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Jornal das sete com a Vanessa Cruz. A ministra da Administração Interna deixa alertas à população. Deixou alertas esta tarde, porque o estado do tempo vai agravar-se e sai em defesa da gestão que o governo está a fazer desta crise.

Maria Lúcia Amaral fez-se ouvir pela primeira vez desde a tempestade Cristine e marcou presença na conferência de imprensa da Proteção Civil. A ministra anunciou que vai convocar a Comissão Nacional de Proteção Civil para o próximo domingo, às 17h. Diz que o país tem de se preparar para uma nova semana difícil e vamos escutar essas palavras.

Com as informações de que dispomos, tudo leva a crer que a partir da noite de domingo tenhamos um quadro meteorológico muito severo. Não a repetição do que aconteceu, porque, como diz quem sabe, o que aconteceu foi raro e de difícil antecipação, fenômeno muito raro. Mas o que sabemos e que podemos antecipar é que vamos ter condições meteorológicas adversas.

A ministra da Administração Interna considera que o governo está a fazer um bom trabalho de planeamento para os efeitos da depressão Cristine e para os próximos dias.

Que há muito planeamento a fazer e que este planeamento começou aqui na noite mesmo ou antes do começo da noite, assim que se soube que não era antecipável, que havia este fenômeno meteorológico extremo, começou com a convocação de um centro nacional de coordenação operacional que agrega todas estas entidades.

Maria Lúcia Amaral a rejeitar as críticas que têm sido feitas à gestão da crise provocada pelo mau tempo. Acrescenta que só falou agora porque o governo trabalha como um só. Quem tem críticas a fazer é precisamente André Ventura. Diz que o governo podia ter evitado vítimas mortais na tempestade. Foi numa sessão com apoiantes na Póvoa de Varzim. Miguel Viterbo Dias, agora em direto, o candidato apoiado pelo Chega endurece o tom contra o governo.

Sim, pede desde já uma auditoria à Proteção Civil. Diz que esta organização é um reduto de boys e girls do PS e do PSD. Foram as palavras utilizadas por André Ventura, que sugeriu também que com os dados que o governo tinha, podia ter prevenido melhor a tempestade e evitar vítimas mortais.

O governo sabia há dias que estava numa situação de risco elevado e fez muito pouco para evitar. Eu não estou a dizer que as vítimas mortais que houve e que temos que lamentar, pudéssemos evitá-las todas. Não sei, não conheço todas as situações em detalhe. Mas se calhar, se tivéssemos usado os instrumentos que temos, legais, técnicos, etc, para prevenir numa situação que se sabia que ia ser de altíssimo risco, tínhamos evitado vítimas mortais.

André Ventura, aqui também no fato de líder da oposição, num dia com muitas mudanças de agenda e de tema único, apenas a resposta política à tempestade.

Reportagem do Miguel Viterbo Dias. André Ventura volta amanhã a Leiria. António José Seguro também vai visitar as zonas afetadas pelo temporal e desta vez com a comunicação social. Defende o candidato apoiado pelo PS que é preciso apurar responsabilidades políticas.

Aquilo que eu considero importante neste momento não é discutir quem é que tem culpas. Neste momento, o que é preciso é acudir às pessoas, aos empresários e repor o mais rapidamente possível a normalidade. Agora, a culpa não pode morrer solteira. O que eu quero dizer com isto? Que passada esta situação, o país tem que ter uma conversa séria sobre a forma como pode e deve reagir a estas situações, que já não são novas.

António José Seguro sugere ao governo que recorra aos fundos europeus para o mais rapidamente possível recuperar os territórios devastados.

Importa perceber o que nos espera nos próximos tempos em relação à meteorologia e às recomendações da Proteção Civil para os próximos dias, porque, Vanessa, vem mais chuva de norte a sul.

Muita chuva. O estado do tempo vai piorar, sobretudo a partir de domingo, é o que explica o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, José Carreiro.

Vamos ter um período prolongado de precipitação. Já tivemos e vamos continuar a ter. A partir de domingo. Amanhã teremos uma pequena folga ou pouca precipitação, mas ela ainda irá ocorrer na zona norte. Mas depois esperamos, a partir de domingo, precipitação todos os dias, praticamente em todo o território. E essa precipitação será sobretudo no norte e no centro.

E por isso há risco de inundações e cheias, até porque o caudal dos rios está muito elevado. O presidente da Agência Portuguesa para o Ambiente, Pimenta Machado, diz que o tempo é curto para evitar cheias descontroladas.

Estamos neste momento a preparar os albufeiras, a ganhar encaixe para acomodar a cheia que vai acontecer na segunda-feira. Temos o pico segunda-feira, quarta e quinta e o que estamos a fazer agora, diria que vamos nestes dois dias provocar pequenas cheias para não termos uma cheia descontrolada. É isso que estamos aqui a fazer e dizer que vamos ter uma semana muito complicada e temos dois dias, que é a nossa janela de tempo, para nos preparar para esta semana muito difícil.

E há também medidas preventivas a tomar por parte da população. São estas as recomendações do comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.

Inundações rápidas em zonas urbanas e, portanto, estas recomendações também são para as populações que estão nos meios urbanos. O que se pede aos cidadãos é que, de alguma forma, retirem todos os bens, nomeadamente nas zonas do Mondego e do Tejo, retirem todos os bens e todos os animais.

Para além do risco de cheias, a próxima semana também vai ser marcada por agitação marítima e pela queda de neve.

E já este domingo é dia de voto antecipado para as presidenciais. Há risco de os eleitores não conseguirem votar por causa do temporal, Vanessa.

Vamos tentar perceber se é mesmo assim com o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, André Vemanes. Boa tarde, bem-vindo à Rádio Observador. Esse risco existe nas regiões afetadas pela tempestade?

Boa tarde. Neste momento, as informações que a Comissão Nacional de Eleições tem, e também vindas da administração eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, é que logisticamente está tudo pronto para o voto antecipado em mobilidade que se desenrola este domingo, dia 1 de fevereiro. Com a situação atual, a informação que temos é que em alguns pontos poderá haver alterações de onde será o voto antecipado em mobilidade, devido ao sítio onde estava previsto ter sido danificado e por isso não poder abrigar o voto antecipado. Mas até agora a informação que tenho, com a situação verificada até o momento, é que será possível ter o voto antecipado em mobilidade em todos os concelhos onde há eleitores registados para o fazerem neste domingo. Por isso, esperamos que tudo corra da melhor forma e que seja, de facto, possível essa situação ocorrer sem problemas.

E essas alterações vão ser comunicadas por que via aos eleitores, para saberem onde se hão de dirigir?

É uma parte essencial, porque muitas pessoas estão habituadas ao voto antecipado em mobilidade que se desenrola em dado sítio, em cada concelho. Por isso, os próprios concelhos, os próprios municípios estão a divulgar essa informação e onde houver alteração, a própria administração eleitoral, por norma, envia comunicações e avisos onde vai ser o voto antecipado em mobilidade. E fará isso, obviamente, para as situações em que houve alteração e mesmo para as outras. E por isso, a ideia é os eleitores saberem, antes de saírem de casa, onde se devem dirigir para este voto antecipado em mobilidade, os que estiverem registados para esse efeito.

Muito obrigada, André Vemens, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, aqui a dizer que, à partida, em todos os concelhos vai ser possível votar antecipadamente no próximo domingo, mas pode haver alterações do local das mesas de voto. Essas alterações serão comunicadas pelos municípios.

Entretanto, nestes dias difíceis em várias zonas do país, as pessoas estão a organizar-se para tentar ajudar. Gerou-se uma onda de solidariedade em apoio para os locais mais afetados. Já temos visto campanhas de solidariedade em Leiria. Há outras cidades, há outras campanhas, Vanessa?

Sim, por exemplo, um apelo do Instituto do Sangue pede aos dadores das áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Coimbra para reforçarem dádivas para apoiar as pessoas que ficaram feridas por causa da tempestade. Também há uma onda solidária digital. Um grupo de voluntários criou a plataforma Tempestade SOS. É possível procurar mais na internet para entrega de alimentos e de outros produtos que são prementes nesta altura.

E aqui em Lisboa há outras iniciativas?

Há também, sim. A Junta da Freguesia da Misericórdia está a organizar uma recolha de bens com três pontos de entrega: a sede e as delegações da Junta de Freguesia da Misericórdia, a Igreja de Santa Catarina e também a Igreja das Mercês.

A Vanessa Cruz vai regressar já a seguir na moderação do Fora do Baralho.