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Foi o último Conselho de Ministros, mas para Marcelo Rebelo de Sousa não é a despedida definitiva de António Costa.

Não quer isto dizer que seja a última vez que nos encontramos nestas encruzilhadas do serviço de Portugal.

Até porque:

Um e outro estamos vivos e de plena saúde, não há razão nenhuma para não nos encontrarmos noutras encruzilhadas.

O vaticínio do Presidente da República, ao lado de um António Costa que preferiu fazer um balanço do passado para destacar a boa relação entre os dois.

Nem sempre coincidimos, como é, aliás, pressuposto que aconteça no nosso sistema de governo, mas creio que dificilmente será possível encontrar outro período da nossa vivência constitucional onde as relações entre governo e presidência da República tenham seguido de uma forma tão fluida, tão cooperativa e tão solidária.

E prova disso são as semelhanças nas ideias.

A solidariedade institucional funcionou ao longo dos oito anos, que foram diferentes entre si, com três governos diferentes entre si, mas em situações muito diferentes. Manter o mesmo patamar, nível de solidariedade institucional, não é fácil de encontrar muitos casos na história político-constitucional portuguesa.

Para evitar acusações de bloqueio, o governo ainda aprovou três diplomas essenciais para que Bruxelas passe mais um cheque do PRR, mas com algumas condicionantes.

Tratando-se a matéria da orgânica do governo e da administração pública, não só este governo não tem competências, como também não seria curial condicionar a organização, designadamente dos órgãos de apoio ao futuro governo, quando estamos a cessar as nossas funções.

António Costa no último Conselho de Ministros, já nas novas instalações do governo, no edifício sede da Caixa Geral de Depósitos.