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São 9 horas. E este é o Jornal das Nove, com edição do Miguel Vidare. Miguel, os seis detidos na sequência dos desacatos frente à Assembleia da República ontem à tarde vão ser presentes em interrogatório judicial.

Sim, amanhã. Disso mesmo dá conta o Observador. Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explica que, por causa do feriado, só amanhã vai ser possível conduzir os detidos a um juiz de instrução criminal para a aplicação das medidas de coação. Os seis estão indiciados, por exemplo, pelo crime de desobediência. Foram detidos no final da manifestação organizada pela CGTP, em dia de greve geral. Houve confrontos com a polícia, arremesso de garrafas, caixotes do lixo incendiados. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em entrevista à RTP, demarca-se dos incidentes.

O que lhe posso dizer é que não tem manifestantes da CGTP naquela manifestação.

Mas deve haver o que se está a passar.

Agora, há grupos que se integram nas manifestações da CGTP para depois levar por diante este tipo de situações e concretizar este tipo de momentos. Mas acho que o objetivo foi conseguido pela CGTP, que tivemos de facto, de norte a sul do país, incluindo nas regiões autónomas, um conjunto muito largo de manifestações com a presença de milhares de trabalhadores.

Facto sublinhado por Tiago Oliveira, que afasta a CGTP do episódio de violência ocorrido ontem junto à Assembleia da República.

Em dia de greve geral, cujos impactos ainda se fazem sentir esta manhã.

Pelo menos no que diz respeito à circulação de comboios. Até às 08h, dos 133 serviços previstos, foram suprimidos 57, a maioria serviços urbanos na região de Lisboa. Também há a supressão de comboios de longo curso, quatro de 10, informação desvalorizada há pouco ao Observador pela CP. Ontem, dia de greve geral, não se realizaram 74% das viagens que estavam programadas.

E o setor dos transportes foi um dos setores em que mais se fez sentir os impactos da greve geral. Sob o ponto de vista global, a ministra do Trabalho desvaloriza a participação.

Durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros, voltou a sublinhar a ideia de que no setor privado a participação na greve foi residual, no setor público a adesão foi de 23%, embora Maria do Rosário Palma Ramalho sublinhe que o teletrabalho dificulta esta contabilização.

Alguns setores comunicaram que também tinham recorrido largamente ao teletrabalho, pelo que muitas ausências não podem ser identificadas como adesão à greve, mas sim como trabalho à distância, que é hoje, como sabem, uma realidade dos nossos dias. No setor privado, confirma-se que a adesão à greve foi absolutamente residual.

O balanço é feito pelo governo, que contrasta com a avaliação feita pela CGTP, a confederação sindical que convocou a segunda greve geral em seis meses, contesta a proposta de alteração ao Código do Trabalho. O debate do diploma do governo está agendado para daqui a duas semanas, 18 de junho.

E o ministro da Administração Interna espera que o investimento feito no SIRESP garanta a fiabilidade do sistema de comunicações de emergência durante a época de maior risco de incêndios.

Em entrevista à SIC, Luís Neves reconhece que nem tudo correu bem durante o comboio de tempestades. Espera que os passos dados a seguir sejam suficientes para assegurar o bom funcionamento do sistema de comunicações.

O SIRESP teve uns problemas graves com a calamidade. Foram comprados equipamentos, novas estruturas. Estamos a fazer um grande investimento.

Vai funcionar?

Sim, vai funcionar. Quer dizer que estamos a gastar agora, no imediato, 36 milhões e vamos gastar no PTRR, temos quase 400 milhões para gastar e vamos nos aproximar das populações, das Juntas de Freguesia, das Câmaras.

O ministro da Administração Interna confia que o SIRESP, o Sistema de Comunicações de Emergência, vai funcionar em pleno, sem falhas. O ministro está preocupado com o período de maior risco de incêndios, em especial com o que pode acontecer na região de Leiria, uma das mais atingidas pelas tempestades do início do ano. Luís Neves salienta que há muito material combustível no território.

Todos tememos, porque há muita madeira, há muito combustível caído, portanto aquilo é complicado. Havia muitas estradas

Caminhos rurais, caminhos municipais, aceiros que dividem e que ajudam no combate, completamente destruídos. Eram autênticas armadilhas para os nossos bombeiros. E nós já limpamos mais de 10 mil km daquilo que era. É um trabalho que nos deve enobrecer a todos, não só pela sua singularidade, por aquilo que está a ser feito e vai continuar a ser feito, não tem dia para terminar.

Luís Neves sobre a necessária limpeza de material combustível nas regiões mais afetadas pelo comboio de tempestades do início do ano, regiões que ficam, em função desse material combustível, mais vulneráveis aos incêndios.

E a presidente do Tribunal de Contas nega que tenha sido informada de forma prévia sobre o plano do governo para reformar a instituição.

Nem quando Filipa Urbano Calvão foi convidada para presidir ao Tribunal de Contas, nem mais tarde, quando no início do ano, conversou com o ministro da Reforma do Estado. Filipa Calvão contesta a decisão do governo de dispensar a obrigatoriedade de visto prévio para contratos até € 10 milhões. Até aqui, este limite era de € 750 mil. Ora, a presidente do Tribunal de Contas diz ao Observador que nunca foi informada desta intenção do governo de avançar com uma mudança dos valores sujeitos a visto prévio.

E o ministro israelita com a pasta da Segurança Interna, Ben-Gvir, considera um erro grave o acordo de cessar-fogo alcançado por Israel e pelo Líbano, sob mediação dos Estados Unidos.

O acordo foi anunciado esta madrugada, num comunicado divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, e é o resultado de negociações que decorreram em Washington nos últimos dois dias. A entrada em vigor do cessar-fogo está dependente do fim dos ataques do Hezbollah e a retirada do movimento paramilitar do sul do Líbano. Ficou assente que vão ser criadas zonas-piloto, que devem ser controladas de forma exclusiva pelas Forças Armadas libanesas. Não é detalhado quais são estas zonas-piloto consideradas no âmbito deste acordo. Os Estados Unidos comprometem-se a apoiar o exército líbano a garantir a soberania do território. Ora, Ben-Gvir considera que este entendimento representa um erro grave e uma ilusão de assessores que estão a arrastar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para decisões incorretas. É isso que escreve na rede social X. Acrescenta que há momentos em que é preciso saber dizer não, mesmo ao presidente dos Estados Unidos, e se Israel não o fizer, corre o risco de encontrar um Hezbollah mais forte e perigoso da próxima vez.

E de Gaza chega esta manhã a notícia da morte de nove pessoas.

Segundo a Al Jazeera, é o resultado de um ataque israelita a um edifício residencial. O balanço é provisório. O ataque aéreo provocou um incêndio. Entretanto, o ministro das Finanças de Israel anunciou nas últimas horas a expansão de colonatos na Cisjordânia, com o objetivo de impedir a criação de um Estado palestiniano. Foi anunciada a construção de mais de duas mil casas para colonos israelitas, metade nas cidades palestinianas de Hebron e Nablús, as restantes nos arredores de Jerusalém.

Desporto agora no Jornal das Nove, à espera do desfecho das eleições de domingo. Se Florentino Pérez for reeleito presidente do Real Madrid, o José Mourinho vai mesmo rumar à capital espanhola.

É isso que revela o candidato e atual presidente dos materialistas num vídeo publicado nas redes sociais da candidatura. Mostra esse vídeo José Mourinho, vestido com a camisola do clube, a sorrir e a dizer: "Sim". Segundo o jornal "Record", o Special One, José Mourinho, contactou o Benfica para garantir que não gravou o vídeo. Diz que se tratam de imagens geradas por inteligência artificial, mas é certo que José Mourinho vai mesmo rumar a Madrid em caso de vitória de Florentino Pérez. Ora, o antigo candidato à vice-presidência do Benfica, na lista de Luís Filipe Vieira, Bruno Batista, lamenta o impasse em torno do futuro do treinador e, por consequência, do Benfica.

E este é o banho-maria em que ficará Rui Costa, em que ficarão os adeptos benfiquistas, provavelmente a torcer para que Florentino Pérez seja reeleito no Real Madrid para decidir o futuro do Benfica. E é aqui que temos uma insatisfação dos encarnados.

Pelo impasse em torno do futuro técnico encarnado. As eleições para a presidência do Real Madrid estão agendadas para este domingo.

Termina aqui o Jornal das Nove.