Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O Prémio Nobel da Literatura foi hoje atribuído a László Krasznahorkai, um escritor húngaro. Era o grande favorito das casas de apostas. Comigo tenho Diogo Madre Deus, editor em Portugal de László Krasznahorkai. Muito bem-vindo. Como é que reage a esta nomeação? E já que havia mais escritores como favoritos, o que leva a Academia Sueca a escolhê-lo?

A minha reação é de alegria. É sempre uma surpresa, apesar de o nome dele estar incluído nessa lista de nomeados. Nunca é certo. Acho que porque são todos nomes muito importantes e relevantes. Acho que foi uma decisão justa, uma escolha sem concessões, um prêmio dado à arte da literatura, diria assim. É um autor que é um dos grandes inovadores, neste momento, da arte do romance e da forma literária do romance. Um autor que já tem uma vasta obra publicada, não em Portugal. Esperamos agora que possa penetrar nos leitores também portugueses. É um autor que pensa a forma do romance. Portanto, mais uma vez, um inovador, propõe uma nova forma de escrever, uma nova forma também de ler. É um autor exigente, mas também por isso muito gratificante. Eu sou leitor do Krasznahorkai há muitos anos, antes de publicar. E diria que, para mim, como leitor, acho-o próximo, por exemplo, de uma poética de Kafka. Ou seja, encontramos nos romances dele a mesma atmosfera opressiva, absurda, aquela sensação de fatalidade, o tal tom apocalíptico e visionário que o comitê destacou na frase de atribuição, que eu acho, mais uma vez, muito certeira. E é um autor que também toca em muitos temas atuais. Neste romance que estamos agora a lançar, o último dele, toca sobretudo temas como o extremismo político, o nazismo ou a nova forma de nazismo que neste momento está a grassar pela Europa, populismo, o colapso ecológico. Ele é um autor, infelizmente, pessimista em relação ao estado das coisas.

Para quem não conhece as obras do escritor, o que aconselharia ler em primeiro lugar?

Ele não está muito divulgado em Portugal. As nossas edições são a partir do original húngaro, portanto são mais demoradas também. Neste momento, acabou de chegar o último romance dele. Na segunda-feira, penso, já está na livraria, que é "O Oeste 07769". É um título também à partida difícil, mas que é fácil de explicar. E tinha uma obra publicada há tempos pela Antígona, o primeiro romance dele, "O Término de Satanás", mas que penso que está fora de mercado. Neste momento está em produção já pela Cavalo de Ferro, um outro romance que chegará às livrarias no início do próximo ano, que é um título mais antigo chamado "Guerra e Guerra". Eu diria que para o leitor português, a melhor forma de começar é ler este último romance que acaba de chegar às livrarias e que é uma súmula do que se pode encontrar na restante obra dele.

A minha próxima pergunta iria precisamente para esta nova obra. Aliás, ainda não se sabia que o vencedor seria László Krasznahorkai, mas já se sabia que o novo livro do escritor chegaria às livrarias nacionais já este mês. E aliás, o escritor vai estar presente em Óbidos para o lançamento da obra.

Pois, esperamos nós. Vamos ver.

Ainda não está confirmado.

Não, estava confirmado. Agora vamos tentar convencê-lo a vir. A atribuição do Nobel, como sabe, é um momento mundial. E espero que ele mantenha esse desejo, essa vontade. Até ontem tinha esse desejo, essa vontade de vir. Espero que não haja mudança de plano.

E o que podemos esperar desta obra que vai chegar às livrarias portuguesas?

Eu diria que é uma das obras mais divertidas do escritor. É uma obra que foi saudada muito entusiasticamente pela crítica internacional como uma obra-prima literária. Diria que é uma sátira, uma sátira quase profética. É um livro que fala sobre os eventos numa pequena localidade, numa pequena cidade da Turíngia, ou seja, na Alemanha, em torno de um líder neonazi e da figura do Johann Sebastian Bach. É uma sátira muito divertida, quase cômica, sobre o estado do mundo atual.

Não há muitas obras dele publicadas em Portugal. Esta vitória pode significar que mais livros vão ser publicados e que mais livros vão chegar a Portugal?

Sim. Já iriam, porque independentemente de ele vencer ou não vencer o Prémio Nobel, eu já tinha previsto pelo menos duas obras dele. Agora, com esta atribuição, espero que signifique que ele tenha um acolhimento maior junto dos leitores portugueses e que possam ser editadas mais obras, o essencial das obras dele.