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Junta-se agora em direto a este jornal das 9 a investigadora da Universidade Católica, Lívia Franco. Muito bom dia, Lívia Franco. Hoje os britânicos acordaram com um país politicamente completamente diferente.
Sim, a geografia do voto no Reino Unido mudou bastante. Mudou não num sentido que nós podemos interpretar como sendo profundo. As tendências que se notam são tendências que podemos caracterizar como sendo ainda bastante voláteis. O que quer dizer é que há um grande descontentamento. Várias zonas do país mudaram o seu sentido de voto e isso, sobretudo, quer dizer que o voto nestas eleições não foi um voto ideológico, foi sobretudo um voto de responsabilização, até um voto punitivo e de grande descontentamento por aquilo que foram até agora 14 anos de governo conservador. Nós temos agora aqui resultados que são muito importantes para serem interpretados. Como sempre acontece em noites eleitorais, convém olhar para os vencedores e para os derrotados. O vencedor primeiro, claríssimo, obviamente, é o Partido Trabalhista, agora recentrado, um Partido Trabalhista mais moderado sob a liderança de Keir Starmer, que de fato teve um resultado, senão um de seus melhores resultados e resultados históricos, ainda não conseguiu ultrapassar a fasquia conseguida por Tony Blair em 1997, mas está muito próximo dessa fasquia, e claramente são os vencedores da noite. Mas logo a seguir também, como grandes vencedores da noite, aparecem os democratas liberais, que conseguem o seu melhor resultado, sempre elegendo pelo menos já 71 deputados. Quem são então os derrotados? Os grandes derrotados da noite são, como também se esperava, mas de modo que se tornou mesmo evidente essa tendência, o Partido Conservador. O Partido Conservador está neste momento conseguindo eleger 119, 120 deputados, o que claramente é também o seu pior resultado histórico de sempre. Aponto também para este aspecto que me parece importante, que o Partido Nacionalista Escocês também teve um resultado muito negativo. Até agora parece que só conseguiu eleger nove deputados, descendo dos 38 que teve nas eleições em 2019. E há aqui muitas leituras que têm que ser feitas. Há, sobretudo, dois desafios que eu acho que são lançados. Primeiro é: com este resultado extraordinário, o Partido Trabalhista tem que de alguma maneira corresponder às expectativas que os eleitores puseram em si e naquilo que é o seu manifesto eleitoral. E vamos lá ver, isso vai ser difícil. O Partido Trabalhista entra agora aqui em força, mas as expectativas são enormes e são expectativas, sobretudo, de uma grande mudança do país e as coisas não vão ser fáceis. O segundo desafio é o desafio relativo ao futuro do Partido Conservador. Eu acho que a primeira questão que se põe aqui é: o sistema bipartidário está em causa com estes números tão fracos do Partido Conservador? Não sei, é uma tendência que temos que seguir. Tenho dúvidas, no entanto. De qualquer maneira, é uma tendência que temos que olhar agora para os próximos tempos, sobretudo por aquilo que é o desafio que vai ser colocado pelo Reform, que é o senhor Nigel Farage, à oitava tentativa consegue entrar como deputado no Parlamento, com ele traz mais três companheiros. Vamos lá ver também que desafio de allure é que eles colocam ao Partido Conservador. Isso significa o tal outro desafio, que é o desafio da reorientação política e estratégica do próprio Partido Conservador internamente, quem é que vai ser a nova liderança. Muitas das grandes figuras do Partido Conservador não conseguiram ser eleitas como deputados agora nestas eleições, então quem são de fato as possíveis lideranças.