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Jornal das 9, com edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, começamos no aeroporto de Lisboa. As últimas semanas têm ficado marcadas por tempos de espera elevados no controle de fronteiras. A situação não está tão complicada esta manhã, mas a um dia da passagem do ano, ainda há passageiros com tempos de espera elevados.

É sempre uma altura de grande movimentação nos aeroportos, tal como o Natal. Nos últimos dias, tem havido relatos de passageiros a esperar várias horas para passar o controle de fronteira, com a PSP a queixar-se de falta de meios. Ora, nas próximas horas prevê-se um grande fluxo de partidas e chegadas, o que pode provocar ainda mais constrangimentos. O repórter Carlos Pedro está na zona de chegadas desde bem cedo. Carlos, já conseguiste constatar que esta manhã a situação está um pouco melhor do que nos últimos dias, mas ainda assim, com alguns passageiros a falarem de constrangimentos.

Precisamente. Por agora, Carla, as esperas continuam longe dos tempos registados durante este fim de semana. Relatos nas redes sociais apontaram, por exemplo, para 12 horas nas filas de espera no controle fronteiriço. Ainda assim, já se começa a notar um ligeiro crescimento desses tempos de espera aqui no aeroporto de Lisboa. Falei durante a última hora com o Silvio, que está à espera do irmão, que vem do Brasil para passar o Ano Novo em Portugal. Chegou às 07h20, entrou na fila 20 minutos depois e, por esta altura, continua à espera de passar pelo posto de controle, onde a fila já começa a crescer.

Ele está no controle de fronteira já há cerca de 40 minutos. Agora são 08h24. Ele me enviou uma mensagem que entrou na fila por volta das 07h40, 07h45.

E como é que está a fila?

Está muito grande ainda. Ele acabou de me enviar uma foto, ainda não chegou nem na metade da fila.

E não há previsão, do ponto de vista de horas, para sair, para passar aqui na zona das chegadas?

Não. Ele ainda não me falou nada disso. Não tem nada informando.

E é a primeira vez que está a passar por essa experiência? É a primeira vez que o seu irmão vem cá e tem de passar pelo controle de fronteiras ou o próprio senhor já passou por esse processo?

Eu mesmo já passei pelo processo várias vezes e sempre foi demorado. Na verdade, eu estou achando que do meu irmão está sendo até rápido, porque eu já peguei filas que demoraram quase mais de uma hora.

Quarenta minutos que, por esta altura, já ultrapassa a hora de espera. Também o caso do Daniel, um cidadão que veio de Angola, chegou por volta das 06h50 a Lisboa e ficou mais de uma hora e meia no controle de fronteiras. Só chegou à zona de chegadas por volta das 08h30.

Nós chegamos às 06h50, só agora estamos a sair lá. Quase uma hora, uma hora e meia. Há muita gente.

A fila estava realmente muito grande?

Sim, muito grande mesmo. Ainda está grande.

Dois relatos acerca dos tempos de espera nas filas para o controle de fronteiras aqui no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Uma situação que é normal que com o passar do tempo se vá agravando devido à afluência de passageiros que chegam de países fora do espaço Schengen. Também uma cidadã angolana, que não quis gravar conosco, diz que há compatriotas que já esperam por familiares e amigos desde às 06h, não sabendo ao certo dizer a que horas essas pessoas chegaram à fila do controle fronteiriço. Do resto, agora entre as 09h e as 10h, está prevista a chegada de mais voos desde Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Brasil, o que deve contribuir para o aumento das filas de espera.

A reportagem do Carlos Pedro está no aeroporto de Lisboa nesta véspera da passagem de ano. É uma altura de muita movimentação de passageiros. Vamos, por isso, continuar a acompanhar a situação no controle de fronteira.

E depois do Natal e do Ano Novo, pode chegar o pico da gripe. O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública avisa que os constrangimentos nos hospitais vão continuar, mas recusa apontar as culpas unicamente à ministra da Saúde.

Este ano a gripe chegou mais cedo. Os especialistas têm alertado que o pico pode acontecer na próxima semana, depois dos convívios de Natal e Ano Novo. Ouvido pela Rádio Observador, o especialista em Saúde Pública, Bernardo Gomes, lembra que os hospitais já estão muito fragilizados e que esta maior afluência só vai trazer ainda mais dificuldades, mas recusa que a responsabilidade seja toda da ministra da Saúde.

Acho que é muito injusto colocarmos a pressão só sobre o Ministério da Saúde. Há aqui coisas que têm que ser consertadas com o resto do governo. Seja ele, obviamente, expectável na parte da administração pública e finanças, isso é claro. Mas, por exemplo, esta questão dos internamentos inapropriados, internamentos sociais, precisa de uma forte resposta e de uma forte participação da Segurança Social. E, portanto, olhando para as situações mais críticas, nomeadamente esta questão da ocupação de camas, mas também da questão da ocupação de vagas de especialistas no SNS e até dos próprios estímulos ou incentivos para fixação de especialistas, é todo o governo que está em cima da mesa. Não é só o Ministério da Saúde, porque muitas vezes o que acontece é que o Ministério da Saúde é deixado sozinho sob a pressão dos holofotes daquilo que diz respeito à resposta a várias situações, mas é claríssimo que em termos funcionais, depende também de outros ministérios.

Bernardo Gomes, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, ouvido pela Rádio Observador. Já o cientista e investigador Miguel Castanho também avisa que o pico da gripe pode chegar nos próximos dias, depois dos contactos durante as festas e, por isso, defende a importância da vacinação para a prevenção da doença.

Eu creio que temos todos que retirar daqui algumas lições. As pessoas que desvalorizam a vacinação também devem olhar para a realidade e não enfiar a cabeça na areia. Devem perceber o que está a acontecer e quando se fazem apelos à vacinação, quando esta vaga ainda não começou, é por uma razão. E agora a realidade demonstra que esses apelos à vacinação Foram, de facto, realistas e foi na antecipação do que está a acontecer, mas neste momento o que é para fazer é a remediação.

Miguel Castanho, ouvido pela Rádio Observador, a defender a importância da preparação da época da gripe.

Isto numa altura em que os hospitais da Grande Lisboa mantêm os tempos de espera nas urgências acima da média para doentes urgentes.

O destaque esta manhã vai para o Hospital de Santa Maria. A urgência geral do maior hospital do país está com quase nove horas de tempo de espera para a primeira observação dos doentes urgentes. O Beatriz Ângelo, em Loures, está com tempo de espera semelhante para pulsar amarela e o Amadora-Sintra, aquele que tem tido mais constrangimentos nas últimas semanas, está hoje com tempo de espera mais reduzido, é de cerca de hora e meia.

António José Seguro considera inaceitável a inclusão do nome de candidatos excluídos pelo Tribunal Constitucional nos boletins de voto para as eleições presidenciais.

A candidatura do socialista avançou ontem com uma contestação junto do Tribunal Constitucional, mas os juízes do Palácio Ratton já fizeram saber que cumpriram a lei relativa ao sorteio das candidaturas, assegurando que não lhes compete garantir a impressão dos boletins. Já a Comissão Nacional de Eleições diz que não vai haver hipótese de corrigir a situação, porque o processo de produção dos boletins teve que ser iniciado antes de ser tomada uma decisão final sobre as candidaturas, para que tudo estivesse pronto a tempo do voto antecipado. Ontem à noite, em entrevista à CNN Portugal, António José Seguro voltou a criticar o processo e fala num sintoma de um problema maior no país.

Eu considero isto inaceitável, mas o mais relevante para mim é que não é a primeira vez que isto acontece. Já há cinco anos também aconteceu e as pessoas nada fizeram ao longo destes cinco anos. Não fez o Parlamento, não estimulou o presidente da República que houvesse uma alteração e, pelos vistos, a administração eleitoral também não fez absolutamente nada. Ora, nós não podemos aceitar este deixar andar. É que não é só aqui. Nós precisamos ter um Estado eficiente, um Estado que cumpra. É na abertura do ano escolar, é nas urgências. Isto tem de acabar. Quer dizer, as pessoas têm que perceber que o Estado tem que ser eficiente para funcionar e para se poder estar melhor.

Então, parece uma questão de rigor, é isso?

É uma questão de rigor e de princípio e de respeito pelos eleitores.

À incompreensão manifestada por António José Seguro, o Tribunal Constitucional explica que a decisão final cabe ao Governo, ao Ministério da Administração Interna. Já a CNE lembra que as três candidaturas excluídas ainda podem recorrer da decisão para o plenário do Constitucional.

E a polêmica em torno dos boletins de voto vai estar em análise no Explicador, já a seguir a este jornal. É nossa convidada Teresa Leal Coelho, da Comissão Nacional de Eleições. Daqui a pouco vamos ter então esse Explicador, mas primeiro, Carla, tempo ainda para outras notícias que marcam esta terça-feira.

O PS considera que 2026 vai começar melhor para alguns portugueses, graças às propostas orçamentais dos socialistas. Uma ideia defendida por Eurico Brilhante Dias num vídeo a que a Agência Lusa teve acesso. O líder parlamentar do PS dá o exemplo das reduções das portagens e dos subsídios para as forças de segurança. Eurico Brilhante Dias promete empenho do partido no apoio a quem quer uma lei laboral equilibrada e justa no próximo ano. Novo ano, novos preços. A água em Lisboa vai ficar mais cara 17 cêntimos por mês, a partir do dia 1 de janeiro. As tarifas vão ser atualizadas de acordo com o índice harmonizado dos preços do consumidor e foram aprovadas pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos. Os Estados Unidos atacaram um porto na Venezuela. O governo norte-americano acredita que estava a ser utilizado por um gangue para armazenar droga. O ataque foi feito com recurso a drones. Aconteceu no início do mês, mas a notícia só hoje foi avançada pelo New York Times e a CNN Internacional. É a primeira operação conhecida do governo norte-americano em solo venezuelano, numa altura de crescente tensão entre Donald Trump e Nicolás Maduro.

Ponto final no Jornal das Nove.