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São 8 horas. Jornal das 8, Rádio Observador, com o jornalista Luís Soares. Luís, começamos por Espanha. A Agência Estatal de Meteorologia Espanhola prevê para hoje aguaceiros e tempestades fortes ou muito fortes e persistentes nas regiões da Catalunha, Comunidade Valenciana, Múrcia e também nas Ilhas Baleares.
E por isso mesmo a Aemet pede cautela, uma vez que poderão cair entre 100 a 150 litros de chuva por metro quadrado nas zonas já afetadas pelas cheias de terça-feira e que causaram a morte a mais de duas centenas de pessoas. Devido ao aviso de chuva, o Centro de Coordenação Operativo Integrado limitou durante o dia de hoje o trânsito de pessoas não residentes em 11 concelhos da Comunidade Valenciana. Isto para não complicar a situação e facilitar também os trabalhos de emergência. Já ontem, as autoridades de Valência tinham restringido a circulação de veículos nas zonas mais afetadas pelas cheias, limitando-a aos serviços essenciais e às empresas responsáveis por garantir o fornecimento de serviços básicos. Hoje, o rei Felipe VI e a rainha Letizia vão visitar a Comunidade Valenciana. De acordo com a imprensa espanhola, a família real vai juntar-se a Pedro Sánchez, chefe do governo espanhol, e também ao presidente da Generalitat Valenciana, Carlos Mazón.
Na atualidade nacional, o Chega critica o comportamento de Marcelo Rebelo de Sousa face aos tumultos que marcaram a última semana na Grande Lisboa e fala numa atuação lamentável.
E por isso mesmo o Chega admite avançar com protesto formal para Belém. Em comunicado, o partido liderado por André Ventura anunciou que este protesto formal também vai dar entrada na Assembleia da República. O Chega acusa o chefe de Estado de parcialidade. O partido refere que não foi feita qualquer visita aos polícias envolvidos ou às vítimas da violência. É uma reação que surge depois da Presidência da República ter divulgado que Marcelo Rebelo de Sousa esteve na sexta-feira no bairro do Zambujal, na Amadora, visitou a esquadra da PSP e conversou com os familiares do Odair Moniz, o homem que acabou por morrer no bairro da Cova da Moura, depois de ter sido baleado pela polícia. Depois, numa outra nota, o presidente da República adianta que também contactou com a mãe do motorista da Carris, que ficou ferido no ataque ao autocarro que conduzia, para se inteirar do estado de saúde do condutor.
A PSP admite a necessidade de fortalecer relações com os moradores dos bairros sociais de Lisboa.
É uma posição defendida pela responsável pela coordenação das equipas de policiamento de proximidade no Comando Metropolitano de Lisboa. A subintendente Aurora Dantie admite que as relações entre as forças de segurança e os bairros sociais têm que ser apaziguadas para evitar episódios como o de Odair Moniz. Aurora Dantie apela, por isso, a que a polícia esteja mais presente, que ouça mais os moradores, mas que também seja mais ouvida e mais compreendida.
Vai, leva tempo. Não é no imediato, mas vai. Temos que apaziguar, temos que fazer as pazes, temos que criar condições, estratégias, falar, porque nem todas as pessoas, nós não podemos catalogar que as pessoas que vivem no bairro são todas criminosas. O que é isso? Isso não cabe na cabeça de ninguém. Existe um grupo que faz com que o bairro tenha uma má fama, porque a maior parte das pessoas sai de manhã para ir trabalhar.
Já em relação aos desacatos que aconteceram em algumas zonas de Lisboa, a subintendente Aurora Dantie considera que não é um problema social, é, sim, puro vandalismo.
Esses já não estão sob tensão, esses são criminosos. Quem deita fogo ao carro alheio é criminoso, não está sob tensão. Aquilo é simplesmente vandalismo, puro vandalismo. Isto não é problema social naquele bairro. Aquilo é alguém que quer provocar qualquer coisa e põe fogo aos carros e cria esse tipo de vandalismo. São puros criminosos.
Declarações da subintendente Aurora Dantie, da PSP, registadas pela Agência Lusa no primeiro dia do Congresso da Associação Sindical de Profissionais da Polícia. O primeiro congresso encerra hoje em Lisboa, também com a presença da ministra da Administração Interna, Margarida Blasco.
Na saúde, o Instituto Nacional de Emergência Médica reconhece atrasos e admite a necessidade de analisar em pormenor as situações que podem ter levado à morte de duas pessoas por falhas no atendimento.
É a resposta do INEM à denúncia feita pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Duas pessoas terão morrido em três dias devido a atrasos no atendimento da linha 112. Em comunicado enviado ao Observador, o INEM confirma que houve atraso no atendimento a uma pessoa que morreu ontem em Tondela, mas nega os alegados 40 minutos de espera. Já na situação da passada quinta-feira em Bragança, o instituto também confirma o atraso no atendimento e justifica com o volume de chamadas. O INEM defende ainda uma análise pormenorizada das situações para se averiguar todas as circunstâncias em que decorreu a assistência a estes dois utentes que acabaram por morrer. Sublinha ainda que decorre neste momento um concurso para um reforço de 200 profissionais e acrescenta que o atual contexto de greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar às horas extra também acaba por ter um impacto no funcionamento. O presidente do sindicato, Rui Lázaro, diz que as condições de atendimento na linha 112 continuam a agravar-se devido à escassez de profissionais e acusa o governo de não tomar medidas concretas.
São situações frequentes que se têm vindo a agravar ao longo do tempo. Mais estranho torna que este governo, volvidos mais de seis meses depois de tomar posse, não tenha adotado nenhuma medida, apesar das nossas propostas e apesar de nós termos explanado logo no início da tomada de posse deste Ministério da Saúde, o estado em que o sistema de emergência médica se encontra.
E quais são as medidas mais urgentes, na vossa opinião, do sindicato?
As soluções que apresentámos foi sobretudo a valorização destes profissionais, da sua carreira, mas também do seu índice remuneratório. Dizer que são estes operacionais responsáveis pelo atendimento em exclusividade de todas as chamadas nas centrais do INEM. São também estes profissionais que operam a esmagadora maioria dos meios de emergência médica que o INEM tem.
O quadro do INEM devia comportar 1480 técnicos. Nós somos hoje pouco mais de 700.
As reivindicações de Rui Lázaro. O INEM admite atrasos no atendimento e promete uma análise pormenorizada às situações para averiguar em pormenor todas as circunstâncias em que decorreu a assistência a estes utentes que acabaram por morrer.
Na atualidade internacional, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão realizaram hoje exercícios militares trilaterais a sul da península coreana.
E foi uma resposta ao lançamento por parte de Pyongyang de um novo tipo de míssil intercontinental. De acordo com o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, as manobras incluíram um teste conjunto de um bombardeiro de longo alcance norte-americano com caças sul-coreanos e jatos japoneses. O Estado-Maior sublinha que os exercícios realizados a leste da ilha de Jeju demonstram a firme determinação e prontidão dos três países para responder aos avanços dos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. Este foi o terceiro treino aéreo trilateral realizado pela Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão só este ano.
E hoje, Luís, o chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, inicia uma visita oficial à Coreia do Sul.
É uma visita que acontece dias depois do envio de tropas norte-coreanas para apoiar a invasão russa da Ucrânia. Na rede social X, Borrell explica que o objetivo da visita é elevar o diálogo de coordenação sobre questões de segurança e defesa a um novo nível. As discussões irão provavelmente abordar o destacamento de tropas por parte da Coreia do Norte para a Rússia, que poderão ser envolvidas na guerra em solo ucraniano, e a coordenação também conjunta para lidar com esta questão. Borrell já tinha apelado esta semana a uma resposta forte e unida ao envio de tropas norte-coreanas e explicou que a União Europeia recebeu informações sobre o destacamento na Rússia por parte dos serviços de informação da Coreia do Sul.
Continuamos na atualidade internacional. Na Moldávia decorre hoje a segunda volta das eleições presidenciais.
É uma votação que é vista como um teste decisivo para a futura direção do país, que está hesitante entre uma adesão à União Europeia ou uma reaproximação à Rússia. Frente a frente está na atual chefe de Estado, Maia Sandu, alinhada com Ocidente, defensora da adesão ao Bloco dos 27, e ainda o antigo procurador da República, Alexander Stoianogolo, que apela aos moldavos para uma reaproximação a Moscovo. Na primeira volta, Maia Sandu venceu por uma margem pequena. A atual presidente da Moldávia acusa a Rússia de estar a interferir nas eleições através da criação de uma rede de manipulação eleitoral.
E neste Jornal das 8 olhamos ainda para o desporto. O Futebol Clube do Porto afronta hoje o Estoril e o técnico dos Dragões alerta para um adversário que trouxe dissabores na época passada.
Um jogo a contar para a jornada 10 do campeonato técnico dos Dragões. Vítor Bruno recorda as três derrotas da época anterior frente aos Canarinhos e considera que o adversário vive um bom momento.
Vem de uma vitória gorda que nos deu a nós, enquanto clube, Futebol Clube do Porto, capacidade de perceber que há ali um vínculo que começa a estar instalado. Não é por acaso que num dos gols o Pedro Álvaro junta toda a gente para ir ao banco na comemoração de um dos gols. Isso é sinal de alguma ou de muita coesão, de quem acredita muito naquilo que está a fazer e que vai tentar chegar ao Dragão e fazer um bom resultado. Não esquecendo nós nunca que o ano passado tirou-nos seis pontos para o campeonato, tirou-nos também da Taça da Liga, e isso para nós tem que ser um sinal de alerta.
O aviso deixado por Vítor Bruno, treinador do Porto. Já o técnico do Estoril, Yan Coutro, desvaloriza os resultados da época anterior.
Eu não vejo qualquer ligação entre a época anterior com esta época. Como tu disseste na pergunta, quase tudo mudou. A nível da nossa preparação para o jogo, como todos, nós sentimos mesmo preparados para ir lá competir.
Estoril preparado para o jogo frente ao Porto, que está marcado para às 19h30 mais logo, no Estádio do Dragão.
E é um jogo que vai contar com relato e análise aqui na Rádio Observador. É o ponto final no Jornal das 8. Daqui a 20 minutos, às 20h30, Luís Soares está de regresso com mais notícias. Até já, Luís.
Até já.