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As notícias com Carla Jorge Carvalho. As urnas no Reino Unido abriram há duas horas. Milhões de eleitores são chamados para escolher o próximo primeiro-ministro britânico. As sondagens das últimas semanas apontam todas para uma vitória clara do Partido Trabalhista. A confirmar-se este resultado, Keir Starmer vai ser eleito o novo chefe do governo e vai retirar Rishi Sunak do poder. Esta eleição pode assim pôr fim a 14 anos de governação dos Trabalhadores. No Reino Unido, a acompanhar estas eleições, está o enviado especial do Observador, agora em direto, José Carlos Duarte. Bom dia. As urnas abriram há duas horas. Como está a correr, para já, esta votação?
Olá, bom dia. Até o momento está a correr bem. Existe um longo intervalo de votação, ou seja, as urnas abrem agora às 7h e apenas fecham às 22h. Deve-se ao facto de ser um dia de semana, quinta-feira, portanto, tem de haver um espaço maior para as pessoas poderem votar. Já votou Rishi Sunak, o candidato dos conservadores, votou no seu círculo eleitoral, em Richmond e Northallerton, que é no centro da Inglaterra. O primeiro-ministro britânico já votou ao lado da mulher, sendo que neste círculo eleitoral também existe uma incógnita, que é: será que o primeiro-ministro vai conseguir ser eleito pelo seu círculo eleitoral? A questão não está fechada, não é garantido que ele seja eleito e poderá ser uma outra má notícia para os conservadores, que para além de perderem as eleições, Rishi Sunak pode nem sequer ser eleito. Relativamente aos restantes partidos, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, votará aqui em Londres, o seu círculo eleitoral é na capital britânica, às 21h30, e meia hora depois será a vez do líder dos Democratas Liberais, Ed Davey, votar às 22h, tal como Nigel Farage, que votará em Clacton-on-Sea, o seu círculo eleitoral.
Portanto, todos a votar muito cedo, sendo que aí, José Carlos, não pode haver notícias sobre política até às 22h. Enfim, não muito diferente do que se passa em Portugal. Quais foram as últimas mensagens dos candidatos?
Sim, não pode haver notícias até sair a primeira sondagem à boca das urnas, que será exatamente às 22h. Relativamente à última mensagem, os conservadores estão a tentar evitar o que chamam uma megamaioria dos trabalhistas. Já existe a perceção de que vão perder as eleições, já está quase garantido. Aliás, não poderiam que não se formasse a megamaioria se não tivessem essa perceção. Portanto, a mensagem é evitar que o Labour tenha uma megamaioria, passar a mensagem de que essa maioria poderá levar, por exemplo, a abusos de poder, à tomada do Estado pelo partido e, portanto, os conservadores estão a incentivar os eleitores com a mensagem de que é preciso votar conservador para que o Labour não tenha este poder todo, esta disposição de Estado nas suas mãos. Relativamente ao Labour, a mensagem ainda continua a ser de apelo ao voto, ou seja, as sondagens indicam uma tendência positiva, mas ainda não está fechado. Não é garantido que eles vençam e, portanto, eles estão a tentar que as pessoas vão votar. É muito a mensagem: "Vão votar, porque se ficarem em casa, a mudança, que os britânicos, quando as sondagens dizem que querem, não vai acontecer". Os outros dois partidos, o Reform UK, do Nigel Farage, e os Liberais Democratas, também têm exatamente a mesma mensagem de apelo ao voto, das pessoas deslocarem-se às urnas, porque são os partidos que, neste momento, o Reform UK nem sequer tem representação parlamentar e, portanto, estão a tentar ser a grande surpresa da noite estes dois partidos e logo à noite ver-se-á quantos deputados enviam para a Câmara dos Comuns.
Portanto, há aqui muitos apelos ao voto. José Carlos Duarte, já disseste que vai haver uma primeira projeção de votos às 22h, mas as noites eleitorais no Reino Unido são muito longas. Estás preparado para uma noitada.
Sim, vai ser uma grande noite e aqui a grande questão vai ser a dimensão da derrota dos conservadores, quantos deputados vão perder e se Rishi Sunak, tendo em conta o resultado desastroso que previsivelmente terá, se vai demitir. Será a grande questão desta noite. Não tanto a vitória do Labour, será o que fará Rishi Sunak perante o resultado que vai ter. Será que se demite? Será que fica no poder? Acho que só se terá uma noção tendo em conta quantos resultados forem inicialmente revelados e se perceberá a dinâmica da derrota dos conservadores.
Há aqui um guião, José Carlos Duarte, que é importante seguir nessas horas, nessa noite eleitoral. Obrigada por teres estado em direto conosco, o enviado especial do Observador ao Reino Unido a acompanhar as eleições britânicas. E o especialista em assuntos europeus, Paulo Santos, espera uma vitória do Partido Trabalhista, porque entende que o eleitorado está cansado. O cenário político que se vive no Reino Unido há de levar uma participação histórica por parte dos eleitores. É o que acredita Paulo Santos, dizendo que estão reunidas as condições para uma mudança de ciclo político e, por isso mesmo, para uma vitória dos trabalhistas.
Com aquilo que aconteceu com Liz Truss, enfim, todo o drama do Brexit e, em termos económicos, a situação do país continua a ser muito preocupante. Essa continua estando na primeira linha das preocupações. A verdade é que o eleitorado está cansado e quer uma mudança, e essa mudança vai ser entregue nestas eleições.
Análise de Paulo Santos, especialista em assuntos europeus à Rádio Observador. As urnas abriram às 7h, como dizíamos, vão encerrar às 22h, mas o processo de contagem dos votos vai ser longo, só de madrugada devem ser conhecidos os resultados finais. E depois do jornal das 19h, a Rádio Observador vai entrar em edição especial pra acompanhar as eleições no Reino Unido. Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro tiveram papel importante na eleição de António Costa para o Conselho Europeu. O Observador revela novos detalhes sobre os bastidores da candidatura do antigo primeiro-ministro. Sendo que este processo para levar António Costa para Bruxelas já era antigo, mas intensificou-se depois da queda do governo a 7 de novembro. Houve alguns obstáculos, como as dúvidas em torno da Operação Influencer, ou também as exigências do presidente da República e Maria Miguel Duarte em relação a Marcelo Rebelo de Sousa, houve até um ponto de viragem.
Exatamente. O chefe de Estado passou de obstáculo a uma espécie de mandatário da candidatura do ex-primeiro-ministro. Inicialmente, Marcelo Rebelo de Sousa bloqueou a ida de António Costa pra Europa para evitar uma crise política em Portugal, mas com a queda do governo, o chefe de Estado tornou-se um aliado e acabou mesmo por fazer muitos contactos em prol do ex-líder socialista. O presidente da República esclareceu vários dos líderes europeus sobre todo o processo judicial que envolvia António Costa.
Não foi o único, Maria, também Luís Montenegro deu várias explicações sobre este caso.
Principalmente junto da família política europeia, o PPE. O primeiro-ministro explicou assim em traços gerais o que estaria em causa, reconheceu que havia elementos do gabinete António Costa que estavam a braços com a justiça, mas que o ex-chefe do governo não tinha sido constituído arguido, isto depois de já ter sido ouvido pelos investigadores. Neste âmbito, uma fonte refere ao Observador que existiram mesmo telegramas que foram enviados para várias capitais europeias e que de alguma forma funcionaram como um tranquilizador, porque traduziam as decisões judiciais que retiravam António Costa do centro deste caso.
E houve ainda um grupo do WhatsApp que tratava de toda a campanha de António Costa em off.
Sim, um grupo que tratou de traduzir pra inglês e enviar para alguns socialistas europeus a decisão do Tribunal da Relação, a decisão que afastava António Costa da Operação Influencer e com um detalhe, só mais tarde é que o protagonista, António Costa, foi adicionado a este grupo. Depois de todos os apoios estarem garantidos, tanto por parte de Marcelo Rebelo de Sousa como por parte do governo, de Luís Montenegro, os bloqueios políticos excluídos, relacionados com esta Operação Influencer, desde novembro até agora, António Costa passa assim de primeiro-ministro de Portugal a presidente do Conselho Europeu.
Em sete meses. Maria Miguel Duarte com os detalhes apurados pelo Observador sobre esta longa campanha de António Costa para chegar à presidência do Conselho Europeu, ele que hoje vai reunir-se com um dos seus principais apoios, Pedro Sánchez, o presidente do governo espanhol. Vai ser daqui por hora e meia, 10:30 da manhã, no Palácio da Moncloa. O PS pode viabilizar o próximo orçamento do Estado, Carla, a possibilidade é admitida por Pedro Nuno Santos. Que, no entanto, exige uma condição. Foi ontem numa entrevista à RTP em que afirma que o partido não pode ser ignorado na discussão do orçamento.
Esse praticamente impossível só é superável na medida em que o governo estiver na disposição de não ignorar o maior partido da oposição. Se o Partido Socialista for ignorado e, portanto, a lógica da construção do orçamento for aquela que o Vítor ainda há bocadinho estava a explanar, que é o programa de governo está em vigor, deixem-me cumprir o programa de governo, aí vamos ter um problema. Nós não podemos é ser ignorados e depois estar-se à espera que o Partido Socialista levante o braço. Isso não existe.
É por isso a condição de Pedro Nuno Santos, que comentou ainda a ida da Procuradora-Geral da República ao Parlamento, diz que é importante que Lucília Gago comunique também com o país através dos deputados. O secretário-geral do PS deixa também críticas ao primeiro-ministro pela postura na negociação com as forças de segurança. Isto porque Luís Montenegro já afirmou que não vai dar nem mais um cêntimo aos polícias. O líder socialista diz que esta posição é errada.
No mesmo momento em que a ministra anuncia que há uma reunião marcada, o primeiro-ministro diz que não está disponível para dar mais um cêntimo. Parece uma forma errada de se proceder a um processo negocial. Aquilo que o primeiro-ministro fez foi um ultimato, um ultimato que agora gera um bloqueio nas negociações, como uma das partes vai ter que ceder. O Chega e o líder do Chega têm instrumentalizado os descontentamentos legítimos das forças de segurança. Aliás, as associações marcaram-se das declarações do líder do Chega, que se tem aproveitado e tentado apropriar do descontentamento legítimo.
Declarações de Pedro Nuno Santos numa entrevista à RTP a condenar a postura do primeiro-ministro nas negociações com as forças de segurança. E é precisamente neste momento de tensão com o governo que o Parlamento discute esta tarde várias propostas de aumento do valor do suplemento de missão. É uma discussão que vai concentrar atenções dentro e fora da Assembleia da República. Foram convocados protestos no Parlamento, através das redes sociais, movimentos inorgânicos das polícias e também alguns sindicatos apelam à mobilização. Alguns devem concentrar-se em frente ao edifício da Assembleia, outros podem estar nas galerias do Parlamento para assistir aos trabalhos que arrancam às 15h, mas não é claro ainda o nível de participação que poderá ter este protesto. E na Madeira está marcado por esta hora o arranque da votação do segundo programa do governo. Mas sem qualquer garantia de aprovação, o PSD esteve reunido com os partidos ao longo dos últimos dias. A Iniciativa Liberal e o PAN admitiram, entretanto, viabilizar o programa. A dúvida é saber qual vai ser a posição do Chega. Para esta hora arranca o debate da segunda proposta do programa do governo regional da Madeira. São agora 09:12, Carla, antes do Explicador, que outras notícias merecem destaque? Na Marinha Grande foram reforçadas as buscas pelos pescadores desaparecidos na embarcação que virou ao largo das praias de São Pedro de Moel e de Vieira. Três pessoas continuam desaparecidas. Este naufrágio fez também três mortes, 11 pessoas foram resgatadas com vida. A falta de guardas prisionais e carrinhas velhas estão a adiar consultas e julgamentos para vários reclusos. A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias. O início de um julgamento teve mesmo de ser adiado por duas vezes, porque a cadeia de Custóias não tinha guardas prisionais ou viaturas para transportar um preso preventivo ao Tribunal de Santa Maria da Feira. Este caso levou o juiz a solicitar à Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais que indicasse uma data para o início das diligências. Guardas prisionais e juízes garantem que a falta de meios faz com que todos os dias reclusos não compareçam no tribunal ou a consultas médicas. Na Ucrânia, vários ataques russos na região de Zaporíjia fizeram dois mortos, de acordo com o governador regional. Nas últimas 24 horas, existiram quase 400 ataques russos em vários municípios da região. E houve uma nova descoberta no mundo das artes. Foi descoberta a primeira obra de arte que foi pintada há mais de 50 mil anos. Foi na Indonésia. Cinquenta mil. Portanto, ainda tem o aviso pintado fresco. Tem. Arte rupestre. É um desenho de homens à caça daquilo que parece um porco. Ah, pois. Mas como é que é possível perceber a data em que foi pintado? Há 50 mil anos. É ciência. Ciência.
Eles puseram lá 50 mil anos antes de Cristo.
Deixaram a data. Exatamente. Foi uma técnica inovadora que utiliza um laser que analisa amostras e faz cálculos sem estragar, sem estragar este pintado de fresco e assim chegaram a esta referência, 50 mil anos. Carla Jorge Carvalho, Jornal das Nove. Quando for 09:30, voltamos a olhar pra atualidade.