Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bem-vindos a mais uma Vichy Soares na Estrada. Eu sou o Luís Soares e, como vem sendo habitual nestes dias de campanha, vamos servir uma sopa com a ajuda dos repórteres do Observador que acompanham as caravanas dos candidatos presidenciais. Hoje temos uma sopa de feijão vermelho para dar força aos candidatos e também aos repórteres para esta última semana de campanha. Começamos pela Rita Tavares. Olá, Rita, acompanhas António José Seguro. Ele parte para esta última semana com energia reforçada, com este apoio de Pedro Nuno Santos que foi dado a conhecer hoje?
Não se consegue dizer se é reforçada, se é reduzida, na medida em que o próprio candidato, na declaração que fez sobre o surgimento desse apoio, teve uma reação a meia haste, porque mostrou-se contente, mas imediatamente disse que era o candidato moderado. Ora, Pedro Nuno Santos é aquele socialista que ficou com o rótulo de radical e de uma aproximação grande à esquerda, até pelo papel que teve durante o governo da Geringonça, em que era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e fazia a ponte direta com o PCP e o Bloco de Esquerda. Portanto, sobre este apoio, António José Seguro foi questionado sobre se somaria ou subtraía à sua candidatura, e ele disse que deixava essa análise para os comentadores, mas depois, quando questionado se Pedro Nuno Santos ia aparecer, deu a entender que não apareceria e que essa até poderia ser, julgasmos ser, eu pelo menos quando ouvi as declarações fiquei com essa ideia, que teria sido uma opção do próprio candidato a não ter aqui essa figura. Ele tem tido muito o Partido Socialista presente, sim, sobretudo na organização de comícios, mas a verdade é que esses elementos do Partido Socialista que aparecem em todos os distritos do país, dirigentes distritais e tudo mais, nunca sobem ao palco. São figuras que ficam na segunda ou terceira linha. António José Seguro quer manter o espírito da candidatura suprapartidária e por isso Pedro Nuno Santos não parece que apareça presencialmente. E quando insistimos nas perguntas a António José Seguro sobre essa presença ou não, ele disse que o importante é que o candidato era ele. Portanto, aqui a reduzir a expressão deste apoio a mais um apoio que ele valoriza como tantos outros, e referiu os apoios que tem no CDS e no PSD, o que também é interessante numa reação ao apoio vindo de Pedro Nuno Santos. O apoio era esperado por António José Seguro, isso é certo. Estas coisas não acontecem por acaso numa campanha eleitoral, que é um período altamente sensível e no qual está tudo devidamente programado. Portanto, o surgimento deste apoio nesta altura da campanha é uma coisa que foi programada, mas António José Seguro sabe que há o risco disso contorná-lo à esquerda e numa espécie de radicalismo de esquerda em que não quer estar e, portanto, faz logo esta devida separação de águas. Uma coisa é o apoio, outra coisa é a candidatura dele. E até surge numa altura em que no discurso dele vai estando muito presente a ideia da moderação. Virou um pouco a agulha para o apelo ao voto dos moderados, mais do que ao apelo à concentração de votos à esquerda, que é uma coisa que se pode dizer que desapareceu do seu discurso, que agora está muito mais apostado nestes moderados, nos eleitores de centro, em que António José Seguro quer prendê-los à sua candidatura.
E o que é que poderá, Rita, fazer com que a energia da campanha continue em alta? Serão as sondagens, nomeadamente, que continuam a dar António José Seguro com uma boa classificação, pelo menos no que diz respeito às intenções de voto.
António José Seguro garante-nos, a nós jornalistas que acompanhamos diariamente a sua campanha, que é mais do que as sondagens. Diz que sente na rua e nas mensagens que lhe vão chegando, tem dito sempre isso nas declarações que faz aos jornalistas, que vai tendo feedback positivo e que vai formando aqui essa ideia de uma candidatura em crescendo. Portanto, garante que é muito mais do que sondagens, e que é uma coisa real e que está a sentir. Se isso vai traduzir-se em votos ou não, é muito difícil de prever, sendo certo que em alguns momentos desta campanha temos visto, por exemplo, no mercado de Braga, muitos insatisfeitos com o governo a criticarem a ação do governo em algumas áreas, a fazerem queixas ao candidato que por ali estava. Mas a verdade também é que no final da conversa nem todos lhe garantiam que no dia 18 é nele que vão votar. Portanto, não há certezas por aqui. Há uma gestão criteriosa de tudo o que se passa no espaço público sobre a candidatura, na medida de não estragar as mensagens que o candidato quer passar, e agora vai claramente apostado nos eleitores moderados e nesses eleitores que estão ao centro.
Obrigado, Rita. Energia também para aquilo que vai restando desta campanha é o que eu te desejo daqui. Rita Tavares, que acompanha António José Seguro. Vamos agora até à campanha de Marcos Mendes, que está a ser acompanhada pela Mariana Lima Cunha. E Mariana, olá. Começa Marcos Mendes esta semana a tentar ganhar energia reforçada depois das declarações de Cotrim de Figueiredo?
Olá, Luís. Sim, as declarações de Cotrim de Figueiredo foram interpretadas como um presente para a campanha de Luís Marques Mendes, que, lembrando sempre que a tracking poll da CNN e da TVI já se tornou uma protagonista da campanha, lembrando sempre que é uma amostra pequena, que não é tão representativa como sondagens maiores e que tem outros métodos, etc. Mas é sempre certo que pode afetar um pouco o estado anímico da campanha. E, portanto, foram muito bem-vindas as declarações hoje de Cotrim de Figueiredo. Nós tivemos, aliás, um momento em que estávamos na feira de Paredes, e em que a notícia das declarações de Cotrim de Figueiredo cai nos telemóveis e houve imediatamente uma movimentação da equipe de Luís Marques Mendes à volta do candidato para o informar do que Cotrim tinha dito e para preparar imediatamente uma resposta e, portanto, Luís Marques Mendes, evidentemente, e tal como grande parte da AD e dos seus apoiantes estão agora a fazer parties no mesmo sentido, Marques Mendes disse que sendo assim é porque Cotrim de Figueiredo já assume que vai perder na primeira volta. Ou seja, a partir do momento em que admite votar noutro candidato na segunda, é porque já deitou a toalha ao chão. E por acaso é curioso, porque Luís Marques Mendes tinha estado precisamente ontem conosco jornalistas a responder algumas perguntas. Houve uma jornalista que lhe perguntou exatamente sobre os seus planos para a segunda volta, caso não passasse, e portanto o que é que faria. E o que ele respondeu na altura foi: "só se eu não percebesse nada de política é que eu ia responder essa pergunta, porque não me quero autoflagelar". E portanto, parecia quase combinado, no dia a seguir, Cotrim faz exatamente isso e Marques Mendes festeja, obviamente, o que é visto como um erro daquele que é o seu, aparentemente, pelos números que temos, rival mais direto. E que um dos dados que a tracking poll nos tem indicado é que não só o eleitorado da AD é, neste momento, a base mais dispersa, como Cotrim é o principal beneficiário dessa dispersão e é o que mais facilmente, além de Mendes, consegue seduzir o eleitorado da AD. E, portanto, todos os erros que Cotrim possa cometer e que ainda por cima não implicam que seja Mendes a atirar-se para aquilo que tem chamado lama e para desatar a atacar o adversário por sua iniciativa, ainda melhor. Portanto, eu diria que foi uma injeção de energia na campanha e que foi muito bem-vinda a declaração de Cotrim de Figueiredo.
E Marques Mendes diz que ainda tem forças para mais quatro semanas de campanha. Terá, Mariana?
Exatamente. Aliás, era a mensagem que ele parecia ter preparado para hoje, mesmo antes de ouvir o que Cotrim de Figueiredo disse, mas colou ainda melhor. Marques Mendes o que nos quis dizer esta manhã foi precisamente que está a fazer um plano a quatro semanas, e não a duas, ou seja, a duas voltas da campanha, e que até já planeia os seus descansos a pensar nisso, portanto, já a gerir o seu esforço, até porque a campanha, evidentemente, até do ponto de vista físico, é uma coisa muito exigente, e que está já a pensar no debate que há de ter com o adversário na segunda volta. Portanto, está a colocar-se aqui, ele tem feito esse esforço, na posição de possível candidato da segunda volta, o possível vencedor da primeira volta, até porque Marques Mendes tem tido de fazer aqui um equilíbrio virtuoso que é difícil. Por um lado, dramatizar o suficiente para não mobilizar o eleitorado da AD. Houve, aliás, um dia, na primeira semana, em que ele disse: "se houver dispersão de voto, eu posso perder, sejamos francos, porque importa obviamente tirar as pessoas da AD do sofá e convencê-las que vale a pena ir votar nesta eleição e que não há triunfalismos, nem que está nada garantido". Mas, por outro lado, também não convém, evidentemente, dar a ideia de que vai perder, que não vai passar à segunda volta, de que, de facto, a tendência que a tracking poll tem mostrado é real, até porque aí é fácil que o eleitorado passe a desviar o seu voto para outros rivais de Mendes e que a noção de voto útil da direita deixe de ser depositada em Marques Mendes e passe a outros candidatos. Portanto, ele tem tentado aqui equilibrar o seu discurso. Agora, como tem estes números que aparecem diariamente e que evidentemente dominam boa parte das perguntas que os jornalistas lhe fazem, etc, ele tem agora comício a comício, jantar a jantar, garantido sempre que não está desanimado, que quem está desanimado se vai enganar, que ele aposta que os jornalistas se vão enganar redondamente, até porque diz que tem não só a convicção, mas sugere que tem dados que lhe indicam um resultado diferente e que, portanto, continua muito convicto, não só de que vai passar, mas até de que vai ganhar a primeira volta. Ele tem dito muitas vezes que no dia 18 vemos quem é que tem razão e, portanto, por ele está a preparar-se para mais aquelas outras duas semanas de campanha.
Para já, Mariana Lima Cunha prepara-se para esta última semana até à primeira volta. Obrigado, Mariana Lima Cunha. Vamos agora também acompanhar aquilo que tem sido a caravana do Chega com a Inês André Figueiredo. Bem-vinda, Inês, também. Inês, André Ventura, naturalmente, também reagiu às declarações de João Cotrim de Figueiredo e até vê o voto dos liberais como, de certa forma, natural numa eventual segunda volta.
Sim, é isso. Mas o tom moderado com que tem estado nos últimos dias, hoje foi um pouco amenizado, porque na visita a uma adega em Vila Real, André Ventura acabou por despir esse fato quando recuperou o lema "Deus, pátria e família", ao qual juntou, como já tinha feito no passado, o trabalho. O candidato apoiado pelo Chega considera que esse mote aplicado a Portugal seria bom, porque com Deus, pátria, família e trabalho, como referiu, não haveria as vergonhas a que o país tem assistido, palavras de Ventura, e aproveitou esse tema para carregar na questão dos subsidiodependentes, para dizer que existe uma cultura inacreditável de subsídios e para apelar ao voto da emigração, também esse importante, porque André Ventura ganhou muitos votos aí nas últimas legislativas, e fê-lo quando diz que os portugueses, principalmente os mais jovens, tiveram de ir trabalhar para fora, porque cá se pagava miseravelmente. Mas o dia fica marcado exatamente pela reação às palavras de João Cotrim Figueiredo, que como nos recordamos, não excluiu a possibilidade de votar em André Ventura na segunda volta. E o candidato apoiado pelo Chega viu, como dizias, Luís, essa declaração com naturalidade e bom espírito, até. André Ventura depois acrescentou esta expressão. Mas não se ficou por aqui. André Ventura sabe que João Cotrim Figueiredo faz esta declaração para não afastar os eleitores do Chega ou para os chamar. Pelo menos, pode ser esta uma análise àquilo que João Cotrim Figueiredo disse, se bem que nos últimos minutos também publicou um vídeo nas redes sociais a dizer que não queria que André Ventura fosse presidente da República. Já está um pouco a recuar. Mas como dizia, André Ventura, que conseguiu que grande parte dos jovens votassem nas eleições legislativas, pode estar a ver João Cotrim Figueiredo a roubá-los nestas eleições presidenciais e por isso acabou por tentar acalmar os ânimos, por assim dizer, e corrigir um bocadinho a questão da naturalidade, porque vê com naturalidade por ser uma questão de direita, mas acabou por usar aqui um trunfo à Ventura. Não só disse que Cotrim não é muito diferente do PS e do PSD, algo que tem repetido muitas vezes ao longo desta campanha, mas disse que o liberal é uma espécie de bloco de esquerda, mas bem vestido. Chegou a dizer que é um bloco de esquerda de fato e gravata. E acabou por usar as posições da iniciativa liberal para entalar João Cotrim Figueiredo, procurar mostrar que há temas em que o liberal é isso mesmo, um liberal, e que isso não agrada muito ao eleitorado do Chega, e que, portanto, quem está a pensar trocar o voto que teve nas legislativas no Chega não o deve fazer, porque João Cotrim Figueiredo não é aquilo que o Chega é.
Inês, e numa resposta muito breve, será de prever que André Ventura irá continuar com essa energia e esse tom mais moderado durante esta última semana de campanha, só saindo desse fato aqui e ali?
É difícil prever. Parece que sim, pelo menos nos ataques aos adversários continua muito cauteloso. Vai aqui e ali dando estas achegas, por assim dizer, mas André Ventura poderá estar a guardar um embate mais forte para a segunda volta, porque aí sim, tem um adversário específico e pode ir com tudo contra esse adversário. Escusa de estar neste momento, como a Mariana dizia, na lama, porque não precisa. Como falámos várias vezes aqui, o eleitorado do Chega será suficiente para passar à segunda volta e é nisso que se foca.
Inês André Figueiredo, obrigado também pela tua participação, ala que está a acompanhar o Chega. Vamos agora até à campanha de Gouveia e Melo, que está a ser acompanhada pelo Rui Pedro Antunes. E Rui Pedro, Gouveia e Melo começa a semana com desportos radicais, ainda tem energia para isso?
Eu não tenho. Isso tem porque está bastante habituado a andar num barco. Deixa-me só dizer, Luís, por acaso tivemos a sorte, o Observador, como somos uma equipa grande e vasta, tive a possibilidade de ir no barco com o almirante e descemos o Paiva e os rápidos do Paiva em rafting.
Como é que foi essa experiência?
Foi uma experiência interessante. Naturalmente que confirmei só que em momentos de maior tensão ou agitação, que se manteve calmo, mas também não se esperava outra coisa de alguém que esteve 45 anos na Marinha. Mas foi uma experiência interessante, não propriamente que tivesse havido muita política naquela descida, mas porque me parece que também há uma estratégia, embora não assumida, do candidato mostrar alguma vitalidade sem perder Uma espécie de um sentido de Estado, ou seja, ele não faz TikToks muito engraçados para não perder a pose de Estado, mas por outro lado, parece-me que já há aqui uma tentativa de mostrar uma espécie de candidato ativo, até por oposição. Por exemplo, foi muito comentado o facto de Luís Marques Mendes não ter um grande vigor quando estava a amparar aqueles golpes com as luvas de boxe de Pita Lopes, do presidente da Câmara de Cascais, e portanto, por contraposição a isso, já ontem no quilómetro zero da Nacional dois, Henrique Gouveia e Melo andou numa Harley Davidson, sem grande estilo pela estrada, a mostrar que era bastante ativo e hoje no Paiva também desceu em rafting, numa atividade que naturalmente tinha os seus riscos, no sentido em que podia cair à água, etc. E é um desporto radical, embora fosse algo obviamente muito controlado e com guias, etc. Mas por esse lado também parece que há ali uma estratégia de mostrar um lado de alguém que consegue agir, que é da ação, também vai ao encontro depois de toda aquela narrativa de ele é alguém que num momento de crise, numa guerra em que Portugal possa estar envolvido ou que uma decisão que seja tomada com os parceiros por qualquer problema, por qualquer conflito militar ou de outro género, que ele seria um homem capaz para nesses momentos ser ágil. E, portanto, também parece que há aqui uma estratégia mais global, não é só uma ida ao rafting porque é engraçado. Justificação oficial: para chamar a atenção para o problema dos incêndios e para a desertificação do interior. Mas eu obviamente que acho que há uma dupla estratégia em também mostrar esse lado mais ativo de alguém que consegue estar bem perante circunstâncias mais adversas como é um desporto radical.
E de resto é possível ver algumas dessas fotografias também já no nosso site.
Verdade, do Diogo Ventura, que conseguiu apanhar muitos desses momentos e, portanto, também podem naturalmente ver essas fotografias, que dá para perceber um bocadinho aquilo que eu estava a dizer.
O certo, Rui, é que Gouveia e Melo arrancou este dia a dizer que até poderia fazer uma boa equipa com Luís Montenegro.
É verdade isso. Como falei do Diogo Ventura, também te vou falar da Nadine. Também fomos ouvindo os sons que a Nadine foi recolhendo. E vamos ouvindo as peças que ela vai fazendo e um dos pontos foi esse de manhã na Feira de Espinho, que era a terra do Luís Montenegro. Henrique Gouveia e Melo foi questionado diretamente sobre faria uma boa equipa. Ele disse: "Sim, claro, faria uma boa equipa." E antes disso já tinha dito também que tinha tido um bom trato ou uma boa relação com o primeiro-ministro quando teve que conversar com ele. E portanto, a ideia que ele quer vender é que não é um perigo para a estabilidade do governo e portanto vai trabalhar com o primeiro-ministro que tiver que trabalhar e que, na verdade, não terá nenhum problema em trabalhar com Luís Montenegro. Já ontem, curiosamente, também em Ponte de Lima, Isaltino Morais tinha dito uma frase a dizer: "O primeiro-ministro se pudesse estava aqui, só não pode porque tem que apoiar o candidato do partido." E portanto, começa a haver aqui também alguma inversão de, por um lado, criticar o governo na área da saúde, etc, mas por outro, quando se tratam de relações institucionais entre Belém e São Bento, provar que vai conseguir estar à altura do cargo e que não vai fazer uma oposição estilo Janes Soares a partir de Belém ou estilo Soares Cavaco a partir de Belém e que conseguirá manter essa boa equipa mais do ponto de vista institucional em nome do interesse nacional. Claro, para isso é preciso chegar lá.
E para isso também é preciso energia e é também para esta última semana de campanha. Rui Pedro Antunes, obrigado também pela tua descrição daquilo que foi essa descida do rio. A Vista e Soares Especial na Estrada fica por aqui. Estamos de regresso amanhã.