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O Tem Pontos . António José Soares com a edição das 7:00 na Rádio Observador. Começamos, António, com o primeiro-ministro, que convocou um Conselho de Ministros extraordinário para amanhã.

O objetivo é analisar a situação de calamidade, as medidas de prevenção para os próximos dias e a recuperação das zonas afetadas pela Depressão Cristina. A reunião vai realizar-se na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, está marcada para às 10:00. Para este domingo à tarde, está também prevista uma reunião extraordinária da Comissão Nacional de Proteção Civil, que vai ser presidida pela Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.

E o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acredita que o primeiro-ministro está preocupado com as consequências da tempestade e foi por isso que convocou o Conselho de Ministros para amanhã.

O presidente da República considera que Luís Montenegro ficou com uma ideia mais clara do que se passa no terreno depois de ter visitado as regiões afetadas. O chefe de Estado deixou ainda um recado ao próximo presidente da República. Afirma que o futuro inquilino de Belém vai ter um papel fundamental a desempenhar na sequência da calamidade deixada pela Depressão Cristina.

Sendo um esforço nacional, é um esforço que explica porque é que o presidente, o governo e os autarcas, neste momento, têm é de estar unidos e todos os partidos. O futuro presidente terá um papel muito importante a desempenhar, que é já daqui a 30 dias.

Um papel unificador.

Unificador, claro. E o governo no diálogo com a Assembleia.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinha ainda a importância dos fundos europeus. Lembra que a situação nas zonas afetadas, no que toca a água e à eletricidade, não se vai resolver num dia.

E do presidente da República, um candidato, António José Seguro, pressiona as instituições europeias, António, para flexibilizar os prazos de execução do PRR, isto para apoiar a reconstrução nas zonas mais afetadas pela depressão.

O candidato à presidência diz que é lamentável, caso isso não aconteça. António José Seguro mantém o registo contido em iniciativas de campanha e evita passar mensagens políticas. No entanto, mesmo com uma postura reservada, desta vez, fez um apelo ao voto. Vasco Maldonado Correia.

Desta vez, António José Seguro ficou para almoçar e na véspera do dia para o voto antecipado, faz novo apelo à mobilização.

Não basta ter o voto no coração e na cabeça, é necessário que ele seja depositado no dia das eleições. Quem elege o presidente não são as sondagens. Quem elege o presidente é cada portuguesa e cada português.

A ação de campanha na Lixa serviu também para recolher mais de cinco toneladas de alimentos para as populações afetadas pelo mau tempo. Seguro enaltece o gesto.

É este sentido de solidariedade e de amor ao próximo que eu quero aqui enaltecer como uma marca e uma característica da alma de ser português. Bem hajam.

No discurso do socialista continua a não haver espaço para a política, nem para menções ao adversário André Ventura. Essa tarefa fica ao encargo, primeiro, do presidente da Câmara de Felgueiras, Nuno Fonseca.

Ou temos alguém que me faz lembrar aqueles livros da Isabel Alçada e da Ana Maria Magalhães, que é uma aventura e que hoje faz uma aventura e sou candidato à Câmara de Loures, amanhã faço uma aventura e sou candidato a São Bento ou hoje faço uma aventura e sou candidato a Belém. Queremos um homem que sabe aquilo que quer.

E depois do mandatário distrital do Porto, Pedro Sobrado.

Como cristão, fico arrepiado com um candidato que gosta de fazer propaganda no final das missas, mas cujas tomadas de posição vão ao arrepio da doutrina social da Igreja.

O almoço deste sábado voltou a acontecer num clima contido, com aplausos à chegada do candidato, mas sem música nem bandeiras.

O jornalista Vasco Maldonado Correia, que está a acompanhar a campanha de António José Seguro.

E ainda pelas consequências do mau tempo em Leiria. Os agricultores, António, pedem mais atenção às freguesias rurais.

Fábio Franco é empresário agrícola e viu toda a produção e infraestruturas destruídas pela passagem da Depressão Cristina. Depois de ter pedido a André Ventura para visitar os arredores de Leiria, o candidato foi à Ortigosa e viu as dificuldades da empresa para recuperar a produção. Miguel Viterbo Dias.

Na Ortigosa, uma freguesia rural do Conselho de Leiria, Fábio Franco pede ao poder político mais atenção aos arredores.

Saiam de lá dentro da cidade, porque aquilo está minimamente. Tem água, tem luz, tem comunicações. Nós não temos nada. Nós não temos acessos para um simples idoso que vive no meio rural, no meio de uma floresta.

O empresário da Sociedade Agrícola do Vale do Lis diz que vai perder 150 toneladas de alface, que tem em estoque, depois da destruição dos armazéns.

Tenho armazém, os pavilhões destruiu-se a cobertura, portanto, também se vai acabar por estragar.

E, por isso, avisa que nos próximos dias e semanas, a economia vai notar os efeitos da tempestade.

Talvez ainda estejam a comer alfaces produzidas em Leiria, mas para a semana, certeza que não vão consumir alfaces.

Uma produção agrícola desfeita, danos na habitação própria e uma família em sofrimento.

Olhava-me sempre com gosto e ligava-me tanta vez: "Ó mãe, vai fazer isto, ó mãe, vai fazer aquilo", qualquer coisa a mãe tinha que estar presente.

A mãe de Fábio Franco a dar conta da paixão do filho pelo mundo rural, depois de vários contratempos, como o furacão Leslie, que já tinha levado a uma preocupação adicional com as estufas.

Quando eu fiz no Leslie, como já estávamos escaldados, digamos assim, foi uma estrutura bastante reforçada, com bastante betão nas sapatas. Tentamos criar uma coisa mais robusta ainda.

Fábio Franco, da Sociedade Agrícola do Vale do Lis, em Leiria, preocupado sobre se à terceira ainda conseguirá reconstruir a propriedade à qual se tem dedicado.

O jornalista Miguel Viterbo Dias, na freguesia da Ortigosa, em Leiria, por onde passou André Ventura, a ouvir a preocupação do meio rural e os avisos ao poder político

E um homem de 73 anos morreu hoje quando caiu do telhado que estava a reparar, na sequência de uma tempestade.

Foi no Conselho da Batalha, mais exatamente na freguesia do Reguengo do Fetal. É lá que está o jornalista do "Observador", João Lourenço, que se junta agora a nós aqui em direto. Boa tarde, João. Qual o ambiente por aí a esta hora?

É um ambiente de tristeza e também de muito silêncio, António. Boa noite. É um ambiente que se marca com bastante silêncio, visto que são muito poucos os populares que passam por esta casa, onde morreu este homem de 73 anos, numa altura em que estava a fazer esses trabalhos de reparação do telhado e, certamente, esse trabalho de planeamento para aquilo que é a previsão meteorológica para as próximas horas, de muita chuva, de muito vento e, por isso, todo o planeamento para tentar proteger ao máximo as habitações das próximas condições meteorológicas. Sabemos que este alerta foi dado durante a tarde e fonte da Guarda Nacional Republicana e também da Proteção Civil, foi uma queda em altura e, por isso, haveria certamente poucos trabalhos médicos a fazer, não só devido à altura desta casa, mas também já à idade avançada deste senhor. Esta é a sétima morte referente a esta tempestade, esta depressão Christine, que tem provocado vários transtornos na população de Leiria, Coimbra, Santarém e que, por isso, e tendo em conta, mais uma vez, essas previsões meteorológicas, todos os cuidados são poucos para tentar evitar mais danos. Este senhor tentava fazer mesmo isso na própria habitação e acabou por morrer a tentar proteger os seus bens.

Obrigado, João. O jornalista do "Observador", João Lourenço, desde a freguesia de Reguengo do Fetal, no Conselho da Batalha, onde morreu hoje um homem de 73 anos que caiu do telhado quando o estava a reparar.

E no Conselho vizinho da Marinha Grande, há funcionários de empresas que estão há 24 horas, António, a guardar as instalações para evitar pilhagens.

Têm medo dos eventuais roubos, uma vez que os edifícios ficaram sem portas e janelas. Paula Barreira trabalha há 35 anos numa empresa na Marinha Grande e explicou ao Observador como se revezam os colegas para tomar conta do espaço há vários dias.

Desde o primeiro dia que estou aqui, quando os meus colegas chegarem para dormir, eu vou-me embora para casa. Vocês estão a dividir? Sim, estamos a dividir. Durante o dia ajudam todos, incluído eu. Chegam aqui às 10 da noite colegas para ficar à noite e eu vou-me embora para casa. Amanhã de manhã cá estou eu. Eu e mais alguns colegas para ajudar outra vez. À noite, depois vêm outros render. Por norma, têm sido os mesmos a ficar cá à noite. Banho não tomo desde o dia que houve a tempestade, só lavada com toalhetes. Não temos água nem temos luz em casa.

O testemunho de uma funcionária de uma empresa na Marinha Grande, entrevistada pela jornalista Marina Ferreira. É um trabalho que pode ler com mais detalhe no site do "Observador".

Ponto final na edição das 19h00. Informação de regresso às 19h30 aqui na antena da Rádio Observador, também com o António José Soares. Até já, António.

Até já, Vicente.