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Mesmo com o fogo à porta, os moradores de Daíres, em Tondela, não poupam tempo nos elogios.
Os que acudiram aqui são espanhóis. Esses foram os espanhóis.
Espanhóis impecáveis, que disseram: "Para arder até aqui, é para logo não nos chatear".
Em época de incêndios, a rivalidade ibérica não vai a jogo e o idioma também não é um entrave.
No final, temos que tentar resolver todo o tipo de problemas e eu acho que quando há vontade, nos entendemos entre todos.
A voz que ouvimos é do homem que comanda mais de 100 operacionais espanhóis no combate às chamas em Tondela.
Olá, sou o capitão Daniel Salsón.
Daniel Salsón veste uma farda vermelha, mas não é bombeiro.
A UME é uma unidade militar que está especializada para atuar frente a todo tipo de emergências.
Os militares da Unidade Militar de Emergências, ou UME, atuam em todos os cenários, desde sismos a cheias ou incêndios. Em Espanha, estão divididos em cinco batalhões, que tanto podem atuar no território nacional, como fora.
Pode fazê-lo de várias maneiras. Através de tratados bilaterais, ou seja, os países têm tratados bilaterais de cooperação em emergências. Outra maneira fundamental, que é como estamos ativados atualmente, é através do mecanismo de proteção civil da União Europeia.
Os militares chegaram a Portugal ainda na madrugada de sábado.
Nada mais chegar e diretamente, assim que chegamos, começamos a trabalhar e a ajudar no incêndio.
Saíram de Espanha com maquinaria pesada, mas não só. Trouxeram comida e bebida suficiente para garantirem a autossuficiência. Para muitos deles, Portugal não é novidade.
Acredito que a coordenação é muito boa, é fantástica. Tenho que dizer que o quinto batalhão em emergências já foi despachado anteriormente em Portugal. Fomos despachados em 2017, também estivemos perto desta zona em 2024. Por isso a relação é bastante fluida.
A criação de um ramo militar em Portugal idêntico à UME é um debate antigo. Daniel Salsón reconhece as diferenças de cada país, mas elenca as mais-valias desta unidade.
Cada país tem a sua idiossincrasia e pode ter as organizações ou infraestruturas em função da sua sociedade. O que eu posso dizer é que a Unidade Militar de Emergências aporta uma série de valores que não fazem outra coisa que somar. Espírito de sacrifício, abnegação, capacidade de luta em todo o tipo de terrenos.
Sobre os elogios dos portugueses afetados pelos incêndios, o capitão reage com orgulho.
No final, é a nossa razão de ser. E a verdade é que não há nada melhor do que sentir o agradecimento das pessoas que foram ajudadas e que pudemos salvar até a sua vida ou os seus bens materiais, a sua casa.
Enquanto as chamas lavrarem em Portugal, os militares continuarão na região Centro. Depois, regressam a Espanha, onde aguardarão a próxima missão.