O primeiro-ministro da Grécia continua a acreditar que um acordo com os credores internacionais não só é possível como está perto, mas garante que Atenas não irá aceitar as propostas feitas para cortar pensões e apoios sociais. Alexis Tsipras diz que a Grécia sofreu mais que os outros países resgatados e que alguns destes países estão a fazer de conta que as questões que afetam a Grécia não lhes dizem respeito por medo dos mercados.

Numa entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, a menos de um mês de terminar o programa grego e ainda sem acordo, o líder do Executivo grego admite que o tempo escasseia, mas diz que sem um acordo que responda à questão da sustentabilidade da dívida grega, os esforços deixam de fazer sentido.

Alexis Tsipras diz ainda que quer fechar de uma vez por todas a discussão em torno de uma possível saída da Grécia da zona euro, e evitar “reciclar o problema a cada seis meses”. Na sua opinião, se a Grécia abandonasse o euro, isso “ seria o príncipio do fim da zona euro”.

“Se a liderança política da Europa é incapaz de lidar com um problema da dimensão da Grécia, que representa 2% da sua economia, como irão os mercados reagir em relação a países com problemas muito maiores, como Espanha e Itália que têm uma dívida de dois biliões de euros? Se a Grécia cair, os mercados irão imediatamente à procura do próximo”, afirmou.

Alexis Tsipras diz que os gregos não querem “assustar ou chantagear” seja quem for, e que entendem que alguns países estão a enfrentar dificuldades e a serem solidários ao mesmo tempo, mas sublinha que à Grécia não está a ser oferecido dinheiro, mas empréstimos que estão a dar lucro a quem empresta este dinheiro, dando o exemplo da Alemanha que já recebeu 360 milhões de euros em lucros dos empréstimos feitos à Grécia.

Sobre as propostas em cima da mesa e que estão a ser discutidas com as instituições internacionais, e depois da tensão pública com o presidente da Comissão Europeia sobre a proposta feita pelo Executivo europeu e a forma como Alexis Tsipras o apresentou aos seus parlamentares, o primeiro-ministro grego diz também que a proposta que foi apresentada pelos credores é diferente do que foi acordado nas negociações com as instituições e que algumas partes onde já havia acordo saíram dessa proposta.

Alexis Tsipras atirou-se ainda aos países periféricos e lamentou a inexistência de uma frente unida para resolver os problemas que têm em comum, acusando alguns países de terem medo dos mercados.

“Infelizmente, os países do sul da Europa não apresentam uma frente unida. Alguns fazem de conta que o assunto não lhes diz respeito para manter os mercados calmos”, disse.