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Na Rádio Observador. Jornal das três com Luís Soares. Luís, a ministra da Administração Interna atira responsabilidades para as autarquias na sequência desse protesto dos bombeiros esta tarde em Lisboa.

Um protesto que leva centenas de bombeiros a ocupar a escadaria da Assembleia da República. O protesto começou pouco depois do meio-dia, primeiro numa manifestação que desceu na rua de São Bento, depois na chegada ao Parlamento, os bombeiros derrubaram as barreiras e subiram a escadaria, onde permanecem ainda nesta hora. Numa declaração há instantes, a ministra da Administração Interna critica este protesto e diz que a mesa das negociações é o local certo para os bombeiros verem atendidas as reivindicações. Margarida Blasco sinaliza que os bombeiros podem ter o que querem se continuarem a dialogar.

Fazer uma reivindicação que dura há 22 anos. Portanto, estão a tentar e vão conseguir, com certeza, ter o estatuto de bombeiro. Na sexta-feira passada estiveram à mesa das negociações e continuaremos essa negociação no sítio certo, que é à mesa.

Margarida Blasco sublinha também que os bombeiros em protesto são tutelados não pelo Estado central, mas sim pelas autarquias.

Os bombeiros sapadores que se estão a manifestar em frente à Assembleia da República são bombeiros cujo patrão não é o Estado, são bombeiros das autarquias, portanto, dependem das autarquias locais.

Margarida Blasco, a ministra da Administração Interna, que deu ainda uma palavra de apreço aos polícias que, diz a ministra, contiveram as proporções da manifestação e que, no entanto, acabou por romper essas barreiras de segurança. Junta-se em direto este jornal das 15:00, Cátia Rosas, vereadora do PS em Lisboa. Boa tarde, obrigado por se juntar também a nós em direto. Cátia Rosas, ouvimos a ministra Margarida Blasco dizer que estes bombeiros em protesto são tutelados pelas autarquias. Como é que a autarquia de Lisboa tem estado a olhar para estas questões e para as reivindicações dos bombeiros sapadores?

Primeiro de tudo, muito boa tarde. E antes de responder a essa questão, há aqui algo que não pode ficar em claro, e dizer também da parte do Partido Socialista que as imagens que temos visto aqui da Assembleia da República são deploráveis, inadmissíveis e não pode ser aceito que num Estado de direito isto aconteça, ainda por cima, pessoas fardadas envergando a sua farda, e há formas de discutir e de dialogar, e esta não está a ser aquela que poderia ser da melhor forma. Portanto, instituições democráticas têm de ser sempre respeitadas.

E quanto às reivindicações destes bombeiros?

Sim, agora em relação à reivindicação da parte do Partido Socialista, nós sempre que estivemos no poder e assumimos funções, estávamos sempre ao lado, asseguramos melhores condições de trabalho, tivemos a reabilitação de construção de quartéis. O novo quartel do Regimento Marvila é um projeto de execução nossa. E nós sabemos que há as condicionantes e relativamente a Lisboa, com o custo de vida e tudo isso, a câmara garantia sempre também aqui suplementos remuneratórios que permitiam contribuir de alguma forma e mitigar estas questões.

Mas o PS, na autarquia de Lisboa, pretende apresentar alguma iniciativa também para que as reivindicações destes bombeiros sapadores possam ser atendidas mais rapidamente?

Nós estamos aqui a preparar as coisas. Neste momento, temos o presidente Carlos Moedas, que digamos, é quem tutela os bombeiros sapadores. Não entendemos este silêncio, tutela esta força, tem que dar aqui também um sinal, porque aqui o ponto de vista da Câmara não pode só aparecer para cortar fitas, geralmente obras do PS, mas enfim, mas também face a essas situações, poder dar a resposta adequada aos bombeiros.

Cátia Rosas, muito obrigado por ter estado em direto connosco. Cátia Rosas, vereadora do PS em Lisboa, a reagir também aqui a este protesto dos bombeiros que se mantêm na escadaria do Parlamento. E voltamos precisamente agora ao Parlamento, onde as centenas de bombeiros se mantêm nessas escadas já desde cerca do meio-dia. Ivo Azevedo Maldonado Correia, nem a chuva os desmobiliza nesta altura.

Exatamente, Luís, nem a chuva, e devo dizer que nos últimos 30 minutos tivemos provavelmente os desenvolvimentos mais importantes deste dia. Primeiro, quando começou a falar a ministra da Administração Interna, os bombeiros voltaram todos para a escadaria, ou seja, voltaram a mobilizar para estarem em pé de costas para o Parlamento, na escadaria, deixaram de estar aqui embaixo, nesta rua, debaixo do Parlamento. A declaração da ministra durou cerca de cinco minutos e nessa altura chegou André Ventura. E quando chegou André Ventura, gerou-se aqui um clima de entusiasmo. O líder do Chega foi recebido praticamente como um herói, com muitas palmas, muitos gritos de respeito, especialmente por um grupo que estava aqui mais embaixo com T-shirts a dizer "Sapadores em luta". Entretanto, esse grupo desmobilizou, ou seja, agora na escadaria vemos apenas um terço dos bombeiros que víamos há pouco, mas há pouco, quando aqui esteve André Ventura, de facto, foi um clima de festa. Parecia quase como se fosse o momento que os bombeiros estavam a esperar Nas declarações de André Ventura, o líder do Chega responsabilizou o Governo, não gostou de ouvir a Ministra da Administração Interna dizer que as negociações estão a ocorrer bem, diz que quem está a falar verdade são os bombeiros e o Governo está a mentir.

É o Governo, porque não estão a decorrer, senão estes homens e mulheres não estavam aqui à chuva, não estavam aqui a protestar, não estavam aqui com a enorme frustração que sentem de nunca lhes ter sido dada uma carreira. Alguns dos homens que estão aqui hoje, homens e mulheres, estiveram na linha da frente da luta contra os incêndios, recebem miseravelmente, o Parlamento nunca lhes deu aquilo que queriam.

André Ventura, que aqui esteve há pouco, como dizia, foi recebido por um herói e, Luís, nesta altura dizíamos que não estavam a desmobilizar, mas os bombeiros começam, no mínimo, uma longa coluna de bombeiros, a mobilizar-se para outro sítio. Estão a ir em conjunto, a caminhar aqui para fora, estão a dirigir-se à Rua de São Bento. Vamos então tentar perceber nos próximos minutos se estão, de facto, a desmobilizar ou se estão a tentar levar este protesto para outro sítio.

Fátima, como há de nada, o Correia, o repórter da Rádio Observador, que tem estado a acompanhar este protesto. Tem passado, de resto, também vários líderes da bancada parlamentar de outros partidos. O Bloco de Esquerda acusou já o Governo de não ouvir os bombeiros. O Iniciativa Liberal concorda que foram cometidos excessos, mas admite que o Estado precisa de dar resposta às exigências dos bombeiros. São algumas das reações a este protesto que se vai mantendo na escadaria da Assembleia da República.

Como habitualmente no Jornal das Três, temos notícias de âmbito local.

A entidade reguladora da saúde arquivou o inquérito aberto ao Hospital das Caldas da Rainha, depois de uma grávida ter acusado o hospital de falta de assistência. No passado mês de agosto, uma grávida de 32 anos foi ao hospital depois de ter sofrido uma hemorragia grave em casa. A entidade reguladora não explica por que o processo foi arquivado, o Ministério Público e a Inspeção Geral das Atividades em Saúde também abriram inquéritos a este caso. A Câmara de Leiria abriu um concurso para a construção de uma rotunda na Estrada Nacional 242, na Barosa, no valor de 1,9 milhões de euros. O vereador das Obras Públicas, Ricardo Santos, disse que a obra vai ser articulada com a Infraestruturas de Portugal, que gere esta estrada nacional, mas que os custos vão ser assumidos pela Câmara. Um homem que matou um idoso no Seixal foi transferido para o Hospital Prisão de Caxias. O crime aconteceu em junho deste ano, quando um homem matou à facada um idoso de 88 anos no Seixal. Depois de ter sido detido, esteve preso nos últimos meses na cadeia de Montijo, mas por ser diagnosticada uma doença mental, o Tribunal do Seixal decidiu transferi-lo para o Hospital Prisão de Caxias. A Câmara e a Junta de Freguesia de São João da Madeira vão reforçar os apoios da Oficina do Idoso. É um apoio para os idosos, pessoas com deficiência e em situação de invalidez, que garante, por exemplo, reparações domésticas, o apoio que paga os custos da mão de obra em pequenas reparações vai agora cobrir 70% dos custos em materiais necessários e aumentar o limite de comparticipação para reparações de €300 para €500. A Associação Rugas, que tem sede em Sintra, vai estrear uma peça de teatro sobre a violência na ditadura. A peça foi elaborada a partir de testemunhos reais, de pesquisa, de arquivos, de entrevistas, tenta explorar uma reflexão sobre o binómio ditadura-liberdade. Vai estrear no dia 18 deste mês, no Forno Espaço Cultural, em Rio de Mouro, no Conselho de Sintra. E o Festival Literário Amostra, em Vila do Conde, celebra os 50 anos de Abril. O festival vai reunir autores de vários países e tem como tema principal o 25 de Abril. Este festival vai apresentar um conjunto de exposições, filmes e obras literárias, que explica um dos responsáveis deste festival, invoca o 25 de Abril e que desempenhou papel interventivo no sentido de provocar o pensamento e também a reação.