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Vargas Llosa foi um dos maiores escritores contemporâneos. Bruno Vieira Amaral, que importância é que tem este nome na literatura?

É um dos grandes nomes da literatura do século XX e, em particular, da literatura latino-americana, que ajudou a renovar, mas também com essa geração do boom da literatura latino-americana dos anos 60, ajudou a renovar e reinventar as possibilidades de toda a literatura mundial. Ele foi um escritor muito precoce. Dessa geração, foi um dos que alcançou o sucesso ainda mais cedo, antes dos 30 anos, já era um escritor reconhecido. E um dos aspectos que eu destaco, para além da qualidade enorme como romancista, foi também o facto de ser um pensador da literatura, o que nem sempre acontece. Ou seja, são raros os grandes escritores que também são grandes ensaístas e grandes pensadores sobre os mecanismos da literatura. E ele, pelo menos em dois grandes livros, deu grandes lições magistrais sobre o ofício da escrita, por exemplo, "A Orgia Perpétua", que é um ensaio sobre Flaubert e Madame Bovary, e também "A História de um Deicídio" sobre García Márquez. É a tese de doutoramento de Vargas Llosa, publicada no início dos anos 70, e é incrível como um escritor naquela altura, que eram os dois rivais.

Sim, há uma rivalidade.

Uma rivalidade que depois passa mesmo para o plano pessoal, mas naquela altura eles eram dois dos grandes nomes da literatura latino-americana e Mario Vargas Llosa dedica um estudo à obra de García Márquez, até àquela altura, que incluía já os "Cem Anos de Solidão", que continua a ser uma referência para quem se interessa por literatura, para quem se interessa pela obra de García Márquez. Eu destaco esses aspectos em relação à obra dele. Já falaste do "Conversa na Catedral", para mim é a sua grande obra, mas tem livros em registos muito diversos, "A Tia Júlia e o Escrevedor" num registo mais cómico. Ele gostava de explorar também esse registo ou também entrando quase na literatura erótica com "O Elogio da Madrasta". "Os Cadernos de Don Rigoberto" também é um livro cómico excecional. É verdade, ele recebeu o Prêmio Nobel em 2010. Eu acho que recebeu tarde demais, mas acabou por receber.

E o reconhecimento e o nome fica aí inscrito, entre outros prêmios. Bruno Vieira Amaral, recordando aqui a obra e também muito daquilo que foi Mario Vargas Llosa. Morreu esta noite, foi o filho que divulgou a notícia na rede social X. A causa da morte não foi revelada