Legionela

Legionela. Parte do relatório sobre o surto fica em segredo de Justiça

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As conclusões preliminares do relatório sobre a legionela são divulgadas esta quarta-feira. Parte do relatório fica em segredo de Justiça, já que o Ministério Público também está a investigar.

O ministro da Saúde disse esta terça-feira que não existiram mais casos de legionela desde que a bactéria foi detetada

HUGO DELGADO/LUSA

O relatório do Instituto Ricardo Jorge sobre o surto de legionela no hospital S. Francisco Xavier concluiu que a bactéria presente numa das três de torres de refrigeração do hospital é a mesma que infetou 52 pessoas e provocou a morte de cinco. A SIC diz que as conclusões preliminares da investigação são divulgadas já esta quarta-feira, mas uma parte do relatório fica em segredo de Justiça, já que o Ministério Público também está a investigar o caso.

A manutenção das torres de refrigeração do S. Francisco Xavier é assegurada pela multinacional Veolia, que já declarou estar totalmente disponível para assumir a responsabilidade civil do surto, que vai implicar o pagamento de indemnizações às vítimas. O relatório do Instituto Ricardo Jorge também indica que o surto de legionela teve início por volta do dia 17 de outubro e que as condições meteorológicas, como o calor o vento, ajudaram na propagação da bactéria. O estado do tempo também deveria ter sido um motivo de medidas extra no tratamento das torres de refrigeração — como a aplicação de cloro — mas tal não aconteceu.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse esta terça-feira que se está “muito próximo do apuramento dos factos” que permitirão identificar “a tal falha técnica” que levou à infeção de 50 pessoas com legionela no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

À saída de uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, em Lisboa, interrogado se já se sabe como é que 50 pessoas – das quais cinco morreram – apanharam esta bactéria no Hospital São Francisco Xavier, Adalberto Campos Fernandes respondeu: “Sim, sabe-se. Está-se muito próximo do apuramento dos factos”.

Haverá um relatório preliminar. Naturalmente, nós não vamos interferir naquilo que desejamos que seja um inquérito do Ministério Público competente, independente, sólido, que respeite as orientações determinadas do segredo de justiça. Mas, creio que estamos em condições de perceber onde é a tal falha técnica, que me pareceu que tinha ocorrido no princípio, terá mesmo ocorrido”, acrescentou.

Questionado sobre se tem a certeza de que, desde que as autoridades souberam da presença da bactéria no Hospital São Francisco Xavier, ninguém mais foi infetado com legionela naquele espaço, o ministro foi taxativo: “Sim, há a certeza absoluta sobre isso. Isso é uma questão que a Direção-Geral da Saúde (DGS), com muito cuidado, com muita atenção, acautelou. Essa certeza existe”.

O Presidente da República considerou que o ministro da Saúde “esteve muito bem” ao pedir desculpas pela legionela no Hospital São Francisco Xavier e afirmou esperar que se “apurem as responsabilidades”, neste caso, como no de Tancos.

Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que “é fundamental para tudo, quando há da parte de entidades públicas alguma coisa que falha, depois haver relatórios que apurem as responsabilidades”.

O número de casos de infetados pelo surto de legionela subiu esta terça-feira para 51, de acordo com o último boletim epidemiológico, divulgado às 17h30 pela Direção-Geral da Saúde.

Do total de 51 pessoas infetadas, 26 estão internados em enfermaria, seis estão em Unidades de Cuidados Intensivos, um está na urgência e 13 já tiveram alta clínica.

Dos infetados, 30 são mulheres e 35 têm mais do que 70 anos de idade. Todos tem histórico de doença crónica e/ou fatores de risco.

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