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Horas. Muito boa noite, eu sou o Ricardo Lopes, está com a Rádio Observador. Hora de atualizar toda a informação. Três meses depois da Depressão Kristin, o governo apresenta hoje a versão final do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência. O documento, que foi anunciado em fevereiro, vai ser aprovado em Conselho de Ministros. A 21 de fevereiro, já tinham sido aprovadas as linhas gerais do PTRR. Agora sim, chega a versão final, que será apresentada por Luís Montenegro ao final da tarde, pelas 17h, numa cerimônia no Pavilhão de Portugal, em Lisboa. A semana passada, o primeiro-ministro já tinha garantido que o valor global do envelope financeiro seria apresentado hoje. Montenegro sublinhou que teriam de ser feitos apenas alguns acertos finais. O líder do Executivo tinha estabelecido que a versão final do PTRR só seria definida após o período de auscultação nacional. Revelou, entretanto, que foram recebidas mais de 700 participações nesse período de consulta pública. O programa tem, portanto, objetivos de curto prazo até o final do ano, outros de médio prazo até ao final da legislatura e outros que têm um horizonte de execução mais extenso, até 2034. Olhamos agora para novidades sobre a Operação Influencer. Ao contrário do que garantia, afinal António Costa falou com Diogo Lacerda Machado sobre o processo da Start Campos. É uma notícia avançada pela TVI CNN, que teve acesso a escutas que desmentem o antigo primeiro-ministro. Em causa está o supercentro de dados construído em Sines. António Costa garantiu, numa conferência de imprensa em novembro de 2023, que Lacerda Machado nunca tinha falado a respeito deste assunto em circunstância alguma. No entanto, é agora revelado que, na véspera de Natal de 2022, Lacerda Machado informou o, na altura, primeiro-ministro da dinâmica extraordinária do projeto Start Campos, algo que ambos juraram nunca ter acontecido. Esta chamada tinha sido considerada relevante pela investigação. Pode ouvir-se Lacerda Machado explicar que o projeto está com uma dinâmica extraordinária e que os americanos vão finalmente a sério a Sines. Lacerda Machado diz a António Costa que achou que se justificava o primeiro-ministro saber disto. Diogo Lacerda Machado tinha uma relação de grande amizade com António Costa, foi definido pela investigação como o grande influenciador, dando depois nome ao processo. Está em destaque no site do Observador o artigo do redator principal Luís Rosa, que desconstrói todas as novidades reveladas hoje sobre a Operação Influencer. O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal considera que a UGT não reúne condições internas para aprovar um pacote laboral. Álvaro Mendonça foi o entrevistado do programa Sob Escuta, da Rádio Observador. Diz-se surpreendido por um chumbo de forma unânime da UGT ao pacote laboral, mas manifesta-se disponível para discutir propostas novas, embora duvide que a Central Sindical as apresente.

A avaliação que eu faço neste momento é de que não vai haver propostas novas da UGT. Vamos aguardar até o dia 7, mas com toda a franqueza, o que me parece é que a UGT não tem condições internas para aprovar um pacote laboral. Esta é a avaliação que eu faço.

E acha que não tem interesse em aprová-lo?

Acho que, neste momento, a UGT não tem condições internas para o aprovar.

Uma posição assumida por Álvaro Mendonça, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, no programa Sob Escuta, aqui na Rádio Observador. Faz hoje um ano o apagão que deixou Portugal às escuras. A equipa que estudou o apagão de abril do ano passado concluiu que o sistema português precisa ser alvo de modernização. É necessário investimento e inovação, ainda que admitam que a infraestrutura seja segura e robusta. É o que adianta este grupo de aconselhamento técnico, que apresentou ontem o documento. Sublinha que o sistema português é centralizado e pouco digital. Dizem precisar de mais independência, não só a nível ibérico, como também europeu, e deixa cinco recomendações essenciais explicadas aqui pelo jornalista Martim Madeira.

A começar por menos burocracia no Parlamento. O relatório critica o atual modelo por ser demasiado lento e complexo, e a recomendação é clara: o Estado tem de simplificar os processos, retirar a Assembleia da República das decisões puramente técnicas e planear com base na incerteza e não em calendários fixos. A segunda medida fala numa tecnologia e gêmeos digitais. Não basta estender mais cabos e linhas. O futuro passa por baterias gigantes, centrais hídricas reversíveis e pela criação de um digital twin, um modelo digital de todo o sistema ibérico para prever falhas antes que elas aconteçam. A terceira medida fala numa governação mais clara. O GAT pede para que se clarifique quem manda no quê entre o governo, a ERSE e a REN, para evitar a atual opacidade e os incentivos desalinhados que podem prejudicar o investimento. A quarta medida fala numa digitalização total. A rede precisa ser inteligente com sensores avançados que permitam uma resposta automática e em tempo real a qualquer perturbação na frequência da rede. A última e quinta proposta fala em novos mercados. Propõe-se que o consumidor seja remunerado por ser flexível, ou seja, criar mercados locais onde quem ajuda a equilibrar a rede possa ganhar com isso. Em suma, este relatório diz que Portugal tem hoje bons níveis de segurança, mas sublinha que para manter as luzes acesas nesta transição energética, precisamos de uma execução pragmática e, acima de tudo, de uma cooperação muito estreita com Espanha e o resto da Europa.

Trabalho do jornalista Martim Madeira, que esteve a acompanhar a apresentação do relatório sobre o apagão. Passamos para o conflito no Médio Oriente. De forma cética, é como Donald Trump olha para a nova proposta do Irão para um acordo de paz que permita a reabertura do estreito de Ormuz. É o que avançam fontes citadas pelo Wall Street Journal. Trump terá conversado com alguns assessores sobre a proposta, informação confirmada pela porta-voz da Casa Branca durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira. Ora, para já, Trump não rejeita o documento por completo. No entanto, terá deixado claro que o Irão não está a agir de boa-fé. Donald Trump recusa-se assim a dar o braço a torcer pela principal exigência dos Estados Unidos: pôr fim ao enriquecimento de urânio para assegurar que o Irão não vai produzir nenhuma arma nuclear. Entretanto, os Estados Unidos estão também a ameaçar aplicar sanções a quem prestar serviços a companhias aéreas iranianas. É um aviso à comunidade internacional deixado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Qualquer entidade ou pessoa que colabore com companhias aéreas do Irão vai enfrentar sanções norte-americanas. Isto no momento em que os voos comerciais em Teerão começam a ser retomados. Os Estados Unidos são, no entanto, claros: qualquer serviço prestado, seja fornecimento de combustível, catering, taxas de aterragem ou manutenção. O rei Carlos III já está na Casa Branca, reunido com Donald Trump. A visita assinala os 250 anos da independência norte-americana do domínio britânico. Acontece numa altura de alguma tensão diplomática entre Washington e Londres. A visita começou com um chá, segue-se uma festa no jardim da residência do embaixador britânico. Carlos III foi aos Estados Unidos acompanhado pela mulher, Camilla Parker Bowles. Grande parte dos momentos que constam na agenda vão acontecer longe das câmaras e também do olhar dos jornalistas. No entanto, o rei deve discursar hoje no Congresso, no mesmo dia em que está também marcado um jantar de Estado. Já na quarta-feira, Carlos III estará na cidade de Nova York, onde vai homenagear as vítimas dos ataques do 11 de setembro. No Gabinete de Guerra, ouvimos o especialista em Relações Internacionais, Orlando Sá Moisés, acredita que esta pode ser uma boa oportunidade para que os laços entre os Estados Unidos e a Inglaterra sejam restabelecidos, depois de Trump ter designado o Reino Unido como um mau aliado.

Eu creio que a última visita de Estado do monarca do Reino Unido foi em 2007 e, portanto, Trump naturalmente que está aqui a viver história a partir de hoje. Esperemos que não tenha aquelas situações um pouco indecorosas que aconteceram com o presidente ucraniano, com o primeiro-ministro do Japão, com o presidente da África do Sul e com tantos outros chefes de Estado. Aqui, de facto, é alguém que não tendo poderes executivos, e sabemos que Trump gosta muito de poder, é bom que, apesar disso, Trump reconheça nele a pessoa que pode trazer um melhor ambiente às conversações com o Reino Unido.

Orlando Sá Moisés, que esteve no Gabinete de Guerra desta segunda-feira, disse também que espera que não haja nenhum momento constrangedor causado pelo presidente norte-americano, algo que já aconteceu com outros chefes de Estado. Notícia de fecho deste jornal das 04h. A informação está de regresso daqui a sensivelmente uma hora, às 05h. Até já!