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Começa agora o Jornal das 8, edição da jornalista Vanessa Cruz. E Vanessa, o Chega em Oeiras anuncia uma moção de censura contra o presidente da Câmara, Isaltino Morais.

Que foi formalmente acusado pelo Ministério Público, com mais 22 responsáveis da autarquia, de desviar € 150 mil para refeições, álcool e tabaco. A moção de censura apresentada pelo grupo municipal do Chega é assinada por José Shirley, Filipa Lourinho e Francisco O'Neill, que está agora em direto neste jornal. Bem-vindo, obrigada por estar conosco. Para o Chega tem de haver consequências políticas antes do fim desta investigação judicial.

Antes de mais, muito obrigado pelo convite. Logicamente, tem que haver consequências políticas. Por quê? Aqui não está em causa apenas e só, logicamente, uma acusação, mas também uma situação ética. Nós estamos a falar de um arguido, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que já tem cadastro, já foi condenado com pena de prisão efetiva, transitada em julgado, por branqueamento de capitais e fraude fiscal. Sete anos de prisão, cumpriu dois anos e pouco. É uma pessoa que, todavia, se safou, entre aspas, dos restantes crimes, uma vez que foram prescritos, e que, todavia, não dignifica, logicamente, qualquer instituição municipal. Com este despacho de acusação, que perentoriamente refere circunstâncias gravosas, tem indícios bastantes realmente de cumplicidade criminosa, neste caso, eu penso que está-se aqui a cometer um ato que devemos honrar relativamente ao Ministério Público, porque é preciso, realmente, varrer Portugal desta corrupção política.

E esta moção de censura do Chega conta com o apoio de outros partidos da oposição na Câmara de Oeiras?

Infelizmente, não. É sempre o Chega que dá o primeiro passo. Contudo, nós estamos expectantes relativamente à votação dos outros grupos políticos, que certamente também se irão manifestar com desagrado, mas na altura da votação vamos ver realmente quem é quem. Aqueles que efetivamente têm coerência relativamente a uma situação que não dignifica a autarquia de Oeiras, nem os munícipes, e aqueles que muitas das vezes criticam, mas quando chega a altura da verdade, ou vão pra abstenção, ou então votam contra.

Sendo que Isaltino Morais venceu as autárquicas com maioria absoluta, portanto, esta moção de censura está à partida condenada ao fracasso, mas é de qualquer modo, um sinal político que o Chega não abdica de dar. É isso?

Exatamente. Nós não abdicamos de dar por um motivo. Acima de tudo, e temos também que ter em atenção a presunção de inocência que impere em qualquer processo judicial. Contudo, esta moção de censura vai além da vertente jurídica. É também em razão da ética em si, que é mais do que a juridicidade em si da norma. É uma pessoa que não oferece garantias pelo seu historial, é uma pessoa que já foi presa, é uma pessoa que já foi condenada até várias vezes no Tribunal de Contas pela sua gestão, e é alguém que não oferece credibilidade, nem tem vocação pública para gerir o dinheiro público de quem quer que seja.

Francisco O'Neill, obrigada por ter estado em direto neste jornal a justificar esta moção de censura do Chega em Oeiras, apresentada contra Isaltino Morais. Contactado pelo Observador, o presidente da Câmara não quis reagir. Ao final da manhã, o autarca tinha falado de viva voz a defender que os almoços de trabalho, que estão no centro desta investigação, fazem parte do dia a dia das câmaras municipais.

E de dentro do município de Oeiras, surgem mais reações a este caso, reações contra a conduta de Isaltino Morais.

Por exemplo, Rita, por parte do PSD Oeiras, diz que as acusações contra Isaltino Morais são graves e lamenta o impacto mediático que este caso está a ter. A vereadora Ana Sofia Antunes recorre à memória para lamentar o surgimento deste novo caso a envolver o município.

Tenho francamente pena que, uma vez mais, o nome de Oeiras esteja a vir a público pelas piores razões. E as razões são sempre estas, são sempre as mesmas, que é este tipo de suspeitas, de práticas ilegais, de eventuais ilícitos criminais.

Em declarações à Agência Lusa, Ana Sofia Antunes, do PS em Oeiras, diz que é aceitável que um vereador ou presidente de câmara possa pagar algum almoço quando está em representação do município, mas que disso não deve ser feita uma regra. Diz que não conhece todos os detalhes do processo, portanto, espera agora pela avaliação da Justiça.

E o movimento Evoluir Oeiras considera que a acusação contra o autarca tem ampla prova documental.

Carla Castelo, líder deste movimento, antiga vereadora da Câmara de Oeiras, lembra que nesse mandato pediu a recolha de faturas e mapas de despesa e que já aí foram identificados e denunciados vários abusos, faturas de elevados valores ilegíveis, sem a discriminação dos produtos, sem identificação de quem usufruiu da refeição, é pelo menos o que diz Carla Castelo.

Seguimos com as notícias. O presidente da Câmara de Albufeira diz que as buscas de que foi alvo hoje são inaceitáveis e garante que ninguém o vai calar.

Estamos a falar de Rui Cristina, autarca eleito pelo Chega, suspeito dos crimes de discriminação racial e incitamento ao ódio por causa de uma declaração que fez sobre a comunidade cigana numa reunião da Assembleia Municipal. O Ministério Público fez hoje buscas. Há pouco, num vídeo publicado no Instagram, Rui Cristina reagiu de viva voz.

O que aconteceu hoje na Câmara Municipal de Albufeira é inaceitável e revolta qualquer pessoa de bem. Montou-se um espetáculo à volta de declarações que apenas afirmam um princípio básico de justiça. E não me calarão, não me intimidarão e não me farão recuar. Fui eleito para por fim a interesses instalados, enfrentar injustiças e defender uma verdadeira igualdade de oportunidade para todos.

Ora, foi esta a declaração, que vamos ouvir agora, que deu origem à investigação do Ministério Público.

Comigo não. Peço imensa desculpa Eu não vou gastar dinheiro com etnia ciganas enquanto eu tenho aqui os alferenses com necessidades de casa. Peço desculpa, isto é duro estar a dizer isto. Podem-me chamar xenófobo, podem-me chamar o que vocês quiserem. Primeiro, somos nós que pagamos impostos e temos necessidades. E depois, há estas comunidades. Desculpem lá, isto é tão simples como eu estou aqui a dizer, preto no branco.

Rui Cristina, nessa declaração na Assembleia Municipal. Entretanto, o líder do Chega, André Ventura, já saiu em defesa do autarca eleito pelo partido, quer esclarecimentos das autoridades e do Ministério Público sobre o que motivou as buscas. Acusa o Poder Judiciário de estar a perseguir o que considera ser mera liberdade de opinião.

E agora com sete minutos para as oito da noite, que outras notícias marcam a atualidade?

A Meta e o YouTube foram considerados culpados das acusações sobre vício de uso das plataformas. Uma jovem utilizadora de 20 anos vai receber mais de 2,5 milhões de euros depois de se ter concluído em tribunal que a Meta e o YouTube contribuem para o agravamento de problemas de saúde mental com os mecanismos de design que são considerados viciantes e tiveram um impacto direto na saúde desta utilizadora. A preferência é a paz, mas Donald Trump não está a fazer bluff, é o que garante a porta-voz da Casa Branca. Karoline Leavitt diz que o presidente norte-americano está pronto para desencadear um inferno se o Irão cometer erros de cálculo, mas diz também que as negociações continuam. O IP3 vai estar encerrado ao trânsito hoje e amanhã, entre as nove da noite e as seis da manhã. O corte acontece entre os nós de Canas de Santa Maria e de São Miguel do Outeiro, em Tondela, por causa da empreitada de duplicação e requalificação do IP3. A alternativa é a Estrada Nacional 二 . Rita, podemos terminar este jornal em modo um por todos e todos por um?

Claro que sim, mas por quê? Como assim?

Um grupo de arqueólogos acredita ter descoberto os restos mortais do verdadeiro D'Artagnan numa igreja em Maastricht, na Holanda.

Estás a falar do mosqueteiro francês que inspirou o herói do livro de Alexandre Dumas, "Os Três Mosqueteiros"?

É isso mesmo. Sim. Foi ele que foi parar a uma igreja nos Países Baixos, porque ali perto, o verdadeiro D'Artagnan morreu em 1673, durante um cerco francês a Maastricht, ao serviço de Luís XIV, o Rei Sol.

Mas têm a certeza que é mesmo ele?

Por enquanto é meia certeza, meia ciência, meia aventura. Tiraram o ADN do maxilar, que vai agora ser comparado com o dos descendentes vivos da família.

Portanto, vamos ter testes de ADN ao mosqueteiro. Isto dava quase um novo filme ou uma nova série de TV.

Por que não? Ou então a continuação dos desenhos animados do "D'Artacão". Ainda te lembras da música? É do nosso tempo, não é?

Vou dizer que não só para ouvir.

Vamos aqui ouvir.

Um gostinho nostálgico aqui a fechar o jornal das oito. É assim que fechamos o jornal das oito, edição de Vanessa Cruz.