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Junta-se a nós em direto neste jornal, Filipe Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Muito bom dia, Filipe Lima.
Bom dia.
Como olha para estas reivindicações dos docentes?
As reivindicações dos professores são justas. Recuperar os três anos, seis meses e 23 dias que trabalharam e que foram sonegados, eu acho que esteja justo que volte à mesa das negociações. Alterar o modelo de avaliação de desempenho, quer de professores, quer diretores, acho que é justo também que seja revisto. O aumento dos vencimentos dos professores, tendo em conta a sua responsabilidade, é uma obrigação. Ou seja, aqui uma série de situações que devem voltar à mesa das negociações e por isso nós pedimos que o Ministério da Educação seja sensível, mas sobretudo pedimos ao Ministério das Finanças essa sensibilidade que desta parte tem faltado à nossa educação por parte das pessoas que gerem o nosso dinheiro, que é o Ministério das Finanças.
Portanto, considera que essa parte das reivindicações que tem a ver com tempos de serviço e valorização salarial são mais motivadoras para os professores do que a questão de um novo modelo de colocação de professores?
Eu penso que sim. Penso que o modelo daquilo que foi falado, embora depois foi desmentido, mas vamos dizer que é o novo modelo de colocação de professores, foi uma espécie de catapulta para os problemas que eu atrás enunciei, que estes é que são os verdadeiros problemas dos professores, ou seja, é a não valorização, é a não dignificação da sua carreira docente. Problemas que persistem de há uns tempos a esta parte. E é necessário, de facto, tê-los na mesa de trabalho, é necessário discuti-los e é necessário que o Ministério da Educação tenha ao seu lado o seu homólogo das Finanças, porque isto tem a ver com investimento que é merecido na escola pública portuguesa.
E perante os protestos que começam hoje e outros que se anunciam, as escolas podem de alguma forma preparar-se para minimizar os efeitos destes protestos?
Nós não podemos furar greves, nem isso vamos fazer. Agora, considero que esta greve recomeça hoje, é uma greve que foi alargada, note-se que neste momento também o pessoal não docente poderá aderir a esta greve. É uma greve atípica, com concentrações, com manifestações ao primeiro tempo, e é uma greve por tempo indeterminado. Ou seja, a luta da parte dos professores, da parte dos sindicatos dos docentes, endureceu bastante. Esperemos agora ver qual é a reação da tutela, e nesse sentido penso que a tutela terá que ir a terreiro dizer algo, quer aos sindicatos, quer aos professores.