familiares, sem onde viver, sem onde morar, sem os seus pertences. Isto, como devem perceber, não é fácil para esta população.
O comandante Pedro Baptista acrescentou também que apesar de não saber quanto mais tempo vai ficar no terreno, a polícia começou hoje a facilitar o trabalho ao abrir corredores de emergência ao longo das estradas.
E Miguel, nesta altura, o número oficial de vítimas mortais é já de 214.
O número oficial do 214, mas esta manhã a TVE noticiou a descoberta de mais três corpos. As autoridades estão a realizar operações de limpeza, por exemplo, num centro comercial em Aldaia, onde o parque de estacionamento está submerso. Só nesse caso, a limpeza pode demorar 36 horas e desconhece-se se existem ou não pessoas no interior. No ponto de situação feito ao final da manhã, o ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, recusou especular quanto ao número de desaparecidos.
Não podemos fornecer dados sobre pessoas desaparecidas. Temos também de ser absolutamente rigorosos. É claro que já temos um número muito elevado de falecidos e, nesse sentido, através dos mecanismos oficiais, informaremos conforme forem decorrendo os trabalhos.
O ministro da Política Territorial não quis responder a questões políticas, lembra que o comando da coordenação de emergência cabe à comunidade valenciana e que o mais importante agora são os trabalhos de limpeza que decorrem.
Na política nacional, a distrital do PSD do Porto questiona as condições de Eduardo Vítor Rodrigues para continuar à frente da área metropolitana.
O socialista, que é presidente da Câmara de Gaia, foi condenado à perda de mandato por uso indevido de um carro do município. A sentença foi já confirmada pelo Tribunal da Relação do Porto. Em comunicado, os sociais-democratas consideram que esta situação pode comprometer a confiança pública e a credibilidade das instituições que representa. A distrital social-democrata refere que a gestão da Câmara Municipal de Gaia tem sido marcada por sucessivos problemas judiciais e que, do ponto de vista do PSD Porto, levanta sérias dúvidas sobre a capacidade e idoneidade que tem para continuar a liderar a área metropolitana. A Agência Lusa pediu uma reação a Eduardo Vítor Rodrigues, que disse apenas que o populismo não é exclusivo do CHEGA, sem querer acrescentar mais nada.
Fechamos com o desporto. No MotoGP, o piloto Francesco Bagnaia venceu o Grande Prêmio da Malásia.
O piloto da Ducati adiou a decisão do campeonato pra última corrida, que ainda não tem data nem local. Seria em Valência, mas foi adiada devido à tempestade. Bagnaia, que largou da pole position, imposto-se num duelo com o espanhol Jorge Martin, também da Ducati, numa prova que chegou a ser interrompida devido a um acidente logo na primeira volta. Jorge Martin chega à última prova na liderança do Campeonato Mundial de Pilotos, com 485 pontos, mais 24 do que Francesco Bagnaia, que é segundo, pelo que uma vitória na próxima corrida basta para que Jorge Martin possa ser campeão. Ainda assim, é mesmo necessário ir até à última prova para saber quem será o próximo campeão do mundo de MotoGP.
E com o desporto fechamos este jornal das 14h. Voltamos a atualizar as notícias às 14h30 com Miguel Vítor Dias.