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Para avaliar esta medida, junta-se agora a nós Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP, Confederação de Agricultores de Portugal. Boa tarde, Eduardo Oliveira e Sousa, obrigado pela disponibilidade para se juntar a nós aqui no Jornal da Uma. Pergunto desde já se esta medida é lógica, se é positiva para os agricultores.
Muito boa tarde, muito obrigado pelo contacto. O que eu lhe posso dizer é que continua a haver um nítido excesso de zelo no que diz respeito à aplicação da limitação de horário para as operações de colheita. O senhor ministro disse, e bem, que se espera que se recuperem alguns níveis de humidade durante a noite. Essa humidade impede a colheita dos cereais nas primeiras horas da madrugada e, portanto, é provável que uma parte desse horário que agora se prevê que esteja autorizado, não possa ser utilizado na sua plenitude, porque não se pode fazer a colheita com humidade nos cereais. Esta pausa a que os agricultores foram obrigados, que é uma pausa que na nossa leitura do despacho inicial é um exagero e é um excesso de zelo, volto a dizê-lo, porque as operações de colheita estão todas elas nas exceções que o despacho previa e por isso limitar a colheita significa aumentar as perdas por perda de qualidade. Por perda de qualidade e até por perda de quantidade, porque as plantas começam a deixar cair o próprio cereal e isso vai-se perder definitivamente.
E por falar em falta de qualidade, pergunto também, já estamos em vários dias de calor extremo, um ano também de seca extrema, que consequências é que não só esta situação de contingência, mas também estas condições meteorológicas estão a ter para a qualidade das colheitas em si?
Posso-lhe dizer que nas frutas e nas vinhas há zonas em que as perdas ultrapassam já 50% só em consequência do excesso de calor vivido na semana passada. Mas eu gostava só de terminar este raciocínio em relação às colheitas, é que as colheitas são fracas este ano. Tivemos e temos uma seca brutal e, portanto, agora tudo o que seja dificultar a operação de colheita é diminuir ainda mais o resultado, que já é fraco, das colheitas que estão a decorrer. Portanto, é fundamental autorizar os agricultores a regressarem à sua vida normal no que diz respeito às colheitas em ambiente agrícola, não estou a falar em ambiente florestal, onde obviamente somos a favor de que não deve haver operações com máquinas, agora em ambiente agrícola, a regressarem às temperaturas normais para este período do ano. Hoje, por exemplo, em Beja e já é 13h00, a temperatura não ultrapassa os 34 graus, é perfeitamente absurdo impedir os agricultores de procederem às colheitas.
E Eduardo Oliveira e Sousa, está em cima da mesa, por exemplo, a possibilidade de serem pedidas indeminizações, tendo em conta esta situação?
Isso é um assunto que tem que ser as organizações que representam as culturas, nomeadamente a associação que representa os cereais, etc, que se deverão ter que se debruçar sobre essa matéria. Agora, há nitidamente um excesso ao proibir os agricultores de fazerem as suas colheitas em situações que praticamente já são normais. Já foi um excesso na semana passada, mais excessivo é manter essa limitação durante o período diurno a partir de hoje. De maneira que eu faço um apelo para que em operação de colheita em zona agrícola, não estou a falar de floresta, repito, devem ser autorizadas as operações de colheitas e assim diminuir um pouco mais o já enorme prejuízo que este ano constitui para a grande maioria dos agricultores.
Eduardo Oliveira e Sousa, agradeço a disponibilidade por ter estado conosco neste Jornal da Uma.
Nada, muito obrigado.
Obrigado. O presidente da Confederação de Agricultores de Portugal, a CAP, com algumas críticas quanto a estas duas janelas que foram anunciadas pelo governo. Portugal volta à situação de alerta. O governo avisa que até o final do verão vai voltar a haver momentos exigentes e relembro estas duas janelas para colheita de cereais dos agricultores das 06:00 às 10:00 e entre as 17:00 e as 22:00, ficam duas janelas para permitir aos agricultores voltar a fazer a colheita de cereais.