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Boa tarde, bem-vindos à Vixi Suave, também já conhecida como a Web Summit dos melhores sopeiros do jornalismo político. Só quem tiver passado os últimos dias fechado num bunker é que não deu conta desse mega evento que terminou ontem em Lisboa, onde os governantes fizeram fila para se exibir ao pé de muitos convidados internacionais. Esperava-se, por exemplo, a presença de Kathleen Kennedy, produtora de filmes como "E.T." ou da saga "Star Wars". A convidada cancelou à última hora, mas nós tivemos a mesma a nossa pequena guerra das estrelas da política portuguesa. Talvez seja já um trailer do que aí vem, com referências a vigarices, cenas esquisitas, condenações a resultados medíocres e um adversário à distância a dizer: "May the force be with you". Na verdade, podemos até tirar esta música porque dá a ideia de que foi uma coisa cheia de emoção e não é verdade. Foi só uma troca de galhardetes via Facebook, mas falaremos dela aqui nesta edição da Vixi Suave. Eu sou o Pedro Gusmões Vides, editor de política do Observador, o João Alexandre, editor da rádio, também aqui está como sempre e esta semana também a jornalista Rita Dinis. Hoje somos um pouco menos do que habitualmente, mas temos o nosso menu para oferecer a quem nos está a ouvir, como é evidente. E já que estávamos a falar desta guerra das estrelas, algumas não são exatamente estrelas, mas houve aqui uma pequena guerra e houve referências a Star Wars. Eu se calhar começava por atribuir aqui a primeira sopa, a que eu chamei uma sopa sem sal. Alguém concorda comigo ou não verdadeiramente?
Uma sopa sem sal? Esta guerra das estrelas pra ti é uma sopa sem sal?
É, para já, ao contrário do que nós já vimos em disputas internas do PSD, desta vez parece que está tudo muito contido. Trocas de mensagens via Facebook, presidentes da Câmara ou presidentes de Concelhias a falar aos jornais e tal em nome de candidaturas.
Também é verdade que não têm muito mais palco além do Facebook, alguns desses candidatos. Na verdade, por exemplo, Luís Montenegro não tem nenhuma função neste momento pública, portanto espaço mediático não tem assim muito além do Facebook.
Eu quero saber quem é o Darth Vader neste caso, por exemplo.
É, também tive essa dúvida.
Quem será Darth Vader?
E tem alguma aposta ou não?
Não queria ir por aí, mas um deles será o Darth Vader, o outro o Luke Skywalker, porque já percebemos que Miguel Pinto Luz é o Master Yoda. Portanto, vamos ver qual dos Rui Rio ou Montenegro é o Darth Vader. Não queria arriscar muito a escolher algum. Não sei se queres, João.
Não, eu não quero arriscar, não quero entrar por aí. Mas lanço outra pergunta, Rita, que é saber quem é que está do lado negro da Força neste caso. Ou seja, não necessariamente um Darth Vader, mas quem é que está, dos três candidatos que até agora existem já assumidos, perceber quem é que está do lado negro da Força e quem é que no fundo pode ser a luz também dentro do PSD.
Pois, isso é uma questão que eu não sei se estamos em condições de responder, mas a verdade é que Rui Rio disse esta semana muitas vezes, houve um tema que foi transversal esta semana no PSD, que foi a questão das quotas, do pagamento de quotas, do processo de pagamento de quotas para se poder ou não votar nas eleições diretas, porque o regulamento é muito claro e diz que só é eleito e é elegível o militante que tiver as quotas em dia. Portanto, aqui criou-se uma grande discussão, porque os adversários de Rio estão a dizer que o PSD está a dificultar muito o processo para o militante poder fazer o pagamento da sua quota, que é através de uma referência que pelos vistos eventualmente alguns militantes perderam essa referência e para poderem obter a referência de volta, o processo não é muito fácil. Rui Rio diz que vai facilitar isso ao máximo. O que ele não vai facilitar são as vigarices e essas coisas esquisitas que andaram a fazer por aí nos anos passados.
Então se calhar, já que falas nisso, vamos ouvir exatamente o momento em que Rui Rio se posicionou nesta guerra das estrelas.
Acho isso insultuoso. Acho isso insultuoso, principalmente quando eu estou aqui, e não é há dois anos. Eu fui secretário-geral deste partido há 20 e tal anos e já há 20 e tal anos o meu combate era pra ver se tinha alguma transparência. E portanto, é muito difícil eu comunicar com quem não defende isso e defende exatamente o contrário do que eu defendo. Vigarice comigo, não. Se estiver a acontecer, tem de ser imediatamente resolvido. Disso podem ter a certeza e não interessa nada se ganho ou se perco. Isto tem de ser correto.
Ora, Rui Rio falava aqui desta questão das quotas e que acabou por se tornar um momento de discussão sobre se é importante ser visto externamente ou ser avaliado internamente. Luís Montenegro foi ao Facebook criticar estas declarações do Rui Rio e depois, isto só pra dar o enquadramento daquilo que estamos a falar aqui há alguns minutos já, depois Miguel Pinto Luz, outro dos candidatos à liderança do PSD, veio escrever no Facebook também a dizer que quem deve estar a gostar deste episódio de Star Wars deve ser António Costa, que está basicamente a comer pipocas a ver a cena que se está a passar no PSD, assim como quem não está propriamente dentro da disputa, não quer...
Miguel Pinto Luz faz muito esse papel. Eu acho que ele quer capitalizar os votos dos que não gostam do Luís Montenegro, mas também não estão contentes com a direção de Rui Rio.
Miguel Pinto Luz quer ser neste momento o moderado e quase o mediador e quer capitalizar também.
E o tom que ele usa é muito esse, sempre.
Aliás, não teve nenhum problema em elogiar a prestação do Rui Rio no debate da discussão do programa do governo, precisamente.
Mas Miguel Pinto Luz pode correr um risco, não sei se será necessariamente um risco, mas é tornar-se quase paternalista em relação aos outros dois candidatos. Ou seja, é o homem que vem de fora, não sei se vocês concordam com isso. Apesar de ser alguém dentro do aparelho do PSD, alguém com muita força dentro do partido, é alguém que é muito menos conhecido do que os outros dois personagens desta história.
Acho que a estratégia dele é precisamente por isso. Ele quer ter um posicionamento diferente e ser reconhecido por isso, porque ele de fato precisa de grande notoriedade que não tem neste momento.
E conseguirá também trazer aquela velha conversa de alguém que não tem estado tão presente na televisão, nos mídia, nas rádios, e ser alguém quase que vem de fora da política, sendo alguém completamente dentro da política, mas que pelo fato de ser menos conhecido, pode tentar ter esse fator a favor dele, de exatamente ter menos anticorpos e de tentar capitalizar isso. Pode tentar também Miguel Pinto Luz durante os próximos tempos, não sei se terá grande sucesso.
Sendo que a certa é que hoje há o Conselho Nacional esta noite.
Eu diria a minha sopa Sem sal é precisamente essa de que o Conselho Nacional desta noite não vai ter sal nenhum.
Nós já tivemos conselhos nacionais completamente a ferver, com temperos excessivos, grandes noites, noites longas de intriga política e de zangas, mesmo durante o Conselho Nacional, gente que se demite, gente que abandona a sala. Isto tudo durante a liderança de Rui Rio. E agora vamos ter um que aparentemente, e digo-te isto, Rita Dinis, tu vais para Bragança daqui a pouco e vais provavelmente ter uma noite bastante descansada.
Sim, parece-me que sim.
Boa para quem sofre de hipertensão, uma sopinha sem sal, que é para não haver grandes...
Sim, acho que foi o próprio Rui Rio que quis que fosse um conselho nacional assim, meio sem história, meio sem sal. No fundo, ele adiou ao máximo, porque este conselho nacional vai ser para avaliar os resultados das legislativas. Quem é que ainda se lembra dos resultados das legislativas? Já passou muito tempo, já passaram muitas coisas entretanto no meio. E acontece numa altura em que até o próprio Rui Rio já foi eleito líder parlamentar, com uma votação expressiva de 90%. Já teve o seu primeiro confronto com António Costa no Parlamento, que até foi elogiado, como o Pedro Benevides dizia ainda agora, por um dos seus adversários, Miguel Pinto Luz. Portanto, ele chega a este conselho nacional já com muitas outras coisas na bagagem, algumas vitórias até, nomeadamente esta votação para a liderança da bancada. Portanto, a análise dos resultados eleitorais das legislativas de 6 de outubro parece que vai ficar um bocadinho secundarizada. Vai ser um conselho nacional que vai servir mais para marcar a agenda e marcar os calendários.
Isso é favorável claramente para Rui Rio, que potencialmente até nas eleições pode vir a beneficiar, e muito, Rui Rio. Quer isto dizer que no PSD está tudo calmo e tranquilo e, portanto, tudo a cozinhar comidinha sem saborona? Não exatamente, porque eu diria que houve também, e temos que assumir isto aos nossos fregueses, que esta semana também temos aqui um cabelo na sopa que tem a ver, enfim, foi pelo menos isto que me ocorreu esta semana, com a retirada da confiança política à vereadora do PSD na Câmara de Lisboa, Teresa Leal Coelho. Alguém concorda com isso ou não?
E tem que ver também quase com a Web Summit, porque foi de forma um bocadinho também um pouco incomum, ou seja, nós falámos a semana toda do digital e da tecnologia.
Tu em particular estiveste lá a achar...
Sim, eu até tinha pensado em dedicar todas as minhas sopas desta semana à Web Summit, tentar fazer um gancho qualquer com a Web Summit, já que estive lá todos os dias. E vou tentar agora também, que é a forma como Teresa Leal Coelho explica essa retirada da confiança política que foi feita através do WhatsApp. Isso em si também remete um bocadinho para a Web Summit.
Essa foi a explicação que ela deu na Rádio Observadora, ou não? Então se calhar vamos ouvir.
Vamos ouvir.
Já tomei conhecimento dessa deliberação, porque ela foi publicada no WhatsApp da Concelhia de Lisboa, mas devo dizer que essa deliberação não produz nenhum efeito jurídico e nem tampouco qualquer efeito político. Eu estou no exercício do mandato que me foi conferido pelos cidadãos eleitores, que é o mandato de quatro anos. Sou fiel ao PSD, sou fiel ao meu programa e por isso mesmo vou continuar no exercício destas funções com toda a tranquilidade, toda a serenidade.
Portanto, Web Summit e digital e o futuro e tal, mas declarações feitas por WhatsApp ainda não têm validade jurídica e, na verdade, isto é apenas uma ação simbólica do PSD de Lisboa, porque o mandato é, de facto, como Teresa Leal Coelho disse, é o mandato que é conferido, é individual e portanto ela continuará a exercer agora já sem a confiança do partido. E já agora, para esclarecer, isto tem a ver com as votações que Teresa Leal Coelho tem feito na Câmara de Lisboa e que muitas vezes vão contra aquilo que é a linha defendida pelo partido, pelo menos na concelhia, aquilo que a direção da concelhia do partido defende. Nomeadamente, e este terá sido o caso, que foi a gota d'água, a votação relativamente a Manuel Salgado na SRU, na Sociedade de Reabilitação Urbana, e que o PSD quis votar contra e Teresa Leal Coelho votou a favor e, portanto, isso acabou por viabilizar colocar-se ao lado de Fernando Medina e o PSD de Lisboa não gostou e retirou a confiança política. Algum comentário a fazer a esta...
O único comentário que merece é o fato de Teresa Leal Coelho parecer sempre um corpo estranho dentro do próprio PSD. Já no Parlamento, por vezes, era assim, votava um pouco desalinhada dentro do grupo parlamentar, principalmente naquelas questões ditas dos costumes. Teresa Leal Coelho, apesar de ter sido também candidata pelo PSD à Câmara Municipal de Lisboa, e como correram bem essas eleições autárquicas, Teresa Leal Coelho tem sempre essa vertente, que é de parecer sempre alguém que está dentro do PSD, mas que ao mesmo tempo está dentro do PSD, mas por empréstimo, parece que não está dentro do PSD por inteiro. E os próprios militantes do PSD, por vezes, veem a luz, remetemos aqui outra vez para o Star Wars, e lembram-se de Teresa Leal Coelho e da forma como Teresa Leal Coelho funciona.
Não é necessariamente mau tu teres gente que apesar de tudo pensa pela sua própria cabeça.
Pensa pela própria cabeça, exatamente. E há a questão da liberdade de voto também às vezes dentro da bancada, às vezes não há, mas os deputados acabam por decidir isso pela própria cabeça. É bom os partidos começarem também a pensar em quem escolhem para determinados lugares e pensar também nas consequências que daí podem advir.
Eu ia dizer que eu por acaso não sei, corrijam-me se estiver enganada, se alguém da direção do PSD se pronunciou sobre, da direção nacional, se pronunciou sobre este caso. Pronto, mas a questão é que aparentemente este tipo de comportamento de Teresa Leal Coelho, de votar muitas vezes até a favor de uma deliberação do PS na Câmara, de questões relacionadas com o PS, vai um bocadinho ao encontro daquela que é a postura de Rui Rio, que não temos que estar contra em tudo. Portanto, também podemos aprovar certas coisas do nosso adversário político se Se concordarmos com elas. Mas é uma questão muito particular. Aliás, o PSD Lisboa é muito particular. Teresa Leal Coelho, como dizias ainda agora, João, é também uma política muito particular. Portanto, esta questão fica aqui muito bem enquadrada no nosso cabelo na sopa.
Pronto, e vamos então limpar do menu a parte mais desagradável e vamos agora oferecer talvez a sopa mais bem produzida que tivemos até agora: é uma sopa rica de feijão e carne. Alguém faz alguma aposta?
Não faço ideia no que estavas a pensar quando escolheste esta sopa pro menu, mas posso me aventurar. Querem que eu comece?
Força.
Eu sei que esta semana houve um casamento no CDS. Um casamento mesmo. Falamos aqui sempre de casamento no sentido figurado.
Não foi um mero facto.
Não, foi mesmo uma festa de casamento de João Almeida, que casou-se na semana passada.
O potencial eventual candidato a líder do CDS.
Potencial eventual candidato a líder do CDS, que ainda não disse se é ou não. Portanto, casou-se e nós soubemos, o Observador soube, de fontes muito bem colocadas, qual foi o menu servido nessa festa.
Então conta.
A sopa não foi uma vichyssoise, isso sabemos seguramente. Não sabemos exatamente que sopa foi servida. Sabemos que foi servida sopa. Pode até ter sido uma sopa rica de feijão e carne. Não creio, mas pode ter sido. O segundo prato foi uma espécie de patê com salmão e espinafres em ripinhas e mozzarella. E o terceiro prato foi pato confitado. Portanto, sabemos o menu desta festa e sabemos também que estavam lá todos. E isto é uma citação: estavam lá todos os putativos candidatos à liderança do CDS, foram todos convidados para estar presentes nesse casamento e portanto, eventualmente divertiram-se muito durante a festa. Aqui a questão que me traz é precisamente esta questão do CDS, que vai ter o seu congresso em janeiro, finais de janeiro, dia 25 e 26 de janeiro, e ainda não temos candidatos oficiais, mas já se começa a perceber quais é que são, de facto, os candidatos que vão a jogo. Ainda hoje, o líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos.
Que também estava no casamento.
Não posso ter a certeza, mas quando dizem que estavam lá todos, eu acho que estava.
Eu acho que era o menino das alianças .
Diria que sim, pode muito bem ter sido. Mas ele hoje fez uma publicação no Facebook onde dizia que ia avançar com uma moção de estratégia global no Congresso, que isso é o primeiro passo para se ser candidato a líder. Um candidato a líder precisa avançar com uma moção de estratégia global, o que não quer dizer exatamente que seja candidato a líder, porque no primeiro dia do Congresso, essa moção vai a votos e se eventualmente não tiver uma votação muito expressiva, o promotor dessa moção pode retirá-la e não avançar com uma candidatura à liderança. Não é isso, no entanto, que diz Francisco Rodrigues dos Santos nessa publicação. Dá muito a entender que vai mesmo avançar pra liderança, até porque diz que a moção é mesmo em nome próprio, não é uma moção da J, não é uma moção com mais ninguém, é uma moção dele em nome próprio.
E João Almeida também irá apresentar a sua moção, embora não tenha ainda definido se vai ser candidato, há de apresentar a moção.
E Filipe Lobo d'Ávila também já disse que ia apresentar a sua moção.
E Abel Marques Santos também.
É o único candidato que mesmo que assim assumisse.
Estaria no casamento. Vamos ter que um dia perguntar isso a João Almeida.
Vou continuar a minha investigação.
Que irá regressar então ao palco político e apresentar essa moção depois de regressar da lua de mel. Enfim, hoje estamos aqui a falar muito dos bastidores, até eu diria, não só da vida política, mas da vida pessoal dos políticos. Foi uma boa aposta, essa e até surpreendente, mas aquilo que eu estava a pensar quando falei de uma sopa rica de feijão e carne, era numa sopa que basicamente inclui tudo: inclui a proteína, inclui a fibra, inclui tudo o que tu precisas pra ficar saciado. E isso tem muito a ver com várias coisas que se passaram esta semana, pra agradar aqui ao João Alexandre, tem a ver com a Web Summit, naturalmente, que foi um evento que marcou toda a semana. Então, em termos midiáticos, foi claramente o grande protagonista. Também acompanhamos a questão do bebê que foi deixado num caixote do lixo e o seu processo de sobrevivência, e também o sem-abrigo que o acompanhou. Ora, qual é que foi o elemento, o elo de ligação que juntou todos estes elementos numa única história? Vamos ouvir.
Sabe o que é curioso? É um país em que ao mesmo tempo existe o que há de mais avançado e mais moderno, são os jovens, com os computadores. Exato. Com a grande cimeira, tudo o que há de mais avançado. E depois, eu dizia àqueles que lá estavam: "Cuidado não deixar pra trás os outros, pois os outros ficam pra trás." Não é? Olhe, obrigado sou eu. Obrigado. Obrigado somos nós. Não sou eu. Somos nós. Não, eu faço o meu dever. Não, quem é uma joia de homem é você. Bom, até breve. Obrigado, senhor presidente. Obrigado. Centricly, permanently, trying to follow, make the follow up of the situation of the homeless in Lisbon.
Ora, aqui temos Marcelo Rebelo de Sousa, captado pelas câmeras da CMTV. Fez aqui o três em um. Ele não só chamou a atenção pra sua causa, que é a dos sem-abrigo, como foi visitar o sem-abrigo que recuperou o bebê do caixote do lixo, como ainda apresentou o sem-abrigo aos jovens que estavam na Web Summit, onde ele aliás tinha estado momentos antes. Deixa-me só referir que há uma jornalista, uma colega nossa, a Paula Caeiro Varela, que escreveu no Twitter recentemente que depois de Marcelo fechem a presidência. Eu não sei quem é que vai seguir ser Marcelo Rebelo de Sousa, porque de facto, efetivamente, depois deste exemplo, eu não sei o que um presidente poderá fazer mais e se esta não é uma sopa rica, eu não sei o que é que é uma sopa rica.
Eu posso dizer também que estive lá na Web Summit. Isto passou-se depois da cerimônia de encerramento, que foi feita por Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve no palco com o irlandês, o cofundador Paddy Cosgrave, e consegui testemunhar que no Pavilhão Atlântico, onde foi o palco principal da Web Summit, quando Marcelo acabou de fazer a sessão de encerramento
Houve uma ovação gigante ao Presidente da República Portuguesa e as pessoas com quem falei, portugueses e estrangeiros que ali estiveram, todos adoraram a participação de Marcelo Rebelo de Sousa. Portanto, Marcelo continua lá os.
Quem sabe se nas próximas presidenciais até os estrangeiros vão votar em Marcelo Rebelo de Sousa. Vai ter votos de Espanha, da Alemanha, da Irlanda.
Pessoas que vão pedir a nacionalidade portuguesa ou tentem começar a tentar votar em Portugal.
Nunca se sabe. Iremos acompanhar isso ao longo das próximas edições da Vixi Suave. Para já, vamos fazer aqui uma pausa. Teremos de seguida o nosso convidado. Hoje, António Leitão Amaro, do PSD. Até já. Estamos de regresso para a segunda parte da Vixi Suave. Já temos mesa posta e convidado à mesa, António Leitão Amaro. Bem-vindo à Vixi Suave. Queria começar por lhe perguntar, começar esta conversa, porque a última vez que ouvimos falar de si foi no final da legislatura, quando anunciou, quando se tornou público que não ia ser deputado nas eleições seguintes, nestas últimas legislativas, e explicou que ia deixar as vestes de representante e vestir as de representado, ou seja, que isso ia permitir sair da bolha do poder. A minha primeira pergunta é, naturalmente, como é que tem sido a vista desse lado?
Olá, boa tarde a todos e obrigado pelo convite. Interessante, embora neste último mês essa bolha tem sido mesmo fora do país. Eu acabo de chegar há três ou quatro dias dos Estados Unidos, onde estive a fazer um programa de intercâmbio e portanto foi também visitar um país que também tem problemas sérios de bolhas, neste caso, de polarização muito grande entre democratas e republicanos, com enormes dificuldades de conversar, mas sobretudo de enormes dificuldades de conviver.
Problemas mais graves, talvez até do que estes.
Sim, com a diferença de que é um país que parte com bastante mais riqueza do que a nossa. Obviamente, com desigualdades também muito elevadas, preocupantes. Só agora é que estou nos primeiros dias de vida vivida em Portugal, como estudante a tempo inteiro.
E está surpreendido com alguma coisa? Tem acompanhado as questões que têm marcado a dimensão do governo, o programa de governo, as discussões do programa de governo. Houve aqui algum fato político, e já iremos à vida interna do PSD, naturalmente, porque hoje ainda por cima é o dia do Conselho Nacional, mas que avaliação é que faz, visto de fora?
Sem surpresa, porque tudo que temos assistido e como dizia há pouco, a minha assistência foi um pouquinho remota neste último mês, mas é mais do mesmo. O governo troca primos por um governo grande, por muitos, sem capacidade de trazer pessoas fora do partido, notáveis e distintos e pessoas altamente capazes da sociedade pra dentro do governo. Portanto, é um governo que ensina a sua composição, é uma assunção de falta de incapacidade de inspiração dos portugueses e de gerar qualquer projeto de progresso. Vai ser mais do mesmo, que é distribuir, usar o governo e o Estado como aparelhos, sobretudo de um projeto de poder do Partido Socialista. O programa de governo pouco inspirador, também me pareceu, visto à distância com que o fiz naqueles dias, mas com a atenção de acompanhar. Não houve novidade inspiradora. Nem o programa eleitoral do Partido Socialista o tinha e, portanto, não se vê no atual governo de onde é que este trajeto dos últimos anos em que estamos a ficar para trás face aos países com que competimos na Europa, pode ser corrigido. Não é seguramente com este governo. E por isso cabe ao PSD apresentar uma alternativa que convença.
E precisamente em relação ao PSD. Estava relativamente afastado, mas viu certamente a noite eleitoral das legislativas de 6 de outubro. Como é que viu o resultado do PSD? Foi melhor do que esperava, como algumas pessoas dizem, foi melhor do que se esperava, ou 27% ainda é muito pouco para um partido como o PSD?
É o pior dos últimos 35 anos. A única vez que o PSD teve um resultado tão mau foi quando, em certa medida, trabalhava numa estratégia que tinha pontos de semelhança, em 83. É um resultado que um partido da dimensão e da ambição do PSD não pode aceitar.
Portanto, é um mau resultado para a estratégia do PSD.
Não, é mau resultado, desde logo pro país, porque o país precisava de uma alternativa reformista e o PSD não conseguiu convencer o número suficiente de portugueses pra que isso acontecesse.
O que quer dizer é que é um chumbo à estratégia seguida pelo PSD.
Repare. Claro, seguramente é um resultado que em nenhum outro momento da história dos últimos 35 anos em Portugal, poderia permitir que se procurasse normalizar esse resultado e que se achasse que em cima disso...
O Rui Rio fez, é isso que está a dizer.
Digo-lhe mais, que fosse um resultado que permitisse achar que o caminho poderia ser prorrogado, continuado ou insistido. Não, acho que é um resultado, mas não é a única razão pra eu achar que é a altura de mudar de vida dentro do PSD. Tem muito mais a ver com as possibilidades do que podemos construir diferente no futuro, até como uma avaliação do passado.
Deixe-me então, antes de continuar, disse que acha que é a altura de mudar de vida. Portanto, se nas últimas diretas do PSD foi um apoiante do Rui Rio, o que está a dizer agora é que não vai apoiar Rui Rio nas próximas diretas do partido.
Tenho muita estima pessoal por Rui Rio, mas acho que Luís Montenegro é melhor. Aliás, acho que é significativamente melhor como solução, não só para construir uma oposição unida e construtiva pro país, mas sobretudo pra construir um projeto de prosperidade que convença e mobilize os portugueses. E, portanto, sim, eu trabalhei com os dois, conheço ambos bem. Trabalhei com proximidade Valorizo muito o esforço e o serviço que Rui Rio quis dar ao seu país e ao seu partido, mas é tempo de balanço e é preciso escolher quem melhor pode construir o futuro do país através do seu maior partido da alternativa, que é o PSD. E eu creio que por três razões essenciais de capacidade política, de ideia estratégica de partido e, finalmente, capacidade ou possibilidades de construir um projeto inspirador para os portugueses, eu acho que Luís Montenegro está em significativamente melhores condições para ser a escolha.
E na sua opinião, Luís Montenegro é a melhor escolha para o PSD ou é a melhor escolha dentro dos candidatos que existem, que já assumiram que querem ser líderes do PSD?
Para a seguir irmos à procura de não sei quantos outros. A vida é-nos sempre feita de escolhas perante as alternativas que se colocam e, portanto, neste momento temos três. Eu creio que a alargar-se a eventual candidatura mais de Miguel Morgado. Portanto, entre as escolhas que temos, eu estou verdadeiramente convicto. Não é um mal menor. Notem que estou a manifestar o meu apoio praticamente no início do processo eleitoral, o que significa que é uma escolha absolutamente convicta de alguém que eu julgo que muitos portugueses não conhecem tão bem. Eu convido muitas das pessoas que estão lá em casa, ou no carro, onde quer que nos oiçam, no computador, o que seja, a lembrarem-se o que muitos diziam de Pedro Passos Coelho quando ele foi escolhido e quando se candidatava a presidente do PSD. Muita gente não o conhecia, dizia que era um produto do aparelho, só tinha percurso na JSD e veio a se revelar uma pessoa de capacidades e sentido de Estado e de prioridade ao interesse nacional extraordinária.
Mas Luís Montenegro pode ser um novo Pedro Passos Coelho para o PSD e também para os eleitores social-democratas?
Acho que pode ser para o país mais um candidato a primeiro-ministro e um primeiro-ministro, à semelhança dos melhores primeiros-ministros que tivemos na história de Portugal. Sá Carneiro, com uma função absolutamente decisiva em libertar o poder político das amarras militares, iniciar um processo de abertura e de normalização política e democrática. Cavaco Silva, um dos melhores primeiros-ministros, sei que ele teve mais tempo, mas tem processo de liberalização, reforma, construção do Estado social, do Serviço Nacional de Saúde e de Escolas e, portanto, verdadeiramente social-democrata, mas com várias medidas de pendor liberal também. E Pedro Passos Coelho, que salvou o país, dirigiu um processo de reforma. E, portanto, Luís Montenegro não vai ser mais um qualquer coisa dois, que é outra coisa que às vezes dizem dele algumas pessoas, mas talvez por falta de conhecimento. Eu acho que esta campanha vai ser muito interessante. Peço às pessoas que, no caso em particular do Luís, prestem atenção ao que ele diz e ao que pensa e à forma como percebe que o PSD parte de um lugar difícil, que obviamente não aconteceu apenas neste ano e meio ou nestes dois anos do Rui Rio, mas o PSD parte de uma posição difícil. O país parte de uma posição extraordinariamente difícil, porque não está a fazer nada para dar aos jovens e aos mais velhos também já agora, prosperidade e segurança. Mas o Luís, estou certo, tem essa noção completa, não nega esse ponto de partida, mas uma grande vontade: um de unir o partido, que foi muito do que não foi feito nos últimos dois anos, com responsabilidade a partir, obviamente, de quem tem a responsabilidade máxima no partido. Abrir o partido à sociedade foi uma coisa que não aconteceu. Notem que provavelmente foi a primeira lista legislativas em que o PSD não apresentou, seja em cabeça de lista, seja em número dois, eu acho que a ideia de apresentar jovens foi interessante, mas faltaram as pessoas fora do partido. Foi a primeira vez porque, na verdade, nos últimos dois anos não conseguimos efetivamente abrir o partido à sociedade. E em terceiro lugar, um projeto que inspirasse e mobilizasse, que fosse claro na diferença e na alternativa face ao Partido Socialista, que é uma coisa que me preocupa muito.
É essa a grande diferença entre Rui Rio e Luís Montenegro, é o projeto alternativo em relação ao PS?
Não, eu acho que há uma ideia, há uma diferença de capacidade política que se pode ver em alguns episódios, já agora pequenos, mas de erros crassos de Rui Rio em escolhas políticas. É disso que me interessa.
Como por exemplo?
Vários. A matéria dos professores, a proposta final do PSD sobre a matéria da desigualdade do horário de trabalho na função pública e no privado, a não recondução ou a recondução e a importância da recondução da Procuradoria-Geral da República, a ideia do controle político partidário do Ministério Público, tudo isto são matérias onde ambos falaram, Rita, deixa-me só dizer isto, onde ambos falaram e manifestaram sua opinião e o tempo veio mostrar que Luís Montenegro tinha a intuição e a visão certa e que se a escolha naquele momento fosse feita por líder que fosse Luís Montenegro, o PSD não tinha cometido aqueles erros, que foram erros crassos. Eu diria esta capacidade, que eu chamava capacidade política, é um aspecto. O outro que tem a ver exatamente com a ideia de partido. A ideia de partido tem a ver com aquele, um partido aberto e que agrega fora e que procura construir união, Luís Montenegro. Fê-lo extraordinariamente a construção da união quando era líder parlamentar, em momentos dificílimos que nunca passamos nestes dois anos. Um grupo parlamentar que tinha pessoas que eram sociais-democratas, outros liberais, outros mais democratas cristãos dentro do PSD, sim, algumas pessoas mais conservadoras. E conseguiu, nas decisões mais difíceis que o PSD teve que votar nas últimas décadas, manter o grupo parlamentar unido e, portanto, uma ideia de um partido aberto e unido. Mas esse ponto também é muito importante. Repara, há algumas pessoas que procuram às vezes dizer, acusavam Pedro Passos Coelho e agora às vezes Luís Montenegro, poder querer alterar a matriz ideológica do PSD. Eu noto que verdadeiramente a alteração que poderia acontecer se nós insistíssemos nesta ideia que alguns têm junto de Rui Rio, de tornar o PSD mais muleta e mais parecido com o PS é Regressar e tentar reverter duas decisões históricas tomadas pelo PSD. Uma no confronto com Sá Carneiro, que levou a uma desagregação de parte do partido, como se lembram, e a segunda no Congresso de 1985, da Figueira da Foz. Em ambos os momentos, Sá Carneiro e Cavaco Silva disseram: "Não, nós somos a alternativa ao Partido Socialista e queremos ser a grande casa das pessoas que é Portugal."
Mas Rui Rio, sobretudo nos últimos tempos, não deu sinais disso mesmo também, de se mostrar como uma alternativa. O comportamento dele, por exemplo, no debate da apresentação do programa de governo, que até foi elogiado, nós falámos disso na primeira parte, por um dos candidatos à liderança, Miguel Pinto Luz. Não viu aí sinais de que Rui Rio quer, de facto, confrontar António Costa?
Pedro, com certeza que Rui Rio sabe que é líder da oposição e, como lhe disse, nada disto que aqui estou a dizer altera duas coisas que pra mim continuam a ser evidentes: Rui Rio é um bom homem e bem-intencionado e, segundo, é bastante melhor que António Costa. A questão é saber se isso chega pro PSD.
Mas por que que o apoiou então na primeira vez?
Sim, voltaria a fazê-lo da mesma forma.
Mas então era porque não gostava, neste caso, de Pedro Santana Lopes, que era o adversário. Foi por oposição a.
Foi uma escolha, eu disse-lhe ainda há pouco respondi à mesma pergunta.
Foi o mal menor, neste caso.
Se quiser, foi o bem que preferi naquele momento. Repare, como sabe, eu não apoiei apenas Rui Rio no primeiro momento.
Foi vice-presidente da bancada.
Continuei como vice-presidente da bancada parlamentar em todo o tempo em que ele foi presidente na legislatura anterior. Trabalhei com ele e é uma pessoa de quem eu gosto, tenho respeito e sei que quer ajudar o país e fez coisas importantes pelo país, também como líder do PSD. A questão é saber se é a melhor escolha. E há dúvida, e ele próprio e alguns dos seus apoiantes cultivam esta dúvida. Eu creio que não é a maioria. Acho que a maioria das pessoas que apoiam Rui Rio sabem que o caminho do PSD não é um caminho de subordinação ou de maior aproximação ao Partido Socialista do que de marcada alternativa social-democrata, mas de uma grande casa que envolva outras sensibilidades e que se foque em construir um projeto de alternativa. E a verdade é que sendo que o projeto do PSD era mais reformista, e era, que tinha respostas melhores, designadamente à recomposição das opções de finanças públicas, menos impostos, um bocadinho mais recuperação no investimento, eram opções melhores. Não foi o suficiente pelo seu conteúdo, em que temos que trabalhar, pela ligação a grupos que se afastaram do PSD, alguns, e isso é preocupante, como as pessoas mais velhas, pensionistas e que nós temos, obviamente, que recuperar e voltar a ter uma proposta política que as mobilize, mas muitos jovens e muitos portugueses que levaram a que nós tenhamos, pela primeira vez, ficado abaixo de um milhão e meio de votantes, coisa que não tinha acontecido. Isso justifica também que nós devamos procurar algo que possa dar ao país um PSD inspirador, reformista, aberto, unido, e eu acho que o Luís está em muito melhores condições para isso.
Essa desilusão política que teve com Rui Rio, foi isso também um dos motivos pelos quais não quis candidatar-se a deputado nestas legislativas?
Não. Era só o que faltava. Eu não gosto de mudar de opinião. Eu quando me perguntaram-
Aqui na questão do apoio a Rui Rio, mudou.
Não, repare, não. Eu escolhi Rui Rio naquele momento, com as opções que tínhamos naquele momento. Feito um balanço passado dois anos, eu acho que Luís Montenegro é melhor.
Mas dizia relativamente à sua saída de deputado.
Eu disse em julho, e agora não ia trocar só porque dava jeito pra reforçar uma mensagem de maior apoio a Luís Montenegro. Eu disse a Rui Rio que não queria ser de novo candidato no dia 18 de março de 2018. Portanto, está a ver? Foi no princípio, ele era presidente há cerca de um mês. E foi nesse dia que tomei a decisão.
Só que essa decisão mudou assim muito rapidamente, em um mês?
Não, de todo. A decisão não teve nada a ver. Aliás, tinha chegado a falar com Pedro Passos Coelho sobre o assunto.
Mas é uma decisão agora reversível e admite até, caso Luís Montenegro ganhe as eleições dentro do PSD, admite voltar também a ter uma posição mais ativa, voltar de forma mais ativa à vida política e ao PSD. Uma vitória de Luís Montenegro pode fazê-lo ponderar e reverter uma decisão?
Deixe-me dizer, a minha opção foi uma opção de ocupação a tempo inteiro, ocupação profissional. E essa eu não vou alterar. Eu tenho já há algum tempo trabalhado no doutoramento, que quero acabar e que não vai durar dois ou três meses, nem até o momento da eleição direta. E é isso que vou fazer como ocupação principal, isso não se vai alterar. Também disse, ainda assim, em junho ou julho, quando anunciei a decisão, que me estava a afastar da política profissional, mas que não me estava a afastar da vida partidária.
E tem trabalhado com Luís Montenegro?
Tenho, desde que voltei dos Estados Unidos. Eu até ao dia das eleições legislativas, não gastei um pouco da minha energia que não fosse ajudar o PSD a ganhar. Eu creio que todas as pessoas no PSD sabem isso. Dei a cara de tantas formas, em tantos sítios, pelo PSD, pela vitória do PSD, por achar que Rui Rio era, e acho e continua a ser, uma melhor opção que António Costa. Felizmente, o PSD hoje tem a alternativa de escolher alguém que é não só muito melhor que António Costa, mas também, eu acredito, mais inspirador, mais mobilizador, mais agregador e com maior capacidade de projetar um futuro diferente pra o país, que é Luís Montenegro. Eu espero que seja essa a escolha.
Já agora pra terminar, gostava de ver algum dos adversários do Rui Rio hoje a falar no Conselho Nacional. Eles não receberam convite, portanto, não estarão lá a falar. Gostava de ter visto outra atitude por parte do líder do PSD.
Gosto sempre de mais debate, de mais participação. Hoje acho que o aspecto mais importante do dia Isso era uma eventualidade que poderia ter acontecido, talvez ficasse o partido a ganhar, mas temos muitas semanas de discussão. Espero, sobretudo, que o resultado das decisões de hoje sejam que a genuína preocupação de Rui Rio de melhorar a qualidade do processo deliberativo e eleitoral, não tenha como consequência um apagamento ou uma redução significativa da participação de intuir.
Acha que há esse risco?
O risco existe e é um risco que existe na história de sempre. Reparem, no início do século XIX, em Portugal também, havia muita gente que achava que pra decisão ser verdadeiramente uma decisão com qualidade, a decisão eleitoral, era necessário que só votassem os ricos ou os que tinham educação mais avançada ou só os homens. São argumentos que até podem ser bem-intencionados para selecionar apenas o modo mais puro, com a qualidade maior, mas que depois têm consequência de alienar, obviamente, um conjunto de pessoas muito maior.
Mas o que o Rui Rio diz que está a fazer é esta: a combater as vigarices do pagamento de cotas por atacado, etc.
Rita, eu creio que ficou claro que eu não estou a dizer que o Rui Rio não está bem-intencionado. Eu sei que a intenção dele é de melhorar a qualidade do processo, coisa com a qual eu concordo, absolutamente. Não viu, aliás, ninguém discordar disso. O meu ponto é uma chamada atenção, isso pode ser feito e modelado com várias soluções de compromisso. Existe sempre o quer reforçar a qualidade, quer aumentar a participação, e temos que procurar sempre um compromisso. Nós, acho, no PSD, temos é que caminhar não para o ponto onde reduzimos a muito poucos, que não só que pagaram as cotas, que deram o telemóvel, que deram o e-mail, que deram não sei o quê, mas também devíamos começar a pensar se alargamos a quantos mais, não apenas aos militantes, talvez aos simpatizantes. E, portanto, acho que esse é o caminho a fazer.
António Leitão Amaro terminou a nossa entrevista, que digamos, a Vixi Suave com que começamos a refeição nesta segunda parte. Está na altura de lhe propormos que escolha a parte seguinte do menu, se quer a carne ou se quer o peixe. Bom, e eu penso que o António Leitão Amaro começará isso. A concisão não é a sua maior qualidade de oratória, mas aqui vai ter mesmo de ser rápido a escolher e escolher uma das duas opções que lhe damos. Nem sempre serão evidentes, há quem não goste de nenhuma delas, mas a proposta é que escolha uma delas. Vamos então escolher a carne ou o peixe. António Leitão Amaro, a quem preferia dar uma aula de surf, e agora tendo em conta as revelações que fez no apoio que vai fazer nas diretas, Rui Rio ou Miguel Pinto Luz?
Talvez a Miguel Pinto Luz, porque ele vive junto à praia.
Preferia ser ministro de um governo liderado por Rui Rio ou ficar sentado na bancada da oposição, embora o líder do PSD fosse Luís Montenegro?
Qualquer pessoa que esteja no PSD prefere, na política, ajudar. Eu experimentei as duas funções, executiva e parlamentar, gostei mais da executiva. Acho é que a probabilidade é muito maior de nós termos um governo se Luís Montenegro for o líder.
Conseguiu não responder à pergunta.
Não, preferia uma função executiva, acho que se faz mais a diferença.
Preferia o governo, esta que é mais improvável. Pronto, então fui eu que não percebi. António Leitão Amaro, o que é que mais pressa diria numa festa para se gabar? Que estudou em Harvard ou que foi secretário de Estado da Administração Local num governo de Pedro Passos Coelho?
Eu não gosto muito do exercício de gabar, mas servir o meu país no governo de Portugal foi a maior honra que tive na minha vida.
Então a última pergunta: o que é que mais rapidamente os seus inimigos políticos usariam contra si? Ter garantido uma vez num programa de televisão que uma lei do governo tinha proibido a legionella ou ter sido secretário de Estado da Administração Local num governo de Passos Coelho?
Acho que como a primeira, eu não disse isso e a frase foi descontextualizada, seguramente os meus adversários sérios usarão sempre contra mim uma coisa que eles não perceberam foi o mérito daquele governo e por isso usarão contra mim ter sido membro de um governo de Pedro Passos Coelho.
Pronto, se calhar vamos fazer um fact check às declarações da legionella. António Leitão Amaro, escolheu aqui a carne ou o peixe, está na altura da sobremesa. Que sobremesa é que trouxe para nós, para fecharmos o programa?
Portanto, a música para hoje é Nick Cave, "Into My Arms".
Isso tem algum significado político, alguma leitura ou é apenas uma preferência pessoal?
É exclusivamente uma preferência pessoal de música que gosto.
Muito bem.
A vida não é só política e não é só assuntos demasiados sérios. Precisamos também as pessoas que andam na política de desfrutar.
De ouvir uma Vixi Suave, por exemplo. Nós regressaremos na próxima sexta-feira. António Leitão Amaro, muito obrigado.
Obrigado.
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