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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. O primeiro-ministro António Costa deu sorte à seleção nacional, ele tem sempre aquele trevo com ele, que goleou a Suíça por 6 x 1. Otimista irritante, nas palavras do presidente, claro, Costa até já reservou um lugar pra final. Está a correr bem no Catar.

Vai apitar o árbitro. Apita. Ronaldo. Ronaldo. Ronaldo! Bateu, golaço!

Sofrermos. Estivemos várias vezes na mão de cima e depois apanhamos sustos, mas ganhámos. O objetivo era esse. Missão cumprida.

O árbitro apitou. Bruno, Bruno, Bruno, Bruno, Bruno! Golaço!

É a importância do futebol na projeção internacional de Portugal e na identidade nacional portuguesa. É isso que justifica que o presidente da República e o próprio primeiro-ministro, vinhamos-

Vai só um contra dois, aparece também Balhinha, já entrou perto da grande área, dá só a passe, vai marcar e marca. Marca a Coreia do Sul.

A Coreia jogou melhor, eu tenho que dizer isso, e vou citar Paulo Bento: "A consolação é ser um português e antes ter sido agora do que ser noutra ocasião."

Entrega mais à esquerda na linha pra Rafael Guerreiro, picadinha pra o outro Rafael Leão, de primeira pro Guerreiro, de novo pro Leão. Aí vai a ligação à esquerda dos Rafaéis. Remate! Gol! Minha Nossa Senhora, que golaço!

A seleção guardou o seu melhor jogo pra presença do primeiro-ministro em Doha.

Foram muito simpáticos.

E a agenda dia 18.

Está cá reservado. Vamos ver. Espero que sim.

Brasil e Portugal na final.

Era uma grande final. E a torcida, está torcendo por isso?

Como brasileiro, sim.

Como brasileiro, muito bem. Como português também. É mais fácil formar um governo do que escolher os 11 na qualidade do plantel que nós temos. Já eu aqui também tenho muita dificuldade em escolher o plantel, porque têm todos muita qualidade. Eu sou o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador. Esta é a mais fácil, eu e o Miguel vamo-nos revezando. E comigo tenho o Diogo Teixeira Pereira, da Rádio Observador, que estava aqui já há muito tempo em falta. E as jornalistas da seção de política, Inês André Figueiredo e Rita Penela. Vai começar a Vixi Suave. Isto anda tudo maluco com o futebol ainda. Até nós temos aqui no meio uma réplica da Copa do Mundo manufaturada pelo André Maia, que parece bastante parecido com a original.

Como diz o nosso camarada Miguel Vitor Dias, André Maia mudou de nome, é o André Cutileiro Maia. Com a produção deste objeto lindíssimo que nós temos aqui.

Digamos que isto assemelha-se muito mais à Copa do Mundo e à Taça da Copa do Mundo ou do Campeonato do Mundo de Futebol do que eventualmente a estátua que está no topo do Eduardo VII se assemelha à Liberdade e ao 25 de Abril, que é o que ele representa. Mas vamos então avançar pra sopa harira. É uma sopa árabe forte, quase meio consistente. Pra falar um bocadinho, queria eu, não sei se será essa a parte comum, sobre o Catar. Não assim sobre as questões de futebol, que também, sinceramente, não percebo qual é o problema de Ronaldo ter sido relegado pro banco contra a Suíça, porque de fato, se tem a Suíça à mistura, o melhor é estar no banco. O melhor lugar é estar no banco, do que qualquer coisa que envolva a Suíça. E estamos nos quartos.

Mas nós agora devíamos abrir aqui uma discussão violentíssima, porque o futebol geralmente é aquela coisa que faz as pessoas discutirem de forma violenta. Portanto, aqui como nunca discutimos de forma violenta, se calhar o futebol é melhor.

Eu sugiro que quem vá aos quartos seja o ministro Pedro Nuno Santos, porque ele é da habitação e pelo menos quartos é com ele. Esta semana tivemos também o Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal, contra o bidê, porque parece que na lei é obrigatório em qualquer habitação ter um bidê, e aí ele é contra isso. Os liberais não querem a obrigatoriedade de haver bidês nas casas, que dá imenso jeito, como toda gente sabe.

Isso, se calhar vai ter-

Pra quem não sabe, isto é o nosso dia a dia com o Rui Pedro Antunes, ele faz piadas desta forma.

Um pequeno teaser do dia a dia na Vixi.

Mas se calhar pra se alterar, tem que passar pelo projeto de revisão constitucional, ou não?

Eventualmente. Acho que é logo o segundo ou terceiro artigo da Constituição que diz: "Tem que ser garantido o direito dos bidês nas habitações em Portugal". Já agora, se calhar começávamos com a sopa. Diogo, harira.

O primeiro-ministro diz, e nós ouvimos neste som, que é mais fácil formar governo do que escolher os 11 da seleção. E a pergunta é: a sério? Se calhar temos que ir pedir ao Fernando Santos pra escolher membros do governo, já percebemos que este governo não está a correr bem e é mais fácil. A seleção é mais difícil e está a correr bem. Já estamos nos quartos de final, uma goleada por 6 x 1, grande perspectiva pra chegarmos longe. A perspectiva é boa, não é?

Estás com sentido a maioria absoluta.

Não. Por exemplo, no Europeu de França, a perspectiva não era boa e chegámos lá. Portanto, agora se calhar amanhã podemos ter aqui uma desilusão.

Uma bazófia absoluta, portanto.

É isso. Mas ninguém diria que é mais fácil formar um governo do que escolher os 11. Portanto, se calhar temos que pedir ao primeiro-ministro pra trocar de lugar com o mister Fernando Santos.

Não se esqueçam do Al-Kassr e Kibir, que foi naquela zona, quando fomos cheios de confiança lá pra baixo, não correu muito bem.

Não, atenção, eu estou só a dizer que as perspectivas são boas e nisso concordam.

Minha única dúvida é se é pela qualidade excelente dos jogadores, se é pela posição, se os governantes são fracos ou é tão difícil escolher, ou se são todos tão bons. Sim, eu tinha aqui uma nota. Eu não sei se isto foi uma tentativa de queixume. Não sei se António Costa se está a queixar da qualidade dos membros. Também não sei se o primeiro-ministro preferia ter problemas com o Cristiano Ronaldo do que com Pedro Nuno Santos. Tinha aqui esta dúvida e depois tinha uma proposta que ia um pouco ao encontro do que o Diogo disse, que era: vamos esperar até dia 18 de dezembro, porque vamos ficar todos muito felizes se ficarmos lá até essa data. Mas nessa altura pedíamos ali ao Fernando Santos para ir a São Bento tentar construir essa equipa de governo. Objetivo, já agora, para ajudar aqui António Costa, que os casos e casinhos dos ministros e secretários de Estado acabassem e que não houvesse mais remodelações. Acho que isso já não era mau.

Mas casos também Fernando Santos tem na seleção.

Casos e casinhos não faltam.

Tem casos e casinhos, mas mais por lesões. Só o Cristiano Ronaldo é que é um caso e casinho neste momento, o resto parece tudo uma equipa unida, o que não acontece propriamente no governo.

Há uma questão com o Cancelo também, que não foi fechar aquele gol que o Ronaldo foi.

É verdade.

Não foi o João Cancelo?

O Bernardo Silva ficou dentro do campo para não começar o jogo.

Sim.

Se calhar são vários casos.

Eu gostava só de terminar este tema, porque me lembro-se aqui. Desculpe, está à volta. Eu gostava muito de dizer. Não, é para completar aqui esta minha parte da sopa. Eu acho que nós devíamos ter um objetivo com esta remodelação do Fernando Santos no governo. Ponhamos o Fernando Santos a selecionador do governo e no fim, passado uns tempinhos, só precisávamos que ele dissesse: "Deixem o Pedro Nuno em paz, ele não merece ser maltratado." Acho que se for assim, por mim, fica a remodelação, troco o primeiro-ministro pelo selecionador, está feito.

Há aqui uma coisa curiosa, não sei se já pensaram sobre isto, que é o próximo mundial, que é só no verão de 2026.

Que não vai ter o Ronaldo.

Não, ainda terá António. Ronaldo já não vai ter, porque o Ronaldo na altura, enfim.

Mas ainda terá António Costa, é verdade.

Mas ainda terá António Costa como primeiro-ministro. Quer dizer, é preciso que Portugal chegue lá.

Será que é a estrelinha da sorte das últimas competições? Vou deixar agora aqui.

Ele esteve em Paris, no Parque das Princes.

Muita coisa correu bem a António Costa, incluindo os resultados da seleção.

Mas também esteve a azeredeloψη e não consta que ninguém tenha roubado a bola e que depois ninguém soubesse onde é que estava. Rita Penela, já disseste o que tinhas a dizer sobre isto, podemos avançar?

Obrigada. Sim, já dei os meus cinco tostões, como se costumava dizer. Peço desculpa se estou aqui a falhar no provérbio.

Era cinco tostões, agora é 50 reais. Houve uma evolução entretanto.

Bom, agora foi bom. Gostei.

Ora bem, vamos então avançar para um prato de sopa a transbordar. Isto depois temos aqui uma sopa requentada, que é a eutanásia, que na verdade tem sido muito discutida, mas está quase a rebentar no Parlamento. À altura em que estamos em direto, ainda não foi aprovada e portanto ainda tem havido bastante discussão durante a manhã com outros temas. Mas avançamos então primeiro para um prato de sopa a transbordar. Quem é que quer pegar neste prato?

Pego eu, mas a coisa caiu. O prato de sopa foi ao chão e entornou por todo lado e é a água aqui na noite de quarta pra quinta-feira em Lisboa, a água da chuva, claro, estou a falar da questão da chuva.

Das cheias.

Das cheias, obrigada, Diogo, estava a faltar a palavra. Que no fundo vieram aqui pôr novamente em evidência a impreparação de Lisboa ou da área metropolitana, porque não foi exclusivo do concelho, se falarmos só no concelho, Amadora, por exemplo, ou Oeiras, em Algés, onde a situação foi mais delicada, mas pôr novamente em evidência a fragilidade que existe a nível de planeamento, mesmo a nível de PDM, se forem analisadas as coisas. Eu não sou especialista, mas daquilo que estive a consultar e a ler de vários documentos e relatórios, do não respeito pelos leitos dos rios e a construção, portanto, a densidade de construção e tudo mais, que acabam por, em alturas em que chove um bocadinho mais, e estou a pôr um bocadinho, porque tendo em conta os níveis registados, há, num passado muito recente, quer em 2008, quer 2014, volumes muito superiores e que eu não me recordo se houve alguma morte, infelizmente este ano houve, ou esta semana houve, mas causaram um caos tal, quer dizer, eu não me recordo dos túneis do Campo Grande terem água até cá acima, ajudem-me vocês se se lembram.

Ontem ainda estavam fechados.

Esta zona de Algés continua de comboios continua também por reabrir e estão a ser analisados danos nas infraestruturas, portanto, o impacto gigante em poucas horas e consideravelmente os números de chuva foram acima, ou de precipitação. Não é chuva, é precipitação, foram acima do normal ou muito importantes.

Fui ao Twitter de Rui Rio e de Rui Moreira ver se acusavam o tempo de ser centralista, que chova aqui tudo em Lisboa. Foi mais dividido com o resto do país, mas não, não vi nenhum relativamente a isso. Mas o plano de drenagem é algo que já tem sido alertado há muito tempo.

Eu estava a tentar chegar aí, que é a questão do avanço pra última fase do plano de drenagem, Carlos Moedas, que surgiu nos últimos dias aqui a parecer fazer uma grande apologia a um plano que ele acabará por implementar nos próximos anos, mas que é a última fase. Os últimos executivos da Câmara de Lisboa realizaram as fases anteriores, duas, se não estou em erro, portanto esta será a terceira ou a última, para ser mais correta. E a Carlos Moedas competirá inaugurar a coisa, estando ela acabada em 2025, sendo que eu ponho muitas dúvidas em que efetivamente ela esteja terminada em 2025 O tamanho gigantesco da obra e os sucessivos atrasos. Estive a recuperar nas últimas notícias que escrevemos sobre isto. Isto já era para ter avançado no primeiro semestre de 2022, depois passou para setembro, de setembro passava para novembro.

Depois mete-se o Natal.

Depois meteu-se agora o Natal e agora Carlos Moedas aponta lá para março. Se só para arrancar a coisa, isto já vai com um ano de atraso, praticamente. No início do próximo ano, março é o primeiro trimestre de 2023, falharam só o ano, era para ser no primeiro de 2022, entretanto passa para 2023. Mas há essa questão política de Carlos Moedas estar aqui a politizar completamente um plano de drenagem que já vem há décadas, que tinha sido inclusivamente cancelado por falta de verbas, depois António Costa recuperou e Fernando Medina continuou, o que está a incomodar imenso os socialistas, como podem calcular, porque o seu ou seu dono e querem também colher aqui alguns frutos desta obra que depois Carlos Moedas cortará a fita quando estiver terminada.

E infelizmente morreu uma pessoa na zona de Algés, não no concelho de Lisboa, mas no concelho de Oeiras, e é algo que tem sido adiado muitas vezes. Não sei se queres eventualmente mudar de tema.

Só queria dizer uma coisa aqui. Eu, em primeiro lugar, estou solidário com os autarcas de Lisboa dos últimos anos, porque não deve haver nada mais frustrante do que ter que gastar dinheiro num plano de drenagem, porque não se vê. Como é que as pessoas vão andar a ver aquilo?

Não vai às eleições.

Também é certo observar durante meses.

Não é isso que eu estou a dizer. Não estou a dizer que o plano não é relevante. Aliás, é importantíssimo por aquilo que se viu nos últimos dias, mas ninguém vai ver aquilo. E quando aquilo começar a funcionar, deixa de haver problemas.

A única coisa é que depois não vai haver eleições, por isso também não há problemas, não há coisa para resolver.

Ninguém vai dar valor nenhum ao plano de drenagem depois. Portanto, solidariedade para com os antigos presidentes da Câmara de Lisboa. E depois, só uma questão, que é: ontem o presidente da Câmara de Lisboa deu uma entrevista à SIC e explicou como é que a determinada altura o Presidente da República apareceu. O Presidente da República apareceu à noite. À hora a que o Presidente da República aparece nas televisões, seria meia-noite e tal, 1h e tal da manhã, não sei exatamente, a Câmara Municipal de Lisboa já tinha pedido às pessoas para não saírem de casa, a Proteção Civil já tinha pedido às pessoas para não saírem de casa, toda a gente já tinha pedido às pessoas para não saírem de casa. Como é que o Presidente da República aparece na rua? O Presidente da República, segundo Carlos Moedas, ligou ao presidente da Câmara de Lisboa com qualquer coisa do gênero: "Sr. Presidente, onde é que você está? Vai à rua?" E o presidente diz-lhe: "Queria ir à rua, mas estou sem carro." Ele: "Não se preocupe, eu vou buscá-lo." Portanto, o Presidente da República não só saiu de casa, como motivou outras pessoas a sair de casa para ir ver os estragos. Está aqui uma nota de curiosidade.

Duas notas sobre isso. Na campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, que perdeu, ao contrário de Carlos Moedas, era favorito e acabou por perder para Jorge Sampaio, na altura, um dos atos de campanha, além do célebre mergulho no Tejo, foi andar a fazer taxista por Lisboa. Portanto, é algo que o presidente já está habituado. Agora os tempos são outros, é Uber, foi app Marcelo.

Mas foi por telemóvel, portanto está tudo ok.

Imagina pedir um Uber e vir Marcelo.

Nada nos surpreende. Com o presidente, tudo é possível. O que também parece surpreendente é, coitados dos políticos, chover em dezembro, quem é que ia pensar? Isto agora anda tudo ao contrário. Chuva em dezembro e não no outono. Meu Deus! Inês, a tua sopa a transbordar suspeito que seja outra coisa.

Vou mudar aqui e pôr a minha sopa a transbordar para a IL, a transbordar de tudo menos de ideias. Os dois candidatos à liderança da Iniciativa Liberal apresentam as listas esta semana. Carla Castro fê-lo ontem, Rui Rocha fará amanhã. Com estas apresentações, ou seja, estes dois eventos, um em Aveiro, outro em Lisboa, ficamos de facto a saber quem são as pessoas que vão estar no futuro da Iniciativa Liberal. Uma destas equipas vai liderar o partido e vamos ficar à espera das coisas que interessam, as ideias e o que distingue estas duas candidaturas, principalmente, porque o pouco que se tem discutido nesta campanha são questões internas e parece-me que está na hora de vermos o que a Iniciativa Liberal tem e quer para o país, tem para oferecer e quer ver acontecer no país. Até porque, se bem nos lembramos, foi há pouco tempo, João Cotrim Figueiredo sai do partido a dizer que não tinha a capacidade de ser tão abrangente e tão popular quanto o país precisa. Há dois candidatos e convém perceber se estes candidatos de fato têm essa capacidade de mediatismo que João Cotrim Figueiredo dizia que não tinha. Só para terminar, dizer que é muito irônico que a Iniciativa Liberal se descreva como um partido de ideias e não de pessoas e que as ideias tenham ficado para o fim.

Sim, vamos ver se algum adota a medida do anti-bidé, o ataque ao bidé da Iniciativa Liberal. Entretanto, íamos também falar um pouco sobre a eutanásia, que provavelmente será aprovada. Ainda não foi, a esta hora. Como tem sido muito prática, tem sido sucessivamente adiado. O que não é adiado é o fim da primeira parte da Vichy Suassi.

Isso é que é pena.

Era tão bom que durasse duas partes.

Exato.

E como a Iniciativa Liberal, com bidé ou sem bidé, vai a votos em breve, o convidado na segunda parte é o antigo candidato presidencial Tiago Maia Gonçalves. Ora, bem-vindos à segunda parte da Vichy Suassi. Connosco temos Tiago Maia Gonçalves, foi candidato presidencial, o primeiro da Iniciativa Liberal. Também discursou esta quinta-feira no evento de apresentação da candidatura de Carla Castro e é também presidente da Junta de Freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, que é no Conselho do Porto. Bem-vindo, Tiago Maia Gonçalves.

Olá, bem-vindo.

Tudo bem. No dia da apresentação da candidatura de Carla Castro, disse que a candidata à presidente da IL teve coragem de avançar por enfrentar unanimismos dentro do partido. Isto significa que a outra candidatura de Rui Rocha representa uma linha que vive dentro de uma redoma de poder e que não gosta muito de ser questionada? É o que se pode depreender daqui?

Eu acho que o que esteve à vista pareceu ser isso. Eu sou um membro de base, como também afirmei no discurso de ontem, portanto eu estive nestes últimos tempos absolutamente desligado de círculos de poder. Eu, como qualquer membro de base, só posso ver o que é visível, o que é público. Às vezes sei mais rapidamente o que se passa no partido através do vosso jornal e da vossa rádio do que propriamente pela informação prestada internamente. E portanto, o que nós vimos naquela altura foi, de facto, uma saída inopinada, mas que temos que aceitar do João Cotrim Figueiredo e quase de forma imediata, uma moção de um sucessor.

Houve um arranjinho ali por parte deste núcleo duro do João Cotrim Figueiredo e dos mais próximos para preparar uma candidatura de Rui Rocha para quando João Cotrim Figueiredo sair, se houvesse logo uma alternativa ganhando espaço, ocupando o espaço livre e deixando em pior condição quem quisesse desafiar esta linha. Houve esse arranjinho.

De novo, remeto ao que também já é de conhecimento público. Quer o João, quer o Rui, eles próprios afirmaram que isto era já conhecido pelo menos 15 dias antes da afirmação pública e do momento público de saída de um e de candidatura de outro.

Mas é ilegítimo ver isto que tem sido chamado de arranjinho quando um presidente sai da liderança de um partido?

É perfeitamente legítimo que com a saída de um presidente, e reitero, a decisão é eminentemente pessoal do João e eu só tenho que a respeitar. Não vou pôr isso em causa. E o João já afirmou publicamente também um conjunto de razões para o fazer e terá também outras, até mais pessoais, acredito que sim, mas essa decisão não está em causa. O que isso significa depois é que tem que ser aberto um processo eleitoral, mas isso é um processo eleitoral de escolha livre de todos os membros, entre os quais o próprio João, e eu, e o Rui, a Carla e mais seis mil.

Mas durante a liderança de Cotrim Figueiredo, acredita que não havia margem para pensar diferente?

De novo, o que eu posso afirmar é o que um membro de base vê. E o que um membro de base pode saber e ver, por exemplo, quanto ao que é os processos de decisão dentro da comissão executiva ou para o Conselho Nacional, é praticamente nada. Nesse aspecto, tenho que afirmar que de facto há uma enorme opacidade sobre como é que ocorrem os processos de decisão dentro do partido. Portanto, aí eu não posso saber. Não posso saber se as coisas estão a correr bem ou mal. Claro que vamos ouvindo no processo, mas eu, enquanto membro de base, sei é que não sei.

Mas quer dar algum exemplo de onde é que essa opacidade se notaria?

Houve aqui uma discussão, por exemplo, neste último ano, sobre a disponibilização das atas do Conselho Nacional. Houve aqui uma enorme discussão sobre isso. Era um direito de qualquer membro pedir as atas do Conselho Nacional. E eu até sei de situação de membros que as pediram e que foi um calvário longíssimo para as poderem obter. Curiosamente, neste ano, e esta decisão é conhecida, porque teve que ser tornada depois pública, fez-se uma alteração ao regimento do Conselho Nacional, eliminando esta possibilidade de os membros terem acesso às atas. Este é um pequeno exemplo de que, de facto, há aqui-

Falta de transparência

...uma intenção de dificultar ainda mais o que já era um regime relativamente opaco de acesso às decisões do partido.

O Tiago Mealha Gonçalves já vamos escalpelizar mais o discurso de ontem, mas a propósito dessa transparência, aproveito para te perguntar isto: no discurso disse que o partido que no país propõe o portal da transparência tem de ser aberto nas suas decisões e nos contratos que celebra. Que contratos é que não são transparentes na IL? Já percebemos a parte que as atas não são disponibilizadas.

As atas não são disponibilizadas. Eu, como membro de base, não tenho acesso nem aprovo as contas do partido, nem o relatório. Mas pelo que sei, e foi sempre transmitido, não foi negado, nem no Conselho Nacional, nem inclusive membros da comissão executiva, têm a informação completa de todas as contas. Só têm a informação das rubricas orçamentais e das rubricas de contas contabilísticas, mas não têm informação de quais os contratos que estão celebrados pelo partido.

E há alguma suspeita nesse contrato?

Não se trata disso, trata-se só de uma questão por simples transparência, um portal de transparência.

Devia haver um base.gov, mas da IL, com os contratos que a Iniciativa Liberal faz.

Não, eu nem digo que tenha que ser público, mas quem vai decidir sobre eles, nomeadamente em aprovação de contas, diria que tem que ter esse acesso.

Nem a própria comissão executiva o tem, é isso que acontece?

Sim, pelo que me é transmitido e não foi negado, de novo, há inclusive dentro da própria comissão executiva atual, pessoas que não têm acesso a essa informação.

Deixe-me só ir aqui um bocadinho atrás. Há pouco questionava sobre se não sabe como é que as coisas estão a correr, se bem, se mal. Um dos instrumentos que pode ser usado serão as sondagens, que permitem perceber um bocadinho o nível ou em que ponto é que o partido se encontra. Quando o João Cotrim Figueiredo saiu, disse que o fazia porque não tinha capacidade para cativar novos públicos ou para fazer o partido crescer, que era preciso dar aqui um salto. Nessa altura, as sondagens davam 7,3% à Iniciativa Liberal e a última, há aqui uma descida para 6,7. Preocupa-o esta tendência?

Não. Sinceramente, eu quando estou a falar de não sei se as coisas estavam como correm, estava a falar em concreto de processos internos. Não estou a falar da projeção externa do partido, que é uma história de sucesso.

Mas João Cotrim Figueiredo sai porque alicerça publicamente essa decisão na incapacidade de cativar novos públicos e de fazer o partido crescer, não só internamente.

Pois, com toda a sinceridade, como já lhe disse, a decisão de João eu só tenho que respeitar. As razões para o fazer já afirmou publicamente e eu, sinceramente, não vou mais escalpelizá-las, acho que até é inútil fazê-lo. O João já afirmou a sua saída, concretizou. Nós estamos agora num processo eleitoral a escolher uma nova liderança. Nesse aspecto, temos é que pensar no futuro e não escalpelizar o que já é uma decisão que está no passado.

Mas é precisamente esse processo de alteração na liderança que dá aqui alguma mudança ou não nas sondagens. E a pergunta era nesse sentido, se estas alterações na liderança da Iniciativa Liberal.

Não, as sondagens são porção, flutuações sempre ocorreram nas sondagens da Iniciativa Liberal. Esse 6,7 que me está a dizer, que será o último número, nem me lembrava que era. Também já tivemos menos do que isso.

Em setembro tiveram 3%, sendo que o Tiago Marques Gonçalves teve 3,2 nas presidenciais, portanto ainda foi abaixo do seu resultado.

Vamos lá ver. Resultados são uma coisa, sondagens são outras. Isso é desde logo uma afirmação, uma primeira afirmação. E, portanto, o último resultado é o das legislativas. Isso é absolutamente claro e garantido e permitiu-nos eleger oito deputados. E eu acredito, e aliás, isso não está em causa nesta disputa para a comissão executiva, o que é o posicionamento e a estratégia de crescimento do partido no panorama político-partidário português. O que está em causa são muito mais temas internos.

Olhando para essa luta, a candidatura de Carla Castro tem sido acusada de poder levar a Iniciativa Liberal a desaparecer, como aconteceu com o CDS, por se afastar por completo da equipa que levou a Iniciativa Liberal a estar onde está e esses tais oito deputados de que falava. Uma rutura radical com o passado. Podemos ver, por exemplo, na lista que foi apresentada esta quinta-feira, que só a própria Carla Castro e Paulo Carmona é que transitaram da equipa de Cotrim Figueiredo. Esta decisão, esta rutura com o passado pode ser o fim da Iniciativa Liberal?

Não há rutura nenhuma com o passado. Há a apresentação de uma equipa distinta e a Inês está lá e sabe quem é a equipa, é a Carla, é o Paulo, com certeza, mas é um conjunto variadíssimo de pessoas, todas militantes da Iniciativa Liberal, todas com grandes contributos para o que é a história de sucesso do partido, pessoas que estiveram na comissão instaladora, nas primeiras comissões executivas, pessoas que estiveram a garantir também o que foi o sucesso autárquico da Iniciativa Liberal, pessoas que cumpriram funções de governação, funções de altos dirigentes em governos, no Supremo Tribunal de Justiça, grandes investigadores premiados. É uma equipa de luxo, no meu ponto de vista.

Mas a pergunta não era essa.

E uma equipa envolvida também, todos eles, no que é a história de sucesso da Iniciativa Liberal. Não há nenhuma quebra ou rutura com o passado nessa matéria. Tirar uma abordagem muito distinta de aspetos de liderança e gestão interna.

Mas a verdade é que as pessoas que são escolhidas são pessoas que, muito poucas, há uma pessoa da comissão instaladora, salvo erro, mais do que isso, não são pessoas que tenham estado na liderança da Iniciativa Liberal e essa liderança é que acabou por levar o partido onde está hoje, pelo menos em termos nacionais. Não acredita que esta forma de mudar radicalmente a comissão executiva possa prejudicar o partido?

Não, não acredito, porque eu sei como será, ou sei, ou acredito, como será essa liderança proposta pela Carla Castro, porque ela disse ontem. É uma liderança que não tem como paradigma o comitê central do PCP. Tem como paradigma um regime de liderança altamente participativo e que envolve toda a estrutura do partido. Portanto, se vamos estar lá todos a colaborar, não vejo que seja um problema.

Durante essa apresentação, ontem em Aveiro, lembrou a máxima da Iniciativa Liberal de que é um partido de ideias e não de pessoas. Gostava de lhe perguntar por que razão é que a candidatura de Carla Castro já apresentou a equipa e não apresentou a moção, ou seja, foi feito aqui um arranque de campanha e nem os próprios membros da Iniciativa Liberal sabem qual é a moção estratégica.

Pois, porque como foi dito ontem, há aqui uma abordagem altamente participativa e colaborativa dentro do que significa a liderança e a gestão da Carla Castro. E portanto, ela também está, neste périplo pelo país, a buscar todos os contributos de todos os membros para reforçar o que será a sua moção, que será apresentada em devido tempo. Mas a verdade seja dita, não há moção estratégica de absolutamente nenhuma candidatura até o momento.

Também só existem duas e só existe até agora mais ou menos um modelo.

Peço desculpa, há duas candidaturas à Comissão Executiva, mas há variadíssimas outras candidaturas a outros órgãos. Todos têm que apresentar moções estratégicas, como é evidente.

Naturalmente que a da lista ao Conselho Nacional não tem.

Têm que apresentar ideias, pelo menos.

Sim, mas as listas ao Conselho Nacional não têm o mesmo peso e necessidade de apresentar as ideias.

Não, como eu disse, e isso é factual. Quem tem de apresentar moções estratégicas são as listas à Comissão Executiva.

Tiago Maia Gonçalves, há pouco dizia que o paradigma da Comissão Executiva de Carla Castro, caso seja eleita presidente, não é o do Comitê Central, porque até aqui foi o da atual comissão. Ou assemelhou-se mais com eles?

De novo, eu enquanto membro de base e percebendo alguma opacidade das decisões e percebendo mais tarde que mesmo dentro da própria Comissão Executiva há acessos distintos à informação e aos processos de decisão, tendo a achar que não é um paradigma mais próximo desse do que um paradigma liberal.

O Tiago Maia Gonçalves está a referir várias vezes que é um membro de base do partido, mas a verdade é que teve grande protagonismo durante uma fase, foi candidato às eleições presidenciais. Quando é que chegou à conclusão de que o partido era opaco e de que havia essas dificuldades na tomada de decisões?

Eu só cumpri funções de dirigentes como presidente do Conselho de Gestão, objetivamente, até ao final de 2021. Eu, como presidente do Conselho de Gestão, naturalmente tinha acesso a um conjunto de informação. Quando passei a ser membro de base, foi a partir daí que, de facto...

Há uma espécie de castas dentro do partido.

Não se trata de castas. Ou por sistemas, até, ou por processos que eu também tenho que perceber que nós somos um partido muito jovem. Há processos que têm que ser desenvolvidos.

E é centralista a Iniciativa Liberal?

Há formas de funcionar quando somos um partido de 90 pessoas que estamos todos numa sala, não precisam ser formalizados, mas quando já somos mais de 6 mil, têm que ser formalizados. É essa a abordagem e esse esforço de construção de um partido que já não é só de 90 pessoas e cabe todo numa sala, que teria que ser feito e que não sinto que tenha sido feito esse esforço.

E é um partido centralista, na maneira como é gerido neste momento?

O partido foi concebido originalmente como um partido bastante descentralizado. As figuras dos núcleos territoriais, no contexto do nosso partido, é absolutamente única no que é o paradigma da organização dos restantes partidos. Infelizmente, este ano, houve de fato alterações ao regulamento dos núcleos que preconizaram o que eu quase qualificaria de uma sovietização do partido nesse aspecto. E sim, portanto, aí também houve aspetos preocupantes de mudança desse paradigma descentralizado, que espero sejam repostas as condições anteriores.

Voltando aqui um pouquinho à apresentação e àquilo que estava a dizer. O Tiago Maia Gonçalves, na apresentação da candidatura, disse que havia grandes diferenças entre os candidatos, mas que elas se viam essencialmente a nível interno. É aquilo que tem estado a criticar, é a parte interna do partido, mas consegue apontar alguma diferença que seja de âmbito nacional nestas duas candidaturas, sendo que é um partido que neste momento é a quarta maior força política e se calhar nesta fase também interessaria estar a falar para os portugueses.

Estes aspetos de gestão interna são absolutamente cruciais e importantes também para o que depois é o efeito na capacidade de projeção externa. Por exemplo, o termos uma abordagem para os processos decisórios e para a preparação de um programa do partido que seja mais colaborativa e trabalhada em rede, ou uma visão de que o programa do partido vai ser preparado ou pelo presidente da comissão executiva ou por um pequeno grupo. Por exemplo, isto é uma questão de organização interna de trabalho, tem efeitos muito diferentes depois do que vai ser esse programa de partido que vamos poder projetar. Este é um exemplo e pode-se dar vários. Por exemplo, um partido que preconize, de facto, a devolução da autonomia que foi retirada aos núcleos neste último ano e que os potencie, ou uma visão mais centralizada de gestão do partido também em relação aos núcleos, de novo, isto são questões internas, também tem um efeito tremendo depois do que será a capacidade de projeção no território do partido.

Deixe-me só perguntar já agora.

Todas as questões de gestão interna têm impacto na nossa projeção externa e acrescento também mais uma coisa O partido que defende princípios e valores liberais para o país tem que os aplicar internamente, sob pena de ser incoerente.

Já percebemos que, na sua opinião, alguns destes princípios e valores não estão a ser cumpridos. Gostava só de perguntar-lhe porque é que, na quantidade de órgãos que vão agora a eleições na próxima convenção, o Tiago não avançou para nenhum deles, nem na lista que apoia, nem no Conselho Nacional, por exemplo.

Vou repetir isto outra vez. Eu sou um membro de base, mas eu reconheço que dentro do partido tenho uma projeção distinta, é evidente. Seria tolo não achar isso. Eu acho que neste momento e nestas eleições, era mais importante, e é importante pra mim, eu estar aqui absolutamente desvinculado e desligado de conflitos de interesses sobre o que vão ser estas eleições. Quero ser um homem livre nestas eleições e pra sê-lo não posso ser candidato. Prefiro afirmar o que penso de forma sincera, livre e desvinculada. E foi por isso que decidi não avançar com a candidatura.

Embora já tenha um certo tipo de vinculação ao partido, momento que apoia a Carla Castro e que é o protagonista-

Sim, um homem livre que pensa o seu partido.

O Tiago Mendonça também escreveu-

De forma sincera, o que eu apoio. Sim

...escreveu no Twitter no dia 9 de novembro: "Eu tenho um constrangimento político", referiu-se a Carlos Guimarães Pinto. Se ele tivesse avançado, seria uma boa opção ou não?

Se ele tivesse avançado agora, não era o Carlos. Eu sei que o Carlos não avançaria. Faz parte do Carlos que eu conheço.

Mas é uma porta fechada ou um dia ainda pode ser líder do partido novamente?

Isso vai ter que lhe perguntar a ele. Do que eu conheço do Carlos e do seu posicionamento atual diante das questões internas do partido, o Carlos não quer. O Carlos quer ser, e está a ser, um excelente deputado e está 100% focado nisso. O seu foco não é envolver-se na gestão interna do partido, mas naturalmente, depois tomará as suas opções, mas como membro da base.

Estamos a ficar com pouquíssimo-

Que também é ele, um membro da base.

Estamos a ficar com pouquíssimo tempo. Vou só tentar aqui condensar uma pergunta sobre o Porto pra também não sermos centralistas. Mas Ricardo Valente demitiu-se do movimento de Rui Moreira, também depois de uma reportagem da SIC em que parece que houve pouco cuidado por parte deste vereador que pertence à Iniciativa Liberal. Ia, se calhar, insistir mais neste ponto, porque me parece que está tudo mais ou menos bem com Rui Moreira, uma vez que ele participou no 25 de Novembro organizado pela IL, ou na festa do 25 de Novembro organizada pela IL. O que lhe pergunto é se um liberal pode se permitir a ter falhas, como apresentar uma empresa e descerar uma placa de uma empresa que não conhece muito bem e que ainda por cima tem problemas de corrupção. Isto perdoa a ação liberal?

Em primeiro lugar-

É porque é preciso ter não só os ideais do partido, mas depois aplicá-los, como o Tiago Mendonça disse.

Claro, o que estamos a falar é de uma reportagem da SIC. A reportagem da SIC foca-se num descerramento de placa do vereador das atividades econômicas do partido, de um centro na cidade do Porto, que investiu milhões na cidade. Isto acontece em vários. Investimento esse que nem sequer foi trazido diretamente pela Câmara do Porto. Nessa cerimônia estava o representante da Câmara Municipal do Porto, naturalmente, mas também estava um representante da AEP, se não estou em erro, e o representante, agora não recordo exatamente da instituição governamental que foi a responsável pela planejização do investimento, mas também lá estavam. E curiosamente a reportagem da SIC não filma essas entidades. Decidiu só filmar o representante da Câmara Municipal do Porto que descerrou uma placa. Essas alegações sobre eventual corrupção da pessoa X, Y ou Z, têm que ser investigadas, naturalmente. E sendo fato verdadeiras, tem que ir a processo judicial e levarem a condenações no limite. Não há nenhum drama que acontece nessa matéria, e isso terá que ser feito.

Pouco cuidado de Ricardo Valente a não se informar sobre a empresa.

Não é o Ricardo Valente que faz o due diligence de investimentos. Neste caso, por exemplo, quem fez o due diligence destes investimentos nem sequer foi a Câmara Municipal do Porto, foram entidades governamentais.

Mas há posições simbólicas. A Iniciativa Liberal não quer, por exemplo, que um responsável político vá ao Catar pelo simbolismo de ser um país que viola direitos humanos. Estar ao lado de uma empresa que tem casos de corrupção e aparecer ao lado da placa da empresa, também é um ato simbólico que a Iniciativa Liberal, por norma, costuma condenar.

Há casos de corrupção na PT, há casos de corrupção na EDP, eu consigo te apontar uma série de empresas que investem e que têm centros de decisão, que têm hubs, que investem por todo o país, e em que pode ocorrer e se pode demonstrar que houve um caso de corrupção aqui, ali ou algures. Eu, sinceramente, não percebo a ligação, porque o caso de corrupção que está a alegar não tem nada a ver com o investimento concreto que se ali estava a fazer. O investimento que ali está a ser feito Não tenho nada de suspeito à volta desse investimento.

Certo, vamos avançar então.

Estamos a falar de uma empresa que numa outra geografia, num outro momento, pode ter estado eventualmente ligada a um caso de corrupção. Mas se formos para essa visão, então não podemos ter investimento da EDP, da PT.

Não era só relativamente a isso, é que a câmara diz que não sabe sequer quem era a empresa de um vereador que supostamente descerra uma placa, o mínimo era informar-se. Portanto, se quisermos do ponto de vista liberal, não só até pela própria competência numa empresa, isso seria de certa forma penalizado.

Eu só sei que aquele investimento em concreto não foi canalizado pela Câmara Municipal do Porto. Portanto, quem tinha o dever de due diligence sobre essa matéria, que sim, é um dever que deve existir sobre qualquer investimento que é feito. Esse dever de due diligence, se foi mal executado, não o foi pela Câmara Municipal do Porto, foi mal executado então pelas entidades do Estado central que canalizaram esse investimento.

Tiago Mealha Gonçalves, só mais uma última pergunta antes de avançarmos para o Carne ou Peixe. Esta sexta-feira foi aprovada a eutanásia no Parlamento. A Iniciativa Liberal é o dic que é aprovado no Parlamento, isso não há dúvidas nenhumas relativamente a isso. A Iniciativa Liberal chegou a votar a favor de um referendo, depois foi contra, já mais tarde, e defendeu sempre esta matéria. Para um liberal, não é importante ouvir as pessoas sobre um assunto como a eutanásia? Dispensa-se o referendo?

Nós não vivemos numa democracia direta e não o podemos fazer, seria objetivamente impossível, como é evidente. Eu vou-lhe ser sincero, a eutanásia tal como está formulada neste momento, e sendo na prática uma decisão absolutamente e estritamente pessoal e vinculada a uma vontade pessoal, realmente parece-me que estar a limitar o que é uma vontade eminentemente pessoal, estar a limitá-la pela imposição de uma vontade geral sobre o não exercício dessa vontade. E portanto, como liberal, e pensando no que isto significa, se calhar até tenho que formular mesmo a posição contrária ao referendo, porque esta lei, tal como ela está formulada, e isto é também muito importante para mim, a questão de por exemplo, a vontade ter que ser expressa, livre, reiterada e atual para que isto aconteça, isto é muito importante para mim, porque realmente coloca os parâmetros desta vontade de uma forma absolutamente cristalina. Esse exercício de vontade, estar a impedi-lo por um exercício de impedimento geral será, se calhar, até de um meu ponto de vista, relativamente iliberal.

Muito bem, Tiago Mealha Gonçalves, vamos então avançar para a fase do Carne ou Peixe. Já esteve na Vixi Suave em 2021. Já estamos a chegar quase ao final de 2022. Vamos então a esta fase em que tem que escolher uma de duas opções. Vamos imaginar que há eleições presidenciais, avança-se para uma segunda volta e ficam só duas opções para blender. Paulo Portas ou Luís Marques Mendes?

Olha, eu sinceramente não sei, não consigo escolher. Talvez Luís Marques Mendes.

E talvez João Cotrim Figueiredo?

O João?

Se fosse o João.

Os três, não pode haver segunda volta com três.

Não, essa era boa ideia.

O João lançar-se à candidatura? Não sei, vamos ver. Isso dependerá do João, acima de tudo.

Mas entre Marques Mendes, Paulo Portas e João Cotrim Figueiredo, preferia Marques Mendes?

Não, preferia o João aí, como é evidente. Uma segunda volta a três, escolhia o João.

Estamos em processo de revisão constitucional, nunca se sabe se um exercício não passa a ser permitido.

Exato.

Tem nas mãos o poder de escolher um deputado para a bancada da Iniciativa Liberal, quem prefere? Pedro Passos Coelho ou Adolfo Mesquita Nunes?

Adolfo, claro.

E quem é que levava a fazer uma visita na freguesia onde é presidente, André Ventura ou Paulo Raimundo?

Olha, levava o Paulo Raimundo para lhe mostrar e tentar desmistificar um dos mitos associados ao território da minha freguesia, que é alegadamente a freguesia dos ricos. Não é. É um território altamente heterogêneo, que representa todas as realidades sociais e nós, no território, estamos especialmente atentos a isso.

Então vamos ver na última questão, mais desportiva. Quem é que levava para ver um jogo do Futebol Clube do Porto, Inês Sousa Real ou Catarina Martins?

Eu não sei, alguma delas é portista? Não sei.

Catarina Martins é do Porto, mas não sei qual é o clube.

Pois é, ela é do Porto. Se calhar levava ela porque acredito que possa ser portista. Ali é anapolítica, é clubismo e portanto eu queria era portistas ao meu lado.

Muito bem, Tiago Mealha Gonçalves. Avançamos agora para a nossa sobremesa, que é a música que escolheu. Pelo título da música, suponho que tenha aqui uma segunda leitura, mas vou deixar que seja o Tiago Mealha Gonçalves a dizer qual é a música, o intérprete e também o porquê desta escolha.

Sim, senhor. Esta música que eu escolhi é de Sam Cooke, que é por muitos considerado o rei da soul music. E de facto, eu também queria apelar aqui um bocadinho à alma do partido. E a música chama-se "A Change Is Gonna Come" e é mesmo esse vento de mudança que queremos para o país e portanto, se queremos ter esse vento de mudança para o país, temos que ser essa mudança também no partido.

Tiago Mealha Gonçalves, muito obrigado por se ter sentado à mesa da Vixi Suave mais uma vez. Termina aqui a Vixi Suave. Recrutamos, como sempre, na próxima sexta-feira.