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Contamos a esta hora, nesta edição, com o Major-General João Vieira Borges. Muito obrigada pela disponibilidade. Israel, que sinal é que dá ao continuar a bombardear Gaza desta forma, tendo em conta os apelos de Donald Trump e agora esta abertura do Hamas para negociar?
Muito bom dia. A resposta foi no sentido de reunir o governo, menos sem os Smotrich e o Ben-Gvir, que se opõem, como sabem, ao fim da guerra. Deu indicação que os militares estavam a preparar a implementação imediata da primeira fase, que é favorável a Israel. A primeira fase é a libertação dos reféns ao fim das 72 horas, apesar de ser irrealista, como todos nós sabemos. Mas independentemente disso, depois destes ataques iniciais que anunciaram agora, julgo que agora nas últimas horas a situação está a evoluir positivamente no sentido da paz, quer pela pressão internacional, quer sobretudo pela pressão de Trump relativamente a Israel.
O Hamas percebeu que não tinha escolha, agora ao aceitar negociar?
Não tinha escolha, mas a questão do mas é para as duas partes. Digamos que quer Israel, em termos internacionais e mesmo internos, a situação é muito complicada, mas o Hamas, obviamente, está numa situação bem pior, mas pressionado, sobretudo pela Turquia, pelo Egito e pelo Catar, e no fundo, por todos os países da Liga Árabe, deu passos consideráveis no sentido da paz, independentemente do mas. E o mas tem a ver com outras condições ou outras exigências relativamente à retirada das tropas israelitas, e isso será discutido na primeira ronda de negociações. Já recebemos informações que vão ter lugar já amanhã, no Egito, em Sharm El-Sheikh, no Mar Vermelho, e isso é muito positivo. Portanto, independentemente de termos a consciência que nenhuma das duas partes está satisfeita e nenhuma das duas partes concorda com os 20 pontos, mas é um caminho que esperemos que, pressionado pela comunidade internacional, e em função das duas partes estarem feridas, entre aspas, por razões diferentes, é um caminho para a paz, é uma boa oportunidade. Esperemos que seja desta vez, depois de tanta mortandade e tanta guerra.
Espera-se que desta vez não seja uma oportunidade perdida. Muito obrigada, senhor Major-General João Vieira Borges, aqui em direto na Rádio Observador, a analisar estes desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente