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Vamos atualizar as notícias. Jornal das duas, com a Vanessa Cruz. Vanessa, são de nacionalidade marroquina os migrantes que desembarcaram ontem no Algarve.

Informação que está a ser adiantada pela Agência Lusa, que cita a fonte da GNR, ao que "O Observador" apurou, 28 já foram presentes às autoridades judiciais de Silves, podem receber uma notificação de abandono voluntário do país. Os outros 10 passaram a noite numa unidade hospitalar com sinais de hipotermia e desidratação. Vão ser ouvidos mais tarde por um juiz. Há sete menores neste grupo de migrantes que desembarcou na praia de Boca do Rio, em Vila do Bispo, ontem, ao entardecer. Em direto de Vila do Bispo, está precisamente o jornalista do "Observador", João Lourenço, com mais detalhes, João, agora em direto, relatados por quem assistiu à chegada do barco com estas pessoas.

Precisamente, Vanessa. Chegamos a falar com Paulo Lourenço, o homem que deu o primeiro alerta da chegada destes 38 migrantes à costa algarvia. Paulo Lourenço é proprietário de uma empresa ligada ao turismo marítimo, algo bastante comum nesta região, e ao final do dia desta sexta-feira, reparou nesta embarcação, neste barco, que, segundo esta testemunha, estava a fazer uma trajetória estranha. Paulo foi até à praia da Boca do Rio, cerca de 500 metros da praia onde se encontra a sua empresa, a praia da Salema, e conseguiu dar uma descrição das emoções destas pessoas ao chegarem a Portugal.

Foi alegria. Alguns deles com uma mistura de desespero por talvez terem chegado. Havia indivíduos que estavam com os braços no ar a agradecer, presumo eu, por terem chegado. Sim, o sentimento, sem dúvida, foi de alegria.

Esta testemunha refere que estes migrantes vinham de Agadir, uma cidade marroquina a cerca de 550 quilômetros da capital Rabat. Paulo Lourenço afirma também que a ajuda era constante, os pedidos de ajuda eram constantes por parte destes migrantes.

Não acredito que aquelas pessoas estivessem há cinco dias no mar. Havia pessoas que estavam desidratadas, havia pessoas que estavam com insolação, sim, mas havia muitos deles que estavam com mais saúde do que eu. E uma coisa que a mim me espantou bastante foi quando as pessoas desembarcaram, não houve ninguém que tentasse fugir. Chegaram ali ao estacionamento, sentaram-se no chão, ficaram no chão.

Todos à espera da ajuda.

Presumo que sim.

A explicação de Paulo Lourenço, referiu que muitos destes migrantes lhe disseram, falavam francês, era então, segundo a GNR, de origem marroquina, muitos destes migrantes contaram que estavam no mar há cinco dias. Paulo Lourenço, que trabalha no ramo, diz que aquela embarcação com o tipo de motor que tinha, que era muito difícil pra que estes migrantes estivessem há tanto tempo dentro de água, dentro do mar. Esta testemunha foi então responsável pelo primeiro contacto para as autoridades e também foi o autor do vídeo que correu tanto nas redes sociais como também em alguns espaços de informação. Como já referi, em outros espaços noticiosos aqui da Rádio Observador, estas 38 pessoas vão ser reencaminhadas para um pavilhão em Sagres, a cerca de oito quilômetros daqui, de Vila do Bispo. Este pavilhão vai ser cedido pela autarquia local, por esta autarquia de Vila do Bispo. Tentámos contactar já a autarquia, mas até agora sem qualquer sucesso.

Reportagem do João Lourenço, em direto do Algarve. Entretanto, a informação de que as autoridades costeiras reforçaram a vigilância, precisamente na costa do Algarve, depois deste desembarque de ontem na praia, em Vila do Bispo. Nos últimos seis anos, desembarcaram na costa algarvia um total de 140 migrantes. O primeiro caso aconteceu há quase duas décadas.

Vanessa, o Bastonário da Ordem dos Advogados reconhece que a questão do reagrupamento familiar é a mais difícil para resolver depois do chumbo da Lei dos Estrangeiros pelo Tribunal Constitucional.

O diploma inclui normas como a imposição do prazo de dois anos para os imigrantes poderem chamar a família, que esteja fora de Portugal, para vir viver no país, com a inconstitucionalidade que foi decretada pelos juízes. O bastonário João Massano olha para essa como a norma mais difícil de contornar pelo governo e lembra que estão em causa direitos humanos.

A nova legislação, a nova proposta que vier a ser adotada por quem a vier a apresentar, naturalmente, pelo governo, com a coligação que entender fazer, terá que ter em consideração que tem sempre que respeitar a pessoa que está a entrar no país. E que essa pessoa tem família, tem mulher, tem marido, tem filhos, e que isso é importante para que ela se integre no nosso país e não verifiquemos o fenômeno de exclusão. Nós somos um Estado humanista, um Estado que se preocupa com a pessoa, com a sua dignidade como um todo. E foi isso que o tribunal disse que não está a ser respeitado aqui.

É o que diz o Bastonário dos Advogados, João Massano. A Rádio Observador falou também esta manhã com a Associação Solidariedade Imigrante, que se congratula com o chumbo decidido pelos juízes do Palácio Ratton. Os juízes apontam para várias normas inconstitucionais que não protegem a família e as crianças. Timóteo Macedo, presidente desta associação que representa imigrantes em Portugal, acusa o governo de tratar estas pessoas, por comparação com os restantes cidadãos portugueses, de forma desigual.

É preciso mudar essa atitude e esse olhar sobre os imigrantes. Os imigrantes são pessoas como as outras

Os imigrantes não podem esperar três meses para a solução do seu problema, ou pela informação solicitada, ou pela resolução da situação. Não podem. Os imigrantes têm que ter o mesmo atendimento e tem que existir um procedimento igual aos restantes cidadãos.

A lei dos estrangeiros foi considerada ontem inconstitucional pelo Palácio Ratton. Cinco normas chumbadas, a maioria relacionada com as alterações ao reagrupamento familiar.

Vanessa, há um incêndio considerado significativo, é o de Moimenta da Beira, localidade de Alvito.

Este fogo no distrito de Viseu tem duas frentes nesta altura, está a ser combatido por quase 400 operacionais, mais de uma centena de viaturas, sete meios aéreos, já chegaram a ser oito. Já o incêndio em Ribeira de Pena, Vila Real, foi dominado por volta das 10h00.

Noutros temas, Itália enviou o primeiro avião para a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

O Ministério da Defesa italiano referiu que prevê realizar um voo por dia durante uma semana. O país europeu vai fornecer cerca de 100 toneladas de mercadorias, alimentos, artigos de primeira necessidade. Os bens seguem num voo civil em direção à capital da Jordânia.

E cerca de 20 países árabes e muçulmanos condenaram hoje o plano israelita de ocupação da Faixa de Gaza.

Foi numa declaração conjunta, países como o Egito, a Arábia Saudita e a Turquia acusam Israel de uma violação flagrante do direito internacional. A autoridade palestiniana pediu ontem uma reunião urgente com a Liga dos Estados Árabes, depois desse anúncio da decisão do governo israelita que quer expandir a ofensiva em Gaza e ocupar 100% o enclave palestiniano.

E "O Observador" entrevistou um psicólogo português que está precisamente na Faixa de Gaza e que alerta para a fome dos palestinianos.

Raúl Manhart integra uma missão dos Médicos Sem Fronteiras, encontra-se numa das zonas mais afetadas pelos bombardeamentos israelitas em Gaza City, no norte da Faixa de Gaza. O agravamento da fome, da propagação de doenças e das condições de vida dos palestinianos são problemas de saúde física a que se somam perturbações mentais.

É que as pessoas estão a morrer por falta de condições sustentáveis para a vida, não só por falta de comida e desnutrição, mas falta de abrigo e condições de higiene e condições de segurança. Há certas infecções oportunistas que não recuperam tão facilmente dos seus ferimentos. A saúde mental piora, a saúde mental tem impacto na saúde física. Nem sequer é um loop, é uma espiral negativa que se vai agravando cada vez mais.

O psicólogo Rui Manhart, entrevistado pelo Observador, diz que está a testemunhar um genocídio e pede aos Estados europeus e ocidentais que parem de colaborar com o que está a acontecer em Gaza.

Fechamos este jornal das 14h com desporto. Volta a Portugal. Está a decorrer a etapa de hoje entre Boticas e Bragança.

Uma distância de quase 180 km, Filipa. A chegada está prevista para antes das 17h30, portanto, daqui a cerca de 3h30. Ontem, a segunda tirada foi ganha pelo espanhol Pau Martí. Passou a liderar a geral com dois segundos de vantagem sobre o campeão em título, o russo Artem Nych.

Com desporto que fechamos este jornal das 14h.