Belmiro de Azevedo

Morreu Belmiro de Azevedo, empresário e líder histórico da Sonae

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O empresário português Belmiro de Azevedo morreu esta quarta-feira. Tinha 79 anos. O líder histórico da Sonae estava internado desde segunda-feira.

JOSE COELHO/LUSA

O empresário português Belmiro de Azevedo morreu esta quarta-feira. Tinha 79 anos. O empresário que liderou a Sonae, o maior grupo empresarial português, e um dos homens mais ricos do país faleceu esta quarta-feira no Hospital da CUF, no Porto, onde estava internado desde segunda-feira.

O funeral realiza-se esta quinta-feira, na Igreja de Cristo Rei, em Nevogilde, no Porto.

[Reveja aqui algumas das frases mais provocadoras ditas por Belmiro de Azevedo]

Também esta quarta-feira, escreve o Jornal de Notícias, morreu no Instituto Português de Oncologia, no Porto, a irmã mais velha de Belmiro de Azevedo, Ana Augusta. Tinha 79 anos.

Licenciado em Engenharia Química, entrou para a Sonae no final da década de 1960, assumindo o controlo da empresa em 1974. Como o próprio descreveu no discurso da cerimónia de 50 anos da Sonae, a sua primeira tarefa na empresa foi “destruir para voltar a construir”.

Ao longo dos anos em que liderou o grupo empresarial (que era apenas um complexo fabril no início), diversificou as suas áreas de negócios e construiu um império que chegou à distribuição, retalho ou telecomunicações e a dezenas de países.

Marcelo Rebelo de Sousa: Belmiro foi “figura marcante” em Portugal pela sua “liderança”

Numa brevíssima declaração publicada ao final da tarde na página da Presidência da República, em que apresenta condolências à família, Marcelo Rebelo de Sousa descreve Belmiro de Azevedo como uma “figura marcante do meio empresarial e da sociedade portuguesa”, alguém com “liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural” ao longo das últimas quatro décadas.

Antes mesmo da declaração oficial, o presidente da República descrevia assim o antigo líder da Sonae ao Público:

Tinha uma liderança que era natural, era um líder e exercitou essa liderança em diversos sectores, na indústria, no comércio e em empreendimentos sociais e culturais. Era muito determinado. A sua liderança era acompanhada de uma persistência relativamente às causas e projetos que abraçava. E à liderança e determinação somava-se uma constante visão de futuro, isto é, preocupava-se não apenas com o curto prazo, mas com aquilo que considerava essencial para o país a médio e longo prazo”.

Soares dos Santos: “Belmiro foi maltratado pelos Governos porque reclamava, acusava”

Alexandre Soares dos Santos não considerava Belmiro de Azevedo um “concorrente” nos negócios mas, sim, “um grande, grande empresário” com quem manteve, ao longo dos anos, “as melhores relações”. O presidente do Conselho de Administração do grupo Jerónimo Martins elogia também, em declarações à RTP, Belmiro de Azevedo, alguém que considera um “homem de visão e de ação”.

“Para mim é bastante triste e uma grande perda para Portugal. Era um empresário, um homem de visão e de ação, um homem corajoso num país que não admira nenhum destes pontos. Tinha um espírito de iniciativa e uma capacidade empreendera enormes. Sempre tive por ele um grande respeito. E mantive com ele ao longo de muitos anos as melhoras relações. Ele foi visita de minha casa, eu fui visita de casa dele”, explicou Soares dos Santos.

A terminar, Soares dos Santos acrescentou, em tom de crítica: “Belmiro de Azevedo não agrava a todos porque uma coisa que os portugueses — nomeadamente os governos — não gostam é da verdade. Quando surgem empresários que reclamam, que acusam – e acusam com razões –, são maltratados pelos governos. O setor privado em Portugal faz andar a economia, cria emprego e Belmiro foi um exemplo disso, um exemplo que admiro, por quem tinha muito respeito. Tenho muita pena que tenha partido tão cedo.

Belmiro por quem com ele privou. “Não era homem capaz de abraçar toda a gente”

António Lobo Xavier, amigo de longa data de Belmiro de Azevedo, começou, precisamente, por recordar à SIC Notícias o lado pessoal do líder histórico da Sonae.

“Não posso deixar de começar pela marca pessoal que me deixou. É alguém a quem estive ligado durante muitos anos por uma grande amizade e, também, por razões profissionais. A quem devo grande parte do que sou como profissional e, também, como homem – porque também aprendi várias coisas da vida humana, fora das empresas, com ele. Estou triste. Era um homem que nós gostávamos de ver na plena posse das suas capacidades físicas e intelectuais. Já não estava exatamente assim. Portanto, prefiro guardar a imagem que dele tinha nos anos oitenta, a imagem de um homem de uma intuição, de uma força interior, de um fulgor“, explicou o advogado.

Nos negócios, Lobo Xavier tinha Belmiro de Azevedo como um empresário à frente do seu tempo. E explicou, à SIC Notícias: “Belmiro era capaz de ser frio para os negócios, rigoroso, criador de uma cultura de exigência. Mas, ao mesmo tempo, era capaz de longas amizades, enormes lealdades. Num círculo limitado, claro; não era um homem capaz de abraçar toda a gente, tinha as suas divergências. Até foi vítima algumas vezes de algumas brincadeiras, alguns sorrisos irónicos, pelo facto de ter sido precoce na ideia de criar valores nas empresas, a ideia do que é a personalidade de um gestor. Isso hoje tornou-se banal. Mas nele foi sentido desde o princípio da sua vida empresarial. Recordo-o com muita saudade.”

Também à SIC Notícias, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial De Portugal, começou por explicar qual o legado que Belmiro de Azevedo deixa nos negócios. “Deixa-nos o percurso de um empreendedor, um homem de iniciativa, que fez trabalho na distribuição mas procurou, também, outras ‘armas’ — em termos de comunicação social, em termos de telecomunicações –, procurou a expansão internacional com outras apostas e novos desafios. Era homem que assumia as suas responsabilidades. E exigia que outros tomassem as suas.

Em termos pessoais, António Saraiva recorda que Belmiro de Azevedo era “afável, direto, frontal e assertivo”, explicando o presidente da CIP que “só assim se conseguem atingir os objetivos”. E acrescentou: “É este legado que nos deixa: o de um grande empresário, um enorme empreendedor, e uma figura que faz falta ao país. Se exemplos como o dele fossem replicados o país podia estar noutro rumo de desenvolvimento, de crescimento. Belmiro de Azevedo foi um dos pilares de economia portuguesa.”

Vicente Jorge Silva, fundador e ex-diretor do Público, explicou à RTP que com Belmiro de Azevedo, aquando do surgimento do jornal, “houve um entendimento perfeito”.

“O Público foi, de facto, um emblema que fez dele um protagonista de uma empresa jornalística que na altura era verdadeiramente inovadora. As coisas foram bem esclarecidas desde o princípio. E mesmo os conflitos que se seguiram foram conflitos rapidamente ultrapassados. O que fica para mim foi esse momento inicial, esse momento de simpatia e empatia muito forte que se gerou entre nós”, recordou.

A propósito da morte do antigo líder da Sonae esta quarta-feira, Vicente Jorge Silva diz sentir “muita saudade e muita estima” por Belmiro. E acrescentou: “Deixa-me bastante triste, bastante afectado. Sem estar em contacto regular com Belmiro de Azevedo, tinha por ele do fundo do coração uma grande estima”.

Rui Vilar, antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos e da Galp, era próximo como poucos de Belmiro de Azevedo. Há muito que o era. “Fui amigo do Belmiro de Azevedo desde muito cedo, desde os bancos do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, onde fomos colegas desde o primeiro ano. E é com pesar que o vejo partir”, explicou.

Para Rui Vilar, o antigo líder da Sonae foi “o maior empresário das últimas décadas” em Portugal. E acrescentou: “Foi uma pessoa muito corajosa e frontal, com uma visão de futuro rara no nosso país. E que pelo seu trabalho se tornou o maior empresário das últimas décadas, deixando um grupo diversificado e sólido, que os seu filhos sabiamente educados e formados por ele, estão em condições de continuar a desenvolver”.

Cavaco Silva recorda Belmiro de Azevedo como “personalidade marcante e uma voz livre”

O antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva lembrou o empresário Belmiro de Azevedo como “uma personalidade marcante e uma voz livre”, considerando que a economia portuguesa “beneficiou enormemente” com a sua ousadia e visão.

“Com a morte do engenheiro Belmiro de Azevedo, Portugal perdeu uma personalidade marcante e uma voz livre”, refere o antigo chefe de Estado, numa declaração escrita enviada à agência Lusa.

Sublinhando que, através da sua ação como empresário, Belmiro de Azevedo marcou a vida do país e dos portugueses nos últimos 40 anos, Cavaco Silva destaca a “liderança inteligente e perspicaz e a sua aposta decidida na inovação” que transformou o seu grupo empresarial “num dos maiores e mais relevantes” de Portugal.

“A nossa economia beneficiou enormemente com a sua ousadia e a sua visão”, acrescenta o ex-Presidente da República que envia à família de Belmiro de Azevedo e aos colaboradores do seu grupo empresarial “as mais sentidas condolências”.

Santana Lopes: “O país tem de acarinhar pessoas como Belmiro de Azevedo”

Pedro Santana Lopes expressou esta quarta-feira o seu pesar pela morte de Belmiro de Azevedo, descrevendo o antigo líder da Sonae como “uma pessoa que tanto deu a Portugal, que tanto contribuiu para a economia portuguesa, para o emprego de muitos e muitos portugueses”.

O candidato à presidência do PSD descreve Belmiro de Azevedo como “uma pessoa de grande visão, uma visão que ultrapassou muito as nossas fronteiras“.

E deixou um repto no final: “É o exemplo das pessoas [como Belmiro de Azevedo] que o país tem de acarinhar, pessoas que vêm de raízes não muito privilegiadas mas que, pelo seu esforço, pelo seu trabalho, pela sua capacidade, criam impérios – impérios que fizeram muito bem a muita gente.”

Rui Rio: Criou milhares de empregos e fez crescer a economia”

Rui Rio afirmou esta quarta-feira que se existissem mais empresários como Belmiro de Azevedo “a economia portuguesa seria muito diferente daquilo que é hoje”. O candidato à presidência do PSD sublinhou ainda a sua enorme admiração por aquilo que foi o trabalho” de Belmiro de Azevedo.

Nós, às vezes, confundimos gestores com empresários. Belmiro de Azevedo era gestor mas era, acima de tudo, um empresário. Criou empregos, fez crescer a economia – e quando digo que criou empregos, quero dizer que criou milhares de empregos. Tive a oportunidade de lhe dar a medalha da cidade do Porto quando era presidente da câmara e fi-lo com imensa satisfação e com muito orgulho”, recordou o antigo autarca portuense.

Ministro da Economia: Belmiro de Azevedo foi empresário “muito inovador”

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, descreveu esta quarta-feira a morte do empresário Belmiro de Azevedo como “uma grande perda para Portugal”, sublinhando que o ex-líder do grupo Sonae foi “muito inovador” em termos de gestão. “São os empresários que fazem o país. E Belmiro de Azevedo destacou-se como alguém que contribuiu muito para o crescimento e emprego em Portugal.”

Manuel Caldeira Cabral sublinhou ainda que o grupo Sonae “afirmou Portugal no estrangeiro”. Depois, elogiando a “liberdade e independência” de Belmiro de Azevedo, o ministro da Economia concluiu: “Acho que a sociedade portuguesa tem muitos aspetos de gratidão para com ele [Belmiro de Azevedo]”, acrescentou.

Nabeiro recorda Belmiro como “homem extraordinário” e “exemplo para empresários”

O empresário Rui Nabeiro, fundador do grupo Delta Cafés, lamentou a morte de Belmiro de Azevedo, “um homem extraordinário” e “um exemplo em Portugal para todos os empresários”. Em declarações à Lusa, Rui Nabeiro disse que foi “com muita tristeza” e com “um grande abalo” que recebeu a notícia da morte de Belmiro de Azevedo, sublinhando que era “um homem extraordinário, que lutou e que soube lutar”.

“É um exemplo em Portugal para todos os empresários, que procurou trabalho e procurou dar trabalho. Foi um grande criador”, disse ainda Nabeiro, acrescentando que fica agora “muita saudade”.

Pires de Lima: Belmiro “não muito bem tratado” pelo Estado

O antigo ministro da Economia António Pires de Lima descreveu, à RTP, Belmiro de Azevedo como “uma extraordinária referência” dos negócios em Portugal.

Pires de Lima sugere que o empresário deverá ser “recordado e homenageado pela sua capacidade de empresário muito rara e invulgar em Portugal”, lembrando depois que Belmiro nem sempre foi “muito bem tratado” pelo Estado. E acrescenta, interrogando-se: “O que seria agora a Portugal Telecom se as questões extra-empresariais não tivessem interferido na OPA da Sonae?”

Pires de Lima concluiria: “[Belmiro de Azevedo] Teve um enorme mérito, não só de fazer crescer o seu grupo, mas de o profissionalizar. A Sonae criou um estilo de gestão único. É uma extraordinária referência que permanecerá vivo”, recorda.

Os elogios da direita: “ímpar”, “marcante” e “genial”

Através do deputado Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, Trabalho e da Segurança Social entre 2011 e 2015, o CDS descreve Belmiro de Azevedo como uma personalidade “ímpar” que “mudou muito o sector da distribuição” em Portugal.

Mota Soares acrescentaria que o antigo líder da Sonae era um empresário que “acreditava nas empresas” e que “demonstrou sempre um fortíssima aposta na inovação e na internacionalização” da economia portuguesa.

Por sua vez, em comunicado, o PSD destaca Belmiro de Azevedo como um dos empresários “mais marcantes do período democrático”, elogiando a sua “genialidade empresarial” e “empreendedorismo”, bem como a importância no “desenvolvimento social e económico nacional”.

Os elogios a Belmiro de Azevedo por parte da direita surgem após a Assembleia da República ter aprovado um voto de pesar pela morte do empresário — isto apesar dos votos contra de PCP e abstenções de Bloco de Esquerda e PEV.

Ministro da Cultura: “Era um homem que elogiava a mudança”

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, recordou, em nota de pesar, Belmiro de Azevedo como um empresário que soube “compatibilizar” os negócios com a cultura. “[Belmiro de Azevedo] tinha uma notável capacidade de trabalho, que soube compatibilizar a sua dedicação aos negócios com o interesse pelas áreas da Cultura, da Educação, das Artes e da Solidariedade, que expressou através da constituição da Fundação com o seu nome, em 1991″.

“O homem que elogiava a mudança e que dizia não acreditar num futuro sem trabalho, contribuiu também para a formação de um jornal diário e de referência no panorama nacional”, acrescentou Castro Mendes.

Daniel Bessa: “Perdemos o maior empresário do pós-25 de Abril”

O ex-ministro da Economia Daniel Bessa considerou que, com a morte de Belmiro de Azevedo, Portugal perdeu “o maior empresário português do pós-25 de Abril”.

E apontou o “legado único” que a Sonae representa. “A Sonae foi sobretudo uma escola de gestores, um número imenso de gente que começou por exercer funções profissionais, de gestor profissional na Sonae. Alguns deles, a seu tempo, diziam que eram ‘empresários por contra’ de outrem, eram trabalhadores assalariados, mas o empresário por conta de outrem diz muito do grau de autonomia que Belmiro de Azevedo lhes concedia, da responsabilização a que estavam submetidos, do sistema de remuneração associado ao mérito”, apontou.

António Mota: Morte de Belmiro de Azevedo é “uma perda para Portugal”

O presidente da Mota-Engil, António Mota, disse esta quarta-feira que a morte de Belmiro de Azevedo foi “uma perda enorme para Portugal”.

O presidente do Conselho de Administração da Mota-Engil referiu que teve mais contacto com o ex-presidente do grupo Sonae na altura da privatização do Banco Português do Atlântico e recordou-o como “um homem de uma capacidade invulgar”, a quem “ninguém conseguia ficar indiferente”. António Mota destacou ainda o facto de Belmiro de Azevedo ter criado “um grupo que consolidou ao longo do tempo”.

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