Economia

“Portugal é um país grande em miniatura”

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Filipe Ravara, diretor do Gabinete de Agronegócios da CGD, não duvida que é preciso saber aproveitar a diversidade do país. O turismo é uma excelente montra para dar a conhecer os produtos nacionais.

ANDRÉ MARQUES / OBSERVADOR

Engenheiro agrónomo, doutorado em Gestão de Empresas Agroalimentares pela Purdue University Krannert School of Management (EUA) e com larga experiência no setor do agronegócio, Filipe Ravara lembra a importância do turismo como “montra” para os produtos alimentares portugueses nos mercados internacionais. O diretor do Gabinete de Agronegócios da Caixa Geral de Depósitos (CGD) – que avalia as candidaturas de quem procura crédito para se financiar e investir nesta área – sublinha que a Caixa se pretende assumir “muito em breve” como banco líder no setor.

Como é que a CGD, e em especial o Centro de Agronegócios, tem acompanhado o setor primário e as suas fileiras?

A Caixa tem uma longa tradição de acompanhamento ao setor primário e agro-industrial que consideramos fundamental para a economia e para a organização social e territorial. Estes setores são a “alcatifa” económica do país. Fazemos também uma aposta séria num conhecimento especializado, com uma equipa bem preparada de engenheiros agrónomos, economistas e gestores. Em conjunto, tentamos fazer um trabalho o mais eficaz possível junto das fileiras, com a experiência de quem conhece a realidade agrícola de todo país e de quem já analisou centenas de projetos com profundidade nas múltiplas subfileiras do setor. Na agricultura existem imensas diferenças. Fala-se da agricultura e da agro-indústria como um setor, mas cada projeto corresponde a uma realidade que por vezes é completamente diferente do vizinho. Podem até estar associados à mesma cultura, mas ter terras e condições desiguais.

O que se destaca de verdadeiramente diferenciador na oferta da CGD?

Trabalhando com as fileiras, e não com produtores isolados, conseguimos dar melhores condições de mercado do que outros bancos. Somos também o único banco português que tem a capacidade de disponibilizar um networking internacional. Por um lado, estamos completamente focados em apoiar as empresas portuguesas, mas temos igualmente a rede internacional, em que além de fornecermos as soluções bancárias mais adequadas, conhecemos importadores e colocamos os nossos clientes em contacto com agentes internacionais.

Que posição ocupa o agronegócio português no contexto europeu?

Portugal é um país grande em miniatura. Temos uma variedade de sistemas agrícolas e de condições de produção alimentar vastíssimas, aliadas a um potencial turístico enorme, com uma diversidade de paisagens, de ambientes históricos e sociais, que os estrangeiros estão a descobrir em grande força. O turismo é uma excelente montra para os nossos produtos alimentares – a começar pelo vinho e por toda a gastronomia. Portanto temos de aproveitar a nossa grande diversidade e funcionar como um país de micro-multinacionais, empresas que têm capacidade para acrescentar valor aos seus produtos de modo a tentar vender no mercado interno, mas também para exportar porque é nesta vertente que se gera mais valor para as fileiras.

CGD: Linhas de apoio para o setor primário

Crédito bonificado para o setor primário.
Linha de crédito de curto prazo que visa financiar as necessidades de exploração das unidades produtivas dos setores da agricultura, silvicultura e pecuária.
Antecipação de incentivos e financiamento
Crédito de curto prazo para antecipação de incentivos e financiamento das necessidades de exploração de unidades produtivas dos setores da agricultura, silvicultura e pecuária.
Programa Portugal 2020
Para financiar investimentos aprovados no âmbito dos programas PDR 2020, VITIS e MAR2020. Facultar condições bancárias preferenciais na concessão de financiamento aos beneficiários do Portugal 2020.
Apoio às explorações pecuárias de bovinos e suínos
Solução de financiamento para Micro, Pequenas e Médias Empresas, com garantia mútua, destinada às explorações pecuárias de bovinos e suínos.
Linhas de Crédito Capitalizar
1.600 milhões de euros para o crescimento e competitividade da sua empresa. Saiba mais no artigo: Há novas linhas de crédito para empresas.

Como associar os produtos portugueses à qualidade nos mercados internacionais?

É importante não produzir apenas a chamada commodity. Se produzirmos milho e o vendermos tal como o produzirmos, o preço no mercado mundial será o mesmo dos milhos de todos os outros países de uma determinada região, com ligeiras diferenças. No entanto, se produzirmos milho e transformarmos em rações em Portugal, produzirmos os animais e vendermos a carne já transformada como uma marca de origem portuguesa, desde a produção da matéria-prima para a alimentação até à venda do produto final, estamos a acrescentar muito valor ao nosso produto final. Esse é um dos aspectos, o outro é fazermos conhecer no exterior que o produto que o consumidor está a adquirir é de qualidade.

Na sua perspetiva quais são as áreas em que Portugal tem maior potencial de afirmação?

Além dos setores mais tradicionais como o dos vinhos, azeite e cortiça, o setor hortofrutícola, em que Portugal antecipa a produção relativamente à generalidade dos países, tem grande potencial. No Alentejo, a título de exemplo, nascem cada vez mais explorações que se dedicam ao cultivo dos frutos vermelhos que depois são vendidos para o Norte da Europa. A agricultura biológica ou a aquacultura também apresentam grandes margens para crescer e têm aparecido muitos projetos nestas áreas.

Os empresários nacionais têm acompanhado as mudanças no setor agrícola?

Atualmente os jovens estão a ter mais interesse pela agricultura, alguns estão a trocar as cidades pelo campo, apostando muitas vezes em projetos agrícolas inovadores. Hoje já existe uma oferta consistente de formação nesta área, nomeadamente nas universidades, o que ajuda à existência de uma nova geração de agricultores mais informados e que acompanham as mudanças tecnológicas. Por exemplo, a cartografia digital e os drones estão a desempenhar um papel importante nas explorações agrícolas, ajudando a identificar se os terrenos estão a ser corretamente preparados e as culturas adequadamente geridas.

Conteúdo produzido pelo Observador Lab. Para saber mais, clique aqui.
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