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Quatro horas. As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. Cavaco Silva quer um governo com coragem e firmeza contra a oposição que bloqueia reformas. O antigo presidente da República e primeiro-ministro deixa fortes críticas ao Chega, refere que é um partido sem credibilidade e de quem Francisco Sá Carneiro estaria bem longe. No artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Cavaco Silva apela ao governo para que tenha visão de futuro, ambição e coragem política, mas sem se deixar aprisionar pelos problemas de conjuntura. O antigo chefe de Estado reconhece que o trabalho do governo no contexto atual é muito difícil e que as dificuldades na aprovação de reformas são muito maiores do que na altura em que governou. Deixa também elogios a Joaquim Miranda Sarmento. Refere que o ministro das Finanças tem sido um garante da sustentabilidade financeira do país. Já quanto às críticas, para Cavaco, o Chega usa o discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira. O antigo chefe de Estado também não poupa o PS. Considera que o Partido Socialista não tem discernimento e está enrodilhado em preconceitos ideológicos, sem qualquer vontade reformista. Depois da bonança, pode vir a tempestade. Apesar do excedente orçamental, o ministro das Finanças não descarta o regresso do déficit até o final do ano. Esta tarde, de quinta-feira, o Executivo anunciou um valor superior a 2 mil milhões de euros, mais do dobro do que o previsto. É o segundo maior excedente orçamental alcançado em democracia. Apesar disso, e a entrevista à Sic Notícias, Joaquim Miranda Sarmento alerta que as tempestades e o conflito no Irão podem tornar o exercício orçamental muito exigente.

Os impactos econômicos e orçamentais deste conflito tornam o exercício orçamental muito exigente e, por isso, de forma transparente e séria, quer o senhor primeiro-ministro, quer eu próprio, já dissemos que, ao contrário daquilo que aconteceu nestes últimos dois anos, em que nós sempre afirmarmos que não haveria défice em 25, contra muitas previsões e prognósticos, nós sempre dissemos que em 25 teríamos um resultado orçamental robusto. Nós temos que ser honestos com os portugueses e dizer, o impacto das crises que tivemos no primeiro trimestre é muito significativo. Poderemos ter um ligeiro déficit orçamental.

O ministro das Finanças lembra que, mesmo que haja déficit no final do ano, não significa que vá haver um desequilíbrio das contas públicas. Já sobre o impacto da guerra no Médio Oriente, na economia, Miranda Sarmento diz que já esta sexta-feira vão ser aprovados, em Conselho de Ministros, descontos sobre o gasóleo profissional e o gasóleo agrícola.

Nós admitimos, em função daquilo que for a evolução do conflito e dos impactos que venha a ter, continuar ou a aumentar estas medidas ou, eventualmente, a equacionar outras medidas. Com tempo, com reflexão, sem precipitação.

O ministro das Finanças confessou ainda não ser um particular fã do IVA zero. Vítor Lino Canas considera que os juízes escolhidos pelo Chega são uma boa jogada para normalizar as escolhas do partido. O Chega apontou o juiz Hélder Pombo para o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e o juiz Paulo Ramos Faria para o Centro de Estudos Judiciários. O professor constitucionalista, histórico do PS, esteve nesta quinta-feira no explicador da Rádio Observador, onde afirmou que as escolhas são aceitáveis em grande parte dos setores.

Há aqui uma tentativa interessante da parte da liderança do Chega de normalizar ou de apresentar alguma normalização nas suas escolhas. Eu diria que, se calhar, boa parte dessas pessoas, que eu não conheço pessoalmente, parecem-me escolhas relativamente tranquilizadoras.

O antigo deputado do PS tem sido apontado como o novo indicado pelo partido para o cargo de Provedor da Justiça, mas sobre este tópico, e apesar de ter sido questionado neste explicador, não quis falar. E o líder do Chega garante que a nova Lei da Nacionalidade está bem encaminhada e que o partido está muito perto de um acordo com o PSD. Depois do veto do anterior presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do chumbo do Tribunal Constitucional, a lei vai voltar ao Parlamento já no próximo mês. E André Ventura espera ter novidades já nos próximos dias.

Posso vos dizer, acho que não é nada em confidencial, posso vos dizer, neste momento, que está muito bem encaminhado para que consigamos, nos próximos dias, ter fechado a nova Lei da Nacionalidade, superando o veto do Presidente da República e do Tribunal Constitucional. Isto é trabalhar pelo país. Isto é a responsabilidade de trabalhar pelo país e garantir que temos diplomas aprovados dentro daquilo que é a maioria que votou nestes dois partidos, no Chega e no PSD, que querem soluções.

Garante André Ventura, a primeira versão do decreto aprovado pelo Parlamento foi chumbado pelo Tribunal Constitucional em dezembro. Os juízes do Palácio Ratton consideram que a lei criava uma restrição desproporcional no acesso à cidadania. A eurodeputada do PS, Ana Catarina Mendes, discorda da forma como José Luís Carneiro está a fazer oposição ao PSD. Em entrevista ao Observador, a eurodeputada não critica o conteúdo da proposta do PS, mas sim discorda da forma como são apresentadas ao país. Questionada sobre a carta escrita ao primeiro-ministro, a eurodeputada socialista diz que não gosta desse tipo de oposição.

É um estilo que eu não adotaria, mas é o estilo que o secretário-geral do Partido Socialista adotou. Isso não exclui e nem diminui aquilo que deve ser o papel do Partido Socialista na oposição, como lhe digo. Há tantos problemas pra nós falarmos, que mais do que estarmos a falar sobre a forma, é falar sobre o que é que vai sair do Congresso do Partido Socialista para resolver os problemas das pessoas.

Ana Catarina Mendes no programa Vixi Suas, onde também comentou a visita de José Luís Carneiro à Venezuela. A eurodeputada garante que não ia à Venezuela nesta altura, embora diga compreender a vontade do secretário-geral socialista. E o PS reúne-se este fim de semana, já a partir desta sexta-feira, três dias em Viseu para o 25º Congresso Nacional. Os militantes socialistas apresentam 50 moções setoriais. Entre os temas, está a necessidade de avançar para a regionalização, as respostas na habitação, migrações e questões internas do partido. Ao longo desta semana, já tinham sido conhecidas algumas destas moções, desde logo a que tem como primeiro subscritor o deputado Miguel Costa Matos, seguido pelo dirigente Pedro Costa, no qual se lamenta que o PS esteja, e passo a citar, "em cima do muro do ninho" e numa posição indecisa, considerando ser preciso sacudir a imagem de parceiro parlamentar do governo e afirmar os socialistas como alternativa. Também a eurodeputada Ana Catarina Mendes encabeça uma moção setorial defendendo que o PS tem de ser capaz de aproveitar este congresso para lançar o debate europeu, desde logo, com maior integração europeia. Já foram pagos cerca de 40% das indenizações dos sinistros participados depois das tempestades que afetaram Portugal. Números foram esta quinta-feira apresentados e avançados pela Associação Portuguesa de Seguradores. Até agora foram registados quase 180 mil sinistros, mas continuam a surgir novos pedidos. Em declarações à Rádio Observador, o presidente da associação, José Galamba de Oliveira, diz que o esforço tem sido muito.

O esforço tem sido gigantesco de todas as equipes, quer as que estão no terreno, quer as que estão em back office, para se resolver todos estes sinistros o mais rapidamente possível. O interesse aqui é que se consigam fechar as situações que podem ser fechadas e que, obviamente, as pessoas e as empresas possam, com isso, também voltar à normalidade das suas vidas o mais rapidamente possível. Mas há, de facto, um conjunto de sinistros onde a complexidade é bem maior.

Números registados de um lado das empresas e não dos sinistros de particulares. Mesmo assim, o esforço traduz-se na resolução de 1500 processos por dia. São os números e as informações avançadas por José Galamba de Oliveira, o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão considera que o país tem direito legal de bloquear embarcações inimigas no estreito de Ormuz, segundo uma reportagem da Agência de Notícias Estatal Fars. O responsável iraniano esteve numa conversa telefónica com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Arashi afirmou que a atual insegurança no estreito de Ormuz é resultado direto da violação da lei e da agressão por parte dos Estados Unidos e de Israel. O ministro iraniano referiu ainda que as autoridades de Teerão estão cientes das responsabilidades em garantir a segurança no estreito. No entanto, o governante reforça que os iranianos adotaram as medidas necessárias. E para terminar, digo-lhe que o ministro da Defesa da Arábia Saudita revela que os sistemas de defesa do país já destruíram nesta madrugada dois drones. Segundo a Al Jazeera, estes aparelhos foram detectados e destruídos na região leste do reino, que abriga importantes instalações petrolíferas. Tudo dito neste noticiário das 04h. A informação regressa às 05h.