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O Chega pede a demissão da ministra da Administração Interna, a propósito do caso do homem baleado pela PSP na Amadora. O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, acusa a ministra de se esconder e de ficar em silêncio.
E por isso, defende o parlamentar do Chega, a ministra Margarida Blasco devia abandonar o cargo.
A senhora ministra falou durante 29 minutos e 25 segundos e não conseguiu dizer uma vez "Bairro do Zambujal". Portanto, eu vou lhe dizer isto: Bairro do Zambujal. O que se está a passar no Bairro do Zambujal é vergonhoso. Senhora ministra é ministra da Interna, vou recordar. Eu acho que já não devia ser. Aliás, a senhora ministra hoje devia sair desta sala, chegar à conferência de imprensa e dizer assim: "Peço a minha demissão ao primeiro-ministro Luís Montenegro."
Margarida Blasco, nesta audição parlamentar, recusou responder ao desafio deixado pelo deputado Pedro Pinto, do Chega. Justifica apenas que a investigação no âmbito do caso da morte deste homem no Bairro do Zambujal está ainda em curso.
O senhor deputado mistura o incidente da manhã, em que morreu um cidadão, e os incidentes ao final do dia no Bairro do Zambujal. Há aqui duas coisas que são diferentes, são crimes diferentes, são situações diferentes. Senhor deputado, a Inspeção-Geral da Administração Interna serve para fazer os inquéritos, não é um processo de averiguações, é um inquérito.
A ministra da Administração Interna, em troca de argumentos com o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, Margarida Blasco destacou ainda aquilo que define como a intervenção positiva das forças de segurança neste caso.
Antes destas declarações, numa audição na Primeira Comissão Parlamentar, foi a vez do próprio presidente do Chega deixar acusações ao governo. André Ventura afirma que o Executivo não protege os polícias. Também a propósito deste caso da Cova da Moura, André Ventura contesta que o agente tenha sido constituído arguido.
O governo faz uma grande gala e um grande anúncio público de um inquérito e de uma investigação sobre esta morte, quando não o fez sobre milhares de agressões a polícias que ocorrem em Portugal todos os anos e que já ocorreram este ano.
Anuncia André Ventura que o Chega vai chamar a ministra da Administração Interna ao Parlamento com caráter de urgência para dar explicações sobre este caso.
O Bloco de Esquerda defende, por seu lado, que os agentes da PSP envolvidos na morte do homem baleado pela polícia sejam transferidos para funções administrativas.
Numa publicação na rede social Ex, Mariana Mortágua considera urgente saber o que aconteceu nos últimos minutos de vida de Odair Muniz.
A coordenadora do Bloco defende que todos devem responder perante a Justiça. Considera, por isso, que até à conclusão do inquérito, os agentes envolvidos devem ser afastados de funções.
O PCP pede que o governo investigue este caso de forma séria. A líder parlamentar Paula Santos lamenta o confronto entre polícia e vítima, pede que se apurem os factos.
Lamentamos todos os acontecimentos destas últimas horas. E uma segunda questão para dizer que, por aquilo que tem sido noticiado, está já em desenvolvimento a investigação, que se apure tudo o que efetivamente se passou e que se investigue.
Paula Santos, a líder parlamentar do PCP, em declarações na Assembleia da República à Agência Lusa. A fonte da polícia já confirmou que o agente em causa foi constituído arguido e a arma de serviço foi apreendida para investigação.
No Bairro do Zambujal, na Amadora, decorre a esta hora uma vigília dos moradores em solidariedade com a vítima mortal na madrugada de segunda-feira. A força de intervenção da PSP chegou ao bairro há cerca de uma hora. Entretanto, Carlos Pedro, agora aqui em direto, decorre um protesto pacífico, os moradores pedem justiça.
É verdade, há sensivelmente meia hora, os moradores do Bairro do Zambujal subiram à rua até o encontro dos jornalistas e do corpo de intervenção da PSP, algo que durou cerca de 10 minutos, foi muito rápido. Entretanto, já voltaram a descer para o interior do bairro. Pediram justiça pela morte de Odair Muniz. Manifestaram-se, de resto, de forma pacífica, apenas através de cânticos que apelavam à justiça. Acusaram também as autoridades de racismo. São estes, ou têm sido estes, os cânticos de ordem destas pessoas. Pessoas estas que exigem a condenação do agente da PSP que baleou Odair Muniz, falam numa morte propositada, num crime bárbaro. Entretanto, na última hora chegaram mais agentes da PSP ainda antes da subida destes moradores, até porque se intensificaram os tais rebentamentos de petardos no meio do Bairro do Zambujal, ainda que nenhum tenha sido rebentado desde a altura em que começaram a subir a rua. Mas para além destes petardos bastante audíveis, não há registro de desacatos, nem de grandes incidências e também por isso as autoridades continuam junto à comunicação social. Não houve necessidade de intervir, mesmo aquando do aproximar destes moradores. A polícia está, sobretudo, aqui por precaução e para o caso de as coisas se agravarem e chegarem até ao nível do que aconteceu neste mesmo local ontem à noite. Há também alguns polícias em outros pontos desta localidade, junto a moradias, mas sem grandes movimentações. Vive-se, sobretudo, um clima de expectativa junto ao Bairro do Zambujal. Há um certo ar de apreensão relativamente ao que pode acontecer nas próximas horas. Isto porque na memória de todos os residentes nesta zona estão ainda os acontecimentos de ontem à noite.
É o que testemunha o olhar do repórter do Observador, Carlos Pedro, aqui em direto do Bairro do Zambujal, na Amadora.
E o quinto dia do julgamento do caso BES fica marcado pelos ataques do empresário Pedro Queiroz Pereira a Ricardo Salgado, num depoimento gravado em 2018, mas que foi reproduzido em tribunal.
Também fica esta sessão marcada pela resistência do chairman do BPI em responder às perguntas que foram feitas. Fernando Ulrich, era ele, o chairman do BPI Uma ação que foi acompanhada pelo Vasco Maldonado Correia.
O testemunho de Fernando Rick mal tinha começado e logo arrancaram os protestos. O banqueiro não gostou de ser questionado sobre as relações comerciais entre o BPI e as holdings do GES e questionou várias vezes a pertinência das perguntas, primeiro do Ministério Público, depois dos advogados dos assistentes. De qualquer maneira, não deixou de sublinhar que este processo devia ter mais arguidos, neste caso, por gestão danosa. Explicou que chegou a contactar o Banco de Portugal por temer um problema sistémico como consequência da relação entre GES e BES. Rick teve ainda tempo para um estado de alma, para defender que todos os que trabalham no setor retirem deste caso uma lição pedagógica como exemplo do que não se deve fazer. De manhã, o alvo esteve apontado a Ricardo Salgado, com ou sem premonição. O tribunal ouviu Pedro Queiroz Pereira, em 2018, descrever o que considera ser alguém doente, mentiroso, compulsivo, que iria fazer de tudo para arrastar o processo ao máximo. Relatou também como Salgado terá tentado comprar Marcelo Rebelo de Sousa, na altura em que liderava o PSD, entregando trabalhos de cobrança ao escritório de advocacia de Rita Amaral Cabral, namorada na altura do agora presidente da República. Revelou ainda que o ex-banqueiro terá ameaçado fazer pressão para retirar do cargo o antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Ainda assim, o empresário que expôs os problemas das contas do GES garante que nunca quis fazer de polícia neste caso, estava apenas revoltado com a tentativa de Salgado, em conjunto com as irmãs de Queiroz Pereira, de tentar comprar a Semapa, empresa que liderava.
Vasco Maldonado Correia, jornalista do Observador que acompanhou a quinta sessão do julgamento do caso BES.
E à saída do tribunal, o advogado Francisco Proença de Carvalho voltou a desvalorizar os depoimentos. O advogado de Ricardo Salgado diz que os testemunhos até agora têm sido meramente especulativos. Os trabalhos do julgamento do caso BES são retomados na próxima segunda-feira.
Augusto Santos Silva afasta qualquer interferência política na atribuição de nacionalidade portuguesa às gêmeas luso-brasileiras.
Na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, o ex-presidente da Assembleia da República e ministro dos Negócios Estrangeiros à data dos factos afirma que já consultou os documentos referentes ao processo. Não houve, garante Santos Silva, nenhuma anomalia.
Não houve nenhuma interferência política da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros no tempo em que eu fui ministro e no tempo em que decorreu este processo, sobre um processo meramente administrativo, como é um processo de concessão de nacionalidade. E esse é um facto muito importante, que eu pude corroborar com a informação e a documentação disponível no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Augusto Santos Silva assegura ainda que nunca teve qualquer contacto com Nuno Rebelo de Sousa a pretexto deste caso, nem com o filho do presidente, nem com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.