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Um Nova em Ponto. Jornal das 9, com edição do José Rafael Lopes e José, o Ministro da Agricultura diz que só dá razão à presidente da Câmara de Coimbra num ponto, após a troca de argumentos entre os dois, que marcou o dia político.
A autarca Ana Abrunhosa exaltou-se com o ministro José Manuel Fernandes por falar à imprensa antes de ouvir os presidentes de Câmara numa visita que fez ao Dique de Mondego. O ministro explica que chegou pontualmente ao local para falar primeiro com os agricultores e visitar depois a obra. Não, um: fez um aviso prévio aos autarcas de que iria à Coimbra. Ana Abrunhosa é que acabou por chegar fora de tempo.
A única parte que eu digo que ela pode ter razão, e eu já disse isso, que se calhar cometi esse erro, foi em ter respondido aos jornalistas sem me assegurar que todos os autarcas convidados estivessem presentes. Eu podia ter dito: "Deixe ver se a senhora presidente da Câmara Municipal, a doutora Ana Abrunhosa, chega ou não". Posso ter cometido esse erro, que eu nem considero que seja um erro, mas a situação poderia ter sido diferente se eu não tivesse falado aos jornalistas. Mas a verdade é que também os jornalistas que ali estavam já nos estavam a acompanhar e a ouvir as nossas conversas com os agricultores.
José Manuel Fernandes diz que nunca se exaltou, ao contrário de Ana Abrunhosa. Diz que compreende que os nervos estejam à flor da pele depois das tempestades e que não lhe passa pela cabeça que a antiga ministra do PS tenha criado um número político.
Se houve um momento de tensão, não foi da minha parte. O governante tem que aguentar todos os momentos de tensão. Eu não tive nenhum momento de tensão, bem pelo contrário. Depois, no final, conversamos. Agora, eu não vou cometer a indelicadeza ou a presunção de que aquilo pode ter sido uma coisa propositada para se fazer ali um número político da parte da senhora presidente da Câmara. Não vou dizer isso. Não vou dizer isso, nem me passa isso pela cabeça. Agora, eu costumo sempre me pôr no sítio do outro e acho que, face a todos os momentos vividos, há ali alguma tensão e alguma emoção, que a própria presidente da Câmara Municipal acabou por reconhecer.
Tudo acabou bem entre os dois, com o ministro da Agricultura a dizer que enquanto bom cristão, vai perdoar Ana Abrunhosa, depois de uma discussão que durou quatro minutos. José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura, que foi entrevistado pela jornalista Mariana Lima Cunha.
Numa conversa disponível na íntegra no podcast Resposta Pronta, que pode ouvir no site do Observador, em observador.pt e também nas demais plataformas podcast. E José, vamos recordar esse momento em que Ana Abrunhosa não gostou de ver o ministro falar à imprensa, isto antes de ouvir os autarcas.
Com um aviso pelo meio.
Em Coimbra, não pode estar a fazer isto, eu peço-lhe por favor.
O território é de todos.
Não, aqui está em Coimbra e eu represento os coimbrenses.
Eu respondi a perguntas e antes tive eu respondido.
Eu já fui ministra.
O senhor já foi.
Eu era incapaz de fazer o que o senhor fez.
Se foi, eu peço desculpa por ter chegado.
Não, o senhor devia ter esperado por mim, que eu represento Coimbra. Eu sou eleita por Coimbra e não vou deixar nenhum ministro desrespeitar o território.
Se há alguém que respeita o território, sou eu.
Não o fez hoje. Hoje não o fez.
A troca de palavras mais quentes entre Ana Abrunhosa e José Manuel Fernandes, o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho também estava nesse momento. Ouvido pela Rádio Observador, diz que em situações como estas ninguém tem razão, mas José Veríssimo diz compreender o lado de Ana Abrunhosa.
A verdade é só uma, os presidentes de Câmara que estiveram no terreno, os presidentes de Câmara que deram a cara, os presidentes de Câmara que passaram as noites sem dormir. Tudo isso acho que nos revolta depois de passados uns dias, oito dias ou 10 dias, virem aqui e quase que não para estarem... pronto, se calhar a senhora presidente exaltou-se um bocadinho, mas também tem a sua razão e é evidente que eu também como presidente de Câmara, da mesma forma, passávamos momentos difíceis, se calhar merecíamos mais respeito também.
José Veríssimo, autarca de Montemor-o-Velho, que assistiu ao momento em que Ana Abrunhosa se exaltou com o ministro da Agricultura.
E tempo ainda nesta edição das nove, José, para escutar as declarações de Pedro Passos Coelho, que critica a escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna.
Diz que abre um precedente grave, que põe em causa a separação de poderes, num discurso bastante crítico, numa conferência em Leça da Palmeira, o antigo primeiro-ministro disparou na direção de Luís Montenegro.
Eu pensei que, seguramente, a intenção que o primeiro-ministro teve ao convidar o ex-diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, se baseou na melhor das intenções. Não tenho dúvida disso, mas o precedente é grave. Não se pode passar, penso eu, de diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna. Eu acho que não se pode.
Declarações de Pedro Passos Coelho numa conferência da SEDES sobre reformas para o país. O antigo chefe do Governo defende que há uma urgência na reforma laboral que precisa de pulso firme por parte do Governo.
A reforma estrutural é urgente. Já houve muito tempo para pensar, para trabalhar os cenários, mas agora esse tempo acabou. Dir-se-á: "Vejam o que se passou ou o que se está a passar com a reforma laboral". O Governo avançou, teve coragem, e teve, avançou, e dá a impressão que há uma certa dificuldade no próprio Governo de reconhecer isso, mas tudo parece que aquilo não vai dar em nada
Expectativas baixas de Pedro Passos Coelho com críticas ao governo. São declarações em Leça da Palmeira.
E seguimos nesta edição das 9 com José Sócrates, que diz que a recusa da extensão do prazo de preparação da defesa para a advogada Sara Leitao Moreira é mais um episódio de violência e arbítrio contra a defesa do ex-primeiro-ministro.
Em entrevista à CNN Portugal, José Sócrates fala num processo gigantesco. Esta é a terceira vez que o ex-primeiro-ministro vê advogados renunciar ao caso devido à complexidade do processo. José Sócrates diz que a defesa é incapaz de ser preparada por qualquer advogado em apenas 10 dias.
Este episódio é mais um episódio de violência e de arbítrio contra a defesa e contra, em particular, a minha advogada, tendo como alvo, naturalmente, a minha condição de acusado. É um processo absolutamente gigantesco, em que nenhum advogado tem condições para, em 10 dias, se inteirar do seu conteúdo.
José Sócrates diz ainda que quer que o tribunal conceda o princípio de igualdade e defende o mesmo tempo que o Ministério Público teve para preparar o caso.
Nós queremos exatamente o mesmo prazo que o Ministério Público teve quando se tratou de elaborar o recurso contra a decisão instrutória. A isto chama-se o princípio da igualdade de armas.
As declarações de José Sócrates sobre a renúncia da defesa da advogada Sara Leitao Moreira, declarações à CNN Portugal. O ex-primeiro-ministro terá agora de procurar um novo advogado oficioso, sendo que o julgamento da Operação Marquês está suspenso de novo.
E para já ouvimos o PS e o Partido Socialista acusa, José, o governo de contar tostões para apoiar famílias afetadas pelas tempestades e de criar um problema que não existe a propósito do lay-off.
A propósito da chamada norma-travão, o governo quer pagar apenas 66% do valor dos salários dos trabalhadores atingidos pelo mau tempo e não 100%. Mas o deputado do PS, Miguel Costa Matos, argumenta, em declarações na Assembleia da República, que essa questão poderia ser contornada, basta querer. No último debate quinzenal, o primeiro-ministro não viu, para já, a necessidade de se avançar com essa retificação ao documento que gere as contas públicas. Também o Livre e o PCP defendem que o lay-off simplificado deve ser pago a 100%.
E seguimos agora, José, com a ministra da Cultura, que garante que a execução do PEG não vai sofrer atrasos por causa das tempestades.
Pelo menos no que diz respeito às empreitadas relacionadas com os setores que tutela na Assembleia da República, Margarida Balseiro Lopes deu conta de que as obras em curso do Plano de Recuperação e Resiliência tiveram apenas uma curta paragem.
Não temos indicação, e foi a nossa primeira preocupação, se as empreitadas do PRR poderiam ser colocadas em causa. Pararam durante uns dias, como já tive a oportunidade de dizer, porque não havia condições para, com a chuva que estava a cair, continuassem, mas aquilo que me foi transmitido foi que eram alguns dias que seriam, no contexto da gestão das obras, suprido.
As declarações de Margarida Balseiro Lopes, a ministra da Cultura, da Juventude e do Desporto, deu também conta de que dois dos monumentos mais afetados pelo mau tempo, o Convento de Cristo, em Tomar, e o Mosteiro da Batalha vão reabrir até o final da semana.
Dez minutos para lá das nove da noite. José Rafael Lopes, tempo agora nesta edição das nove, de atualizar a informação de âmbito local.
Começamos no Barreiro. A ministra da Saúde anunciou que a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital Barreiro vai encerrar em março. A medida faz parte da nova estratégia regional para a Península de Setúbal, que vai passar a concentrar estas urgências no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Em Santarém, o plano de emergência para cheias na bacia do Tejo desceu para o nível mínimo. Depois de semanas de tempestades, o recuo das águas permitiu o início dos trabalhos de limpeza. Os prejuízos no distrito estão a ser calculados em muitos milhões de euros. Ainda sobre os efeitos das tempestades, a Câmara Municipal da Marinha Grande divulgou um levantamento preliminar que aponta para mais de 118 milhões de euros em danos causados pelas recentes tempestades. O município continua a trabalhar na estabilização de estruturas e na recuperação de habitações. Em Lisboa, a PJ deteve hoje, no Aeroporto Humberto Delgado, uma mulher estrangeira que transportava cerca de sete quilos de cocaína na bagagem de mão. A detida, que viajava num voo que veio da América Latina, já foi interrogada, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação mais gravosa, a medida de coação de prisão preventiva. Em Aveiro, no Tribunal de Aveiro, três jovens, dois de 17 anos e um de 24, confessaram vários roubos contra estudantes universitários. O arguido mais velho justificou os crimes como ato de desespero, devido a dificuldades financeiras e falta de emprego. Em Vila do Conde, o desporto local está de luto depois da morte de um atleta de 55 anos durante uma prova de BTT no domingo. Paulo Guimarães, natural de Famalicão e membro da Associação US Santa Apolónia, foi vítima de doença súbita enquanto participava no evento em Vila do Conde.
Estas e outras notícias resumidas às 21h30, desenvolvidas de novo depois às 22h. Noite informativa na Rádio Observador com o José Rafael Lopes. José, até já.
Até já.