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Jornal das 17h, com Vasco Maldonado Correia. Para começar, Vasco, a notícia que marca o dia no Parlamento: André Ventura diz que o gabinete na Assembleia da República foi invadido e vandalizado e, além disso, diz que desapareceram documentos sobre Luís Neves.

Relacionados com a Comissão Parlamentar de Inquérito proposta pelo Chega aos mandatos de Luís Neves como diretor nacional da PJ. André Ventura diz também que o partido já deu pela falta de documentos sobre o primeiro-ministro. Conosco, temos o jornalista do Observador, Martim Madeira. Martim, estiveste no Parlamento ao longo do dia a acompanhar os desenvolvimentos deste caso. O que é que conseguiste ver?

Vasco, momentos depois de André Ventura falar aos jornalistas, a segurança ficou um pouco mais apertada nos Passos Perdidos da Assembleia da República. Os inspetores da Polícia Judiciária encontravam-se dentro do gabinete do Chega, ainda a investigar e a recolher provas do caso, e a entrada para o gabinete, bem como todo o corredor de acesso aos gabinetes do Chega, estava a ser guardada por elementos da Guarda Nacional Republicana, que não deixavam sequer os jornalistas aproximarem-se da porta. Depois de todas as diligências, ouvimos uma porta abrir e saíram os investigadores da PJ com caixas nas mãos, que pareciam ter documentos lá dentro. Apenas passaram, foram-se embora e de seguida saiu André Ventura, que acompanhou todo o processo de investigação. Tanto quanto sabemos, saiu do gabinete a conversar ao telefone, acompanhado apenas pela deputada do Chega, Cristina Rodrigues. Depois, abriram as portas de acesso aos gabinetes para os jornalistas recolherem imagens do depois das diligências.

E Martim, o que é que sabemos neste momento em concreto?

Sabemos que estamos numa altura de férias parlamentares e que não existem trabalhos a decorrer no Parlamento. Sabemos também que André Ventura foi o último a sair do gabinete ontem ao fim da tarde e que não trancou o gabinete porque, de acordo com André Ventura, não tem esse hábito. Durante a madrugada, de facto, e isso foi algo que verifiquei, conversei com alguns membros do Parlamento, houve uma ronda de vigília por parte da GNR e depois por volta das 7h, uma senhora da limpeza viu o cenário das folhas e das molduras espalhadas pelo chão e chamou a segurança, que depois acabou por contactar o gabinete de Aguiar Branco. Já pela mesma hora, também chegou o deputado madeirense do Chega, Francisco Gomes, que se preparava para gravar vídeos para as redes do partido. Quanto aos documentos em questão, André Ventura explica o que é que foi roubado.

Um dos lotes de documentos que desapareceram estavam numa das pastas que estão logo em cima da primeira mesa e que se referiam à Comissão Parlamentar de Inquérito ao doutor Luís Neves. Esses documentos, juntamente com essa pen, desapareceram na manhã de hoje e espero que possam ser recuperados. Um outro tipo de documentos que estavam num outro modelo, desapareceram e tinham a ver com informação política relacionada com o gabinete do primeiro-ministro e já tinha mais de um ano.

Aqui André Ventura a explicar o que é que foi roubado do gabinete do Chega. Outra coisa que também fizemos a questão de verificar no piso dos Passos Perdidos foi se havia câmaras de videovigilância e garanto que depois de ver todos os cantos, de facto, não existem, o que pode dificultar um pouco a investigação. Apenas há câmaras noutros locais do Parlamento.

Jornalista Martim Madeira, que esteve ao longo do dia no Parlamento e com os detalhes sobre este caso de vandalismo e furto de documentos denunciado por André Ventura no gabinete do Chega.

E este é um tema em destaque nesta tarde política. Daqui a pouco, depois das 17h30, vamos analisar esta situação no programa Explicador. Contamos com membros do Conselho de Administração da Assembleia da República para nos ajudarem a explicar o que aconteceu e como funciona a segurança na Assembleia da República. Seguimos com a atualidade e falamos de um erro grave, porque é assim que o Partido Socialista olha para a decisão da Aliança Democrática de impedir a audição de Luís Neves no Parlamento.

A Iniciativa Liberal queria ouvir o ministro da Administração Interna na Comissão Permanente sobre as polémicas em torno do período em que o ministro esteve à frente da Polícia Judiciária. A iniciativa foi ontem indeferida pelo presidente da Assembleia da República, por falta de consenso entre os partidos. Apenas PSD e CDS votaram contra a audição. Ora, o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, lamenta que os partidos do governo queiram fazer de obstáculo ao esclarecimento do público.

Acho que é um erro político grave do PSD, do CDS, da AD, em criar obstáculos a esse esclarecimento no momento em que esse esclarecimento é muito necessário. É urgente mesmo, porque aquilo a que temos vindo a assistir é uma espécie de intervalo em que o senhor ministro da Administração Interna não presta os esclarecimentos, adensando ainda mais as dúvidas em torno dos factos que hoje são conhecidos da opinião pública.

Brilhante Dias rejeita que o PS tenha subvalorizado os problemas a envolver Luís Neves, garante que a postura do partido vai depender de uma eventual reunião com o primeiro-ministro.

O secretário-geral do Partido Socialista já disse que, em caso de não esclarecimento, a primeira coisa que fará é pedir ao senhor primeiro-ministro uma reunião. E essa reunião será um momento decisivo de esclarecimento da posição do Partido Socialista se continuarmos neste impasse.

Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar do PS, que para já não quer falar na demissão do ministro Luís Neves, avisa, no entanto, que está em causa a confiança dos portugueses nas instituições.

Falamos agora do setor da educação. A plataforma MetaProf considera ofensiva a remuneração anunciada pelo ministro da Educação, uma remuneração para os professores classificadores dos exames.

O ministério liderado por Fernando Alexandre anunciou ontem à noite que os professores classificadores dos exames do secundário vão receber € 1 por cada resposta classificada e ainda € 12 por cada prova reapreciada. À Rádio Observador, o coordenador da MetaProf, Pedro Brito, fala numa medida despropositada. Consideramos que é um valor que não faz sentido algum neste contexto. Depois também dizer que

O tipo de trabalho que é pedido nesta fase, mesmo que fosse pago, é um tipo que colide com as férias, neste momento. Há professores de férias que já estão marcadas há muito tempo. Muitos professores nem sequer receberam aquilo que deve ser por lei uma comunicação do diretor do seu agrupamento, justificando por que razão é que possa estar a ser convocado.

Alexandre assumiu hoje a possibilidade de adiar o ano letivo para os alunos do secundário. O responsável da Metaprof, Pedro Brito, considera que o ministro está mais preocupado com as aparências do que com os problemas reais do setor.

Há milhares de professores que até o momento estão à espera do resultado dos concursos para poder perceber em que escola vão ficar. É uma pergunta, mais uma vez, que nós fazemos ao Ministro da Educação, que é: o que é que nos adianta a abertura de um ano escolar se não estão garantidas ainda as horas para os milhares de professores que estão em mobilidade e que concorreram, que estão à espera dos resultados? Mais uma vez, parece-nos um anúncio para a opinião pública e muito pouco para as escolas e para o esforço dos professores, já a partir do dia 1 de setembro.

Declarações do coordenador da Metaprof, Pedro Brito, à Rádio Observador.

E o ministro da Economia garante que Portugal vai aproveitar todos os fundos comunitários disponibilizados do Plano de Recuperação e Resiliência, um plano que está a chegar ao fim, Vasco.

31 de agosto é a data limite fixada pela Comissão Europeia para as metas definidas no PRR. Manuel Castro Almeida assegura que, se tudo correr bem, se tudo correr como previsto, os apoios comunitários vão ser aproveitados até ao último cêntimo.

Estamos agora na fase do último esforço. Se não surgirem acidentes ou incidentes imprevistos, chegaremos ao final do prazo com todos os marcos e metas do PRR cumpridos. Ou seja, cumpriremos 100% dos investimentos e das reformas programadas. O mesmo é dizer que investiremos a totalidade das subvenções colocadas à disposição de Portugal. Nenhum euro ficará por investir, nenhum euro será devolvido a Bruxelas.

Promessa de Manuel Castro Almeida, ministro da Economia, numa conferência em Lisboa esta tarde. Afirma também que o governo vai apresentar em breve o décimo pedido de pagamento a Bruxelas.

Falamos agora de encontros na Casa Branca. Terminou na última hora o encontro entre Donald Trump e Zelensky. O presidente dos Estados Unidos está reunido com Benjamin Netanyahu.

Agenda cheia em Washington, Zelensky está nos Estados Unidos para marcar presença na cerimônia de homenagem ao falecido senador Lindsey Graham. Passou pela Casa Branca para discutir o conflito na Ucrânia com Donald Trump. Entretanto, essa reunião já chegou ao fim. Para já, sem declarações à imprensa, tanto do presidente ucraniano como do presidente norte-americano. Logo que terminou o encontro, entrou para o recinto da Casa Branca o primeiro-ministro israelita. É já o oitavo encontro entre os dois líderes desde que começou o segundo mandato de Donald Trump. O último aconteceu em fevereiro, dias antes de Israel e os Estados Unidos lançarem um ataque conjunto sem precedentes contra o Irão.

Aqui na Rádio Observador, o coordenador de risco geopolítico da Porto Business School diz que Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu têm objetivos diferentes nestas reuniões nos Estados Unidos da América.

Jorge Rodrigues diz que o líder israelita chega a Washington para resolver arrufos. Já o presidente ucraniano está numa posição reforçada. O coordenador de risco geopolítico da Porto Business School reconhece os esforços diplomáticos de Donald Trump, diz que quer Zelensky, quer Netanyahu são aliados estratégicos dos Estados Unidos. Ainda assim, considera que os dois líderes chegam em pontos distintos a estes encontros.

Enquanto que num caso, Netanyahu vem, apesar de ser a oitava vez que se reúne com Donald Trump, o estado das relações é fraco. A última reunião foi em fevereiro, antes do conflito do Irão, e Israel fez um grande esforço para conseguir esta reunião agora. Zelensky está numa posição muito diferente. Está num momento muito positivo, apesar de enfraquecido no plano interno, muito ligado à questão de demissão de Fedorov, que nem a demissão de Syrskyi ou a nomeação de Kamara acabou por acalmar, mas está reforçado pelo sucesso parcial na condução da guerra e pelo apoio internacional, nomeadamente este recente de ontem, mais exatamente, com o apoio do Reino Unido.

Jorge Rodrigues, ouvido esta tarde no Gabinete de Guerra, defende também que o Irão sabe que a guerra está longe de ser um cenário desejável, mas que se mantém, uma vez que o regime do país continua em risco.

Passam 11 minutos das 17h. Vasco Maldonado Correia, vamos a outras notícias que estão a marcar a atualidade.

Continuam cortadas a autoestrada A25 e a Estrada Nacional 16, devido ao incêndio na Guarda. Estão cortadas em ambos os sentidos entre a Guarda e o Alto do Liomil, no Conselho de Almeida, desde o início da manhã, e o fogo tem três frentes ativas, a que está a gerar mais preocupação está a evoluir para a localidade de Cabreira, no Conselho de Almeida. A esta hora no terreno estão perto de 500 bombeiros, para além de 10 meios aéreos. Mais de 200 mil casas foram diretamente afetadas pelo mau tempo que atingiu o país no início do ano. Balanço feito esta tarde pelo coordenador da estrutura de missão para a recuperação da região Centro, Paulo Fernandes, no âmbito da recuperação de habitações próprias e permanentes, foram já registados mais de 35 mil processos aos apoios disponibilizados pelo governo e quase 180 mil processos nos seguros. Miguel, eu acredito que já tenhas feito uma outra promessa daquelas de "se eu ganhar, faço isto. Se eu perder, faço isto." Tens alguma que queira partilhar?

Sim, ligadas com o desporto, futebol, essencialmente. Sim.

Fiz alguma que queiras partilhar?

Recentemente, apostei que se acontecesse certa coisa com uma equipe de futebol, iria a pé, descalço, da redação do Observador pra casa.

E tiveste que cumprir?

Não tive que cumprir, não aconteceu. Mas também não me parecia assim tão mau. Vivo basicamente a 5 km daqui, seria andar a pé descalço até casa. Talvez doesse um pouquinho, mas nada que me-

Era bom exercício.

Posto uma pedra no sapato, iria doer a mesma coisa.

Era bom exercício. Tu estiveste no Mundial, sabes que os jogadores espanhóis fizeram várias promessas caso conquistasse o Campeonato do Mundo. Gavi, por exemplo, prometeu pintar o cabelo cor-de-rosa. Ferran Torres marcou o gol na final contra a Argentina, prometeu rapar o cabelo. Lamine Yamal disse que ia crescer a barba, mas houve uma promessa mais ousada e que foi cumprida.

Muito bem.

Marc Cucurella prometeu tatuar a cara do selecionador espanhol, Luis de la Fuente. As promessas são para cumprir e Cucurella publicou esta tarde uma foto na Marquise e com a tatuagem feita.

E eu estava aqui reparando, de facto, já está em manchete nos jornais desportivos espanhóis. Cucurella tatuou o rosto do selecionador espanhol. Bem, prometeu, portanto, é pra cumprir.

E foi no braço, por isso é bem visível. Dessa já não se livra.

Bem, eu não fazia essa. Pronto, essa eu não fazia.

Também não.

Vasco Maldonado Correia com o jornal das 17h.