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As notícias com Carlos Pedro.

Boa noite. Estamos a poucas horas das eleições norte-americanas e Donald Trump promete corrigir o que considera ter sido destruído por Kamala Harris. O antigo presidente garante que, em caso de vitória, vai resolver todos os problemas do país.

"Together we will save this country, we will defeat the corrupt system in Washington, and America's future will be an absolutely incredible one. That's what it is. But we got to start immediately. This is all you really need to know. It's simple, not particularly beautiful as a statement, but very simple. It's Kamala broke it, I will fix it".

Donald Trump, num comício na Pensilvânia, a dizer que vai salvar o país do que considera ser um sistema corrupto, garante um futuro brilhante para os Estados Unidos em caso de vitória e refere ainda, de forma categórica, que vai corrigir o que diz ter sido destruído por Kamala Harris. O republicano abordou ainda o tema da imigração. Continua a falar de um país invadido por criminosos e, por isso, deixou a promessa de que com ele no poder, os norte-americanos vão presenciar a maior deportação de criminosos da história. Do outro lado, Kamala Harris encerra a campanha eleitoral em Filadélfia. Antes, discursou por apenas 10 minutos na Pensilvânia. Entre os muitos apelos ao voto, a democrata reforçou a confiança na vitória das eleições desta terça-feira. Kamala Harris voltou ainda a destacar os direitos reprodutivos das mulheres e deixou a garantia de que se vai sentar à mesa com pessoas que discordam das ideias da democrata. Kamala Harris segue agora para Filadélfia, onde vai encerrar a campanha eleitoral. Ou Kamala Harris ou Donald Trump, um deles vai ser o próximo presidente dos Estados Unidos e as sondagens continuam a apontar para resultados renhidos entre dois candidatos que não podiam ser mais diferentes, como nos contam os jornalistas Maria João Brás e João Costa Campos.

Kamala Harris, 60 anos, candidata à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. Tirou Direito na University of California Hastings. Dedicou a carreira à causa pública. Durante 30 anos, foi procuradora no estado da Califórnia. Em 2011, foi eleita procuradora-geral deste estado, tornando-se assim a primeira mulher a ocupar a posição. O percurso na política começa precisamente no ano em que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos. Em 2016, Kamala Harris candidata-se pelo Partido Democrata ao Senado. Venceu e fez mais uma vez história, tornando-se assim a primeira mulher negra a chegar à Câmara Alta do Congresso. Chega quatro anos depois à Casa Branca como vice-presidente de Joe Biden, um cargo que ocupa atualmente. Se for eleita presidente dos Estados Unidos, volta a ficar registrada nos livros de história por ser a primeira mulher eleita para a Casa Branca.

Donald John Trump, 78 anos, candidato do Partido Republicano. Estudou Finanças e Comércio na Universidade da Pensilvânia e tornou-se famoso pelo império imobiliário, que herdou do pai, e que estendeu a várias áreas de negócio, passando por casinos, hotéis e até uma companhia aérea. Em 2004, atingiu o auge da popularidade ao entrar em casa dos americanos através do pequeno ecrã com o reality show The Apprentice. Em 2016, venceu a corrida frente à democrata Hillary Clinton e mudou-se para a Casa Branca. Foi o primeiro presidente sem carreira na política ou nas Forças Armadas. Durante os quatro anos de mandato, protagonizou várias polémicas, nomeadamente pela gestão da pandemia Covid-19. É negacionista das alterações climáticas e foi até alvo de duas tentativas de impeachment, uma delas por incitamento à insurreição, na sequência da derrota nas eleições de 2020. Recandidatou-se depois do primeiro mandato, mas perdeu frente a Joe Biden, que quer agora voltar à Casa Branca depois de um interregno de quatro anos.

Considerada pela esquerda como progressista, apontada pela direita como marxista, a verdade é que mais do que uma ideologia, Kamala Harris defende causas. Exemplo disso é a liberalização do aborto. Se for eleita, Harris quer repor a lei alcançada através do caso Roe versus Wade. Isto significa permitir o aborto em todos os estados norte-americanos, sem exceção. Do ponto de vista da economia, Kamala Harris garante que a primeira prioridade é reduzir a inflação, promete mais apoios à classe média, nomeadamente com ajudas na compra da primeira casa ou incentivos fiscais à natalidade. Em simultâneo, quer aumentar os impostos às grandes empresas e milionários. Falamos ainda de política externa, um tema sempre presente nos discursos dos dois candidatos. Sobre a Ucrânia, Harris promete apoiar Kiev com mais fundos e no Médio Oriente, tal como Joe Biden, a democrata apoia a solução dos dois estados, não reconhece a Palestina e apela a um cessar-fogo na Faixa de Gaza. No entanto, pelo que defendeu até agora, se vencer as eleições, os Estados Unidos vão continuar a ser o aliado número um de Israel.

A direita vê-o como a salvação dos valores tradicionais ameaçados, a esquerda, como uma ameaça às minorias e à própria democracia. Se voltar à Casa Branca, terá mão firme com a imigração, promete avançar no primeiro dia de mandato com uma deportação em massa de imigrantes ilegais. A nível económico, vai repor o protecionismo ao aumentar as taxas de importação. Sobre política externa, vai continuar a apoiar totalmente Israel, palavras do próprio, e cortar o apoio à Ucrânia. Donald Trump é o homem que se propõe a tornar a América dos valores tradicionais grande outra vez.

Um trabalho dos jornalistas Maria João Brás e João Costa Campos. A menos de 17 horas das eleições norte-americanas, quase 80 milhões de pessoas já votaram de forma antecipada no país. A Rádio Observador tem preparado uma emissão especial para acompanhar a par e passo todas as incidências destas eleições. Olhamos agora para a atualidade nacional. Carlos Moedas não desfaz o tabu sobre uma possível recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa, mas garante que o trabalho na capital ainda não terminou. Era um dos pontos que gerava mais expectativa no jantar que assinalou os três anos de mandato à frente da Câmara de Lisboa. Carlos Moedas não fez qualquer revelação sobre o futuro, mas deixou uma promessa.

Há uma coisa que vos digo: vamos entrar neste último ano. Este último ano é um ano para trabalhar todos os dias. É um ano em que eu me sinto com mais energia, mais vontade, mais motivação para continuar a fazer, para continuar a resolver, mas, sobretudo, para continuar a entregar. E por isso, aquilo que nós estamos aqui a fazer hoje é isso, é olhar para os três anos e dizer que temos mais um ano neste mandato e que esse ano não pode ser nem um momento em que não olhamos todos os dias para aquilo que fazemos. Eu vou continuar, minhas queridas amigas e meus queridos amigos, com a vossa ajuda.

O autarca de Lisboa criticou ainda o PS, cola o partido ao Bloco de Esquerda e alerta para os perigos do extremismo.

Este PS, um PS que está a chegar cada vez mais à extrema-esquerda, um PS que se transformou no megafone do Bloco de Esquerda, e digo isto com o coração pesado, porque não era esse o PS de Mário Soares. Um PS em que quanto pior, melhor, que como vimos na semana passada, aquilo que aconteceu nas televisões, em que os desacatos, em que aquilo que aconteceu foi que os polos vinham os extremos, uns vinham contra os outros, polarizavam, ninguém serenava. E nós somos aqueles os moderados, somos aqueles que podemos serenar a sociedade contra os extremos.

São declarações de Carlos Moedas num jantar do PSD organizado na Estufa Fria, em Lisboa. Um jantar que contou também com a presença de Hugo Soares, o líder parlamentar social-democrata respondeu ao PS, que criticou a ausência de Luís Montenegro nos bairros que foram afetados pelos desacatos na semana passada. Hugo Soares acusa Pedro Nuno Santos de estar baralhado e não focado em ser oposição.

E, de fato, o doutor Pedro Nuno Santos parece muito baralhado. Ele está a falar de um primeiro-ministro que é conhecido, precisamente, por ter uma proximidade enorme com o povo português. Está a falar do primeiro-ministro que visitou os 308 conselhos do país, que esteve nas regiões autónomas, em todos os conselhos, que esteve junto às nossas comunidades e que está constantemente na rua, junto dos eleitores, aqueles que vão depositando e alargando a confiança neste governo. E, portanto, eu creio que o doutor Pedro Nuno Santos está muito baralhado.

O social-democrata não revela, para já, se Luís Montenegro tem intenção ou não de visitar os bairros afetados pelos vários tumultos na semana passada. Já sobre os recuos das declarações de Margarida Blasco sobre o direito à greve dos polícias, Hugo Soares recusa má comunicação no governo e lembra Pedro Nuno Santos que foi a ministra quem resolveu os problemas no setor.

Não sei, não faço ideia se há algum problema de comunicação ou não com a senhora ministra da Administração Interna. O que eu sei é que foi esta ministra da Administração Interna que resolveu os problemas que o anterior governo, o governo do doutor Pedro Nuno Santos, não foi capaz de resolver. Esta ministra foi a ministra que acabou com a injustiça, com a iniquidade que havia entre a diferença do subsídio de risco, como sabem, da Polícia Judiciária e das Forças e Serviços de Segurança, PSP e GNR. Eu sou adepto de membros do governo que façam, que mudem a vida das pessoas.

Hugo Soares, que recusa as críticas de má gestão nas equipas do governo, e lembra Pedro Nuno Santos, do executivo de António Costa, marcado por várias demissões. E ainda sobre a polêmica em torno do recuo da ministra da Administração Interna, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, defende que o primeiro-ministro deve ponderar a continuidade de Margarida Blasco no cargo. Marina Gonçalves considera que a ministra da Administração Interna não tem apenas problemas de comunicação, tem demonstrado, sim, incapacidade para o exercício das funções.

Já são vários os episódios que temos tido com a ministra da Administração Interna. O primeiro-ministro tem optado pela sua continuidade no governo e pela sua manutenção. Acho que é evidente a postura do Partido Socialista quando diz que há aqui uma incapacidade de exercício de funções governativas. É sinal que, efetivamente, devia haver outro rigor e outra responsabilidade no exercício destas funções de um cargo governativo que tem, obviamente, uma responsabilidade acrescida para todos. Aquilo que o Partido Socialista diz, e que é claro, é que há uma opção do primeiro-ministro de manutenção deste estado, com sucessivas contradições, com uma incapacidade de comunicar. E, portanto, no fim do dia, essa avaliação deve ser feita pelo primeiro-ministro.

A vice-presidente do grupo parlamentar do PS, Marina Gonçalves, na tarde desta segunda-feira, no programa Tira-Teimas da Rádio Observador. Fica por aqui este jornal. A informação volta a ser atualizada às cinco da manhã. Até lá, boa noite e fique com a repetição da primeira parte do Contracorrente desta segunda-feira.