Acompanhe o nosso liveblog sobre cconflitos internacionais
O Presidente russo, Vladimir Putin, apelou esta quarta-feira para a vitória na Ucrânia ao pedir à Câmara de Deputados (Duma) para aprovar o novo orçamento de guerra para os próximos três anos.
“Vós sois chamados a prestar especial atenção a questões de importância estatal, como o reforço da defesa do país, e a fazer tudo pela nossa vitória, apoiando os defensores da pátria e as suas famílias”, declarou Putin, na tribuna da câmara baixa do parlamento russo.
O chefe de Estado russo, que raramente vai à Duma — a última vez foi em 2020 — abriu a nona legislatura, onde o partido do Kremlin, no mais puro estilo do Partido Comunista da União Soviética, controla 349 dos 450 lugares, embora a oposição e especialistas independentes considerem que o parlamento não tem legitimidade devido às muitas irregularidades detetadas nas recentes eleições.
De acordo com fugas de informação para a imprensa independente e internacional, o Governo russo vai mais uma vez aumentar os gastos com defesa no próximo triénio, para 50 biliões de rublos (cerca de 529 mil milhões de euros).
Se o projeto de orçamento receber o apoio da Duma, a Rússia gastará, só no próximo ano, 17,1 biliões de rublos (mais de 176 mil milhões de euros), mais 27% que o inicialmente previsto: 13,5 biliões de rublos (cerca de 140 mil milhões de euros).
E embora seja mais de um terço superior ao previsto para 2026 (12,1 biliões de rublos ou 127,6 mil milhões de euros), os especialistas garantem que a despesa ultrapassará largamente este valor no segundo semestre do ano.
Seja como for, no papel é o valor mais elevado desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, em que a Rússia gastou em cada exercício na defesa cerca de 40% do orçamento do Estado.
Como consequência, diminuirá o investimento na saúde e na educação, mas também na construção de estradas e infraestruturas, bem como os subsídios para o setor agrícola.
Além disso, com o objetivo de reduzir o défice público — para 3,2% em 2026, o dobro do previsto —, o Governo já propôs aumentar os impostos, uma medida impopular apresentada logo após as eleições.
Depois de dar as boas-vindas aos deputados veteranos de guerra — cerca de 10% do total — e aos eleitos pela primeira vez nas quatro regiões ucranianas anexadas, Putin concentrou o seu discurso na Duma no orçamento do Estado para o quinto ano de guerra.
“O importante é não cometer erros. Os erros, sobretudo agora, são absolutamente inaceitáveis”, sublinhou, acrescentando que a Rússia “não vai fazer como outros” — referindo-se à Ucrânia — e sair pelo mundo “a mendigar”, o que considerou “humilhante”.
“Em segundo lugar, ninguém nos dará nada, sabemos bem disso. E em terceiro lugar, e mais importante, não precisamos disso”, afirmou.
Na sua opinião, o orçamento do Estado para 2027 deve ser “realista e equilibrado” e manter a estabilidade macroeconómica, garantia para que todos os programas sociais possam ser cumpridos.
Apesar de se ter mostrado favorável à retomada das negociações de paz após a recente visita dos enviados da Casa Branca a Moscovo e a Kiev, Putin mudou de ideias depois do maior ataque ucraniano a Moscovo, a 20 de setembro, em pleno período eleitoral.
Desde então, Moscovo lançou uma campanha ininterrupta de bombardeamentos a Kiev, e tudo indica que a guerra prosseguirá e completará o seu quinto aniversário em fevereiro próximo, uma vez que o Exército russo apenas obteve avanços marginais no Donbass, no leste do território ucraniano, onde sofreu nas últimas semanas duros reveses em Donetsk.