Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Quem é o teu bom de hoje?
O bom é o presidente da Carris, porque ontem Pedro Bogas decidiu finalmente sair da empresa. Quando esta semana foi conhecido o relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes sobre o Elevador da Glória, primeiro a Carris defendeu-se, disse que não conhecia nenhum dos indesculpáveis erros cometidos dentro da empresa na compra e instalação de um dos cabos. Depois, a Carris arranjou um bode expiatório, despediu o diretor de manutenção e só agora é que a Carris tirou as devidas consequências daquilo que se descobriu com o conselho de administração a apresentar a demissão. Carlos Moedas afirmou que compreende e aceita os motivos apresentados. Mas na verdade, se o presidente da Câmara de Lisboa realmente tivesse compreendido o que aconteceu e se realmente aceitasse o que se passou, não teria agido desta forma. Em vez de ter anunciado simplesmente que não iria renovar o mandato da atual administração, tê-la-ia demitido. Em vez disso, Carlos Moedas ficou à espera, não decidiu, e alguém tomou a decisão por ele.
E Pedro Bogas acabou por recuperar um pouquinho da dignidade, não é?
Sim, acho que fez muito bem. Claro, com certeza, podemos sempre argumentar: agora que sabia que ia sair, é fácil. Realmente é. Mas eu já penso tão pouco, Paulo.
Claro.
Antes isto do que estarmos agora à espera do fim do mandato.
Miguel, o teu mau andou a gastar dinheiro.
Diz que sim. O meu mau é o Estado. Ontem o Observador deu mais detalhes sobre o caso do Tagline, o chamado WhatsApp do governo. Relembrando, a dada altura, o governo de António Costa decidiu criar um sistema seguro de comunicação para membros do governo e assessores e com esse objetivo foi buscar dinheiro ao PRR, claro, onde é que nós temos sempre um buraco sem fundo cheio de dinheiro? Era o PRR. Falou-se em 1,6 milhões de euros, mas pelos vistos foram 652.500. O problema é que depois este WhatsApp do governo nunca foi verdadeiramente usado na altura de António Costa, e o atual governo nem sequer sabia que tal coisa existia. E assim deitámos dinheiro para o lixo. Contactado pelo Observador, Pedro Dominguinhos, que lidera a Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, ele é que vê se o dinheiro está a ser bem gasto, se está a ser mal gasto, enfim, ele disse o seguinte ao Observador: "Um investimento que não está a ser utilizado, como é evidente, no limite, pode ser considerado desperdício e isso é algo que nos deve preocupar." No limite, registe assim, no limite dos limites, atenção, no limite, pode ser considerado um desperdício, realmente. E realmente isso deve preocupar-nos. Um país que nunca tem dinheiro para nada, estranhamente tem sempre dinheiro para estas coisas.
E nem assim, nem deitar tanto dinheiro para o lixo desta maneira, vamos conseguir gastar o dinheiro todo do PRR, que é fantástico.
Calma, Paulo. Dá-nos mais um bocadinho para inventarmos projetos inexistentes, eficazes, imprestáveis, e vais ver que nós conseguimos torrar o dinheiro dos holandeses. Não te preocupes.
Miguel, o teu vilão é o Livre.
Então pergunto eu. O partido meteu-se numa enorme confusão por causa das eleições presidenciais. Primeiro, o Livre jurou que estava empenhadíssimo em arranjar um candidato único de esquerda. Depois, quando apareceram vários candidatos, o Livre decidiu que ia fazer uma consulta interna aos militantes. Era uma coisa muito democrática, porque o partido é muito democrata. O partido quer ouvir as bases, as pessoas. As pessoas não são números e, portanto, querem ouvi-las. E por isso ia haver esta consulta interna e os militantes, eles sim, iriam escolher se o partido deveria apoiar um dos candidatos que já se apresentaram ou se seria necessário arranjar alguém do partido. Finalmente, surpresa, os dirigentes do Livre acharam que afinal não era preciso ouvir ninguém, os militantes deixem-se lá estar em casa sossegadinhos, e anunciaram um candidato próprio. Pior, esse candidato é puramente partidário, não é um independente, não é alguém que possa eventualmente federar votos mais amplos à esquerda, nada disso. E pior ainda, esse candidato, Jorge Pinto, é deputado do Livre. A esquerda andou a criticar o Chega por ter deputados que acumularam como candidatos nas autárquicas, mas agora o Livre tem um deputado que acumula como candidato nas presidenciais. Enfim, nas presidenciais, o Livre disse uma coisa e fez outra.
Ficou preso às suas próprias indecisões, não é?
Sim, também perdeu muito tempo, mas eu acima de tudo fiquei muito surpreendido, chocado, desiludido, abatido. Posso-te dizer triste?
Calma, Miguel.
Calma. Coragem, vá.
Temos sempre o PRR.
Estou a abrir-vos o meu coração, porque achei que o Livre ia fazer a tal consulta interna, toda a gente poderia dar as mãos, dar a sua opinião e afinal foi alguém que decidiu.
Uma chatice. Esse momento único não existiu.
Não.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é o presidente da Carris, Pedro Bogas, o mau é o Estado, e o vilão de hoje é o Livre.