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O suplemento de risco são €200 de julho, €200 de agosto. Dá a totalidade de €400, dois meses, porque estão a pagar os retroativos de julho. No processamento do recibo de vencimento, a média que os polícias estão a receber anda sensivelmente no valor de €210 a €215. Há polícias a receber €190 de €400 e há polícias a receber sensivelmente €250 de €400. Portanto, o governo dá com uma mão e tira com a outra nas retenções na fonte, nos impostos e nos descontos para o regime de proteção social.
E isso não tinha sido previsto no acordo a que chegaram com a Ministra da Administração Interna?
O SINAPOL não assinou nenhum acordo com a senhora Ministra. O SINAPOL alertou, em todas as reuniões, o governo de que os polícias estão interessados em valores que sejam líquidos. Não estavam interessados em valores ilíquidos como aqueles que três sindicatos da PSP acordaram com o governo. Não foi o SINAPOL que acordou. O SINAPOL, inclusive, abandonou as reuniões, exatamente em protesto pela forma como as reuniões estavam a ser conduzidas e pela cumplicidade de alguns sindicatos com o governo relativamente àquilo que depois veio a provar através da assinatura de um acordo. Nós, SINAPOL, sempre alertámos o governo que isto seria um mau acordo, que isto seria um mau negócio para os polícias do ponto de vista da negociação que estava a ser feita. O governo insistiu que dar €200 era muito bom para os polícias. Pois bem, ontem nos recibos de vencimento, os polícias ficaram a saber que de €200 recebem sensivelmente €100. E inclusive posso afirmar que os recibos apresentam ainda descontos que não foram processados, porque os recibos de vencimento, por lapso, deduzo eu, não foram sujeitos ao processamento de 3,5% de desconto para os subsistemas de saúde das respetivas forças de segurança. Se de €200 um polícia já está a receber perto de €100 a €110, quando lhe for processado os descontos para o subsistema de saúde, ainda vai receber, se calhar, menos de €100. Há casos em que polícias que tenham salários mais altos não chegam a receber 50% deste suplemento.
E tendo em conta que a SINAPOL continua descontente com aquilo que foi acordado com o governo, pensam em medidas de protesto ou não?
O SINAPOL está a fazer isto de uma forma planeada, juntamente com o Sindicato dos Profissionais da PSP, da seguinte forma: para já, início de setembro, iremos retomar as reuniões com os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República, com exceção do grupo parlamentar do PSD e do CDS. Não vale a pena reunir com dois grupos parlamentares que apoiam o governo que nos deu €200. Portanto, vamos reunir com todos os outros grupos parlamentares para ser encontrada uma solução por via do Orçamento do Estado para 2025, uma solução que venha corrigir este enorme erro e esta enorme falta de consideração que foi tida perante os profissionais das forças de segurança. A segunda fase, que está ainda a ser avaliada, é uma grande ação de contestação na rua por parte dos polícias em finais de setembro, início de outubro. Isto é algo que está ainda a ser avaliado, mas que a cada dia que passa, principalmente desde o dia de ontem, quando os polícias verificaram os recibos de vencimento que vão receber deste suplemento, ao qual nós damos o nome muito carinhoso de migalhas, os polícias certamente vão para a rua protestar fortemente contra aquilo que consideram que foi algo que não é justo e que os desonra na sua profissão, porque a vida de um profissional da PSP não vale menos do que a vida de um profissional de outra força de segurança que recebe bem mais do que o profissional da PSP.
E pensam em voltar a agregarem-se numa plataforma?
Neste momento, fazermos uma plataforma nos moldes em que fizemos a anterior, definitivamente está fora de questão. E se fizermos uma plataforma, essa plataforma, certamente da parte do SINAPOL, não contará com a presença dos três sindicatos que assinaram o acordo, porque esses sindicatos, a partir do momento que assinaram o acordo, fizeram um pacto com o governo de silêncio sobre esta matéria, aliás, pacto esse que têm reiterado ao continuar a insistir que tem sido um bom acordo que foi assinado e que os polícias estão contentes. A verdade é que os polícias não estão contentes e as redes sociais são as provas disso, porque é nas redes sociais que os polícias muitas das vezes desabafam o fato de, no total de €200, ficarem a receber sensivelmente metade.