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Operação Stop na Rádio Observador, todas as semanas as principais novidades no fantástico mundo dos automóveis, como sempre, com o Alfredo Lavrador. Alfredo, sê muito bem-vindo. Como é que estás? Como foi essa semana?

Cá estamos nós, para mais uma sessão.

Alfredo, vamos falar sobre os automóveis com motor a combustão. Carros que emitem poluentes, mas de materiais tóxicos é que estamos aqui a falar e qual é a gravidade da situação?

Olha, é claro que os motores a combustão de há 10 ou 20 anos eram muito mais poluentes do que as unidades a gasolina e a gasóleo modernas, mas uns e outros sempre emitiram poluentes muito complicados. Estou a referir-me às partículas do fumo de escape, e aos óxidos de azoto, que são, digamos assim, as cartas mais difíceis neste baralho das emissões poluentes. Um e outro são cancerígenos, e são péssimos para a saúde e provocam problemas vários de cariz respiratório e circulatório. E estes poluentes abundam, concentram-se nas grandes cidades, provocando um crescente número de doentes. Deixa-me contar-te só uma história. Recordo-me de uma vez, entrevistei um membro do governo britânico, num período em que eles estavam a apresentar uns investimentos brutais em redes de carregamentos para carros elétricos a bateria, ou seja, postos de carga de energia elétrica, e também postes de carga de hidrogénio, que têm produção e abastecimento no local. Estes são muito mais caros, 100 vezes mais caros do que um posto de abastecimento de energia elétrica. E na altura perguntei-lhe o óbvio, como é que ele consegue convencer o governo a atribuir tanto dinheiro, uma quantidade tão avolumada, para construir estas duas redes de abastecimentos. E a resposta, que espantou-me na altura e ainda hoje, que ele me disse, basicamente, foi que ele conseguiu verba suficiente para criar estas duas redes. O que ele me garantiu que não tinha era dinheiro suficiente para que o Serviço Nacional de Saúde inglês tratasse os doentes que, de forma crescente, estavam a ser lesados pelo excesso de emissões. E isto diz tudo. Ou seja, nós ou reduzimos as emissões dentro das cidades ou vamos ter um problema muito grave em breve.

Face a tudo isto, Alfredo, como é que nos grandes centros urbanos, que vive a maioria da população, como é que podemos evitar esta tendência que pode prejudicar a vida dos portugueses?

Olha, em termos técnicos, o construído automóveis não tem uma função social, quer dizer, gera emprego, paga ordenados e ajuda a economia, mas não é esse o objetivo, pelo menos o objetivo prioritário. Tecnologicamente, os construtores têm feito a sua quota-parte. Têm investido, uns mais que outros, atenção, porque há muitos que não estão a investir coisa nenhuma, não produzem baterias, que é a peça mais cara do carro, e ao não produzi-la em casa, acabam por dar a alguém essa margem de lucro, que não faz sentido. Mas dizia eu que têm produzido elétricos. Hoje em dia já é fácil, há três marcas ou quatro, e vão existir muitas mais, a vender carros elétricos abaixo dos 20 mil €, e estou a falar de carros modernos e com habitabilidade suficiente até para uma jovem família. Têm também produzido cada vez melhores, mais competentes, mais potentes e com maior autonomia elétrica, os híbridos plugin, e duas das marcas do mercado, nomeadamente a Toyota e a Hyundai, têm produzido carros a hidrogénio, coisa que nós não temos cá. Aliás, nem temos uma rede de hidrogénio para alimentar os autocarros a hidrogénio, que são produzidos lá em cima, em Ovar, na Salvador Caetano, o que é uma coisa lamentável. Logo, os construtores têm feito aquilo que podem para reduzir as emissões nos centros das grandes cidades. Oxalá agora o poder político faça a sua quota-parte. E deixa-me lembrar-te, e a quem nos ouve, que em Lisboa e no Porto é igual, nos centros das cidades, aquelas zonas zero emissões, continua a deixar carros circular de Euro 3. Não há qualquer tipo de controle, ou o controle que existe é diminuto, e continuamos a levar com os tais carros poluentes que não deviam circular nos centros urbanos.

E que mais é que os construtores podem fazer, Alfredo, para tentar minimizar o impacto causado pelos veículos?

Olha, aqui é a parte curiosa. Há uma série de construtores que, para incrementar a biodiversidade, passaram a montar colmeias nas suas instalações. Atenção que isto não é tão simples quanto parece. Todos nós nos lembramos das fábricas de há 10, 20 anos, que falávamos há pouco, que estavam sempre envoltas numa nuvem de fumo, o ar não era muito respirável. Ou seja, uma colmeia nunca pode sobreviver num ambiente destes. As abelhas acabariam contaminadas, o mel também acabaria contaminado, as abelhas morreriam e quem comesse o mel também não transandava saúde. E estas abelhas acabam por polinizar as flores, os arbustos, etc., tudo o que vive ali nas redondezas, e acabam por prestar um serviço que nada tem a ver com carros, mas sim com a sociedade.

Não estava à espera dessa questão das abelhas, Alfredo. Que outros animais é que podem dar uma mão aos construtores de automóveis?

Desta é que não estavas à espera. Todas as instalações da fábrica, tudo o que não seja caminhos para estacionamento, etc, têm relvados com alguma extensão. E esses relvados têm que ser cortados. Aqui estás a ver um batalhão, normalmente não são empregados da fábrica, são empresas contratadas, empresas externas, que chegam ali com as suas máquinas de cortar relva e atacam os relvados, tipo exército. Aquilo faz barulho. É claro que não podes andar a cortar um relvado imenso ligado à corrente. As baterias também não dão para sempre, eles têm que despachar o trabalho num curto espaço de tempo, meio-dia, um dia, mas não podem lá estar uma semana. Basicamente, na Polónia tiveram uma ideia curiosa. Aquilo tem um imenso parque fotovoltaico, ou seja, tem uma zona "semeada" de painéis fotovoltaicos e que está a uma altura relativamente reduzida, um metro, metro e meio do solo, e a relva cresce debaixo desses painéis e também tem que ser cortada. Então eles optaram por, em vez de estar a pagar a indivíduos, a empresas de jardinagem para ir lá cortar a relva, compraram um batalhão, vulgo rebanho de ovelhas, basicamente 100 ovelhas, e então deixam-nas pastar por ali e elas tratam da relva com algum prazer, aparentemente, e não poluem. Inclusivamente, os excrementos acabam por servir de adubo, de maneira que fecham ali o círculo. É uma boa forma de evitar poluir mais e aproveitar, simultaneamente dar comida aos animais, o que é bom, sem degradar o ambiente. Parece-me uma boa ideia.

Exatamente. E é com esta boa ideia do Alfredo Lavrador para ajudar, de certa forma, a sociedade, todos nós, que fechamos a edição desta semana da "Operação Stop". Estamos de regresso na próxima. Até lá, Alfredo, um grande abraço.

Abraço, Ravel.