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Com a jornalista de cultura do Observador, Rita Cipriano. Olá, Rita, bom dia.

Olá, bom dia.

O que nos trazes hoje?

Hoje trago um livro editado pela Livros do Brasil, que decidiu fazer uma coisa completamente diferente e publicar um livro de uma escritora que ainda está viva.

Já começa a ser raro.

Como sabem, a editora publica essencialmente grandes clássicos da literatura, então é um pouquinho raro apanhar um escritor que ainda esteja vivo. Neste caso é Annie Ernaux, que é considerada uma das vozes mais importantes da literatura francesa atual, e o livro é o "Os Anos". Este livro já tem uns anos, curiosamente. Foi publicado em francês em 2008, mas deu muito o que falar no ano passado por causa da tradução para inglês, que lhe valeu um lugar entre os finalistas do Booker Prize internacional. O prêmio, como devem estar a levar, acabou por ir para Azoka Al Harti, do Sultanato de Omã, por "Corpos Celestes", que saiu também recentemente em português pela Relógio d'Água, e Annie Ernaux acabou por não receber o prêmio.

E este "Os Anos", fala-nos de quê?

Fala sobre meio século de história, com foco em França, como é natural, e sobre uma mulher sem nome, mas que se percebe ser a própria autora à medida que vamos lendo o livro. Tem um pendão autobiográfico, como é normal, mas é muito mais do que isso. Pretende ser um retrato de um coletivo, um coletivo que está sujeito às alterações sociais e políticas e que se deixa consumir pelo materialismo e pelo progresso tecnológico.

Portanto, apanha todo o pós-guerra ou, eventualmente, até a Segunda Guerra e todas as revoluções que aconteceram nos anos 60.

Até quase agora, não é?

Sim.

Rita, e esta não é a única proposta, tens outra sugestão.

Trago o novo romance de José Gardez Abel, que é o pseudônimo de José Tavares, que era um nome tão mais fácil de pronunciar, mas ele achou que era simples demais, não sei. O livro chama-se "A Melhor Máquina" e é o segundo romance deste escritor, que se estreou na ficção longa em 2008 com o muito elogiado "Meio Homem Metade Baleia", depois de uma incursão pela ficção e pelo teatro. Portanto, este é só o segundo romance dele. Este livro conta a história de Anders Koff, um jovem aspirante a escritor que decidiu viver na extrema pobreza durante um ano e reescrever durante esse período a sua própria história de orfandade e de crime.

Está lá na minha mesa de cabeceira também. Tudo lido.

Nessa enorme pilha.

Exato. Portanto, "Os Anos" e "A Melhor Máquina", as sugestões da jornalista Rita Cipriano no lado bom da vida desta quarta-feira. Até já, Rita.

Até já.

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